Ana Aparecida Costadella, Denyse Amorim de Oliveira, Ozias De Jesus Soares
Ancorado no entendimento da multidimensionalidade da educação museal, o texto apresenta reflexões que correlacionam a faixa etária de educadores e a possível ocorrência de experiências acumuladas em seus percursos profissionais em espaços culturais. Questiona se educadores museais com maior idade apresentariam um portfólio de experiências em mediação em museus e instituições culturais que ensejariam maior desenvoltura nesses espaços. Inserido em uma investigação mais ampla, que toma os sujeitos da educação museal como partícipes da construção de novos conhecimentos, a pesquisa, de abordagem qualitativa e interpretativa, considera a experiência de um museu de ciências e saúde como plataforma para compreender o modo como a díade idade-experiências se manifesta nas instituições. Dialogando com a literatura sobre a atuação de educadores museais, traz um conjunto de dados que alavanca reflexões sobre os desafios e oportunidades no âmbito da força de trabalho no campo da educação museal.
{"title":"“Quem trabalha no ramo, aprende na prática”","authors":"Ana Aparecida Costadella, Denyse Amorim de Oliveira, Ozias De Jesus Soares","doi":"10.22562/2022.57.12","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.57.12","url":null,"abstract":"Ancorado no entendimento da multidimensionalidade da educação museal, o texto apresenta reflexões que correlacionam a faixa etária de educadores e a possível ocorrência de experiências acumuladas em seus percursos profissionais em espaços culturais. Questiona se educadores museais com maior idade apresentariam um portfólio de experiências em mediação em museus e instituições culturais que ensejariam maior desenvoltura nesses espaços. Inserido em uma investigação mais ampla, que toma os sujeitos da educação museal como partícipes da construção de novos conhecimentos, a pesquisa, de abordagem qualitativa e interpretativa, considera a experiência de um museu de ciências e saúde como plataforma para compreender o modo como a díade idade-experiências se manifesta nas instituições. Dialogando com a literatura sobre a atuação de educadores museais, traz um conjunto de dados que alavanca reflexões sobre os desafios e oportunidades no âmbito da força de trabalho no campo da educação museal.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-12-20","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"49129944","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A Penitenciária da Pedra Branca (Florianópolis) foi inaugurada em setembro de 1930. Foi construída pelo Governo do estado de Santa Catarina com a intenção de modernizar o sistema prisional, que até então era composto por pequenas cadeias em alguns municípios do estado. No contexto das primeiras décadas do século XX, a cidade de Florianópolis passava por uma remodelação urbana vinculada ao ideário burguês de salubridade, moralidade e civilidade, do qual emerge o discurso da necessidade de construção de uma penitenciária. A partir de 1935, com o governo de Nereu Ramos (1935-1945), a Penitenciária Pedra Branca foi ampliada e ganhou mais importância no período autoritário do Estado Novo entre 1937 e 1945. Nesse período os princípios modernos da ciência penal foram combinados com as ações autoritárias do governo ditatorial.
{"title":"A penitenciária de Florianópolis (Pedra Branca) no governo Nereu Ramos (1935-1945)","authors":"A. Miranda","doi":"10.22562/2022.56.03","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.03","url":null,"abstract":"A Penitenciária da Pedra Branca (Florianópolis) foi inaugurada em setembro de 1930. Foi construída pelo Governo do estado de Santa Catarina com a intenção de modernizar o sistema prisional, que até então era composto por pequenas cadeias em alguns municípios do estado. No contexto das primeiras décadas do século XX, a cidade de Florianópolis passava por uma remodelação urbana vinculada ao ideário burguês de salubridade, moralidade e civilidade, do qual emerge o discurso da necessidade de construção de uma penitenciária. A partir de 1935, com o governo de Nereu Ramos (1935-1945), a Penitenciária Pedra Branca foi ampliada e ganhou mais importância no período autoritário do Estado Novo entre 1937 e 1945. Nesse período os princípios modernos da ciência penal foram combinados com as ações autoritárias do governo ditatorial.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"45824369","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A presente análise tem como tema a história da Nova Museologia. Objetiva-se analisar alguns tópicos tratados no bojo desse movimento, como, por exemplo, os seres humanos, patrimônio, meio ambiente, ação museológica, educação e cidadania. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, na qual exploramos e sistematizamos as origens e o desenvolvimento da Nova Museologia, bem como apontamos as suas principais características, apoiadas em autores nacionais, internacionais e em documentos das conferências e dos seminários da área. Concluímos que o presente debate aponta caminhos para a análise sobre os museus e os processos preservacionistas, envolvendo natureza e cultura, além de contribuir para a memória e reflexões museológicas.
{"title":"Nova Museologia","authors":"S. Teixeira","doi":"10.22562/2022.56.07","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.07","url":null,"abstract":" A presente análise tem como tema a história da Nova Museologia. Objetiva-se analisar alguns tópicos tratados no bojo desse movimento, como, por exemplo, os seres humanos, patrimônio, meio ambiente, ação museológica, educação e cidadania. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, na qual exploramos e sistematizamos as origens e o desenvolvimento da Nova Museologia, bem como apontamos as suas principais características, apoiadas em autores nacionais, internacionais e em documentos das conferências e dos seminários da área. Concluímos que o presente debate aponta caminhos para a análise sobre os museus e os processos preservacionistas, envolvendo natureza e cultura, além de contribuir para a memória e reflexões museológicas.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"44675942","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Este trabalho buscou analisar a fotografia das “cabeças cortadas”, despojos do bando de Lampião em 1938, a partir do processo de colorização do artista plástico Rubens Antonio da Silva Filho. A fotografia passou a circular em meios digitais suscitando novos debates sobre o cangaço. Este trabalho analisa a colorização para além do simples processo de facilitação do acesso à história ou fetichização da imagem (DIDI-HUBERMAN, 2012b). Atentamos para as reconfigurações da imagem ao ser apresentada em cores, seus debates sobre memória e violência no contexto de expansão das novas tecnologias.
{"title":"Cabeças cortadas e o “fim do cangaço” em cores","authors":"Francisco Santos","doi":"10.22562/2022.56.04","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.04","url":null,"abstract":"Este trabalho buscou analisar a fotografia das “cabeças cortadas”, despojos do bando de Lampião em 1938, a partir do processo de colorização do artista plástico Rubens Antonio da Silva Filho. A fotografia passou a circular em meios digitais suscitando novos debates sobre o cangaço. Este trabalho analisa a colorização para além do simples processo de facilitação do acesso à história ou fetichização da imagem (DIDI-HUBERMAN, 2012b). Atentamos para as reconfigurações da imagem ao ser apresentada em cores, seus debates sobre memória e violência no contexto de expansão das novas tecnologias.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"48671848","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Maria De Souza, Lucía Bernardi, Jorge Alejandro Santos
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa com docentes dos anos iniciais de uma escola da Rede Municipal de Ensino de Chapecó, localizada no Oeste de Santa Catarina – Brasil, que objetivou compreender que representações os professores estabelecem acerca do “ser caboclo” e que abordagens fazem sobre essa cultura em sala de aula. Um estudo de cunho qualitativo, em que se fez uso de entrevistas semiestruturadas e da Análise Textual Discursiva. Tendo como aporte teórico as lentes de Pierre Bourdieu (1996, 2002, 2013) para pensar as representações, a investigação permitiu inferir a permanência de visões hegemônicas no ambiente escolar, acarretando a exclusão de alguns grupos sociais que já foram colocados à margem pela “história oficial”, como o caboclo. Com novos estudos a respeito desses grupos, ficam postos à escola e à sociedade em geral a necessidade de repensar a forma de historicizar a presença deles na história da região em estudo.
{"title":"Ser caboclo no oeste catarinense","authors":"Maria De Souza, Lucía Bernardi, Jorge Alejandro Santos","doi":"10.22562/2022.56.08","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.08","url":null,"abstract":"Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa com docentes dos anos iniciais de uma escola da Rede Municipal de Ensino de Chapecó, localizada no Oeste de Santa Catarina – Brasil, que objetivou compreender que representações os professores estabelecem acerca do “ser caboclo” e que abordagens fazem sobre essa cultura em sala de aula. Um estudo de cunho qualitativo, em que se fez uso de entrevistas semiestruturadas e da Análise Textual Discursiva. Tendo como aporte teórico as lentes de Pierre Bourdieu (1996, 2002, 2013) para pensar as representações, a investigação permitiu inferir a permanência de visões hegemônicas no ambiente escolar, acarretando a exclusão de alguns grupos sociais que já foram colocados à margem pela “história oficial”, como o caboclo. Com novos estudos a respeito desses grupos, ficam postos à escola e à sociedade em geral a necessidade de repensar a forma de historicizar a presença deles na história da região em estudo. ","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"49284735","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O presente artigo busca discutir as potencialidades da Educação Básica no combate à violência contra a mulher, em uma perspectiva crítica à criminalização de condutas e intensificação de penas. A partir da revisão bibliográfica de estudos na área de Criminologia Crítica e da análise de dados fornecidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), identifica-se uma aparente ineficácia da via penal como meio de enfrentamento à violência de gênero. Uma vez que, como propõem as pesquisas no campo dos Estudos de Gênero, esta violência emana de uma configuração sociocultural pautada na ordem patriarcal e na assimetria de poder entre os gêneros, a criminalização de condutas não alcança suas raízes. Diante desse cenário, requer-se lançar um novo olhar sobre áreas que possam contribuir para a desconstrução dessa base sociocultural e engajar-se no enfrentamento à violência de gênero. Para tanto, compreende-se que a Educação, a partir da perspectiva proposta por Adorno, tem potencial relevante de contribuição neste debate.
{"title":"O enfrentamento da violência de gênero a partir da Educação Básica","authors":"Roberta Guimarães Peres, A. Alves","doi":"10.22562/2022.56.06","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.06","url":null,"abstract":"O presente artigo busca discutir as potencialidades da Educação Básica no combate à violência contra a mulher, em uma perspectiva crítica à criminalização de condutas e intensificação de penas. A partir da revisão bibliográfica de estudos na área de Criminologia Crítica e da análise de dados fornecidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), identifica-se uma aparente ineficácia da via penal como meio de enfrentamento à violência de gênero. Uma vez que, como propõem as pesquisas no campo dos Estudos de Gênero, esta violência emana de uma configuração sociocultural pautada na ordem patriarcal e na assimetria de poder entre os gêneros, a criminalização de condutas não alcança suas raízes. Diante desse cenário, requer-se lançar um novo olhar sobre áreas que possam contribuir para a desconstrução dessa base sociocultural e engajar-se no enfrentamento à violência de gênero. Para tanto, compreende-se que a Educação, a partir da perspectiva proposta por Adorno, tem potencial relevante de contribuição neste debate.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"45416334","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A América Latina, no século XXI, configura-se em um território que protagoniza a ascensão de governos progressistas, caracterizados pelo estabelecimento de políticas reformistas nas áreas sociais e econômicas, como, por exemplo, a ampliação do mercado consumidor interno e o controle dos recursos naturais nacionais para o desenvolvimento de políticas públicas, atenuando a relação histórica de dependência da região. A partir desse processo histórico, o presente trabalho analisa a reação das classes dominantes regionais e do capital globalizado, denominada de movimento contrarreformista, responsável pela promoção de governos conservadores e neoliberais. A experiência brasileira é abordada enquanto estudo de caso do contrarreformismo na América Latina, destacando o aumento da violência no campo em virtude da intensificação dos conflitos agrários. A teoria marxista da dependência é a abordagem teórica utilizada para a compreensão da gestação do contrarreformismo e do neoliberalismo, bem como o recrudescimento da luta social, sobretudo no campo brasileiro.
{"title":"Dependência, contrarreforma e violência agrária na América Latina","authors":"É. N. Silva","doi":"10.22562/2022.56.05","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.05","url":null,"abstract":"A América Latina, no século XXI, configura-se em um território que protagoniza a ascensão de governos progressistas, caracterizados pelo estabelecimento de políticas reformistas nas áreas sociais e econômicas, como, por exemplo, a ampliação do mercado consumidor interno e o controle dos recursos naturais nacionais para o desenvolvimento de políticas públicas, atenuando a relação histórica de dependência da região. A partir desse processo histórico, o presente trabalho analisa a reação das classes dominantes regionais e do capital globalizado, denominada de movimento contrarreformista, responsável pela promoção de governos conservadores e neoliberais. A experiência brasileira é abordada enquanto estudo de caso do contrarreformismo na América Latina, destacando o aumento da violência no campo em virtude da intensificação dos conflitos agrários. A teoria marxista da dependência é a abordagem teórica utilizada para a compreensão da gestação do contrarreformismo e do neoliberalismo, bem como o recrudescimento da luta social, sobretudo no campo brasileiro.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42936497","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Este trabalho procurou, a partir de um processo criminal e de jornais cearenses, analisar algumas relações por trás do assassinato de Sabina Thereza de Jesus, ocorrido na Vila do Acarape-Ceará, no mês de novembro de 1876. Compreendendo o crime em sua capacidade de suscitar percepções que extrapolam sua singularidade, buscamos enfatizar os valores e as normas de uma sociedade orientada por relações paternalistas e estreitamente referenciada em classificações raciais. Em diálogo com a Micro-história italiana, destacamos a complexidade acerca da defesa da honra e manutenção da posição social, que se mostraram amparadas no uso da violência. Por sua vez, ao se detalhar aspectos da vida e da morte numa comunidade rural do norte cearense, atentamos para como uma mulher livre, negra e pobre, no declínio da escravidão, pôde experimentar maneiras de se exprimir, agir e resistir.
这项工作试图从一个刑事案件和Ceará的报纸中分析1876年11月发生在Vila do Acarupt Ceará的Sabina Thereza de Jesus谋杀案背后的一些关系。我们理解犯罪唤起超越其独特性的认知的能力,试图强调一个以家长式关系为指导、在种族分类中密切参考的社会的价值观和规范。在与意大利微观历史的对话中,我们强调了捍卫荣誉和维护社会地位的复杂性,这些都得到了暴力的支持。反过来,当我们详细描述塞阿拉北部农村社区的生与死的各个方面时,我们会看到一个自由、黑人和贫穷的女性,在奴隶制的衰落中,如何体验表达自己、行动和反抗的方式。
{"title":"A morte de Sabina Thereza de Jesus","authors":"Alan Philipe Moreira Silveira","doi":"10.22562/2022.56.02","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.02","url":null,"abstract":"Este trabalho procurou, a partir de um processo criminal e de jornais cearenses, analisar algumas relações por trás do assassinato de Sabina Thereza de Jesus, ocorrido na Vila do Acarape-Ceará, no mês de novembro de 1876. Compreendendo o crime em sua capacidade de suscitar percepções que extrapolam sua singularidade, buscamos enfatizar os valores e as normas de uma sociedade orientada por relações paternalistas e estreitamente referenciada em classificações raciais. Em diálogo com a Micro-história italiana, destacamos a complexidade acerca da defesa da honra e manutenção da posição social, que se mostraram amparadas no uso da violência. Por sua vez, ao se detalhar aspectos da vida e da morte numa comunidade rural do norte cearense, atentamos para como uma mulher livre, negra e pobre, no declínio da escravidão, pôde experimentar maneiras de se exprimir, agir e resistir.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"44708854","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O presente ensaio busca analisar, a partir da lente micro de um caso, as práticas da justiça e as ações de violência cometidas na comarca de Senador Pompeu, no Ceará, no início do século XX. Partindo dessa concepção, discutimos o processo de construção do crime, o uso da violência como tentativa de resolução de conflitos e as nuances da ação penal dentro da justiça brasileira. Consideramos, portanto, neste trabalho a interdisciplinaridade da ciência histórica com as áreas do direito e da sociologia. A partir da abordagem da micro-história e das reduções da escala de observação, o processo judicial do réu Porfírio Ponciano e da vítima Ismael Benigno, registrado na comarca de Senador Pompeu em 03 de janeiro de 1920, dimensiona-se na construção do crime diante do judiciário e o uso da violência pra resolução de suas conflitualidades.
{"title":"A justiça, a violência e a micro-história de um crime","authors":"Lucas Pereira de Oliveira","doi":"10.22562/2022.56.01","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2022.56.01","url":null,"abstract":"O presente ensaio busca analisar, a partir da lente micro de um caso, as práticas da justiça e as ações de violência cometidas na comarca de Senador Pompeu, no Ceará, no início do século XX. Partindo dessa concepção, discutimos o processo de construção do crime, o uso da violência como tentativa de resolução de conflitos e as nuances da ação penal dentro da justiça brasileira. Consideramos, portanto, neste trabalho a interdisciplinaridade da ciência histórica com as áreas do direito e da sociologia. A partir da abordagem da micro-história e das reduções da escala de observação, o processo judicial do réu Porfírio Ponciano e da vítima Ismael Benigno, registrado na comarca de Senador Pompeu em 03 de janeiro de 1920, dimensiona-se na construção do crime diante do judiciário e o uso da violência pra resolução de suas conflitualidades. ","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"46698760","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A rodovia Transamazônica nasceu filiada ao Programa de Integração Nacional (PIN) no auge da ditadura civil-militar em 1970 e teve a incorporação do território amazônico à lógica do capital nacional como pano de fundo da estratégia do Estado, que contava com o Nordeste como área de repulsão de um exército de mão de obra, além de grandes empresários interessados no megaempreendimento de construção civil e nos grandes projetos agropecuários com financiamentos subsidiados. A execução do projeto exigiu a migração de milhares de trabalhadores contratados de maneira direta ou indireta por grandes empreiteiras nacionais ou por intermediários e submetidos a diversos tipos de abusos e desrespeito às leis trabalhistas em vigor no momento. A obra, apesar da subnotificação de casos, fez disparar o número de acidentes de trabalho comunicados às autoridades, além de resultar em um boom de ações trabalhistas movidas por trabalhadores contra as empreiteiras envolvidas no projeto. Chamados a “construir o Brasil Grande”, muitos desses trabalhadores que construíram caminhos e acabaram encontrando o fim da linha de suas próprias trajetórias.
{"title":"Construindo caminhos e chegando ao fim da linha?","authors":"Magno Michell Marçal Braga","doi":"10.22562/2021.55.06","DOIUrl":"https://doi.org/10.22562/2021.55.06","url":null,"abstract":"A rodovia Transamazônica nasceu filiada ao Programa de Integração Nacional (PIN) no auge da ditadura civil-militar em 1970 e teve a incorporação do território amazônico à lógica do capital nacional como pano de fundo da estratégia do Estado, que contava com o Nordeste como área de repulsão de um exército de mão de obra, além de grandes empresários interessados no megaempreendimento de construção civil e nos grandes projetos agropecuários com financiamentos subsidiados. A execução do projeto exigiu a migração de milhares de trabalhadores contratados de maneira direta ou indireta por grandes empreiteiras nacionais ou por intermediários e submetidos a diversos tipos de abusos e desrespeito às leis trabalhistas em vigor no momento. A obra, apesar da subnotificação de casos, fez disparar o número de acidentes de trabalho comunicados às autoridades, além de resultar em um boom de ações trabalhistas movidas por trabalhadores contra as empreiteiras envolvidas no projeto. Chamados a “construir o Brasil Grande”, muitos desses trabalhadores que construíram caminhos e acabaram encontrando o fim da linha de suas próprias trajetórias.","PeriodicalId":33856,"journal":{"name":"Cadernos do CEOM","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-12-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"41545254","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}