Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n2a103
Virgínia Amaral
Resumo: No livro Absent-minded Imperialism, o antropólogo Peter Rivière reconstitui o litígio do Pirara, que definiu a fronteira entre o Brasil e a Guiana Britânica de então. Em contraste com as percepções de colonizadores ingleses, manifestas nas fontes privilegiadas pelo autor, este artigo examina leituras dos povos Kapon e Pemon de aspectos da colonização da Guiana, os quais também se revelaram em episódios específicos do litígio. Essas leituras são inerentes a narrativas míticas de origem da religião Areruya - uma cristalização de antigos movimentos proféticos kapon e pemon. Muitos deles foram liderados por pajés, que conviveram periodicamente com missionários cristãos. Hoje, os adeptos da religião indígena negam que ela tenha influência missionária. Para refletir sobre essa percepção, considero tanto o que as próprias narrativas míticas relativas obliteram quanto o que elas preservam da história do contato dos profetas pioneiros com missionários. Por fim, sugiro que a versão mais claramente mitificada condiz melhor com o lugar na colonização no sistema conceitual de Areruya.
{"title":"Entre a distração e o esquecimento: a colonização da fronteira Brasil-Guiana segundo leituras históricas e míticas","authors":"Virgínia Amaral","doi":"10.1590/1678-49442022v28n2a103","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n2a103","url":null,"abstract":"Resumo: No livro Absent-minded Imperialism, o antropólogo Peter Rivière reconstitui o litígio do Pirara, que definiu a fronteira entre o Brasil e a Guiana Britânica de então. Em contraste com as percepções de colonizadores ingleses, manifestas nas fontes privilegiadas pelo autor, este artigo examina leituras dos povos Kapon e Pemon de aspectos da colonização da Guiana, os quais também se revelaram em episódios específicos do litígio. Essas leituras são inerentes a narrativas míticas de origem da religião Areruya - uma cristalização de antigos movimentos proféticos kapon e pemon. Muitos deles foram liderados por pajés, que conviveram periodicamente com missionários cristãos. Hoje, os adeptos da religião indígena negam que ela tenha influência missionária. Para refletir sobre essa percepção, considero tanto o que as próprias narrativas míticas relativas obliteram quanto o que elas preservam da história do contato dos profetas pioneiros com missionários. Por fim, sugiro que a versão mais claramente mitificada condiz melhor com o lugar na colonização no sistema conceitual de Areruya.","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509017","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1a207
Gabriel Rodrigues Lopes
Resumo Na caatinga da Bahia, os encontros cinegéticos entre Caipora, a “mãe-das-caças”, e caçadores têm como relação privilegiada uma diplomacia cosmopolítica (prestar atenção, doar, respeitar, negociar, ser advertido). No entanto, um encontro solitário com Caipora exprime relações sociais que implicam tanto uma diferença como uma luta de perspectivas. Ou seja, na primeira (diferença), a comensalidade, iniciada pelos sedutores e enganadores sons (“ariar”) que afetam o sujeito (“idear”), é tomada como captura, pelos nativos, e como familiarização, por Caipora, pois ao comer com ela, a pessoa “se encanta”, desaparece “das vistas” da humanidade como a conhecemos e vira-Caipora; na segunda (luta), há uma disputa entre dois sujeitos para ocupar o ponto de vista, posto que a posição dêitica do “eu” não está dada de antemão, gozará dela quem for capaz de amedrontar o outro, que se tornará o “tu” neste encontro.
{"title":"Comendo com(o) Caipora: Encontros que “encantam” o sertão na Bahia","authors":"Gabriel Rodrigues Lopes","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1a207","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1a207","url":null,"abstract":"Resumo Na caatinga da Bahia, os encontros cinegéticos entre Caipora, a “mãe-das-caças”, e caçadores têm como relação privilegiada uma diplomacia cosmopolítica (prestar atenção, doar, respeitar, negociar, ser advertido). No entanto, um encontro solitário com Caipora exprime relações sociais que implicam tanto uma diferença como uma luta de perspectivas. Ou seja, na primeira (diferença), a comensalidade, iniciada pelos sedutores e enganadores sons (“ariar”) que afetam o sujeito (“idear”), é tomada como captura, pelos nativos, e como familiarização, por Caipora, pois ao comer com ela, a pessoa “se encanta”, desaparece “das vistas” da humanidade como a conhecemos e vira-Caipora; na segunda (luta), há uma disputa entre dois sujeitos para ocupar o ponto de vista, posto que a posição dêitica do “eu” não está dada de antemão, gozará dela quem for capaz de amedrontar o outro, que se tornará o “tu” neste encontro.","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509154","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1r903
Thiago Braga Sá
{"title":"FRANCHETTO, Bruna & BALYKOVA, Kristina (orgs.). 2020. Índio não fala só tupi: uma viagem pelas línguas dos povos originários no Brasil. Rio de Janeiro: 7Letras. 249 pp.","authors":"Thiago Braga Sá","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1r903","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1r903","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509338","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n3a0200
S. Z. Paterniani, Gustavo Belisário, Laura Nakel
Resumo Este artigo faz um sobrevoo pela vida e obra de Sylvia Wynter, intelectual, artista e ativista jamaicana, para o público leitor de português, sobretudo no Brasil. Para isso, iniciamos o texto com elementos de contextualização histórica da Jamaica e do Caribe, com ênfase nos efeitos deletérios da plantation e do imperialismo na constituição da pessoa negra; seguem-se alguns apontamentos biográficos da autora; para, por fim, apresentar algumas de suas contribuições analíticas, políticas e teóricas, com ênfase em três aspectos. Primeiro, sua crítica ao equacionamento da humanidade com o conceito ocidental de Homem e a proliferação epistemológica e analítica do Homem. Segundo, seu chamado para a reconstituição epistêmica da universidade e o papel seminal dos Black studies nessa empreitada, bem como a crítica à pacificação dos Black studies quando incorporados como etno-história. Por fim, sua proposta de humanismo radical.
{"title":"O humanismo radical de Sylvia Wynter:uma apresentação","authors":"S. Z. Paterniani, Gustavo Belisário, Laura Nakel","doi":"10.1590/1678-49442022v28n3a0200","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n3a0200","url":null,"abstract":"Resumo Este artigo faz um sobrevoo pela vida e obra de Sylvia Wynter, intelectual, artista e ativista jamaicana, para o público leitor de português, sobretudo no Brasil. Para isso, iniciamos o texto com elementos de contextualização histórica da Jamaica e do Caribe, com ênfase nos efeitos deletérios da plantation e do imperialismo na constituição da pessoa negra; seguem-se alguns apontamentos biográficos da autora; para, por fim, apresentar algumas de suas contribuições analíticas, políticas e teóricas, com ênfase em três aspectos. Primeiro, sua crítica ao equacionamento da humanidade com o conceito ocidental de Homem e a proliferação epistemológica e analítica do Homem. Segundo, seu chamado para a reconstituição epistêmica da universidade e o papel seminal dos Black studies nessa empreitada, bem como a crítica à pacificação dos Black studies quando incorporados como etno-história. Por fim, sua proposta de humanismo radical.","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509603","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1a206
Heike Drotbohm
Resumo Importar-se com os outros e cuidar dos outros - sejam outras pessoas, coletividades, plantas, animais ou o clima - é um ato cotidiano e recorrente. Em algum momento da vida, quase todos os seres humanos precisam ser cuidados, são cuidados e, por fim, cuidam. Na antropologia, a noção crítica de cuidado constitui uma ferramenta analítica para considerar seriamente as contingências da vida e para compreender os modos como as pessoas atribuem sentido a diferentes tipos de atos, atitudes e valores. Este artigo argumenta que a dimensão normativa do conceito é parte de um binarismo cultural que hierarquiza o mundo de acordo com esferas da existência às quais são atribuídos valores distintos. Concentrando-se nesta normatividade como algo intrínseco à noção, o artigo estabelece uma distinção entre três campos empíricos complementares: o cuidado como reprodução social (globalizada), o cuidado como assimetria institucionalizada, e o cuidado para além do excepcionalismo humano. Fica claro que o cuidado oscila entre duas perspectivas distintas, produzindo uma tensão específica: por um lado, o conceito de cuidado apresenta uma dimensão protetora e conservadora ligada ao passado, por outro, incorpora uma dimensão transformativa por meio de suas noções de desenvolvimento, progresso e aprimoramento. Para ir além de nossa própria concepção (potencial ou inevitavelmente) acadêmica, eurocêntrica ou humanocêntrica da noção de cuidado, este ensaio sugere levar “o cuidado além do reparo”: podemos fazê-lo, em primeiro lugar, indagando qual é o papel da pesquisa nesta ética da diferenciação e, em seguida, identificando perspectivas e posicionalidades as quais, à primeira vista, parecem indistintas ou desarticuladas e, por isso, desafiam categorias já familiares de avaliação e distinção. Encarado desta maneira, o cuidado além do reparo nos chama a atenção para o fazer e o desfazer da existência humana.
{"title":"O Cuidado além do Reparo","authors":"Heike Drotbohm","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1a206","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1a206","url":null,"abstract":"Resumo Importar-se com os outros e cuidar dos outros - sejam outras pessoas, coletividades, plantas, animais ou o clima - é um ato cotidiano e recorrente. Em algum momento da vida, quase todos os seres humanos precisam ser cuidados, são cuidados e, por fim, cuidam. Na antropologia, a noção crítica de cuidado constitui uma ferramenta analítica para considerar seriamente as contingências da vida e para compreender os modos como as pessoas atribuem sentido a diferentes tipos de atos, atitudes e valores. Este artigo argumenta que a dimensão normativa do conceito é parte de um binarismo cultural que hierarquiza o mundo de acordo com esferas da existência às quais são atribuídos valores distintos. Concentrando-se nesta normatividade como algo intrínseco à noção, o artigo estabelece uma distinção entre três campos empíricos complementares: o cuidado como reprodução social (globalizada), o cuidado como assimetria institucionalizada, e o cuidado para além do excepcionalismo humano. Fica claro que o cuidado oscila entre duas perspectivas distintas, produzindo uma tensão específica: por um lado, o conceito de cuidado apresenta uma dimensão protetora e conservadora ligada ao passado, por outro, incorpora uma dimensão transformativa por meio de suas noções de desenvolvimento, progresso e aprimoramento. Para ir além de nossa própria concepção (potencial ou inevitavelmente) acadêmica, eurocêntrica ou humanocêntrica da noção de cuidado, este ensaio sugere levar “o cuidado além do reparo”: podemos fazê-lo, em primeiro lugar, indagando qual é o papel da pesquisa nesta ética da diferenciação e, em seguida, identificando perspectivas e posicionalidades as quais, à primeira vista, parecem indistintas ou desarticuladas e, por isso, desafiam categorias já familiares de avaliação e distinção. Encarado desta maneira, o cuidado além do reparo nos chama a atenção para o fazer e o desfazer da existência humana.","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509047","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1r900
Victor Miguel Castillo de Macedo
{"title":"AMARASURIYA, Harini; KELLY, Tobias; MAUNAGURU, Sidharthan; OUSTINOVA-STJEPANOVIC, Galina & SPENCER, Jonathan (eds.). 2020. The Intimate Life of Dissent: Anthropological Perspectives. London: University College of London - UCL Press. 224 pp.","authors":"Victor Miguel Castillo de Macedo","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1r900","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1r900","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509192","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1r901
María Eugenia Olavarría
{"title":"Lévi-Strauss, Claude. 2019. Anthropologie structurale zéro, préfacé et édité par Vincent Debaene, Editions du Seuil, 333p.","authors":"María Eugenia Olavarría","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1r901","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1r901","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509235","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n1a201
João Vianna, Afonso Fontes, Ilda da Silva Cardoso
Resumo Este artigo explora a pesquisa de um iñapakaita, benzedor, Afonso Fontes, homem baniwa do clã Hoohodene, por uma encantação xamânica para uma doença: a covid-19. Essa busca será compreendida como inventiva, nos termos da dialética wagneriana (2010), pois ocorre a partir de seus conhecimentos do cosmos, dos mundos mítico e atual, não humanos e humanos, indígenas e não indígenas. A análise das fórmulas verbais contidas na encantação de Afonso contra o coronavírus descreverá o seu caráter composicional, explicitando perspectivas a partir das quais são constituídas, bem como a agência xamânica atua na reordenação do cosmos. Por fim, realizam-se apontamentos de ordem especulativa, desde uma crítica xamânica, sobre o surgimento das doenças como conectadas a outros colapsos e associados ao modo de vida dos não indígenas no Antropoceno.
{"title":"“A doença do mundo”: xamanismo baniwa contra a pandemia","authors":"João Vianna, Afonso Fontes, Ilda da Silva Cardoso","doi":"10.1590/1678-49442022v28n1a201","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n1a201","url":null,"abstract":"Resumo Este artigo explora a pesquisa de um iñapakaita, benzedor, Afonso Fontes, homem baniwa do clã Hoohodene, por uma encantação xamânica para uma doença: a covid-19. Essa busca será compreendida como inventiva, nos termos da dialética wagneriana (2010), pois ocorre a partir de seus conhecimentos do cosmos, dos mundos mítico e atual, não humanos e humanos, indígenas e não indígenas. A análise das fórmulas verbais contidas na encantação de Afonso contra o coronavírus descreverá o seu caráter composicional, explicitando perspectivas a partir das quais são constituídas, bem como a agência xamânica atua na reordenação do cosmos. Por fim, realizam-se apontamentos de ordem especulativa, desde uma crítica xamânica, sobre o surgimento das doenças como conectadas a outros colapsos e associados ao modo de vida dos não indígenas no Antropoceno.","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509214","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-01DOI: 10.1590/1678-49442022v28n2a100
Luiz Costa
{"title":"Introdução ao “Especial” sobre a obra de Peter Rivière","authors":"Luiz Costa","doi":"10.1590/1678-49442022v28n2a100","DOIUrl":"https://doi.org/10.1590/1678-49442022v28n2a100","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":35315,"journal":{"name":"Mana: Estudos de Antropologia Social","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"67509353","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}