Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.02
Susani Silveira Lemos França
A proposta do texto é refletir sobre uma personagem, o Infante D. Henrique de Portugal, cuja ação foi aceita, ao longo de séculos, como decisiva no processo de expansão externa europeia. A despeito de alguns juízos contraditórios e depreciativos, os traços da sua imagem que chegaram até nós são predominantemente favoráveis e mostram-se um campo fértil para cogitarmos sobre os motivos alegados, nos reinos ibéricos do século XV, em defesa do combate e da conversão em terras alheias, ou melhor, para se conjecturar sobre o que era entendido como bom, certo e necessário. Retomando fontes que foram fundamentais na difusão de ideias e ideais expansionistas, a começar por célebres autores portugueses posteriores que garantiram a fortuna da imagem do Infante, o estudo, sem qualquer pretensão de defender que suas virtudes pessoais reiteradas nas fontes atestem seu desempenho histórico, examina particularmente as ações deliberadas descritas nas narrativas quatrocentistas, suas escolhas infelizes e os acasos que favoreceram seu destaque em um processo histórico que foi para muito além da sua vida. O objetivo do estudo é esmiuçar as qualidades e as ações que traduzem uma partilha de valores que favoreceram o relevo do Infante ou sua elevação sobre os irmãos, tanto pelos feitos que lhes foram atribuídos quanto pela combinação de eventos posteriores que levaram à distinção de uns conquistadores em relação a outros.
{"title":"Uma peça em um tabuleiro: um infante na expansão quatrocentista","authors":"Susani Silveira Lemos França","doi":"10.4013/hist.2023.271.02","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.02","url":null,"abstract":"A proposta do texto é refletir sobre uma personagem, o Infante D. Henrique de Portugal, cuja ação foi aceita, ao longo de séculos, como decisiva no processo de expansão externa europeia. A despeito de alguns juízos contraditórios e depreciativos, os traços da sua imagem que chegaram até nós são predominantemente favoráveis e mostram-se um campo fértil para cogitarmos sobre os motivos alegados, nos reinos ibéricos do século XV, em defesa do combate e da conversão em terras alheias, ou melhor, para se conjecturar sobre o que era entendido como bom, certo e necessário. Retomando fontes que foram fundamentais na difusão de ideias e ideais expansionistas, a começar por célebres autores portugueses posteriores que garantiram a fortuna da imagem do Infante, o estudo, sem qualquer pretensão de defender que suas virtudes pessoais reiteradas nas fontes atestem seu desempenho histórico, examina particularmente as ações deliberadas descritas nas narrativas quatrocentistas, suas escolhas infelizes e os acasos que favoreceram seu destaque em um processo histórico que foi para muito além da sua vida. O objetivo do estudo é esmiuçar as qualidades e as ações que traduzem uma partilha de valores que favoreceram o relevo do Infante ou sua elevação sobre os irmãos, tanto pelos feitos que lhes foram atribuídos quanto pela combinação de eventos posteriores que levaram à distinção de uns conquistadores em relação a outros.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"46911257","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.06
Cleber Rudy
No final da década de 1970, via o processo de abertura que sinalizava o enfraquecimento da ditadura civil-militar no Brasil, novas proposições políticas ganhariam forma, entre as quais a retomada de projetos de tons anarquistas que canalizavam parte de sua propaganda ideológica em defesa da liberdade e contra os autoritarismos. Por intermédio da criação de uma gama de impressos, a exemplo do jornal O Inimigo do Rei, fundado em 1977, na Bahia, novas perspectivas anarquistas ganhariam fomento, em que a defesa da autogestão – amparada, em grande medida, nas experiências coletivistas realizadas pelos trabalhadores e trabalhadoras durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) –, se tornava a chave mestra para a organização do movimento estudantil e operário no Brasil. Ademais, na década de 1980, diversas expressões libertárias que mesclavam demandas oriundas da contracultura seriam impulsionadas em diversas regiões do País. Logo, tal cenário de anseios revolucionários, cuja força motriz estava na juventude, delinearia novos percursos para o movimento anarquista brasileiro que, entre suas iniciativas, incluía a tentativa de reconstrução da Confederação Operária Brasileira. Diante disso, valendo-se da imprensa alternativa e libertária, bem como de documentação oficial produzida pelos órgãos de censura e repressão, este artigo almeja apontar algumas reflexões sobre um período menos conhecido da história do movimento anarquista no Brasil, destacando sua produção cultural e a organização de coletivos e encontros libertários em prol da transformação social via socialismo autogestionário.
{"title":"Anarquismo em tempos de transição política: a defesa da autogestão estudantil e operária (Brasil, 1977-1989)","authors":"Cleber Rudy","doi":"10.4013/hist.2023.271.06","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.06","url":null,"abstract":"No final da década de 1970, via o processo de abertura que sinalizava o enfraquecimento da ditadura civil-militar no Brasil, novas proposições políticas ganhariam forma, entre as quais a retomada de projetos de tons anarquistas que canalizavam parte de sua propaganda ideológica em defesa da liberdade e contra os autoritarismos. Por intermédio da criação de uma gama de impressos, a exemplo do jornal O Inimigo do Rei, fundado em 1977, na Bahia, novas perspectivas anarquistas ganhariam fomento, em que a defesa da autogestão – amparada, em grande medida, nas experiências coletivistas realizadas pelos trabalhadores e trabalhadoras durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) –, se tornava a chave mestra para a organização do movimento estudantil e operário no Brasil. Ademais, na década de 1980, diversas expressões libertárias que mesclavam demandas oriundas da contracultura seriam impulsionadas em diversas regiões do País. Logo, tal cenário de anseios revolucionários, cuja força motriz estava na juventude, delinearia novos percursos para o movimento anarquista brasileiro que, entre suas iniciativas, incluía a tentativa de reconstrução da Confederação Operária Brasileira. Diante disso, valendo-se da imprensa alternativa e libertária, bem como de documentação oficial produzida pelos órgãos de censura e repressão, este artigo almeja apontar algumas reflexões sobre um período menos conhecido da história do movimento anarquista no Brasil, destacando sua produção cultural e a organização de coletivos e encontros libertários em prol da transformação social via socialismo autogestionário.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"48343949","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.11
Daniela Casoni Moscato, C. Denipoti
Este artigo busca investigar as sociabilidades científicas da leitura dos naturalistas europeus que viajaram pelo Brasil no começo do século XIX e as interações desses viajantes entre si e com naturalistas luso-brasileiros que os antecederam na descrição da natureza brasileira no século XVIII. Para tanto, foram utilizados os relatos de viagem de John Mawe, Wilhelm Ludwig von Eschwege, Maximilian de Wied-Neuwied, Auguste François César de Saint-Hilaire, Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que estiveram no Brasil a partir de 1807 e publicaram seus relatos nos países de origem durante as décadas seguintes. Buscou-se verificar nesses relatos as alusões, referências e notas bibliográficas visando possíveis leituras comuns, particularmente aquelas dos naturalistas luso-brasileiros que descreveram partes do Brasil a serviço da Coroa portuguesa entre 1770 e 1800. Este estudo permitiu perceber como se gestou uma comunidade de leitores científicos que compartilhavam leituras, referências e mesmo bibliotecas, faziam citações mútuas e copiavam abertamente as descrições uns dos outros – e de seus antecessores luso brasileiros do final do século XVIII –, de acordo com seus próprios interesses editoriais ou necessidades autorais, construindo todo um conjunto canônico de descrições do Brasil que ainda permeia a historiografia sobre o período.
本文旨在调查19世纪初穿越巴西的欧洲博物学家的阅读的科学社交性,以及这些旅行者之间的互动,以及他们之前在18世纪描述巴西自然的卢索-巴西博物学家之间的互动。为此,我们使用了John Mawe、Wilhelm Ludwig von Eschwege、Maximilian de Wied Neuwied、Auguste François César de Saint Hilaire、Johann Baptiste von Spix和Carl Friedrich Philipp von Martius的旅行报告,他们从1807年起在巴西,并在随后的几十年中在原籍国发表了他们的报告。我们试图在这些报告中核实典故、参考文献和书目注释,这些都是为了可能的共同阅读,特别是卢索-巴西博物学家的那些,他们描述了1770年至1800年间为葡萄牙王室服务的巴西部分地区。这项研究让我们了解了一个科学读者群体是如何被管理的,他们根据自己的编辑兴趣或作者需求,分享阅读资料、参考资料甚至图书馆,相互引用并公开复制彼此的描述——以及他们在18世纪末的葡萄牙-巴西前任的描述,构建了一整套关于巴西的规范描述,这些描述仍然渗透到那个时期的史学中。
{"title":"Ler é preciso: um estudo sobre uma comunidade de viajantes-leitores no século XIX: Mawe, Eschwege, Wied-Neuvied, Spix e Martius e Saint-Hilaire","authors":"Daniela Casoni Moscato, C. Denipoti","doi":"10.4013/hist.2023.271.11","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.11","url":null,"abstract":"Este artigo busca investigar as sociabilidades científicas da leitura dos naturalistas europeus que viajaram pelo Brasil no começo do século XIX e as interações desses viajantes entre si e com naturalistas luso-brasileiros que os antecederam na descrição da natureza brasileira no século XVIII. Para tanto, foram utilizados os relatos de viagem de John Mawe, Wilhelm Ludwig von Eschwege, Maximilian de Wied-Neuwied, Auguste François César de Saint-Hilaire, Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que estiveram no Brasil a partir de 1807 e publicaram seus relatos nos países de origem durante as décadas seguintes. Buscou-se verificar nesses relatos as alusões, referências e notas bibliográficas visando possíveis leituras comuns, particularmente aquelas dos naturalistas luso-brasileiros que descreveram partes do Brasil a serviço da Coroa portuguesa entre 1770 e 1800. Este estudo permitiu perceber como se gestou uma comunidade de leitores científicos que compartilhavam leituras, referências e mesmo bibliotecas, faziam citações mútuas e copiavam abertamente as descrições uns dos outros – e de seus antecessores luso brasileiros do final do século XVIII –, de acordo com seus próprios interesses editoriais ou necessidades autorais, construindo todo um conjunto canônico de descrições do Brasil que ainda permeia a historiografia sobre o período.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"49463196","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.14
Lilian Da Rosa, P. Fraga
No Brasil, a proibição da Cannabis se consolidou em 1938, através do Decreto-Lei 891, e, desde então, essa planta é tema de debate em diferentes setores sociais. Apoiado nos conceitos de representação e de fonte histórica propostos pela Escola dos Annales, o artigo analisa as representações criadas pelo jornal Diário de Pernambuco em torno das ações policiais no combate à Cannabis entre 1938 e 1981. Através do método de clipagem, foram identificadas 2.926 notícias, das quais 636 traziam informações sobre a tentativa de erradicação dessa planta. O banco de dados formado pelas 636 notícias possibilitou a análise de aspectos sociais, políticos e econômicos, bem como o georreferenciamento das ações da polícia por meio da produção de um mapa. De modo geral, as análises dessas notícias sugerem que a destruição de plantios ilícitos e a apreensão de maconha pronta para o consumo eram uma das principais formas de combate utilizadas pelo Estado. Por fim, o artigo ainda identifica e discute quatro narrativas associadas às ações de combate: as grandes operações coordenadas, as pequenas batidas, as ações violentas e a política de orientação.
在巴西,1938年第891号法令巩固了对大麻的禁令,从那时起,这种植物成为不同社会部门辩论的主题。基于编年史学派提出的表征和历史来源的概念,本文分析了diario de Pernambuco报纸在1938年至1981年间围绕警察打击大麻的行动所创造的表征。通过剪贴法,共鉴定出2926条新闻,其中636条提供了试图根除该植物的信息。由636条新闻组成的数据库允许分析社会、政治和经济方面,以及通过制作地图对警察行动进行地理参考。总的来说,对这些新闻的分析表明,破坏非法种植园和没收供消费的大麻是国家使用的主要打击形式之一。最后,本文还确定并讨论了与战斗行动相关的四种叙事:大规模协调行动、小规模打击、暴力行动和定向政策。
{"title":"Ações policiais de combate à Cannabis nas páginas do Diário de Pernambuco (1938-1981)","authors":"Lilian Da Rosa, P. Fraga","doi":"10.4013/hist.2023.271.14","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.14","url":null,"abstract":"No Brasil, a proibição da Cannabis se consolidou em 1938, através do Decreto-Lei 891, e, desde então, essa planta é tema de debate em diferentes setores sociais. Apoiado nos conceitos de representação e de fonte histórica propostos pela Escola dos Annales, o artigo analisa as representações criadas pelo jornal Diário de Pernambuco em torno das ações policiais no combate à Cannabis entre 1938 e 1981. Através do método de clipagem, foram identificadas 2.926 notícias, das quais 636 traziam informações sobre a tentativa de erradicação dessa planta. O banco de dados formado pelas 636 notícias possibilitou a análise de aspectos sociais, políticos e econômicos, bem como o georreferenciamento das ações da polícia por meio da produção de um mapa. De modo geral, as análises dessas notícias sugerem que a destruição de plantios ilícitos e a apreensão de maconha pronta para o consumo eram uma das principais formas de combate utilizadas pelo Estado. Por fim, o artigo ainda identifica e discute quatro narrativas associadas às ações de combate: as grandes operações coordenadas, as pequenas batidas, as ações violentas e a política de orientação.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"44726283","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.17
C. Sá
{"title":"Inconfidência Mineira, fontes e personagens para novas abordagens","authors":"C. Sá","doi":"10.4013/hist.2023.271.17","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.17","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"43039831","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.07
Jorge Ferreira
No desfile militar do Dia da Independência de 1950, na cidade de São Paulo, a militante comunista Elisa Branco Batista protestou contra a possibilidade de envio de soldados brasileiros para lutar na Guerra da Coreia. Ela foi presa e condenada. Recorrendo aos jornais Diário da Noite, Imprensa Popular, Voz Operária e ao Acervo do DEOPS, sob guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo, o objetivo do artigo é conhecer período importante da vida de Elisa Branco Batista, no contexto da linha política estabelecida pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) no “Manifesto de Agosto de 1950” e da atuação dos comunistas brasileiros nas campanhas pela paz, no início daquela década. O PCB, por meio de sua imprensa, elaborou narrativas sobre Elisa que enfatizavam sua coragem, heroísmo e ousadia. Ao mesmo tempo, os jornais comunistas reproduziam normas, padrões e convenções tradicionais sobre a existência feminina na sociedade brasileira. A imagem que surgia de Elisa era a da militante comunista que deveria servir de exemplo para todos os membros do partido, as mulheres em particular, atuando como mãe, esposa e dona de casa no espaço privado e militando em movimentos políticos e sociais no espaço público. Apesar de seu nome ser muito conhecido entre a militância comunista na primeira metade dos anos 1950, Elisa Branco, posteriormente, tornou-se ausente na memória dos militantes e na historiografia sobre o Partido Comunista Brasileiro.
{"title":"Na guerra e na paz: a saga de Elisa Branco – mulher e comunista (1950-1951)","authors":"Jorge Ferreira","doi":"10.4013/hist.2023.271.07","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.07","url":null,"abstract":"No desfile militar do Dia da Independência de 1950, na cidade de São Paulo, a militante comunista Elisa Branco Batista protestou contra a possibilidade de envio de soldados brasileiros para lutar na Guerra da Coreia. Ela foi presa e condenada. Recorrendo aos jornais Diário da Noite, Imprensa Popular, Voz Operária e ao Acervo do DEOPS, sob guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo, o objetivo do artigo é conhecer período importante da vida de Elisa Branco Batista, no contexto da linha política estabelecida pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) no “Manifesto de Agosto de 1950” e da atuação dos comunistas brasileiros nas campanhas pela paz, no início daquela década. O PCB, por meio de sua imprensa, elaborou narrativas sobre Elisa que enfatizavam sua coragem, heroísmo e ousadia. Ao mesmo tempo, os jornais comunistas reproduziam normas, padrões e convenções tradicionais sobre a existência feminina na sociedade brasileira. A imagem que surgia de Elisa era a da militante comunista que deveria servir de exemplo para todos os membros do partido, as mulheres em particular, atuando como mãe, esposa e dona de casa no espaço privado e militando em movimentos políticos e sociais no espaço público. Apesar de seu nome ser muito conhecido entre a militância comunista na primeira metade dos anos 1950, Elisa Branco, posteriormente, tornou-se ausente na memória dos militantes e na historiografia sobre o Partido Comunista Brasileiro.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"47001824","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-27DOI: 10.4013/hist.2023.271.12
I. Combès
Se examinan aquí los nombramientos oficiales de “capitanes” que diversas autoridades blancas (misioneros, prefectos, corregidores y hasta hacendados) entregaron en el siglo XIX a caciques chiriguanos primero, tobas y wichís después. Ahí donde las autoridades buscaron comprar sumisión y lealtad mediante títulos de papel sin real valor, los chiriguanos volcaron a su favor el poder de los títulos, y los indígenas chaqueños privilegiaron el poder del papel. Todos, a su manera, se adueñaron de un poderoso instrumento imprescindible para moverse en el mundo de los blancos.
{"title":"Poderes de papel, papeles de poder","authors":"I. Combès","doi":"10.4013/hist.2023.271.12","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2023.271.12","url":null,"abstract":"Se examinan aquí los nombramientos oficiales de “capitanes” que diversas autoridades blancas (misioneros, prefectos, corregidores y hasta hacendados) entregaron en el siglo XIX a caciques chiriguanos primero, tobas y wichís después. Ahí donde las autoridades buscaron comprar sumisión y lealtad mediante títulos de papel sin real valor, los chiriguanos volcaron a su favor el poder de los títulos, y los indígenas chaqueños privilegiaron el poder del papel. Todos, a su manera, se adueñaron de un poderoso instrumento imprescindible para moverse en el mundo de los blancos.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2023-01-27","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"41435447","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-11-04DOI: 10.4013/hist.2022.263.11
Lucas Maubert, Elías Pizarro
El presente artículo estudia varios impactos de la Primera Guerra Mundial en la vida cotidiana de los territorios fronterizos de Tacna y Arica (Norte de Chile). Se plantea que este conflicto, pese a su alejamiento, se expresó en la imposición de una serie de medidas de control social en la región. Éstas estuvieron guiadas por dos objetivos: la defensa de la neutralidad chilena y la preservación de la paz social. Es posible observarlos fundamentalmente, en los ámbitos de la actividad comercial, la libertad migratoria de los ciudadanos y de la movilización ideológica de la sociedad. Se recurre a una metodología que plantea el análisis de fuentes documentales, incluyendo a archivos de prensa local y documentos de la administración chilena en la región.
{"title":"Vida cotidiana, movilizaciones y paz ciudadana. Medidas de control social en Tacna y Arica durante la Primera Guerra Mundial (1914-1918)","authors":"Lucas Maubert, Elías Pizarro","doi":"10.4013/hist.2022.263.11","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2022.263.11","url":null,"abstract":"El presente artículo estudia varios impactos de la Primera Guerra Mundial en la vida cotidiana de los territorios fronterizos de Tacna y Arica (Norte de Chile). Se plantea que este conflicto, pese a su alejamiento, se expresó en la imposición de una serie de medidas de control social en la región. Éstas estuvieron guiadas por dos objetivos: la defensa de la neutralidad chilena y la preservación de la paz social. Es posible observarlos fundamentalmente, en los ámbitos de la actividad comercial, la libertad migratoria de los ciudadanos y de la movilización ideológica de la sociedad. Se recurre a una metodología que plantea el análisis de fuentes documentales, incluyendo a archivos de prensa local y documentos de la administración chilena en la región.","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2022-11-04","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42835076","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-11-04DOI: 10.4013/hist.2022.263.01
Nelson Castro Flores
En este artículo se analiza la configuración de la jurisdicción inquisitorial en Charcas que se materializa en el nombramiento de comisarios de provincia y de ciudades en La Plata (1571), Potosí (1581), Cochabamba (1585) y La Paz (1591). La creación de estas jurisdicciones locales permitió asentar la jurisdicción inquisitorial en Charcas. En esta perspectiva, se enfatiza la relación de los comisarios con determinadas redes de lealtades y arreglos sin las cuales no se puede comprender sus actuaciones y prácticas. Estos casos revelan que las jurisdicciones inquisitoriales no son solo fronteras o límites nominales sino también alcanzan una identidad de acuerdo a las redes que los comisarios activan o en las que se sostienen, y cómo estas redes se relacionan con otros agentes y actores políticos de este período previo a la creación del arzobispado de La Plata (1609). Esta aproximación se apoya en la documentación generada por la actividad inquisitorial en Charcas proveniente de relaciones de causas, relaciones de méritos y denuncias contra algunos comisarios de la diócesis de La Plata.
{"title":"Comisarías y comisarios: la configuración de la jurisdicción inquisitorial en Charcas nuclear, 1571-1609","authors":"Nelson Castro Flores","doi":"10.4013/hist.2022.263.01","DOIUrl":"https://doi.org/10.4013/hist.2022.263.01","url":null,"abstract":"En este artículo se analiza la configuración de la jurisdicción inquisitorial en Charcas que se materializa en el nombramiento de comisarios de provincia y de ciudades en La Plata (1571), Potosí (1581), Cochabamba (1585) y La Paz (1591). La creación de estas jurisdicciones locales permitió asentar la jurisdicción inquisitorial en Charcas. En esta perspectiva, se enfatiza la relación de los comisarios con determinadas redes de lealtades y arreglos sin las cuales no se puede comprender sus actuaciones y prácticas. Estos casos revelan que las jurisdicciones inquisitoriales no son solo fronteras o límites nominales sino también alcanzan una identidad de acuerdo a las redes que los comisarios activan o en las que se sostienen, y cómo estas redes se relacionan con otros agentes y actores políticos de este período previo a la creación del arzobispado de La Plata (1609). Esta aproximación se apoya en la documentación generada por la actividad inquisitorial en Charcas proveniente de relaciones de causas, relaciones de méritos y denuncias contra algunos comisarios de la diócesis de La Plata. ","PeriodicalId":42877,"journal":{"name":"Historia Unisinos","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.1,"publicationDate":"2022-11-04","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"47106204","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":4,"RegionCategory":"历史学","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}