A Resiliência da Identidade: Indigenato e a Virada Histórica no Direito Internacional

Lucas Lixinski
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Abstract

Neste artigo, eu discuto a falta de narrativas centradas na perspectiva indígena na virada histórica no direito internacional. Considerando-se que um dos principais usos políticos desta virada histórica visa desfazer os danos dos encontros coloniais (como nas Abordagens Terceiro-Mundistas de Direito Internacional, por exemplo), é um tanto quanto consternante que frequentemente, e particularmente em contextos indígenas, estes encontros  ainda são contados a partir da perspectiva do colonizador. Assim, a existência indígena é concebida unicamente da perspectiva de vitimização, que é inevitavelmente articulada de uma forma que nega agência às pessoas e povos indígenas como atores históricos. Este paradoxo demonstra a resiliência do eurocentrismo na nossa articulação de projetos jurídicos internacionais, e a resiliência da identidade e resistência indígenas apesar de seu apagamento estrutural ainda em andamento. Este artigo portanto pergunta o que pode significar, epistemologicamente e metodologicamente, centralizar o indigenato na virada histórica do direito internacional, argumentando-se pela recuperação e alavancamento da agência indígena na virada histórica no direito internacional. Eu, pessoalmente, não sou indígena, portanto eu não viso oferecer uma “visão indígena da história do direito internacional”, mas sim simplesmente criar e explorar cunhas na produção acadêmica voltada à virada histórica. Estas cunhas podem tornar o campo mais receptivo a atender à resiliência do subalterno, abrir o campo para metodologias históricas alternativas e questionar fundamentalmente se nós podemos aprender sobre a resiliência face aos desafios externos ao ordenamento jurídico internacional a partir da resiliência já existente no direito internacional.
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身份的复原力:土著性与国际法的历史转向
在本文中,我将讨论在国际法的历史转向中缺乏以土著视角为中心的叙述。考虑到这一历史转向的主要政治用途之一是消除殖民遭遇所造成的损害(例如《第三世界处理国际法问题的方法》),但令人有些沮丧的是,这些遭遇往往仍从殖民者的角度来叙述,特别是在土著背景下。因此,原住民的存在只是从受害的角度来构想的,其表述方式不可避免地剥夺了原住民作为历史行动者的能动性。这一悖论表明了欧洲中心主义在我们阐述国际法律项目时的顽强生命力,也表明了土著身份认同和反抗的顽强生命力,尽管这种身份认同和反抗在结构上不断被抹杀。因此,本文从认识论和方法论的角度提出了在国际法的历史转向中将土著性中心化可能意味着什么,主张在国际法的历史转向中恢复和利用土著机构。我本人不是土著人,因此我的目标不是提供 "土著人的国际法史观",而只是在以历史转向为重点的学术成果中创造和利用楔子。这些楔子可以使这一领域更容易接受次等群体的复原力,使这一领域向其他历史方法论开放,并从根本上质疑我们是否可以从国际法中已经存在的复原力中学习面对国际法律秩序的外部挑战时的复原力。
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