{"title":"Linhas, rostos e máscaras cirúrgicas: desenhos na pandemia da SARS-CoV-2/ Covid-19","authors":"Shakil Rahim","doi":"10.5965/24471267932023152","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"A pandemia de Covid-19 cobriu os rostos com máscaras de proteção, de diferentes formatos e tipologias, que transformou a visibilidade da expressão facial humana. Os desenhos de observação aqui apresentados são instantâneos dessa reconfiguração, realizados em Lisboa a partir de 2020, durante o meu quotidiano na pandemia. Apontamentos rápidos de desconhecidos em espaços públicos, registados in situ, em cadernos ou folhas soltas, com materiais que tinha à mão (ou no bolso). A simplicidade da linha permitiu a urgência da velocidade do registo para reduzir o embaraço da fixação ocular, num contexto vulnerável de saúde pública. A modelação geométrica da máscara rompeu com o cânone das proporções, e alterou a expressão e os elementos mínimos de reconhecimento facial. A relação compositiva olhos-nariz-lábios desapareceu, para dar lugar a outras entidades: olhar-sobrancelha, trapézio da testa, moldura do cabelo, orelhas-cabide e pescoço-pedestal. Na nova ordem visual, o conflito entre identidade e abstração fez acordar os valores simbólicos, sociais e culturais do uso de máscaras na construção da personalidade, na representação de narrativas e na opressão de direitos e liberdades.","PeriodicalId":149028,"journal":{"name":"Revista Apotheke","volume":"112 2","pages":""},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2024-01-04","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Revista Apotheke","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.5965/24471267932023152","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
A pandemia de Covid-19 cobriu os rostos com máscaras de proteção, de diferentes formatos e tipologias, que transformou a visibilidade da expressão facial humana. Os desenhos de observação aqui apresentados são instantâneos dessa reconfiguração, realizados em Lisboa a partir de 2020, durante o meu quotidiano na pandemia. Apontamentos rápidos de desconhecidos em espaços públicos, registados in situ, em cadernos ou folhas soltas, com materiais que tinha à mão (ou no bolso). A simplicidade da linha permitiu a urgência da velocidade do registo para reduzir o embaraço da fixação ocular, num contexto vulnerável de saúde pública. A modelação geométrica da máscara rompeu com o cânone das proporções, e alterou a expressão e os elementos mínimos de reconhecimento facial. A relação compositiva olhos-nariz-lábios desapareceu, para dar lugar a outras entidades: olhar-sobrancelha, trapézio da testa, moldura do cabelo, orelhas-cabide e pescoço-pedestal. Na nova ordem visual, o conflito entre identidade e abstração fez acordar os valores simbólicos, sociais e culturais do uso de máscaras na construção da personalidade, na representação de narrativas e na opressão de direitos e liberdades.