{"title":"O DISCURSO TELEVISIVO E O SUJEITO TRANSEXUAL: SENTIDOS E SILENCIAMENTOS NA MÍDIA","authors":"J. Denardin","doi":"10.17648/movideias-v24n1-1355","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Neste trabalho, a partir da perspectiva teórica da Análise de Discurso (PÊCHEUX, 1969, 1975), articulada aos estudos do gênero (BEAUVOIR, 1967,1970; BENTO 2008; BUTLER 2003, 2011), pretendemos analisar a série “Quem sou eu?”, transmitida pelo programa televisivo da Rede Globo de Televisão Fantástico. Realizada em quatro episódios, com circulação em quatro domingos consecutivos, entre os meses de março e abril de 2017, a série abordou o tema da transexualidade e as demandas pertinentes e “inerentes” ao sujeito transexual, tais como: as “escolhas” de quem nasceu no corpo “errado”; a repercussão na vida escolar e acadêmica por ser um sujeito trans; a questão da automedicação e tratamento(s); a cirurgia de transgenitalização e os relacionamentos no “mundo transgênero”, tanto em relação às questões de afeto familiar quanto às questões de desejo sexual. O objetivo principal é analisar como a série, que é narrada, metaforicamente, ancorada na história infantil “Alice no País das Maravilhas”, traz o(s) dizer(es) como um modo de fazer falar o tema da transexualidade. Nossa dissertação tem como intuito analisar o funcionamento ideológico que permeia as discussões feitas pelo programa televisivo acerca desse tema – assunto que tem sido pivô de várias discussões na contemporaneidade com repercussão social intensa, o que justifica cientificamente a nossa pesquisa e a necessidade de abordar a transexualidade no espaço de produção científica, para que não tenha, como dito, somente o que é produzido pelo senso comum, possibilitando, assim, uma construção epistemológica do conhecimento e saberes sobre a transexualidade. Portanto, este trabalho teve a intenção de compreender como se sustentam efeitos de sentidos – ditos e não ditos – em dizeres produzidos pelo discurso televisivo de tal programa; ademais, analisou como os sujeitos trans se dizem e são ditos nessa série sobre sua transexualidade.","PeriodicalId":113137,"journal":{"name":"Movendo Ideias","volume":"51 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2019-02-08","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Movendo Ideias","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.17648/movideias-v24n1-1355","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
Neste trabalho, a partir da perspectiva teórica da Análise de Discurso (PÊCHEUX, 1969, 1975), articulada aos estudos do gênero (BEAUVOIR, 1967,1970; BENTO 2008; BUTLER 2003, 2011), pretendemos analisar a série “Quem sou eu?”, transmitida pelo programa televisivo da Rede Globo de Televisão Fantástico. Realizada em quatro episódios, com circulação em quatro domingos consecutivos, entre os meses de março e abril de 2017, a série abordou o tema da transexualidade e as demandas pertinentes e “inerentes” ao sujeito transexual, tais como: as “escolhas” de quem nasceu no corpo “errado”; a repercussão na vida escolar e acadêmica por ser um sujeito trans; a questão da automedicação e tratamento(s); a cirurgia de transgenitalização e os relacionamentos no “mundo transgênero”, tanto em relação às questões de afeto familiar quanto às questões de desejo sexual. O objetivo principal é analisar como a série, que é narrada, metaforicamente, ancorada na história infantil “Alice no País das Maravilhas”, traz o(s) dizer(es) como um modo de fazer falar o tema da transexualidade. Nossa dissertação tem como intuito analisar o funcionamento ideológico que permeia as discussões feitas pelo programa televisivo acerca desse tema – assunto que tem sido pivô de várias discussões na contemporaneidade com repercussão social intensa, o que justifica cientificamente a nossa pesquisa e a necessidade de abordar a transexualidade no espaço de produção científica, para que não tenha, como dito, somente o que é produzido pelo senso comum, possibilitando, assim, uma construção epistemológica do conhecimento e saberes sobre a transexualidade. Portanto, este trabalho teve a intenção de compreender como se sustentam efeitos de sentidos – ditos e não ditos – em dizeres produzidos pelo discurso televisivo de tal programa; ademais, analisou como os sujeitos trans se dizem e são ditos nessa série sobre sua transexualidade.