{"title":"保存或删除","authors":"Antônio Agenor Briquet de Lemos","doi":"10.11606/issn.2595-5802.v0i2p120-152","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Os registros feitos desde longínquas eras têm tido sua conservabilidade sujeita a riscos intrínsecos aos materiais e técnicas empregados em sua feitura e a fatores extrínsecos, de ordem ambiental, política, cultural, econômica e tecnológica. Além de seu uso contribuir para acelerar os processos de desorganização, de decaimento, de desordem, próprios de tudo que existe. Se conservar é ato de intervenção humana, o seu contrário (desconservar) ocorre naturalmente, pelo simples passar do tempo, embora a ação e a inação do homem costumem contribuir para isso. A manutenção deficiente dos lugares de abrigo dos documentos é um dos fatores que contribuem para sua mais rápida desconservação. Em levantamento feito de fevereiro de 1880 a março de 2017, foram identificados 77 incêndios e 21 alagamentos em bibliotecas e arquivos, com graus variados de perdas. Práticas de conservação exigem mecanismos de cooperação, intercâmbio e definição de responsabilidades em âmbito local, regional e nacional. Da lavagem do papel à digitalização de textos, passando pela microfilmagem, o histórico das técnicas de conservação mostra que seu emprego nem sempre adotou as cautelas necessárias, às vezes contribuindo para a perda ou mutilação dos documentos. A desconservação pode ser consequência ainda da repressão de ideias, de furtos e roubos e da ocultação/destruição de documentos em casos de ilícitos, o que atinge principalmente os arquivos. A conservação, tanto em seus aspectos técnicos quanto culturais, políticos e econômicos, deve fazer parte de uma política de Estado para preservação do patrimônio cultural nacional.","PeriodicalId":331579,"journal":{"name":"Revista BBM","volume":"83 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2020-10-07","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":"{\"title\":\"Conservar ou Desconservar\",\"authors\":\"Antônio Agenor Briquet de Lemos\",\"doi\":\"10.11606/issn.2595-5802.v0i2p120-152\",\"DOIUrl\":null,\"url\":null,\"abstract\":\"Os registros feitos desde longínquas eras têm tido sua conservabilidade sujeita a riscos intrínsecos aos materiais e técnicas empregados em sua feitura e a fatores extrínsecos, de ordem ambiental, política, cultural, econômica e tecnológica. Além de seu uso contribuir para acelerar os processos de desorganização, de decaimento, de desordem, próprios de tudo que existe. Se conservar é ato de intervenção humana, o seu contrário (desconservar) ocorre naturalmente, pelo simples passar do tempo, embora a ação e a inação do homem costumem contribuir para isso. A manutenção deficiente dos lugares de abrigo dos documentos é um dos fatores que contribuem para sua mais rápida desconservação. Em levantamento feito de fevereiro de 1880 a março de 2017, foram identificados 77 incêndios e 21 alagamentos em bibliotecas e arquivos, com graus variados de perdas. Práticas de conservação exigem mecanismos de cooperação, intercâmbio e definição de responsabilidades em âmbito local, regional e nacional. Da lavagem do papel à digitalização de textos, passando pela microfilmagem, o histórico das técnicas de conservação mostra que seu emprego nem sempre adotou as cautelas necessárias, às vezes contribuindo para a perda ou mutilação dos documentos. A desconservação pode ser consequência ainda da repressão de ideias, de furtos e roubos e da ocultação/destruição de documentos em casos de ilícitos, o que atinge principalmente os arquivos. A conservação, tanto em seus aspectos técnicos quanto culturais, políticos e econômicos, deve fazer parte de uma política de Estado para preservação do patrimônio cultural nacional.\",\"PeriodicalId\":331579,\"journal\":{\"name\":\"Revista BBM\",\"volume\":\"83 1\",\"pages\":\"0\"},\"PeriodicalIF\":0.0000,\"publicationDate\":\"2020-10-07\",\"publicationTypes\":\"Journal Article\",\"fieldsOfStudy\":null,\"isOpenAccess\":false,\"openAccessPdf\":\"\",\"citationCount\":\"0\",\"resultStr\":null,\"platform\":\"Semanticscholar\",\"paperid\":null,\"PeriodicalName\":\"Revista BBM\",\"FirstCategoryId\":\"1085\",\"ListUrlMain\":\"https://doi.org/10.11606/issn.2595-5802.v0i2p120-152\",\"RegionNum\":0,\"RegionCategory\":null,\"ArticlePicture\":[],\"TitleCN\":null,\"AbstractTextCN\":null,\"PMCID\":null,\"EPubDate\":\"\",\"PubModel\":\"\",\"JCR\":\"\",\"JCRName\":\"\",\"Score\":null,\"Total\":0}","platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Revista BBM","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.11606/issn.2595-5802.v0i2p120-152","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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