促进跨专业培训:一项行动研究建议

Laís Alves de Souza, A. Batiston, Arthur de Almeida Medeiros, F. Ferrari, Flavio Marques Lopes
{"title":"促进跨专业培训:一项行动研究建议","authors":"Laís Alves de Souza, A. Batiston, Arthur de Almeida Medeiros, F. Ferrari, Flavio Marques Lopes","doi":"10.14295/JMPHC.V8I3.605","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Introdução: Recentemente, no Brasil, houve o reconhecimento da importância de promover a formação interprofissional para o trabalho em equipe, considerando a complexidade das necessidades de saúde decorrentes do envelhecimento da população e da prevalência das doenças crônicas degenerativas. As instituições de formação dos profissionais apresentam adoção incipiente dessa prática entre os cursos da saúde, o que é coerente com a realidade de muitas Instituições de Ensino Superior no Brasil, como o encontrado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). As atividades desenvolvidas por estudantes de cursos diversos estão representadas por projetos pontuais como programas PET/MEC, PET- Saúde, ações de extensão e pesquisa, e ainda assim, as atividades podem ser fracionadas por cursos/ área do conhecimento. A necessidade de desenvolver conhecimento no tema, associado à urgência de transformação da realidade, aproximou vários pesquisadores da pesquisa- ação, que se apresenta como uma possibilidade de promoção da interprofissionalidade nas instituições. A provocação para essa investigação e promoção de mudança partiu de um curso de especialização em Desenvolvimento Docente ofertado pelo Instituto Regional Faimer Brasil. Objetivos: Propor, experimentar, difundir e avaliar práticas de formação interprofissional na formação de profissionais da saúde; mudar a cultura institucional da UFMS sobre a interprofissionalidade; fomentar entre os pares o desejo de oferta de novas ações de educação de caráter interprofissional. Métodos: A proposta previu uma abordagem com possíveis docentes interessados em discutir e aplicar a interprofissionalidade na formação, e outra com os alunos por meio da oferta de atividades, considerando que a vivência pode provocar mudanças mais significativas do que a oferta conceitual, através da divulgação e defesa de determinada prática. Deste modo, foi ofertada uma disciplina optativa aberta para a participação de alunos dos cursos da área da saúde e afins (não foi determinando quais cursos seriam afins, na intenção de que qualquer candidato que se identificasse com a proposta pudesse agregar o grupo) com ementa abrangente e metodologia baseada em projetos, visando o diagnóstico, planejamento e execução de um projeto de saúde para o território de uma UBSF, onde já há a inserção de outros estudantes da universidade, em atividades de estágio profissionalizante em Atenção Básica e bom vínculo com a equipe de referência. As atividades teóricas foram desenvolvidas em sala de aula, iniciadas por meio da busca por informações e discussão sobre os agravos de saúde no mundo e, sequencialmente, agravos no país, na região centro- oeste, no estado, no município e, finalmente, análise dos dados gerados pelo sistema de informações do território, disponibilizados pela unidade de saúde. O planejamento foi realizado utilizando-se várias ferramentas como a árvore explicativa de problemas, matriz de SWOT e o diagrama de Ishikawa, ou espinha de peixe e uma planilha representativa do plano de ação que desenvolveram a partir da escolha de um dos agravos locais identificados pelo grupo e de interesse de todos os componentes para a intervenção na realidade. O reconhecimento do território e da UBSF ocorreu por meio de três visitas, visando desenvolver o vínculo com a equipe. A cada atividade desenvolvida houve a possibilidade de questionamentos e proposições para a modificação das práticas, adaptando-se o planejamento inicial da disciplina à avaliação dos estudantes. Paralelamente, em conjunto com outros professores da área da saúde coletiva, foi iniciado o planejamento de um projeto de ensino para o ano de 2018 com temática de interesse comum, visando aproximar estudantes de cursos diversos para a produção de conhecimento coletivo, desenvolvimento de habilidades relacionais e formação de vínculos. Resultados: A disciplina optativa foi finalizada no mês de agosto, com 15 concluintes dos cursos de fisioterapia, enfermagem e odontologia, de um total de 25 estudantes matriculados que, em grupos heterogêneos de acordo com os cursos, desenvolveram o projeto coletivo. As atividades foram desenvolvidas semanalmente, com carga horária de 3 horas, no total de 17 semanas. As modificações ocorridas de acordo com as necessidades expressas, representaram pequenos ajustes, como mudanças nos horários das aulas, atrasos na apresentação dos produtos e necessidade de substituição de membros desistentes (até aproximadamente a quarta aula). A maior mudança, no entanto, e que impactou o grupo foi a não execução dos projetos elaborados no território da UBSF, resultante da discussão do grupo que expôs como dificuldades impeditivas para a continuidade na disciplina a distância da comunidade a ser atendida e limitação de deslocamento dos estudantes. Foram debatidos as perdas e os ganhos com relação à essa escolha e definiram por finalizar a disciplina na apresentação do projeto a ser implantado por outro grupo em outro momento. Esse fato nos levou à reflexão da importância de projetos integrados também entre os semestres dos cursos, visando à continuidade das propostas em situações de término da disciplina e formatura de alunos. Ao fina,l a disciplina foi avaliada pelos alunos por meio de instrumento utilizando a escala de Likert, contendo questões para cada atividade com a intenção de avaliar a aprendizagem e as competências relacionais. Outra forma de apresentação foi através da apresentação de tarjetas. Foram distribuídas quatro delas para cada participante, solicitados a refletir e registrar individualmente pontos positivos e negativos da disciplina. O conteúdo das tarjetas foram compartilhadas nos grupos, quando os participantes puderam, através do estímulo da discussão, registrar em novas tarjetas os novos conteúdos. Os grupos apresentaram a todos os participantes seu produto e houve a possibilidade de explicação sobre os pontos que não estavam claros nos registros. Toda a avaliação foi registrada em diário de campo. Os resultados mostraram que os estudantes valorizaram o aprendizado compartilhado, a formação de vínculos, a aprendizagem sobre as especificidades da atuação do colega, a metodologia ativa e a autonomia do estudante. As dificuldades foram relacionadas ao horário coincidente com outras atividades dos cursos e à insegurança de poder modificar o planejamento inicial da disciplina. Nesse sentido, houve uma rica discussão sobre a autonomia e a corresponsabilização pela aprendizagem, já que a mudança no planejamento durante o desenvolvimento da disciplina apareceu nos registros positivos e negativos, com valorização da possibilidade de participação, mas também insegurança pela ‘não condução e rigidez do docente’. No semestre seguinte houve procura por estudantes de dois outros cursos (não da fisioterapia) em disciplina regular desse curso, de responsabilidade da mesma docente que ofertou a disciplina optativa, revelando que pode ter havido divulgação da experiência. Conclusões: a vivência da interprofissionalidade por meio da disciplina ofertada pode ter estimulado novas possibilidades de formação entre os estudantes. A continuidade da proposta através de novo ciclo, com o projeto de ensino e novas disciplinas serão necessárias para dar continuidade à transformação da realidade e desenvolvimento de conhecimento sobre as vantagens da interprofissionalidade.","PeriodicalId":358918,"journal":{"name":"JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750","volume":"24 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2018-09-19","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":"{\"title\":\"A promoção da formação interprofissional: uma proposta de pesquisa-ação\",\"authors\":\"Laís Alves de Souza, A. Batiston, Arthur de Almeida Medeiros, F. 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A necessidade de desenvolver conhecimento no tema, associado à urgência de transformação da realidade, aproximou vários pesquisadores da pesquisa- ação, que se apresenta como uma possibilidade de promoção da interprofissionalidade nas instituições. A provocação para essa investigação e promoção de mudança partiu de um curso de especialização em Desenvolvimento Docente ofertado pelo Instituto Regional Faimer Brasil. Objetivos: Propor, experimentar, difundir e avaliar práticas de formação interprofissional na formação de profissionais da saúde; mudar a cultura institucional da UFMS sobre a interprofissionalidade; fomentar entre os pares o desejo de oferta de novas ações de educação de caráter interprofissional. Métodos: A proposta previu uma abordagem com possíveis docentes interessados em discutir e aplicar a interprofissionalidade na formação, e outra com os alunos por meio da oferta de atividades, considerando que a vivência pode provocar mudanças mais significativas do que a oferta conceitual, através da divulgação e defesa de determinada prática. Deste modo, foi ofertada uma disciplina optativa aberta para a participação de alunos dos cursos da área da saúde e afins (não foi determinando quais cursos seriam afins, na intenção de que qualquer candidato que se identificasse com a proposta pudesse agregar o grupo) com ementa abrangente e metodologia baseada em projetos, visando o diagnóstico, planejamento e execução de um projeto de saúde para o território de uma UBSF, onde já há a inserção de outros estudantes da universidade, em atividades de estágio profissionalizante em Atenção Básica e bom vínculo com a equipe de referência. As atividades teóricas foram desenvolvidas em sala de aula, iniciadas por meio da busca por informações e discussão sobre os agravos de saúde no mundo e, sequencialmente, agravos no país, na região centro- oeste, no estado, no município e, finalmente, análise dos dados gerados pelo sistema de informações do território, disponibilizados pela unidade de saúde. O planejamento foi realizado utilizando-se várias ferramentas como a árvore explicativa de problemas, matriz de SWOT e o diagrama de Ishikawa, ou espinha de peixe e uma planilha representativa do plano de ação que desenvolveram a partir da escolha de um dos agravos locais identificados pelo grupo e de interesse de todos os componentes para a intervenção na realidade. O reconhecimento do território e da UBSF ocorreu por meio de três visitas, visando desenvolver o vínculo com a equipe. A cada atividade desenvolvida houve a possibilidade de questionamentos e proposições para a modificação das práticas, adaptando-se o planejamento inicial da disciplina à avaliação dos estudantes. Paralelamente, em conjunto com outros professores da área da saúde coletiva, foi iniciado o planejamento de um projeto de ensino para o ano de 2018 com temática de interesse comum, visando aproximar estudantes de cursos diversos para a produção de conhecimento coletivo, desenvolvimento de habilidades relacionais e formação de vínculos. Resultados: A disciplina optativa foi finalizada no mês de agosto, com 15 concluintes dos cursos de fisioterapia, enfermagem e odontologia, de um total de 25 estudantes matriculados que, em grupos heterogêneos de acordo com os cursos, desenvolveram o projeto coletivo. As atividades foram desenvolvidas semanalmente, com carga horária de 3 horas, no total de 17 semanas. As modificações ocorridas de acordo com as necessidades expressas, representaram pequenos ajustes, como mudanças nos horários das aulas, atrasos na apresentação dos produtos e necessidade de substituição de membros desistentes (até aproximadamente a quarta aula). A maior mudança, no entanto, e que impactou o grupo foi a não execução dos projetos elaborados no território da UBSF, resultante da discussão do grupo que expôs como dificuldades impeditivas para a continuidade na disciplina a distância da comunidade a ser atendida e limitação de deslocamento dos estudantes. Foram debatidos as perdas e os ganhos com relação à essa escolha e definiram por finalizar a disciplina na apresentação do projeto a ser implantado por outro grupo em outro momento. Esse fato nos levou à reflexão da importância de projetos integrados também entre os semestres dos cursos, visando à continuidade das propostas em situações de término da disciplina e formatura de alunos. Ao fina,l a disciplina foi avaliada pelos alunos por meio de instrumento utilizando a escala de Likert, contendo questões para cada atividade com a intenção de avaliar a aprendizagem e as competências relacionais. Outra forma de apresentação foi através da apresentação de tarjetas. Foram distribuídas quatro delas para cada participante, solicitados a refletir e registrar individualmente pontos positivos e negativos da disciplina. O conteúdo das tarjetas foram compartilhadas nos grupos, quando os participantes puderam, através do estímulo da discussão, registrar em novas tarjetas os novos conteúdos. Os grupos apresentaram a todos os participantes seu produto e houve a possibilidade de explicação sobre os pontos que não estavam claros nos registros. Toda a avaliação foi registrada em diário de campo. Os resultados mostraram que os estudantes valorizaram o aprendizado compartilhado, a formação de vínculos, a aprendizagem sobre as especificidades da atuação do colega, a metodologia ativa e a autonomia do estudante. As dificuldades foram relacionadas ao horário coincidente com outras atividades dos cursos e à insegurança de poder modificar o planejamento inicial da disciplina. Nesse sentido, houve uma rica discussão sobre a autonomia e a corresponsabilização pela aprendizagem, já que a mudança no planejamento durante o desenvolvimento da disciplina apareceu nos registros positivos e negativos, com valorização da possibilidade de participação, mas também insegurança pela ‘não condução e rigidez do docente’. No semestre seguinte houve procura por estudantes de dois outros cursos (não da fisioterapia) em disciplina regular desse curso, de responsabilidade da mesma docente que ofertou a disciplina optativa, revelando que pode ter havido divulgação da experiência. Conclusões: a vivência da interprofissionalidade por meio da disciplina ofertada pode ter estimulado novas possibilidades de formação entre os estudantes. 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摘要

这一事实使我们反思了课程学期之间综合项目的重要性,旨在在学科结束和学生毕业的情况下继续提出建议。最后,学生通过李克特量表对学科进行评估,该量表包含每个活动的问题,旨在评估学习和关系技能。另一种展示方式是展示卡片。每个参与者被分配了四份,并被要求单独反映和记录纪律的积极和消极方面。卡片的内容在小组中分享,当参与者能够通过刺激讨论,在新的卡片中记录新的内容。小组向所有参与者展示了他们的产品,并有可能解释记录中不清楚的要点。所有的评估都记录在野外日记中。结果表明,学生重视共享学习、联系的形成、对同事具体表现的学习、积极的方法论和学生自主性。这些困难与课程中其他活动的时间一致有关,也与能够修改学科最初规划的不确定性有关。有丰富的讨论,自主和corresponsabilização学习过程,在开发过程中规划工作纪律的出现在正面和负面记录评估参与者的可能,但不确定的‘不驾驶和僵化的教学’。在接下来的一个学期里,在这门课程的常规学科中寻找另外两门课程(不是物理治疗)的学生,由提供选修课的同一位老师负责,这表明可能已经传播了经验。结论:通过所提供的学科的跨专业经验可能刺激了学生形成的新可能性。建议的连续性通过一个新的周期,与教学项目和新的学科将是必要的,以继续转变现实和发展关于跨专业优势的知识。
本文章由计算机程序翻译,如有差异,请以英文原文为准。
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A promoção da formação interprofissional: uma proposta de pesquisa-ação
Introdução: Recentemente, no Brasil, houve o reconhecimento da importância de promover a formação interprofissional para o trabalho em equipe, considerando a complexidade das necessidades de saúde decorrentes do envelhecimento da população e da prevalência das doenças crônicas degenerativas. As instituições de formação dos profissionais apresentam adoção incipiente dessa prática entre os cursos da saúde, o que é coerente com a realidade de muitas Instituições de Ensino Superior no Brasil, como o encontrado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). As atividades desenvolvidas por estudantes de cursos diversos estão representadas por projetos pontuais como programas PET/MEC, PET- Saúde, ações de extensão e pesquisa, e ainda assim, as atividades podem ser fracionadas por cursos/ área do conhecimento. A necessidade de desenvolver conhecimento no tema, associado à urgência de transformação da realidade, aproximou vários pesquisadores da pesquisa- ação, que se apresenta como uma possibilidade de promoção da interprofissionalidade nas instituições. A provocação para essa investigação e promoção de mudança partiu de um curso de especialização em Desenvolvimento Docente ofertado pelo Instituto Regional Faimer Brasil. Objetivos: Propor, experimentar, difundir e avaliar práticas de formação interprofissional na formação de profissionais da saúde; mudar a cultura institucional da UFMS sobre a interprofissionalidade; fomentar entre os pares o desejo de oferta de novas ações de educação de caráter interprofissional. Métodos: A proposta previu uma abordagem com possíveis docentes interessados em discutir e aplicar a interprofissionalidade na formação, e outra com os alunos por meio da oferta de atividades, considerando que a vivência pode provocar mudanças mais significativas do que a oferta conceitual, através da divulgação e defesa de determinada prática. Deste modo, foi ofertada uma disciplina optativa aberta para a participação de alunos dos cursos da área da saúde e afins (não foi determinando quais cursos seriam afins, na intenção de que qualquer candidato que se identificasse com a proposta pudesse agregar o grupo) com ementa abrangente e metodologia baseada em projetos, visando o diagnóstico, planejamento e execução de um projeto de saúde para o território de uma UBSF, onde já há a inserção de outros estudantes da universidade, em atividades de estágio profissionalizante em Atenção Básica e bom vínculo com a equipe de referência. As atividades teóricas foram desenvolvidas em sala de aula, iniciadas por meio da busca por informações e discussão sobre os agravos de saúde no mundo e, sequencialmente, agravos no país, na região centro- oeste, no estado, no município e, finalmente, análise dos dados gerados pelo sistema de informações do território, disponibilizados pela unidade de saúde. O planejamento foi realizado utilizando-se várias ferramentas como a árvore explicativa de problemas, matriz de SWOT e o diagrama de Ishikawa, ou espinha de peixe e uma planilha representativa do plano de ação que desenvolveram a partir da escolha de um dos agravos locais identificados pelo grupo e de interesse de todos os componentes para a intervenção na realidade. O reconhecimento do território e da UBSF ocorreu por meio de três visitas, visando desenvolver o vínculo com a equipe. A cada atividade desenvolvida houve a possibilidade de questionamentos e proposições para a modificação das práticas, adaptando-se o planejamento inicial da disciplina à avaliação dos estudantes. Paralelamente, em conjunto com outros professores da área da saúde coletiva, foi iniciado o planejamento de um projeto de ensino para o ano de 2018 com temática de interesse comum, visando aproximar estudantes de cursos diversos para a produção de conhecimento coletivo, desenvolvimento de habilidades relacionais e formação de vínculos. Resultados: A disciplina optativa foi finalizada no mês de agosto, com 15 concluintes dos cursos de fisioterapia, enfermagem e odontologia, de um total de 25 estudantes matriculados que, em grupos heterogêneos de acordo com os cursos, desenvolveram o projeto coletivo. As atividades foram desenvolvidas semanalmente, com carga horária de 3 horas, no total de 17 semanas. As modificações ocorridas de acordo com as necessidades expressas, representaram pequenos ajustes, como mudanças nos horários das aulas, atrasos na apresentação dos produtos e necessidade de substituição de membros desistentes (até aproximadamente a quarta aula). A maior mudança, no entanto, e que impactou o grupo foi a não execução dos projetos elaborados no território da UBSF, resultante da discussão do grupo que expôs como dificuldades impeditivas para a continuidade na disciplina a distância da comunidade a ser atendida e limitação de deslocamento dos estudantes. Foram debatidos as perdas e os ganhos com relação à essa escolha e definiram por finalizar a disciplina na apresentação do projeto a ser implantado por outro grupo em outro momento. Esse fato nos levou à reflexão da importância de projetos integrados também entre os semestres dos cursos, visando à continuidade das propostas em situações de término da disciplina e formatura de alunos. Ao fina,l a disciplina foi avaliada pelos alunos por meio de instrumento utilizando a escala de Likert, contendo questões para cada atividade com a intenção de avaliar a aprendizagem e as competências relacionais. Outra forma de apresentação foi através da apresentação de tarjetas. Foram distribuídas quatro delas para cada participante, solicitados a refletir e registrar individualmente pontos positivos e negativos da disciplina. O conteúdo das tarjetas foram compartilhadas nos grupos, quando os participantes puderam, através do estímulo da discussão, registrar em novas tarjetas os novos conteúdos. Os grupos apresentaram a todos os participantes seu produto e houve a possibilidade de explicação sobre os pontos que não estavam claros nos registros. Toda a avaliação foi registrada em diário de campo. Os resultados mostraram que os estudantes valorizaram o aprendizado compartilhado, a formação de vínculos, a aprendizagem sobre as especificidades da atuação do colega, a metodologia ativa e a autonomia do estudante. As dificuldades foram relacionadas ao horário coincidente com outras atividades dos cursos e à insegurança de poder modificar o planejamento inicial da disciplina. Nesse sentido, houve uma rica discussão sobre a autonomia e a corresponsabilização pela aprendizagem, já que a mudança no planejamento durante o desenvolvimento da disciplina apareceu nos registros positivos e negativos, com valorização da possibilidade de participação, mas também insegurança pela ‘não condução e rigidez do docente’. No semestre seguinte houve procura por estudantes de dois outros cursos (não da fisioterapia) em disciplina regular desse curso, de responsabilidade da mesma docente que ofertou a disciplina optativa, revelando que pode ter havido divulgação da experiência. Conclusões: a vivência da interprofissionalidade por meio da disciplina ofertada pode ter estimulado novas possibilidades de formação entre os estudantes. A continuidade da proposta através de novo ciclo, com o projeto de ensino e novas disciplinas serão necessárias para dar continuidade à transformação da realidade e desenvolvimento de conhecimento sobre as vantagens da interprofissionalidade.
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