Ana Paula Ramos de Souza, Márcia Cristina Barreto Fernandes de Abreu
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Como abordagem terapêutica e análise dos resultados, foram utilizados aportes da constituição psíquica da teoria psicanalítica, e sobre o desenvolvimento linguístico em uma perspectiva enunciativa. Resultados: O multiculturalismo acarretava um desafio maior ao processo de aquisição da linguagem por parte da criança com autismo, enquanto o silêncio consequente da dor do luto, presente nos adultos, dificultava a troca verbal e atrasava sua constituição psíquica. O autismo, por sua vez, apresentou-se como transtornos qualitativos na comunicação, necessitando maior investimento por parte de seus cuidadores para que a aquisição da linguagem se desse, pois o paciente precisou ser fisgado para a nossa cultura. 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Constituição psíquica e linguística de um sujeito com transtorno do espectro do autismo imerso em uma família vulnerável pela imigração no pós-guerra
Introdução: este artigo apresenta a constituição psíquica e linguística de um jovem autista, proveniente de uma família de imigrantes em situação de pós-guerra, em que entram em questão temas como o luto, a constituição psíquica transgeracional, e a presença de angústias no processo de desenvolvimento da criança em uma situação singular que é a presença do autismo. Objetivo: analisar os efeitos singulares da imigração e multiculturalismo em um caso de autismo e sua evolução terapêutica. Método: estudo de caso longitudinal, que utilizou diário clínico e filmagens de sessões com observações do desenvolvimento de Rafael, desde os dezoito meses até a idade adulta. Como abordagem terapêutica e análise dos resultados, foram utilizados aportes da constituição psíquica da teoria psicanalítica, e sobre o desenvolvimento linguístico em uma perspectiva enunciativa. Resultados: O multiculturalismo acarretava um desafio maior ao processo de aquisição da linguagem por parte da criança com autismo, enquanto o silêncio consequente da dor do luto, presente nos adultos, dificultava a troca verbal e atrasava sua constituição psíquica. O autismo, por sua vez, apresentou-se como transtornos qualitativos na comunicação, necessitando maior investimento por parte de seus cuidadores para que a aquisição da linguagem se desse, pois o paciente precisou ser fisgado para a nossa cultura. Conclusão: Diante de todo esse quadro, o caso clínico demonstra a importância do suporte terapêutico à família e do investimento contínuo na subjetivação, considerando e valorizando os diferentes códigos culturais que compõem o núcleo familiar.