当代生产结构对工人健康的干扰

Hugo Canella Vieira, L. Guerra
{"title":"当代生产结构对工人健康的干扰","authors":"Hugo Canella Vieira, L. Guerra","doi":"10.14295/jmphc.v11isup.887","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"O processo saúde-doença não deve ser reduzido ao aspecto individual e biológico. Sua essência está em reconhecer seu caráter social e sua determinação histórica. Neste sentido, o impasse na relação trabalho e saúde, ao longo dos anos, encontra-se nas diferentes formas assumidas pela exploração do trabalho. Dela, por interesse do capitalista, surgem novas e melhores formas de extração do excedente, por meio da otimização de sua produtividade. A crítica a este movimento está na forma desbalanceada pela qual se estabelece, favorecendo os interesses do capital em detrimento do bem-estar dos trabalhadores, intensificando a degradação do trabalho devido ao inerente distanciamento da produção às necessidades sociais, estando a primeira voltada para a desmedida reprodução do valor. Ademais, o neoliberalismo, como modelo vigente do capitalismo, prioriza os interesses do capital financeiro, que não necessita do trabalhador (diferente do capital produtivo), uma vez que produz riqueza a partir do próprio dinheiro. Neste contexto, embora tenham ocorrido avanços na conquista de direitos sociais e trabalhistas nas últimas décadas, o trabalho manteve-se como fonte inesgotável de diferentes formas de sofrimento e adoecimento. A adaptação do processo de trabalho às novas condições de controle dos meios de produção e de reprodução do capital foram traduzidas pelo mercado como flexibilização. Este movimento favoreceu a disseminação de novas formas de trabalho, como o temporário, doméstico, tele trabalho, a terceirização da produção para espaços que permitem maior exploração da mão de obra, a redução dos empregos estáveis e o aumento de postos informais. O resultado dessa equação é o aumento da massa de desempregados (exército industrial de reserva) que não consegue se inserir no mercado ou recorre aos trabalhos precários e ao subemprego. A precarização do trabalho, resultado da reestruturação produtiva e organizacional adotada por empresas para aumentar seus lucros, bem como o desemprego crescente, associados à perda dos direitos e baixos salários, constituem um cenário que afeta tanto empregados inseridos no mercado formal, quanto àqueles excluídos e em segmentos mais vulneráveis do mercado informal, os expondo aos mais variados riscos. A classe trabalhadora convive com incertezas e inseguranças crônicas, sendo cada vez mais exigida em termos de qualificação e produtividade. Por mais que existam diretrizes definidas por órgãos como a RENAST e CEREST, bem como a própria Lei Orgânica da Saúde e os avanços com a finalidade de articular ações assistenciais, vigilância, prevenção e promoção, se distanciando da abordagem exclusivamente dos aspectos biológicos, a saúde do trabalhador muitas vezes está restrita às iniciativas das próprias empresas (através de seus SESMT) que, por sua vez, estão mais preocupadas em evitar processos trabalhistas do que com o bem-estar de seus colaboradores. Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram gastos em torno de R$ 22 bilhões com benefícios acidentários decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais desde 2012. O número corresponde a cerca de 280 milhões de dias de trabalho perdidos por indivíduos incapacitados para exercer suas funções. Outro dado impressionante é o número de acidentes de trabalhado a cada ano: 700 mil; o quarto pior do mundo, estando somente atrás da China, Índia e Indonésia. A estrutura contemporânea do trabalho impõe graves consequências individuais e sociais, não apenas em nível do consumo e qualidade de vida, mas também na perspectiva de futuro. Fica claro que o bem-estar do trabalhador não é um fator determinante para que se redefinam os parâmetros das relações trabalhistas e do modo de produção. A partir do momento em que o próprio capital é meio e fim para a geração de lucro, a mão de obra se torna dispensável e/ou de fácil reposição. A proposta deste estudo é realizar levantamento sobre o que a literatura cientifica apresenta acerca da imposição da organização contemporânea do processo de Trabalho sobre a saúde do trabalhador, sob perspectiva da tendência de precarização do trabalho e desemprego crescentes. Objetivo: Pretende-se demonstrar as principais transformações do Processo de Trabalho na sociedade capitalista, afim de verificar se os esforços para Promoção e Prevenção da Saúde do Trabalhador têm acompanhado suas alterações. Método: Essa revisão sistemática, do tipo metassíntese, sobre o tema Saúde do Trabalhador foi estabelecida a partir da definição de pergunta de pesquisa para nortear suas atividades subsequentes: Em que peso a organização contemporânea do processo de trabalho interfere na saúde do trabalhador? Em seguida, foi realizada busca por descritores em ciências da saúde – DeCS que melhor abrangessem a indagação proposta. Os termos e descritores aderentes ao tema pesquisado foram diversos (Saúde do Trabalhador; Condições de Trabalho; Doenças Profissionais; Equilíbrio Trabalho Vida; etc.) e, sobre eles, foi aplicada técnica de busca com os delimitadores AND e OR, afim de filtrar os resultados obtidos, possibilitando trabalhar sobre uma base restrita de artigos coerentes com o tema. Neste sentido, para a construção da sintaxe de pesquisa, os descritores foram separados entre População, Contexto e Fenômeno. Foi definido que a população é a própria saúde do trabalhador, sujeita aos condicionamentos estabelecidos pelas variáveis do contexto: condições, ambiente e mercado de trabalho, bem como a vigilância em saúde do trabalhador e suas relações trabalhistas. Vale destacar que o conceito de saúde no descritor saúde do trabalhador não se restringe a ausência de doença. Como sua própria definição sugere, trata-se da promoção e manutenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as ocupações, bem como a prevenção e proteção dos trabalhadores dos riscos resultantes de fatores adversos à saúde. Por fim, foi entendido como Fenômeno, o adoecimento do trabalhador, representado aqui pelo descritor Doenças Profissionais. Vale destacar que diferentes sintaxes contemplando as variáveis do estudo foram testadas nas bases de artigos e, ao final dos testes, se propôs utilizar na base de dados Lilacs a Sintaxe: Saúde do Trabalhador [Descritor de assunto] and Ambiente de Trabalho OR Condições de Trabalho OR Mercado de Trabalho OR Vigilância em Saúde do Trabalhador OR Relações Trabalhistas OR Equilíbrio Trabalho-Vida [Descritor de assunto] and Doenças Profissionais [Descritor de assunto], obtendo como resultado 84 estudos, sobre os quais serão realizadas as análises propostas. ","PeriodicalId":358918,"journal":{"name":"JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750","volume":"72 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2019-12-12","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":"{\"title\":\"A interferência da estrutura produtiva contemporânea na saúde do trabalhador\",\"authors\":\"Hugo Canella Vieira, L. Guerra\",\"doi\":\"10.14295/jmphc.v11isup.887\",\"DOIUrl\":null,\"url\":null,\"abstract\":\"O processo saúde-doença não deve ser reduzido ao aspecto individual e biológico. Sua essência está em reconhecer seu caráter social e sua determinação histórica. Neste sentido, o impasse na relação trabalho e saúde, ao longo dos anos, encontra-se nas diferentes formas assumidas pela exploração do trabalho. Dela, por interesse do capitalista, surgem novas e melhores formas de extração do excedente, por meio da otimização de sua produtividade. A crítica a este movimento está na forma desbalanceada pela qual se estabelece, favorecendo os interesses do capital em detrimento do bem-estar dos trabalhadores, intensificando a degradação do trabalho devido ao inerente distanciamento da produção às necessidades sociais, estando a primeira voltada para a desmedida reprodução do valor. Ademais, o neoliberalismo, como modelo vigente do capitalismo, prioriza os interesses do capital financeiro, que não necessita do trabalhador (diferente do capital produtivo), uma vez que produz riqueza a partir do próprio dinheiro. Neste contexto, embora tenham ocorrido avanços na conquista de direitos sociais e trabalhistas nas últimas décadas, o trabalho manteve-se como fonte inesgotável de diferentes formas de sofrimento e adoecimento. A adaptação do processo de trabalho às novas condições de controle dos meios de produção e de reprodução do capital foram traduzidas pelo mercado como flexibilização. Este movimento favoreceu a disseminação de novas formas de trabalho, como o temporário, doméstico, tele trabalho, a terceirização da produção para espaços que permitem maior exploração da mão de obra, a redução dos empregos estáveis e o aumento de postos informais. O resultado dessa equação é o aumento da massa de desempregados (exército industrial de reserva) que não consegue se inserir no mercado ou recorre aos trabalhos precários e ao subemprego. A precarização do trabalho, resultado da reestruturação produtiva e organizacional adotada por empresas para aumentar seus lucros, bem como o desemprego crescente, associados à perda dos direitos e baixos salários, constituem um cenário que afeta tanto empregados inseridos no mercado formal, quanto àqueles excluídos e em segmentos mais vulneráveis do mercado informal, os expondo aos mais variados riscos. A classe trabalhadora convive com incertezas e inseguranças crônicas, sendo cada vez mais exigida em termos de qualificação e produtividade. Por mais que existam diretrizes definidas por órgãos como a RENAST e CEREST, bem como a própria Lei Orgânica da Saúde e os avanços com a finalidade de articular ações assistenciais, vigilância, prevenção e promoção, se distanciando da abordagem exclusivamente dos aspectos biológicos, a saúde do trabalhador muitas vezes está restrita às iniciativas das próprias empresas (através de seus SESMT) que, por sua vez, estão mais preocupadas em evitar processos trabalhistas do que com o bem-estar de seus colaboradores. Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram gastos em torno de R$ 22 bilhões com benefícios acidentários decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais desde 2012. O número corresponde a cerca de 280 milhões de dias de trabalho perdidos por indivíduos incapacitados para exercer suas funções. Outro dado impressionante é o número de acidentes de trabalhado a cada ano: 700 mil; o quarto pior do mundo, estando somente atrás da China, Índia e Indonésia. A estrutura contemporânea do trabalho impõe graves consequências individuais e sociais, não apenas em nível do consumo e qualidade de vida, mas também na perspectiva de futuro. Fica claro que o bem-estar do trabalhador não é um fator determinante para que se redefinam os parâmetros das relações trabalhistas e do modo de produção. A partir do momento em que o próprio capital é meio e fim para a geração de lucro, a mão de obra se torna dispensável e/ou de fácil reposição. A proposta deste estudo é realizar levantamento sobre o que a literatura cientifica apresenta acerca da imposição da organização contemporânea do processo de Trabalho sobre a saúde do trabalhador, sob perspectiva da tendência de precarização do trabalho e desemprego crescentes. Objetivo: Pretende-se demonstrar as principais transformações do Processo de Trabalho na sociedade capitalista, afim de verificar se os esforços para Promoção e Prevenção da Saúde do Trabalhador têm acompanhado suas alterações. Método: Essa revisão sistemática, do tipo metassíntese, sobre o tema Saúde do Trabalhador foi estabelecida a partir da definição de pergunta de pesquisa para nortear suas atividades subsequentes: Em que peso a organização contemporânea do processo de trabalho interfere na saúde do trabalhador? Em seguida, foi realizada busca por descritores em ciências da saúde – DeCS que melhor abrangessem a indagação proposta. Os termos e descritores aderentes ao tema pesquisado foram diversos (Saúde do Trabalhador; Condições de Trabalho; Doenças Profissionais; Equilíbrio Trabalho Vida; etc.) e, sobre eles, foi aplicada técnica de busca com os delimitadores AND e OR, afim de filtrar os resultados obtidos, possibilitando trabalhar sobre uma base restrita de artigos coerentes com o tema. Neste sentido, para a construção da sintaxe de pesquisa, os descritores foram separados entre População, Contexto e Fenômeno. Foi definido que a população é a própria saúde do trabalhador, sujeita aos condicionamentos estabelecidos pelas variáveis do contexto: condições, ambiente e mercado de trabalho, bem como a vigilância em saúde do trabalhador e suas relações trabalhistas. Vale destacar que o conceito de saúde no descritor saúde do trabalhador não se restringe a ausência de doença. Como sua própria definição sugere, trata-se da promoção e manutenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as ocupações, bem como a prevenção e proteção dos trabalhadores dos riscos resultantes de fatores adversos à saúde. Por fim, foi entendido como Fenômeno, o adoecimento do trabalhador, representado aqui pelo descritor Doenças Profissionais. Vale destacar que diferentes sintaxes contemplando as variáveis do estudo foram testadas nas bases de artigos e, ao final dos testes, se propôs utilizar na base de dados Lilacs a Sintaxe: Saúde do Trabalhador [Descritor de assunto] and Ambiente de Trabalho OR Condições de Trabalho OR Mercado de Trabalho OR Vigilância em Saúde do Trabalhador OR Relações Trabalhistas OR Equilíbrio Trabalho-Vida [Descritor de assunto] and Doenças Profissionais [Descritor de assunto], obtendo como resultado 84 estudos, sobre os quais serão realizadas as análises propostas. \",\"PeriodicalId\":358918,\"journal\":{\"name\":\"JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750\",\"volume\":\"72 1\",\"pages\":\"0\"},\"PeriodicalIF\":0.0000,\"publicationDate\":\"2019-12-12\",\"publicationTypes\":\"Journal Article\",\"fieldsOfStudy\":null,\"isOpenAccess\":false,\"openAccessPdf\":\"\",\"citationCount\":\"0\",\"resultStr\":null,\"platform\":\"Semanticscholar\",\"paperid\":null,\"PeriodicalName\":\"JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750\",\"FirstCategoryId\":\"1085\",\"ListUrlMain\":\"https://doi.org/10.14295/jmphc.v11isup.887\",\"RegionNum\":0,\"RegionCategory\":null,\"ArticlePicture\":[],\"TitleCN\":null,\"AbstractTextCN\":null,\"PMCID\":null,\"EPubDate\":\"\",\"PubModel\":\"\",\"JCR\":\"\",\"JCRName\":\"\",\"Score\":null,\"Total\":0}","platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.14295/jmphc.v11isup.887","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
引用次数: 0

摘要

健康-疾病过程不应简化为个人和生物方面。它的本质在于认识到它的社会性质和历史决心。从这个意义上说,多年来,工作与健康关系的僵局在于工作剥削所采取的不同形式。为了资本家的利益,新的和更好的形式出现了,通过优化他的生产力来提取剩余。批评这个动作在不平衡,如果在不久之后,资本的利益损害工人的福利,加剧恶化的工作由于生产社会需要的固有的距离,第一个朝向的过度繁殖价值。此外,新自由主义作为当前的资本主义模式,优先考虑金融资本的利益,金融资本不需要工人(与生产资本不同),因为它从货币本身创造财富。在这方面,尽管近几十年来在实现社会和劳工权利方面取得了进展,但工作仍然是不同形式痛苦和疾病的取之不尽的来源。劳动过程对生产资料控制和资本再生产的新条件的适应被市场转化为灵活性。这一运动促进了新工作形式的传播,如临时工作、家庭工作、远程工作、将生产外包到允许更大程度剥削劳动力的空间、稳定工作的减少和非正式工作的增加。这一等式的结果是失业人口(工业后备军)的增加,他们无法进入市场或诉诸不稳定的工作和就业不足。造成不稳定的工作,通过重组生产和组织企业为了增加利润,以及不断上升的失业率,低工资和相关损失的权利,是一个场景,影响员工在正式市场和非正式市场排除在外,而在最弱势人群暴露的各种风险。工人阶级生活在长期的不确定性和不安全感中,在资格和生产力方面的要求越来越高。存在多器官如何定义的指导方针来RENAST有机和CEREST法律本身的健康和发展,以联合秩序行为,监控,预防和促进的方法,别担心如果只生物,工人的健康方面经常受到限制的举措通过他们的SESMT公司(),反过来,他们更关心避免劳动诉讼,而不是员工的福利。根据劳动部的数据,自2012年以来,约220亿雷亚尔用于事故和职业病造成的事故福利。这一数字相当于丧失工作能力的个人损失了约2.8亿个工作日。另一个令人印象深刻的数据是每年工作事故的数量:70万;世界排名第四,仅次于中国、印度和印度尼西亚。当代的工作结构对个人和社会产生了严重的后果,不仅在消费和生活质量方面,而且在未来的前景方面。很明显,工人的福利并不是重新定义劳动关系和生产方式参数的决定性因素。从资本本身是产生利润的手段和目的的那一刻起,劳动力就变得可有可无和/或容易替代。本研究的目的是在工作不稳定和失业增加的趋势下,对科学文献中关于当代工作过程组织对工人健康的强加进行调查。目的:展示资本主义社会劳动过程的主要变化,以验证促进和预防工人健康的努力是否伴随着其变化。方法:这一关于工人健康主题的系统综述,基于研究问题的定义,以指导其后续活动:当代工作过程组织对工人健康的影响有多大?然后,在健康科学(DeCS)中搜索最能涵盖拟议问题的描述符。与研究主题相关的术语和描述符有几个(工人健康;工作场所健康;工作场所健康)工作条件;疾病;平衡工作和生活;等等。
本文章由计算机程序翻译,如有差异,请以英文原文为准。
查看原文
分享 分享
微信好友 朋友圈 QQ好友 复制链接
本刊更多论文
A interferência da estrutura produtiva contemporânea na saúde do trabalhador
O processo saúde-doença não deve ser reduzido ao aspecto individual e biológico. Sua essência está em reconhecer seu caráter social e sua determinação histórica. Neste sentido, o impasse na relação trabalho e saúde, ao longo dos anos, encontra-se nas diferentes formas assumidas pela exploração do trabalho. Dela, por interesse do capitalista, surgem novas e melhores formas de extração do excedente, por meio da otimização de sua produtividade. A crítica a este movimento está na forma desbalanceada pela qual se estabelece, favorecendo os interesses do capital em detrimento do bem-estar dos trabalhadores, intensificando a degradação do trabalho devido ao inerente distanciamento da produção às necessidades sociais, estando a primeira voltada para a desmedida reprodução do valor. Ademais, o neoliberalismo, como modelo vigente do capitalismo, prioriza os interesses do capital financeiro, que não necessita do trabalhador (diferente do capital produtivo), uma vez que produz riqueza a partir do próprio dinheiro. Neste contexto, embora tenham ocorrido avanços na conquista de direitos sociais e trabalhistas nas últimas décadas, o trabalho manteve-se como fonte inesgotável de diferentes formas de sofrimento e adoecimento. A adaptação do processo de trabalho às novas condições de controle dos meios de produção e de reprodução do capital foram traduzidas pelo mercado como flexibilização. Este movimento favoreceu a disseminação de novas formas de trabalho, como o temporário, doméstico, tele trabalho, a terceirização da produção para espaços que permitem maior exploração da mão de obra, a redução dos empregos estáveis e o aumento de postos informais. O resultado dessa equação é o aumento da massa de desempregados (exército industrial de reserva) que não consegue se inserir no mercado ou recorre aos trabalhos precários e ao subemprego. A precarização do trabalho, resultado da reestruturação produtiva e organizacional adotada por empresas para aumentar seus lucros, bem como o desemprego crescente, associados à perda dos direitos e baixos salários, constituem um cenário que afeta tanto empregados inseridos no mercado formal, quanto àqueles excluídos e em segmentos mais vulneráveis do mercado informal, os expondo aos mais variados riscos. A classe trabalhadora convive com incertezas e inseguranças crônicas, sendo cada vez mais exigida em termos de qualificação e produtividade. Por mais que existam diretrizes definidas por órgãos como a RENAST e CEREST, bem como a própria Lei Orgânica da Saúde e os avanços com a finalidade de articular ações assistenciais, vigilância, prevenção e promoção, se distanciando da abordagem exclusivamente dos aspectos biológicos, a saúde do trabalhador muitas vezes está restrita às iniciativas das próprias empresas (através de seus SESMT) que, por sua vez, estão mais preocupadas em evitar processos trabalhistas do que com o bem-estar de seus colaboradores. Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram gastos em torno de R$ 22 bilhões com benefícios acidentários decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais desde 2012. O número corresponde a cerca de 280 milhões de dias de trabalho perdidos por indivíduos incapacitados para exercer suas funções. Outro dado impressionante é o número de acidentes de trabalhado a cada ano: 700 mil; o quarto pior do mundo, estando somente atrás da China, Índia e Indonésia. A estrutura contemporânea do trabalho impõe graves consequências individuais e sociais, não apenas em nível do consumo e qualidade de vida, mas também na perspectiva de futuro. Fica claro que o bem-estar do trabalhador não é um fator determinante para que se redefinam os parâmetros das relações trabalhistas e do modo de produção. A partir do momento em que o próprio capital é meio e fim para a geração de lucro, a mão de obra se torna dispensável e/ou de fácil reposição. A proposta deste estudo é realizar levantamento sobre o que a literatura cientifica apresenta acerca da imposição da organização contemporânea do processo de Trabalho sobre a saúde do trabalhador, sob perspectiva da tendência de precarização do trabalho e desemprego crescentes. Objetivo: Pretende-se demonstrar as principais transformações do Processo de Trabalho na sociedade capitalista, afim de verificar se os esforços para Promoção e Prevenção da Saúde do Trabalhador têm acompanhado suas alterações. Método: Essa revisão sistemática, do tipo metassíntese, sobre o tema Saúde do Trabalhador foi estabelecida a partir da definição de pergunta de pesquisa para nortear suas atividades subsequentes: Em que peso a organização contemporânea do processo de trabalho interfere na saúde do trabalhador? Em seguida, foi realizada busca por descritores em ciências da saúde – DeCS que melhor abrangessem a indagação proposta. Os termos e descritores aderentes ao tema pesquisado foram diversos (Saúde do Trabalhador; Condições de Trabalho; Doenças Profissionais; Equilíbrio Trabalho Vida; etc.) e, sobre eles, foi aplicada técnica de busca com os delimitadores AND e OR, afim de filtrar os resultados obtidos, possibilitando trabalhar sobre uma base restrita de artigos coerentes com o tema. Neste sentido, para a construção da sintaxe de pesquisa, os descritores foram separados entre População, Contexto e Fenômeno. Foi definido que a população é a própria saúde do trabalhador, sujeita aos condicionamentos estabelecidos pelas variáveis do contexto: condições, ambiente e mercado de trabalho, bem como a vigilância em saúde do trabalhador e suas relações trabalhistas. Vale destacar que o conceito de saúde no descritor saúde do trabalhador não se restringe a ausência de doença. Como sua própria definição sugere, trata-se da promoção e manutenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as ocupações, bem como a prevenção e proteção dos trabalhadores dos riscos resultantes de fatores adversos à saúde. Por fim, foi entendido como Fenômeno, o adoecimento do trabalhador, representado aqui pelo descritor Doenças Profissionais. Vale destacar que diferentes sintaxes contemplando as variáveis do estudo foram testadas nas bases de artigos e, ao final dos testes, se propôs utilizar na base de dados Lilacs a Sintaxe: Saúde do Trabalhador [Descritor de assunto] and Ambiente de Trabalho OR Condições de Trabalho OR Mercado de Trabalho OR Vigilância em Saúde do Trabalhador OR Relações Trabalhistas OR Equilíbrio Trabalho-Vida [Descritor de assunto] and Doenças Profissionais [Descritor de assunto], obtendo como resultado 84 estudos, sobre os quais serão realizadas as análises propostas. 
求助全文
通过发布文献求助,成功后即可免费获取论文全文。 去求助
来源期刊
自引率
0.00%
发文量
0
期刊最新文献
utilização das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e a atuação multiprofissional no atendimento odontológico Reorganização do processo de trabalho da Atenção Primária à Saúde durante o enfrentamento da pandemia da COVID-19 Saúde suplementar no Brasil pela economia da saúde Prevenção quinquenária na unidade de terapia intensiva em época de pandemia revisão crítica acerca da expropriação de direitos sociais e da saúde no capitalismo contemporâneo
×
引用
GB/T 7714-2015
复制
MLA
复制
APA
复制
导出至
BibTeX EndNote RefMan NoteFirst NoteExpress
×
×
提示
您的信息不完整,为了账户安全,请先补充。
现在去补充
×
提示
您因"违规操作"
具体请查看互助需知
我知道了
×
提示
现在去查看 取消
×
提示
确定
0
微信
客服QQ
Book学术公众号 扫码关注我们
反馈
×
意见反馈
请填写您的意见或建议
请填写您的手机或邮箱
已复制链接
已复制链接
快去分享给好友吧!
我知道了
×
扫码分享
扫码分享
Book学术官方微信
Book学术文献互助
Book学术文献互助群
群 号:481959085
Book学术
文献互助 智能选刊 最新文献 互助须知 联系我们:info@booksci.cn
Book学术提供免费学术资源搜索服务,方便国内外学者检索中英文文献。致力于提供最便捷和优质的服务体验。
Copyright © 2023 Book学术 All rights reserved.
ghs 京公网安备 11010802042870号 京ICP备2023020795号-1