{"title":"As Fiandeiras da Memória: a cidade de Fortaleza arquivada em fotografias e oralidades","authors":"Cristina Sousa da Silva","doi":"10.11606/issn.2596-2477.i47p155-166","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Acompanhamos as mulheres do Poço da Draga, em Fortaleza-CE, e percebemos que tanto o território como suas trajetórias se entrelaçam, contando as narrativas da própria cidade. Tomamos esse território a partir das fotografias que essas mulheres guardam em casa e suas narrativas sobre elas. Partindo das ideias de Assmann, Gagnebin, Certeau e Didi-Huberman, buscamos refletir sobre como, a partir de fotografias, podemos desvelar as biografias individuais, mas também a biografia de uma cidade. As mulheres são guardiãs, cuidam da vida como se segurassem um tear, tecem as histórias que herdaram e cultivam, mesmo na aridez do cotidiano, seus baús invisíveis. Como árvores fincadas ao solo, seus pés se enraízam, fixam os alicerces de suas casas, de suas famílias e tomam posse cotidianamente da terra e das histórias que experimentam e das que evocam em suas memórias. Os álbuns fotográficos também arquivam e evocam os seus territórios invisíveis: a vida construída no interior de suas casas, na mesa de suas cozinhas, no fundo dos quintais e na passagem do tempo em suas calçadas. Esses pedaços de papel, tecidos na luz, se revelam a cada imagem como extensões de seus corpos, nos quais elas arquivam suas biografias e as biografias da cidade.","PeriodicalId":426966,"journal":{"name":"Manuscrítica: Revista de Crítica Genética","volume":"16 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2022-12-22","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Manuscrítica: Revista de Crítica Genética","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i47p155-166","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
Acompanhamos as mulheres do Poço da Draga, em Fortaleza-CE, e percebemos que tanto o território como suas trajetórias se entrelaçam, contando as narrativas da própria cidade. Tomamos esse território a partir das fotografias que essas mulheres guardam em casa e suas narrativas sobre elas. Partindo das ideias de Assmann, Gagnebin, Certeau e Didi-Huberman, buscamos refletir sobre como, a partir de fotografias, podemos desvelar as biografias individuais, mas também a biografia de uma cidade. As mulheres são guardiãs, cuidam da vida como se segurassem um tear, tecem as histórias que herdaram e cultivam, mesmo na aridez do cotidiano, seus baús invisíveis. Como árvores fincadas ao solo, seus pés se enraízam, fixam os alicerces de suas casas, de suas famílias e tomam posse cotidianamente da terra e das histórias que experimentam e das que evocam em suas memórias. Os álbuns fotográficos também arquivam e evocam os seus territórios invisíveis: a vida construída no interior de suas casas, na mesa de suas cozinhas, no fundo dos quintais e na passagem do tempo em suas calçadas. Esses pedaços de papel, tecidos na luz, se revelam a cada imagem como extensões de seus corpos, nos quais elas arquivam suas biografias e as biografias da cidade.
我们跟随福塔莱萨poco da Draga的女性,意识到领土和她们的轨迹是交织在一起的,讲述着城市本身的故事。我们从这些女性保存在家里的照片和她们对自己的叙述中获得了这一领域。从Assmann, Gagnebin, Certeau和Didi-Huberman的想法出发,我们试图反思如何从照片中揭示个人传记,以及一个城市的传记。女性是守护者,她们像拿着织布机一样照顾生命,编织她们继承的故事,即使在日常的干旱中,她们也在培养她们看不见的胸部。就像树插在地上一样,他们的脚扎根了,为他们的房子和家庭奠定了基础,他们每天都拥有这片土地,拥有他们所经历的故事,以及他们在记忆中回忆的故事。这些相册也记录和唤起了他们看不见的领域:生活建立在他们的房子里,在他们的厨房桌子上,在他们的后院,在他们的人行道上的时间流逝。这些纸片,在光线下编织,在每一幅图像中显示自己,就像他们身体的延伸,他们把自己的传记和城市的传记放在上面。