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HEGEMONIAS DÍSPARES: POR UMA NOVA INTERPRETAÇÃO DA CONTROVÉRSIA LENIN-BOGDÁNOV
A publicação de “Materialismo e Empiriocriticismo” em maio de 1909 marcou o fim da trégua estabelecida desde 1904 entre as diferentes correntes que compunham a Facção Bolchevique em assuntos filosóficos e colocou em rota de colisão seus dois principais líderes naquele momento: Vladimir Lenin e Aleksandr Bogdánov. Tal controvérsia é comumente vista a partir da leitura isolada de “Materialismo e Empiriocriticismo”, de Lenin, sem dar a devida atenção para o complexo contexto político, tático e epistemológico no qual tal obra foi produzida, fundamental para um adequado entendimento do rico cenário intelectual que cercava as lideranças do Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR), na primeira década do século XX. Este trabalho busca atingir dois objetivos, a saber: propor, para além da questão epistemológica, a hipótese que qualifica tal debate em um nível mais profundo, essencialmente organizacional; e, a partir dessa dimensão, refletir comparativamente sobre as formas que Bogdánov e Lenin empregaram para tratar das questões referentes à constituição da hegemonia enquanto condição prévia para a tomada de poder revolucionária.