RESUMO Interesses e relações de poder ocorrem na avaliação de trabalhos, em processo editorial realizado em periódicos científicos. Tais processos tornam-se mais evidentes em meio a controvérsias científicas. Argumentamos que a atuação de editoras e editores de periódicos é fundamental para compreender como interesses e relações de poder interferem na política editorial, em disputas por estabelecimento ou encerramento de controvérsias. O artigo analisa como políticas editoriais influenciam controvérsias científicas. A controvérsia proposta é o debate sobre o papel do campesinato na questão agrária, disputa orientada por diferentes pressupostos, e localizada principalmente no programa de pesquisa marxista. O corpus de pesquisa é formado por artigos, editoriais, livros e resenhas publicados em três periódicos internacionais de Estudos Agrários: The Journal of Peasant Studies, Journal of Agrarian Change e Agrarian South: Journal of Political Economy, além de entrevistas semiestruturadas com editores. Analisaram-se os conteúdos, a recorrência de temas e a atuação de editoras e editores no fluxo editorial. Diferentes modos de atuação de editoras e editores operam para omitir ou evidenciar posições na controvérsia, direcionando-a para o encerramento ou a continuidade do debate.
{"title":"Política editorial e controvérsia científica em Estudos Agrários*","authors":"Joaquim A. P. Pinheiro, F. M. Neves","doi":"10.1590/3710905/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710905/2022","url":null,"abstract":"RESUMO Interesses e relações de poder ocorrem na avaliação de trabalhos, em processo editorial realizado em periódicos científicos. Tais processos tornam-se mais evidentes em meio a controvérsias científicas. Argumentamos que a atuação de editoras e editores de periódicos é fundamental para compreender como interesses e relações de poder interferem na política editorial, em disputas por estabelecimento ou encerramento de controvérsias. O artigo analisa como políticas editoriais influenciam controvérsias científicas. A controvérsia proposta é o debate sobre o papel do campesinato na questão agrária, disputa orientada por diferentes pressupostos, e localizada principalmente no programa de pesquisa marxista. O corpus de pesquisa é formado por artigos, editoriais, livros e resenhas publicados em três periódicos internacionais de Estudos Agrários: The Journal of Peasant Studies, Journal of Agrarian Change e Agrarian South: Journal of Political Economy, além de entrevistas semiestruturadas com editores. Analisaram-se os conteúdos, a recorrência de temas e a atuação de editoras e editores no fluxo editorial. Diferentes modos de atuação de editoras e editores operam para omitir ou evidenciar posições na controvérsia, direcionando-a para o encerramento ou a continuidade do debate.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148246","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo: O artigo descreve os discursos e práticas de profissionais e instituições que utilizam tecnologias sociais de prevenção inspiradas pela abordagem denominada, na França, “prevenção de condutas de risco”. No campo teórico, o texto aborda os processos de subjetivação envolvidos em tal prevenção, a aplicação do conceito de risco ao campo preventivo, e as tensões entre este campo e o controle social. No campo descritivo, procura retraçar possíveis origens e a trajetória de institucionalização das políticas preventivas francesas baseadas nesta abordagem, assim como das técnicas e metodologias utilizadas pelas instituições em seu trabalho junto a usuários de substâncias psicoativas e a jovens considerados “em situação de risco ou de vulnerabilidade social”. Finalmente, apresenta uma descrição etnográfica das estratégias, discursos e tecnologias sociais envolvidas nas tentativas de evitar a entrada de jovens no tráfico de drogas.
{"title":"METAMORFOSES DA PREVENÇÃO: prevenindo condutas de risco na França","authors":"Tiago Hyra Rodrigues","doi":"10.1590/3710801/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710801/2022","url":null,"abstract":"Resumo: O artigo descreve os discursos e práticas de profissionais e instituições que utilizam tecnologias sociais de prevenção inspiradas pela abordagem denominada, na França, “prevenção de condutas de risco”. No campo teórico, o texto aborda os processos de subjetivação envolvidos em tal prevenção, a aplicação do conceito de risco ao campo preventivo, e as tensões entre este campo e o controle social. No campo descritivo, procura retraçar possíveis origens e a trajetória de institucionalização das políticas preventivas francesas baseadas nesta abordagem, assim como das técnicas e metodologias utilizadas pelas instituições em seu trabalho junto a usuários de substâncias psicoativas e a jovens considerados “em situação de risco ou de vulnerabilidade social”. Finalmente, apresenta uma descrição etnográfica das estratégias, discursos e tecnologias sociais envolvidas nas tentativas de evitar a entrada de jovens no tráfico de drogas.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67147996","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Priscila Delgado de Carvalho, Marco Antonio Teixeira, Renata Motta, Camila Penna
RESUMO Este trabalho tem por objetivo analisar como ativismos rurais no Brasil reagiram à pandemia da Covid-19. Para tanto, mapeamos as ações das principais organizações que congregam agricultores familiares e camponeses no país, nos primeiros sete meses da pandemia, de março a setembro de 2020: Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf-Brasil), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As fontes de dados são notícias publicadas nos sites de cada organização. Para entender como a pandemia impactou algumas de suas práticas pré-existentes, propomos uma tipologia composta por cinco formas de ação: doação, interpelação institucional, criação de mercados alternativos, ação direta, e ação informacional.
{"title":"SISTEMAS ALIMENTARES EM DISPUTA: respostas dos movimentos sociais à pandemia Covid-19","authors":"Priscila Delgado de Carvalho, Marco Antonio Teixeira, Renata Motta, Camila Penna","doi":"10.1590/3710808/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710808/2022","url":null,"abstract":"RESUMO Este trabalho tem por objetivo analisar como ativismos rurais no Brasil reagiram à pandemia da Covid-19. Para tanto, mapeamos as ações das principais organizações que congregam agricultores familiares e camponeses no país, nos primeiros sete meses da pandemia, de março a setembro de 2020: Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf-Brasil), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As fontes de dados são notícias publicadas nos sites de cada organização. Para entender como a pandemia impactou algumas de suas práticas pré-existentes, propomos uma tipologia composta por cinco formas de ação: doação, interpelação institucional, criação de mercados alternativos, ação direta, e ação informacional.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148228","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo: Este texto analisa a possibilidade de formação de relações comunitárias, entendidas como experiências pessoais significativas associadas ao local de moradia, entre moradores das periferias de São Paulo em um contexto de aumento das oportunidades de mobilidade social. Para isso, foi realizada uma pesquisa multimetodológica em dois bairros periféricos da cidade. Para cada uma das três gerações são analisadas as experiências em torno dos espaços de sociabilidade, a representação da violência urbana, as dinâmicas de religiosidade e as perspectivas de mobilidade social como elementos explicativos para a formação ou não dessas relações. O artigo emprega um olhar empírico para o debate teórico a respeito das relações entre vizinhança e comunidade e para as transformações históricas ocorridas nas periferias urbanas brasileiras nas últimas décadas. Argumenta-se que a construção de discursos normalizadores, distintivos ou identitários com relação à estigmatização de territórios periféricos irá depender das experiências locais desenvolvidas em cada grupo geracional. O desejo de ficar ou fugir da periferia é lido como expressão máxima da existência ou não desse tipo de relação comunitária na vizinhança.
{"title":"Histórias de quem quer fugir e de quem quer ficar: laços comunitários nas cambiantes periferias de São Paulo","authors":"L. Fontes","doi":"10.1590/3710902/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710902/2022","url":null,"abstract":"Resumo: Este texto analisa a possibilidade de formação de relações comunitárias, entendidas como experiências pessoais significativas associadas ao local de moradia, entre moradores das periferias de São Paulo em um contexto de aumento das oportunidades de mobilidade social. Para isso, foi realizada uma pesquisa multimetodológica em dois bairros periféricos da cidade. Para cada uma das três gerações são analisadas as experiências em torno dos espaços de sociabilidade, a representação da violência urbana, as dinâmicas de religiosidade e as perspectivas de mobilidade social como elementos explicativos para a formação ou não dessas relações. O artigo emprega um olhar empírico para o debate teórico a respeito das relações entre vizinhança e comunidade e para as transformações históricas ocorridas nas periferias urbanas brasileiras nas últimas décadas. Argumenta-se que a construção de discursos normalizadores, distintivos ou identitários com relação à estigmatização de territórios periféricos irá depender das experiências locais desenvolvidas em cada grupo geracional. O desejo de ficar ou fugir da periferia é lido como expressão máxima da existência ou não desse tipo de relação comunitária na vizinhança.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148098","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Abstract Resumo Richard Morse (1922-2001) foi um autor bastante lido na América Latina em geral e no México e no Brasil, em particular. Significativamente, seu O espelho de Próspero, que não encontrou editor nos EUA, teve bastante repercussão nos dois países. Entre mexicanos, os trabalhos do historiador impactaram especialmente o grupo de literatos liberais que publicava a revista Vuelta, e que usaram o conceito weberiano de patrimonialismo, mobilizado anteriormente pelo norte-americano, como instrumento para interpretar obstáculos à modernização latino-americana. Já entre brasileiros seus escritos interessaram particularmente a alguns intelectuais gramscianos da revista Presença, atraídos por sua valorização da tradição ibérica. Complicando o quadro, um mexicano, o hegeliano Leopoldo Zea, aproxima-se do grupo de Presença, ao valorizar sua tradição, enquanto liberais brasileiros, como José Guilherme Merquior e Simon Schwartzman, não estão tão distantes da visão de Vuelta a respeito dos males latino-americanos. Ainda outras posições aparecem no mexicano Mauricio Tenorio e no brasileiro Otávio Velho. Procuro verificar no artigo se a própria obra de Morse, fruto de mais de quarenta anos de estudo sobre a América Latina, não forneceu oportunidades para que mexicanos e brasileiros a lessem de diferentes maneiras, que refletiriam sobretudo suas próprias preocupações.
{"title":"UMA SUCESSÃO DE MAL-ENTENDIDOS? Richard Morse e seus leitores mexicanos e brasileiros","authors":"Bernardo Ricupero","doi":"10.1590/3710810/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710810/2022","url":null,"abstract":"Abstract Resumo Richard Morse (1922-2001) foi um autor bastante lido na América Latina em geral e no México e no Brasil, em particular. Significativamente, seu O espelho de Próspero, que não encontrou editor nos EUA, teve bastante repercussão nos dois países. Entre mexicanos, os trabalhos do historiador impactaram especialmente o grupo de literatos liberais que publicava a revista Vuelta, e que usaram o conceito weberiano de patrimonialismo, mobilizado anteriormente pelo norte-americano, como instrumento para interpretar obstáculos à modernização latino-americana. Já entre brasileiros seus escritos interessaram particularmente a alguns intelectuais gramscianos da revista Presença, atraídos por sua valorização da tradição ibérica. Complicando o quadro, um mexicano, o hegeliano Leopoldo Zea, aproxima-se do grupo de Presença, ao valorizar sua tradição, enquanto liberais brasileiros, como José Guilherme Merquior e Simon Schwartzman, não estão tão distantes da visão de Vuelta a respeito dos males latino-americanos. Ainda outras posições aparecem no mexicano Mauricio Tenorio e no brasileiro Otávio Velho. Procuro verificar no artigo se a própria obra de Morse, fruto de mais de quarenta anos de estudo sobre a América Latina, não forneceu oportunidades para que mexicanos e brasileiros a lessem de diferentes maneiras, que refletiriam sobretudo suas próprias preocupações.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148295","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo: Este artigo discute como as diferentes formas históricas de incorporação dos direitos sociais ao status de cidadania na Inglaterra e no Brasil constituíram-se como condições importantes de emergência da justiça juvenil nesses países. Nesse sentido, a questão central a ser discutida são as proximidades e diferenças das condições de emergência da justiça juvenil nesses dois países, tomadas aqui a partir da relação com os direitos sociais e as formas históricas assumidas por esses em cada um dos casos, e que são tratadas analiticamente no artigo a partir das noções de bem-estar, na Inglaterra, e de tutela, no Brasil.
{"title":"A JUSTIÇA JUVENIL ENTRE O BEM-ESTAR E A TUTELA Proximidades e diferenças entre Inglaterra e Brasil","authors":"Liana de Paula","doi":"10.1590/3710907/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710907/2022","url":null,"abstract":"Resumo: Este artigo discute como as diferentes formas históricas de incorporação dos direitos sociais ao status de cidadania na Inglaterra e no Brasil constituíram-se como condições importantes de emergência da justiça juvenil nesses países. Nesse sentido, a questão central a ser discutida são as proximidades e diferenças das condições de emergência da justiça juvenil nesses dois países, tomadas aqui a partir da relação com os direitos sociais e as formas históricas assumidas por esses em cada um dos casos, e que são tratadas analiticamente no artigo a partir das noções de bem-estar, na Inglaterra, e de tutela, no Brasil.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"38 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148318","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) são burocratas de nível de rua que desempenham um papel fundamental na implementação da Atenção Primária à Saúde (APS). Sua função envolve o estabelecimento de um vínculo com as famílias atendidas por este serviço de saúde, o que permite conhecer a realidade do território e as vulnerabilidades da população. Este artigo tem como objetivo analisar a configuração das interações de ACS na implementação da APS com enfoque nas alterações causadas pelas mudanças recentes nesta política e pela pandemia de Covid-19. Foi realizada uma etnografia em uma Unidade de Saúde de APS na cidade de Porto Alegre/RS. Durante quatro meses, observamos o trabalho de seis ACS, analisando suas principais atividades e as mudanças na sua rotina. Além disso, também foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas para compor a análise. Foi possível identificar que a organização interna da Unidade de Saúde não está orientada ao trabalho comunitário e à identificação das demandas no território. ACS estão perdendo o vínculo com a população e limitando-se a funções burocráticas. Os territórios e as famílias mais vulneráveis são os mais afetados com essas mudanças, pois deixam de ter seus problemas reconhecidos pela política pública.
{"title":"Entre o vínculo e o distanciamento: desafios na atuação de Agentes Comunitárias de Saúde","authors":"M. B. Martins, Davide Carbonai","doi":"10.1590/3711001/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3711001/2022","url":null,"abstract":"Resumo Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) são burocratas de nível de rua que desempenham um papel fundamental na implementação da Atenção Primária à Saúde (APS). Sua função envolve o estabelecimento de um vínculo com as famílias atendidas por este serviço de saúde, o que permite conhecer a realidade do território e as vulnerabilidades da população. Este artigo tem como objetivo analisar a configuração das interações de ACS na implementação da APS com enfoque nas alterações causadas pelas mudanças recentes nesta política e pela pandemia de Covid-19. Foi realizada uma etnografia em uma Unidade de Saúde de APS na cidade de Porto Alegre/RS. Durante quatro meses, observamos o trabalho de seis ACS, analisando suas principais atividades e as mudanças na sua rotina. Além disso, também foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas para compor a análise. Foi possível identificar que a organização interna da Unidade de Saúde não está orientada ao trabalho comunitário e à identificação das demandas no território. ACS estão perdendo o vínculo com a população e limitando-se a funções burocráticas. Os territórios e as famílias mais vulneráveis são os mais afetados com essas mudanças, pois deixam de ter seus problemas reconhecidos pela política pública.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67148880","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo: O artigo discute as formas e os efeitos de uma viagem internacional na carreira dos músicos populares brasileiros do Trio Nagô. Formado no Ceará, forjado em auditórios de estações de rádio e difundido em programas radiofônicos, em shows ao vivo e em gravações de discos, o Nagô foi convidado, em 1955, a realizar uma série de apresentações pela França. A curta turnê permite refletir sobre as diferentes inscrições, nos espaços comercial e simbólico brasileiros, de modelos de internacionalização das culturas nacionais, autorizando compreendê-los em estreita, dinâmica e complexa articulação entre o local, o nacional e o internacional. A princípio, a forma examinada dispõe de dois efeitos de reação: primeiro, fez circular o grupo que ocupava posições secundárias no cenário da música popular, bastando dizer que as produções recebiam classificação regionalmente situada, o que não os impediu de partir como representantes da cultura nacional; segundo, efeito de retorno, isto é, a viagem metamorfoseou esse arranjo hierárquico favorecendo a notoriedade e posteridade do Trio no seio do patrimônio musical nacional. A análise da trajetória dos artistas realiza-se pelo exame de revistas e jornais brasileiros e franceses, divulgadores dos eventos atribuídos à turnê.
{"title":"Inscrições transnacionais das músicas nacionais: a internacionalização dos regionalistas do Trio Nagô","authors":"Mariana Barreto","doi":"10.1590/3711004/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3711004/2022","url":null,"abstract":"Resumo: O artigo discute as formas e os efeitos de uma viagem internacional na carreira dos músicos populares brasileiros do Trio Nagô. Formado no Ceará, forjado em auditórios de estações de rádio e difundido em programas radiofônicos, em shows ao vivo e em gravações de discos, o Nagô foi convidado, em 1955, a realizar uma série de apresentações pela França. A curta turnê permite refletir sobre as diferentes inscrições, nos espaços comercial e simbólico brasileiros, de modelos de internacionalização das culturas nacionais, autorizando compreendê-los em estreita, dinâmica e complexa articulação entre o local, o nacional e o internacional. A princípio, a forma examinada dispõe de dois efeitos de reação: primeiro, fez circular o grupo que ocupava posições secundárias no cenário da música popular, bastando dizer que as produções recebiam classificação regionalmente situada, o que não os impediu de partir como representantes da cultura nacional; segundo, efeito de retorno, isto é, a viagem metamorfoseou esse arranjo hierárquico favorecendo a notoriedade e posteridade do Trio no seio do patrimônio musical nacional. A análise da trajetória dos artistas realiza-se pelo exame de revistas e jornais brasileiros e franceses, divulgadores dos eventos atribuídos à turnê.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67149076","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Resumo A partir de uma pesquisa qualitativa, envolvendo observação e entrevistas com três diferentes grupos de pessoas que tiveram algum contato com a “morte violenta”, direta ou indiretamente, proponho uma forma de compreensão sociológica da memória, levando a sério o conjunto de elementos que a compõem e causam efeitos em situações correntes, para além de sua atuação como memória-hábito: nomeio-a de memória actancial. Com essa noção, argumento que lembranças-imagem, ligadas a situações de ferimento, tensão e morte, operam como dispositivos da memória em questão, dando e/ou alterando a tangibilidade de compreensão/sentido de momentos correntes vividos. Tomando apoio principalmente na filosofia pragmatista e na sociologia pragmática, mostro que a multitemporalidade da memória e as consequências imediatas das lembranças emergentes ou recuperadas causam efeitos na continuidade de vida dos atores estudados, que buscam ressignificá-las.
{"title":"Memória actancial: Uma abordagem pragmática de lembranças do contato com a morte violenta","authors":"V. Talone","doi":"10.1590/3710910/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710910/2022","url":null,"abstract":"Resumo A partir de uma pesquisa qualitativa, envolvendo observação e entrevistas com três diferentes grupos de pessoas que tiveram algum contato com a “morte violenta”, direta ou indiretamente, proponho uma forma de compreensão sociológica da memória, levando a sério o conjunto de elementos que a compõem e causam efeitos em situações correntes, para além de sua atuação como memória-hábito: nomeio-a de memória actancial. Com essa noção, argumento que lembranças-imagem, ligadas a situações de ferimento, tensão e morte, operam como dispositivos da memória em questão, dando e/ou alterando a tangibilidade de compreensão/sentido de momentos correntes vividos. Tomando apoio principalmente na filosofia pragmatista e na sociologia pragmática, mostro que a multitemporalidade da memória e as consequências imediatas das lembranças emergentes ou recuperadas causam efeitos na continuidade de vida dos atores estudados, que buscam ressignificá-las.","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67149234","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
{"title":"Vukanapavo. O despertar Terena que pode despertar outros grupos da sociedade brasileira para a causa indígena","authors":"Florbela Ribeiro","doi":"10.1590/3710813/2022","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/3710813/2022","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35414,"journal":{"name":"Revista Brasileira de Ciencias Sociais","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67147956","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}