{"title":"O diálogo mudo dos corpos: representações de casais heterossexuais acerca da sexualidade e seus efeitos no contexto organizacional","authors":"Iolanda Maciel Fontainhas","doi":"10.21171/GES.V13I34.2673","DOIUrl":null,"url":null,"abstract":"Nas sociedades contemporâneas, a sexualidadeassume-se como uma dimensão da vida quotidiana importante para a realização pessoal e manutenção do edifício conjugal. No entanto, esta tendência não traduz, necessariamente, que os casais expressem da mesma forma os afetos, desejos, condutas sexuais e usos corporais. Adotando uma perspetiva construtivista da sexualidade, o presente estudo procurou conhecer quais as representações acerca da sexualidade e das práticas sexuais que estão na base da vida em comum. A partir de uma abordagem metodológica qualitativa e de cariz iminentemente indutivo, construtivista e interpretativo, a entrevista semidiretiva foi aplicada junto de casais heterossexuais com o intuito de perceber qual o argumento mobilizado para justificar a adoção (ou não) de diferentes práticas sexuais. Entre os principais resultados destacamos a existência de uma visão hedonista e erótica da sexualidade, que a reconhece como um meio de se obter prazer, ultrapassando os aspetos ligados à procriação. As representações acerca da sexualidade orientam-nos para uma nova configuração dos modos de viver o sexo conjugal: assiste-se a um alargamento de práticas sexuais, privilegiam-se os valores da reciprocidade, do envolvimento e do prazer mútuo e nos discursos (e práticas) inserem-se ideais mais igualitários entre os géneros. Apesar disto, parece que determinadas práticas sexuais continuam a ser alvo de uma filtragem de atitudes e comportamentos que são regulados pela situação conjugal, por valores morais e religiosos e pelas representações sociais e sexuais de género que se encontram enraizadas na sociedade portuguesa. \n ","PeriodicalId":347158,"journal":{"name":"Gestão e Sociedade","volume":"11 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0000,"publicationDate":"2018-12-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":"0","resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":null,"PeriodicalName":"Gestão e Sociedade","FirstCategoryId":"1085","ListUrlMain":"https://doi.org/10.21171/GES.V13I34.2673","RegionNum":0,"RegionCategory":null,"ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":null,"EPubDate":"","PubModel":"","JCR":"","JCRName":"","Score":null,"Total":0}
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Abstract
Nas sociedades contemporâneas, a sexualidadeassume-se como uma dimensão da vida quotidiana importante para a realização pessoal e manutenção do edifício conjugal. No entanto, esta tendência não traduz, necessariamente, que os casais expressem da mesma forma os afetos, desejos, condutas sexuais e usos corporais. Adotando uma perspetiva construtivista da sexualidade, o presente estudo procurou conhecer quais as representações acerca da sexualidade e das práticas sexuais que estão na base da vida em comum. A partir de uma abordagem metodológica qualitativa e de cariz iminentemente indutivo, construtivista e interpretativo, a entrevista semidiretiva foi aplicada junto de casais heterossexuais com o intuito de perceber qual o argumento mobilizado para justificar a adoção (ou não) de diferentes práticas sexuais. Entre os principais resultados destacamos a existência de uma visão hedonista e erótica da sexualidade, que a reconhece como um meio de se obter prazer, ultrapassando os aspetos ligados à procriação. As representações acerca da sexualidade orientam-nos para uma nova configuração dos modos de viver o sexo conjugal: assiste-se a um alargamento de práticas sexuais, privilegiam-se os valores da reciprocidade, do envolvimento e do prazer mútuo e nos discursos (e práticas) inserem-se ideais mais igualitários entre os géneros. Apesar disto, parece que determinadas práticas sexuais continuam a ser alvo de uma filtragem de atitudes e comportamentos que são regulados pela situação conjugal, por valores morais e religiosos e pelas representações sociais e sexuais de género que se encontram enraizadas na sociedade portuguesa.