Resumo O objetivo central do artigo consiste em caracterizar e analisar a dimensão socioespacial da divisão sexual do trabalho e seus impactos no cotidiano das mulheres. A literatura acadêmica sobre divisão sexual do trabalho parece não dar a devida atenção à maneira como a segregação urbana impacta na realização dos trabalhos produtivo e reprodutivo pelas mulheres. Valendo-se de revisão bibliográfica e dados empíricos de estudos recentes, o argumento central é que este processo afeta sobretudo as mulheres, e, especialmente, as mulheres negras e periféricas. Busca-se demonstrar que essas mulheres, que via de regra vivem nas áreas periféricas das cidades em decorrência dos processos de segregação urbana, despendem um tempo muito maior do seu cotidiano para a realização de ambos os trabalhos, produtivo e reprodutivo, sobretudo em razão dos deslocamentos que necessitam realizar.
{"title":"Segregação urbana e a dimensão socioespacial da divisão sexual do trabalho","authors":"Thiago Aparecido Trindade, Íris Leonhardt Pavan","doi":"10.1590/3711003/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3711003/2022","url":null,"abstract":"Resumo O objetivo central do artigo consiste em caracterizar e analisar a dimensão socioespacial da divisão sexual do trabalho e seus impactos no cotidiano das mulheres. A literatura acadêmica sobre divisão sexual do trabalho parece não dar a devida atenção à maneira como a segregação urbana impacta na realização dos trabalhos produtivo e reprodutivo pelas mulheres. Valendo-se de revisão bibliográfica e dados empíricos de estudos recentes, o argumento central é que este processo afeta sobretudo as mulheres, e, especialmente, as mulheres negras e periféricas. Busca-se demonstrar que essas mulheres, que via de regra vivem nas áreas periféricas das cidades em decorrência dos processos de segregação urbana, despendem um tempo muito maior do seu cotidiano para a realização de ambos os trabalhos, produtivo e reprodutivo, sobretudo em razão dos deslocamentos que necessitam realizar.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148999","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo Este artigo procura considerar a ideia do Atlântico Negro, popularizada por Paul Gilroy, como uma ferramenta metodológica em duas dimensões: enquanto unidade de análise e enquanto paradigma. Considero que, para além do debate teórico na obra do autor, existem elementos pouco sistematizados que podem ser mobilizados em análises da diáspora negra, com a finalidade de observar contextos e problemas diferentes daquele observado originalmente. Primeiramente, discuto o Atlântico Negro como unidade de análise, levando em consideração as críticas e reformulações relativas a duas lacunas na formulação original dessa unidade: a dimensão de gênero e o papel da África nos processos de formação da diáspora negra. Em segundo lugar, busco considerar o Atlântico Negro como um paradigma analítico capaz de incitar análises que levem em conta o papel da hegemonia e do imperialismo nessa unidade, e a importância de observar a dimensão política, assim como estética, nos processos que ocorrem na diáspora.
{"title":"Dimensões metodológicas do Atlântico Negro: revisitando a obra de Paul Gilroy","authors":"Mariana Abreu","doi":"10.1590/3710911/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710911/2022","url":null,"abstract":"Resumo Este artigo procura considerar a ideia do Atlântico Negro, popularizada por Paul Gilroy, como uma ferramenta metodológica em duas dimensões: enquanto unidade de análise e enquanto paradigma. Considero que, para além do debate teórico na obra do autor, existem elementos pouco sistematizados que podem ser mobilizados em análises da diáspora negra, com a finalidade de observar contextos e problemas diferentes daquele observado originalmente. Primeiramente, discuto o Atlântico Negro como unidade de análise, levando em consideração as críticas e reformulações relativas a duas lacunas na formulação original dessa unidade: a dimensão de gênero e o papel da África nos processos de formação da diáspora negra. Em segundo lugar, busco considerar o Atlântico Negro como um paradigma analítico capaz de incitar análises que levem em conta o papel da hegemonia e do imperialismo nessa unidade, e a importância de observar a dimensão política, assim como estética, nos processos que ocorrem na diáspora.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67149257","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo partindo do diagnóstico de que a categoria “globalização” padece de problemas de formação de significado científico e sociológico, dado o atual estado de indiferenciação em relação ao senso comum e em contexto de proliferação desmedida de uso do termo “globalização”, o presente artigo tem por objetivo depurar conceitualmente e contextualizar a categoria e o fenômeno social da globalização, bem como situar a análise da globalização em perspectiva analítica sensível à dimensão processual e de longuíssimo prazo dos fenômenos sociais. Por “depurar conceitualmente”, entendo processo bem-sucedido de separação do senso comum. Por “contextualização”, entendo contextualização espaço-temporal das categorias de análise e do fenômeno social da globalização. Por fim, “situar a análise da globalização em uma perspectiva processual e de longo prazo” implica o duplo reconhecimento, tanto do caráter processual dos fenômenos sociais quanto da sua dimensão secular, que será feito por meio da abordagem conhecida como Análise dos Sistemas Mundiais.
{"title":"Por uma reconstrução sociológica da categoria “globalização”: depuração conceitual, contextualização e abordagem processual de longo prazo","authors":"Alexandre Abdal","doi":"10.1590/3710908/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710908/2022","url":null,"abstract":"Resumo partindo do diagnóstico de que a categoria “globalização” padece de problemas de formação de significado científico e sociológico, dado o atual estado de indiferenciação em relação ao senso comum e em contexto de proliferação desmedida de uso do termo “globalização”, o presente artigo tem por objetivo depurar conceitualmente e contextualizar a categoria e o fenômeno social da globalização, bem como situar a análise da globalização em perspectiva analítica sensível à dimensão processual e de longuíssimo prazo dos fenômenos sociais. Por “depurar conceitualmente”, entendo processo bem-sucedido de separação do senso comum. Por “contextualização”, entendo contextualização espaço-temporal das categorias de análise e do fenômeno social da globalização. Por fim, “situar a análise da globalização em uma perspectiva processual e de longo prazo” implica o duplo reconhecimento, tanto do caráter processual dos fenômenos sociais quanto da sua dimensão secular, que será feito por meio da abordagem conhecida como Análise dos Sistemas Mundiais.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67147875","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Bourdieu e as relações de trabalho: tecendo fios de um encontro profícuo","authors":"Kimi Tomizaki","doi":"10.1590/3710812/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710812/2022","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67147889","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo A política de segurança pública no Rio de Janeiro tende a ser representada pela alegoria do pêndulo, que se inclinaria predominantemente para a lógica do confronto, mas também, em curtos interregnos, para a lógica da aproximação. Embora as esporádicas tentativas de reversão da lógica repressiva produzam mudanças conjunturais significativas, verificamos, através de entrevistas com policiais das UPPs, que o ethos militarizado permanecia estruturando o discurso e orientando a prática cotidiana - produzindo uma condição de “crise permanente”. Procuramos, então, identificar quais fatores e percepções impactavam (negativamente) nos diversos graus de adesão e ressonância dos policiais aos princípios do “policiamento de proximidade”.
{"title":"Os policiais das UPPs e a crise permanente da segurança pública no Rio de Janeiro","authors":"Márcio Grijó Vilarouca, Ludmila Ribeiro, Palloma Menezes","doi":"10.1590/3710804/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710804/2022","url":null,"abstract":"Resumo A política de segurança pública no Rio de Janeiro tende a ser representada pela alegoria do pêndulo, que se inclinaria predominantemente para a lógica do confronto, mas também, em curtos interregnos, para a lógica da aproximação. Embora as esporádicas tentativas de reversão da lógica repressiva produzam mudanças conjunturais significativas, verificamos, através de entrevistas com policiais das UPPs, que o ethos militarizado permanecia estruturando o discurso e orientando a prática cotidiana - produzindo uma condição de “crise permanente”. Procuramos, então, identificar quais fatores e percepções impactavam (negativamente) nos diversos graus de adesão e ressonância dos policiais aos princípios do “policiamento de proximidade”.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148103","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo: Atingidos pela sofisticação dos mecanismos de flexibilização e controle do trabalho, os sindicatos enfrentam talvez o maior desafio ao seu poder coletivo de sua história. Este texto pretende trazer argumentos para o debate sobre esta “crise do sindicalismo”, a partir de uma perspectiva analítica (de “recursos de poder”) que valoriza esforços de ressignificação de práticas de resistência, coletivismo e solidariedade, em nível nacional e internacional, e vê nesse contexto pandêmico (anos 2020 e 2021) uma oportunidade para a recomposição de seus repertórios de ação coletiva (Alonso, 2012; Schmalz et al., 2018). A referência empírica é a experiência sindical metalúrgica de um setor industrial brasileiro com predomínio de empresas transnacionais, considerando sua capacidade de responder, de forma proativa, às ameaças ao seu poder consolidado, ao longo das últimas seis décadas, no ABC paulista. Os dados utilizados têm como base sete entrevistas gravadas (online) com lideranças sindicais metalúrgicas, realizadas em 2020 e 2021, e um levantamento, pelo método da raspagem de dados, de temas extraídos do jornal Tribuna Metalúrgica, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
{"title":"Trabalho e sindicalismo na indústria – Poder institucional e social em contexto de crise e pandemia","authors":"J. Ramalho","doi":"10.1590/3710903/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710903/2022","url":null,"abstract":"Resumo: Atingidos pela sofisticação dos mecanismos de flexibilização e controle do trabalho, os sindicatos enfrentam talvez o maior desafio ao seu poder coletivo de sua história. Este texto pretende trazer argumentos para o debate sobre esta “crise do sindicalismo”, a partir de uma perspectiva analítica (de “recursos de poder”) que valoriza esforços de ressignificação de práticas de resistência, coletivismo e solidariedade, em nível nacional e internacional, e vê nesse contexto pandêmico (anos 2020 e 2021) uma oportunidade para a recomposição de seus repertórios de ação coletiva (Alonso, 2012; Schmalz et al., 2018). A referência empírica é a experiência sindical metalúrgica de um setor industrial brasileiro com predomínio de empresas transnacionais, considerando sua capacidade de responder, de forma proativa, às ameaças ao seu poder consolidado, ao longo das últimas seis décadas, no ABC paulista. Os dados utilizados têm como base sete entrevistas gravadas (online) com lideranças sindicais metalúrgicas, realizadas em 2020 e 2021, e um levantamento, pelo método da raspagem de dados, de temas extraídos do jornal Tribuna Metalúrgica, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148158","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Fazendo pesquisa antropológica de alta qualidade fora da academia","authors":"R. G. Oliven","doi":"10.1590/3711011/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3711011/2022","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"37 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67149846","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
R. Lima, Francisco Thiago Rocha Vasconcelos, Fernando Vianna, Rafael Alcadipani
Resumo Este texto problematiza a incorporação das ciências policiais no Brasil. Defenderemos que estas surgem como estratégia para a monopolização policial – especialmente policial militar – do pensamento sobre lei e ordem, e como concorrência ao desenvolvimento de um campo organizacional sobre crime, polícia e justiça no Brasil a partir das ciências humanas e sociais nos últimos quarenta anos. Esse projeto reforça, junto aos policiais militares em formação, a disposição ideológica de enfrentamento do conhecimento crítico que retroalimenta, nas polícias militares, a grande autonomia operacional, o forte insulamento institucional e a baixa transparência em relação a protocolos e mecanismos internos de supervisão. Contra tentativas de radicalização ideológica, será preciso reforçar que, em uma comunidade científica, resultados de pesquisas podem ser problematizados em suas limitações com contra-argumentos baseados em evidências. É necessário que o campo da segurança pública continue sendo construído de forma democrática e aberta, em diálogo com diferentes grupos da sociedade civil. A sociedade e seus cidadãos não são objetos passivos das polícias. Eles são a origem da legitimidade dos modelos de policiamento, que não se resumem apenas a aspectos técnicos e operacionais. Eles são fruto de opções políticas e estão sujeitos ao escrutínio público.
{"title":"Saber acadêmico, guerra cultural e a emergência das ciências policiais no Brasil","authors":"R. Lima, Francisco Thiago Rocha Vasconcelos, Fernando Vianna, Rafael Alcadipani","doi":"10.1590/3710805/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710805/2022","url":null,"abstract":"Resumo Este texto problematiza a incorporação das ciências policiais no Brasil. Defenderemos que estas surgem como estratégia para a monopolização policial – especialmente policial militar – do pensamento sobre lei e ordem, e como concorrência ao desenvolvimento de um campo organizacional sobre crime, polícia e justiça no Brasil a partir das ciências humanas e sociais nos últimos quarenta anos. Esse projeto reforça, junto aos policiais militares em formação, a disposição ideológica de enfrentamento do conhecimento crítico que retroalimenta, nas polícias militares, a grande autonomia operacional, o forte insulamento institucional e a baixa transparência em relação a protocolos e mecanismos internos de supervisão. Contra tentativas de radicalização ideológica, será preciso reforçar que, em uma comunidade científica, resultados de pesquisas podem ser problematizados em suas limitações com contra-argumentos baseados em evidências. É necessário que o campo da segurança pública continue sendo construído de forma democrática e aberta, em diálogo com diferentes grupos da sociedade civil. A sociedade e seus cidadãos não são objetos passivos das polícias. Eles são a origem da legitimidade dos modelos de policiamento, que não se resumem apenas a aspectos técnicos e operacionais. Eles são fruto de opções políticas e estão sujeitos ao escrutínio público.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148121","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo Tomando como marcos a Constituinte de 1946 e a Sessão Legislativa de 1958, este artigo busca entender as radicais transformações vividas pelos imigrantes japoneses e seus descendentes nos primeiros anos pós-guerra. Se, em 1946, a imigração japonesa ficou muito próxima de ser constitucionalmente proibida, em 1958, o legislativo federal será marcado por celebrações comemorativas do cinquentenário dessa imigração para o Brasil. A partir dos discursos de deputados e senadores, desejo identificar como e sob quais fundamentos os parlamentares procuravam distanciar ou aproximar da nacionalidade brasileira os japoneses e seus descendentes. O olhar sobre o legislativo permitirá, ainda, verificar as consequências de cada visão nas proposições concretas apresentadas, discutidas e votadas no Parlamento. As mudanças nas concepções raciais e de nacionalidade que dominam, em cada momento, os debates e deliberações no legislativo federal brasileiro serão centrais para a compreensão do processo.
{"title":"METAMORFOSES DO AMARELO: A IMIGRAÇÃO JAPONESA DO “PERIGO AMARELO” À “DEMOCRACIA RACIAL”","authors":"Bruno Naomassa Hayashi","doi":"10.1590/3710809/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710809/2022","url":null,"abstract":"Resumo Tomando como marcos a Constituinte de 1946 e a Sessão Legislativa de 1958, este artigo busca entender as radicais transformações vividas pelos imigrantes japoneses e seus descendentes nos primeiros anos pós-guerra. Se, em 1946, a imigração japonesa ficou muito próxima de ser constitucionalmente proibida, em 1958, o legislativo federal será marcado por celebrações comemorativas do cinquentenário dessa imigração para o Brasil. A partir dos discursos de deputados e senadores, desejo identificar como e sob quais fundamentos os parlamentares procuravam distanciar ou aproximar da nacionalidade brasileira os japoneses e seus descendentes. O olhar sobre o legislativo permitirá, ainda, verificar as consequências de cada visão nas proposições concretas apresentadas, discutidas e votadas no Parlamento. As mudanças nas concepções raciais e de nacionalidade que dominam, em cada momento, os debates e deliberações no legislativo federal brasileiro serão centrais para a compreensão do processo.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148271","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}