Este artigo propõe uma discussão sobre a categoria do mestre de Role Playing Game (RPG) em comparação com o narrador na perspectiva de Walter Benjamin. Em virtude de serem categorias distintas, é importante salientar as diferenças entre mestre e narrador, ainda que para esta reflexão o mestre do jogo pode ser visto como uma imagem do narrador literário. Dessa forma, assim como em qualquer espelho, o reflexo não é idêntico ao objeto real. Enquanto que o narrador benjaminiano se sustenta na sabedoria, o mestre não possui a sabedoria mencionada, mas amplia sua atuação para além da condução dos jogadores/personagens dentro da história, abrindo espaço para que colaborem com a construção da narrativa. O mestre do RPG é um duplo anfitrião: como aquele que recepciona seus jogadores para o desenrolar do jogo e como ouvinte ao receber as outras narrativas, provérbios e experiência para compartilhar e oferecer suporte ao seu grupo para o jogo acontecer. As narrativas, por sua vez, podem ser comparadas às cores, pois as diversas aventuras se misturam como em um prisma, podendo se tornar uma só ou então multifacetar-se em várias tonalidades de histórias. Nessa perspectiva, assim como o narrador, o mestre do RPG resgata, em alguns aspectos, o hábito de contar histórias. Essas discussões visam embasar uma proposta de ensino de literatura a partir do RPG, na qual o texto literário se aproxima da noção de jogo com base nas reflexões de Wolfgang Iser e em elementos da teoria da Estética da Recepção.
{"title":"Mestre do RPG: do reflexo do narrador ao prisma da narrativa","authors":"João Luis Pereira Ourique, J. Gomes","doi":"10.5902/1679849x70235","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x70235","url":null,"abstract":"Este artigo propõe uma discussão sobre a categoria do mestre de Role Playing Game (RPG) em comparação com o narrador na perspectiva de Walter Benjamin. Em virtude de serem categorias distintas, é importante salientar as diferenças entre mestre e narrador, ainda que para esta reflexão o mestre do jogo pode ser visto como uma imagem do narrador literário. Dessa forma, assim como em qualquer espelho, o reflexo não é idêntico ao objeto real. Enquanto que o narrador benjaminiano se sustenta na sabedoria, o mestre não possui a sabedoria mencionada, mas amplia sua atuação para além da condução dos jogadores/personagens dentro da história, abrindo espaço para que colaborem com a construção da narrativa. O mestre do RPG é um duplo anfitrião: como aquele que recepciona seus jogadores para o desenrolar do jogo e como ouvinte ao receber as outras narrativas, provérbios e experiência para compartilhar e oferecer suporte ao seu grupo para o jogo acontecer. As narrativas, por sua vez, podem ser comparadas às cores, pois as diversas aventuras se misturam como em um prisma, podendo se tornar uma só ou então multifacetar-se em várias tonalidades de histórias. Nessa perspectiva, assim como o narrador, o mestre do RPG resgata, em alguns aspectos, o hábito de contar histórias. Essas discussões visam embasar uma proposta de ensino de literatura a partir do RPG, na qual o texto literário se aproxima da noção de jogo com base nas reflexões de Wolfgang Iser e em elementos da teoria da Estética da Recepção.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"49617816","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O presente artigo, pensado teoricamente pelo viés da distopia, objetiva analisar as narrativas Animal Farm, de George Orwell (1945) e Fazenda Modelo – Novela Pecuária (1974), de Chico Buarque, produções que articulam representações sociais complexas, geradas em contextos históricos de distintas motivações culturais e políticas. A escolha do corpus deu-se porque os enredos apresentam a configuração do autoritarismo e também de governos totalitários e ditatoriais, fatores esses que possibilitam um debate sobre o conceito de distopia e sobre a função da literatura, que não se fixa apenas na ideia de fruição estética, mas se torna um elemento capaz de questionar as várias esferas sociais, culturais, políticas e humanas que promovem os movimentos de imanência e transcendência entre a ficção e a história.
{"title":"Experiência distópica nas narrativas Animal Farm, de George Orwell (1945) e Fazenda Modelo – Novela Pecuária (1974), de Chico Buarque","authors":"A. Silva, Thainá Aparecida Ramos de Oliveira","doi":"10.5902/1679849x70191","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x70191","url":null,"abstract":"O presente artigo, pensado teoricamente pelo viés da distopia, objetiva analisar as narrativas Animal Farm, de George Orwell (1945) e Fazenda Modelo – Novela Pecuária (1974), de Chico Buarque, produções que articulam representações sociais complexas, geradas em contextos históricos de distintas motivações culturais e políticas. A escolha do corpus deu-se porque os enredos apresentam a configuração do autoritarismo e também de governos totalitários e ditatoriais, fatores esses que possibilitam um debate sobre o conceito de distopia e sobre a função da literatura, que não se fixa apenas na ideia de fruição estética, mas se torna um elemento capaz de questionar as várias esferas sociais, culturais, políticas e humanas que promovem os movimentos de imanência e transcendência entre a ficção e a história.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42367821","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Este artigo tem por objetivo analisar a aproximação (que estrutura o projeto estético-social) entre o brasileiro Plínio Marcos e o italiano Alberto Moravia, sobretudo nas obras Dois perdidos numa noite suja e O terror de Roma. Por meio da análise e interpretação de contornos sociais e histórico-culturais das produções é possível estabelecer pontos de contato entre as marcas discursivas emitidas pelos autores. O artigo ancora-se nas contribuições de Eric Hobsbawm (1995) e Antonio Pedro Tota (2011) acerca dos conflitos que marcaram o século XX, nos de Sábato Magaldi (2003) e Patrice Pavis (2007) sobre determinadas noções que constituem o discurso teatral; nos pressupostos teóricos de Mikhail Bakhtin (2002; 2011) quanto ao diálogo que se estabelece entre discursos literários, nas pesquisas de Luiz Zanin Oricchio (2010) no que tange à historiografia do autor Alberto Moravia e nas reflexões de Osvaldo Mendes (2009) sobre aspectos que circunscrevem a bios do dramaturgo Plínio Marcos.
{"title":"Da guerra à ditadura","authors":"Wagner Corsino Enedino, Haydê Costa Vieira","doi":"10.5902/1679849x69145","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x69145","url":null,"abstract":"Este artigo tem por objetivo analisar a aproximação (que estrutura o projeto estético-social) entre o brasileiro Plínio Marcos e o italiano Alberto Moravia, sobretudo nas obras Dois perdidos numa noite suja e O terror de Roma. Por meio da análise e interpretação de contornos sociais e histórico-culturais das produções é possível estabelecer pontos de contato entre as marcas discursivas emitidas pelos autores. O artigo ancora-se nas contribuições de Eric Hobsbawm (1995) e Antonio Pedro Tota (2011) acerca dos conflitos que marcaram o século XX, nos de Sábato Magaldi (2003) e Patrice Pavis (2007) sobre determinadas noções que constituem o discurso teatral; nos pressupostos teóricos de Mikhail Bakhtin (2002; 2011) quanto ao diálogo que se estabelece entre discursos literários, nas pesquisas de Luiz Zanin Oricchio (2010) no que tange à historiografia do autor Alberto Moravia e nas reflexões de Osvaldo Mendes (2009) sobre aspectos que circunscrevem a bios do dramaturgo Plínio Marcos.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"48895028","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Neste trabalho apresentamos o poema-necrológio “Quem foi ela?”, de Cora Coralina. Publicado em jornal em 1965, pela primeira vez ele é apresentado na íntegra em periódico. Percorrendo ruas e becos da Cidade de Goyaz, pretendemos analisar a movimentação de vozes femininas ecoando em movimentações de forças biográficas e biobibliográficas. O trabalho articula a poética coralina com a imagem de Idalina da Cruz Marques e seu importante papel social na Cidade de Goiás ao longo do século XX. Numa geopoesia plena de cotidiano, o discurso da “Good Death” dissemina-se em politonalidades na articulação do momento e do memento. Num exercício de geopoesia que, em processo dialógico transforma-se em tanatografia, a crítica polifônica (em sua reverberação enquanto literaturas de campo e comparada) afirma-se como reconstrução de ideias e contra todo tipo de autoritarismo. Assim, percorrendo ruas coralinas seguimos pelo enfronteiramento do conhecimento, nas raizamas, como contemplação palavral do espetáculo do mundo.
{"title":"Geopoesia da boa morte pelas ruas coralinas da tanatografia","authors":"A. R. D. Silva Junior","doi":"10.5902/1679849x70528","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x70528","url":null,"abstract":"Neste trabalho apresentamos o poema-necrológio “Quem foi ela?”, de Cora Coralina. Publicado em jornal em 1965, pela primeira vez ele é apresentado na íntegra em periódico. Percorrendo ruas e becos da Cidade de Goyaz, pretendemos analisar a movimentação de vozes femininas ecoando em movimentações de forças biográficas e biobibliográficas. O trabalho articula a poética coralina com a imagem de Idalina da Cruz Marques e seu importante papel social na Cidade de Goiás ao longo do século XX. Numa geopoesia plena de cotidiano, o discurso da “Good Death” dissemina-se em politonalidades na articulação do momento e do memento. Num exercício de geopoesia que, em processo dialógico transforma-se em tanatografia, a crítica polifônica (em sua reverberação enquanto literaturas de campo e comparada) afirma-se como reconstrução de ideias e contra todo tipo de autoritarismo. Assim, percorrendo ruas coralinas seguimos pelo enfronteiramento do conhecimento, nas raizamas, como contemplação palavral do espetáculo do mundo.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42567578","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Este ensayo propone que en Prohibido robar rosas (2008), Aquí me quedo (2010) y Pol: una aventura en la USAC (2014) el director Rodolfo Espinosa deambula por la tenue línea divisoria que separa el límite del entretenimiento que representa la violencia cruda del perspectiva del humor de tales situaciones y estimula una reflexión sobre el aumento de la criminalidad que afecta a Guatemala desde una perspectiva diferente a las obras que tratan los asesinatos, secuestros y robos con la seriedad habitual. Se utiliza un marco teórico que combina el valor estético de la representación de la violencia en el cine de Margaret Bruder y los de E. M. Dadlez y Steven Salaita en su estudio de la relación entre violencia y humor.
{"title":"Violencia y humor en el cine del guatemalteco Chofo Espinosa","authors":"Manuel Medina","doi":"10.5902/1679849x70972","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x70972","url":null,"abstract":"Este ensayo propone que en Prohibido robar rosas (2008), Aquí me quedo (2010) y Pol: una aventura en la USAC (2014) el director Rodolfo Espinosa deambula por la tenue línea divisoria que separa el límite del entretenimiento que representa la violencia cruda del perspectiva del humor de tales situaciones y estimula una reflexión sobre el aumento de la criminalidad que afecta a Guatemala desde una perspectiva diferente a las obras que tratan los asesinatos, secuestros y robos con la seriedad habitual. Se utiliza un marco teórico que combina el valor estético de la representación de la violencia en el cine de Margaret Bruder y los de E. M. Dadlez y Steven Salaita en su estudio de la relación entre violencia y humor.\u0000 ","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"43602435","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A proposta que norteou a organização deste Dossiê foi trazer a público artigos que se debruçassem sobre modos de elaboração artístico-formais capazes de refletir acerca da memória de/em períodos de exceção, tendo como ponto de partida a matéria ficcional cujo conteúdo diegético sugere, metaforicamente, por meio dos diálogos das personagens e do encadeamento do enredo, situações de impotência frente à brutalidade de regimes e de circunstâncias autoritárias. Sem desvincular a obra da história social e política sobre a qual se pronuncia, sem esquecer o diálogo que ela mantém com seu contexto de produção e, pois, com sua autoria, as/os pesquisadoras/es reunidas/os neste número buscaram analisá-la e interpretá-la segundo o projeto estético de cada produtor/a.
{"title":"Literatura e outras artes em tempos de autoritarismo: aproximações e transições culturais","authors":"Rosana Cristina Zanelatto Santos, W. Enedino","doi":"10.5902/1679849x70973","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x70973","url":null,"abstract":"A proposta que norteou a organização deste Dossiê foi trazer a público artigos que se debruçassem sobre modos de elaboração artístico-formais capazes de refletir acerca da memória de/em períodos de exceção, tendo como ponto de partida a matéria ficcional cujo conteúdo diegético sugere, metaforicamente, por meio dos diálogos das personagens e do encadeamento do enredo, situações de impotência frente à brutalidade de regimes e de circunstâncias autoritárias. Sem desvincular a obra da história social e política sobre a qual se pronuncia, sem esquecer o diálogo que ela mantém com seu contexto de produção e, pois, com sua autoria, as/os pesquisadoras/es reunidas/os neste número buscaram analisá-la e interpretá-la segundo o projeto estético de cada produtor/a.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42922414","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O artigo discute a literatura produzida por mulheres latino-americanas exiladas ao longo da segunda metade do século XX, com ênfase em testemunhos nos quais se percebe um entrelaçamento entre história, política e memória, característica marcante de boa parte das narrativas contemporâneas. As autoras rompem um silêncio mantido por muitos anos com a intenção de mostrar de que maneira os acontecimentos podem ser ressignificados por relatos orais ou textos literários impressos, cuja finalidade última é a de tentar superar o trauma do encarceramento, da tortura e do exílio, em um incessante exercício de autoanálise e compreensão do aspecto coletivo dos fatos históricos testemunhados. Para a abordagem das obras, utilizou-se como suporte textos teóricos e críticos a respeito do fenômeno do exílio, tais como VIÑAR (1992); ROLLEMBERG (1999); PIZARRO (2006); e SZNAJDER, RONIGER (2009); e estudos sobre a história política da América Latina, como DINGES (2005); e NEPOMUCENO (2015).
{"title":"O drama do desenraizamento e da adaptação forçada","authors":"Paulo Bungart Neto","doi":"10.5902/1679849x69692","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x69692","url":null,"abstract":"O artigo discute a literatura produzida por mulheres latino-americanas exiladas ao longo da segunda metade do século XX, com ênfase em testemunhos nos quais se percebe um entrelaçamento entre história, política e memória, característica marcante de boa parte das narrativas contemporâneas. As autoras rompem um silêncio mantido por muitos anos com a intenção de mostrar de que maneira os acontecimentos podem ser ressignificados por relatos orais ou textos literários impressos, cuja finalidade última é a de tentar superar o trauma do encarceramento, da tortura e do exílio, em um incessante exercício de autoanálise e compreensão do aspecto coletivo dos fatos históricos testemunhados. Para a abordagem das obras, utilizou-se como suporte textos teóricos e críticos a respeito do fenômeno do exílio, tais como VIÑAR (1992); ROLLEMBERG (1999); PIZARRO (2006); e SZNAJDER, RONIGER (2009); e estudos sobre a história política da América Latina, como DINGES (2005); e NEPOMUCENO (2015).","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"46384492","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
A presente investigação almeja demonstrar como a literatura contemporânea consegue derrubar inúmeras barreiras socioculturais e expor, ao mesmo tempo em que representa, determinadas realidades; neste caso, a condição do autoritarismo em Cuba, sobretudo aquele vivenciado a partir da decadência da revolução e da queda da União Soviética. Para cumprir tal objetivo, dois romances serão analisados: Dreaming in Cuban (1992), da escritora cubano-americana Cristina García e Nunca fui primeira dama (2010), da escritora cubana Wendy Guerra. Com base na perspectiva de denúncia que ambos apresentam, busca-se verificar como o autoritarismo surge exposto no texto literário dessas duas escritoras que, nos âmbitos pessoais e familiares, testemunharam e sofreram as consequências da Revolução Cubana.
本研究旨在展示当代文学如何打破众多的社会文化障碍,并在代表某些现实的同时揭示某些现实;在这种情况下,古巴的威权主义状况,特别是自从革命衰落和苏联解体以来所经历的情况。为了实现这一目标,本文将分析两部小说:古巴裔美国作家克里斯蒂娜garcia的《古巴梦》(1992)和古巴作家温迪·格拉的《Nunca fui primeira dama》(2010)。基于这两位作家的谴责视角,我们试图验证威权主义是如何在这两位作家的文学文本中暴露出来的,他们在个人和家庭层面目睹并遭受了古巴革命的后果。
{"title":"O autoritarismo exposto na literatura cubana","authors":"Leoné Astride Barzotto","doi":"10.5902/1679849x69756","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x69756","url":null,"abstract":"A presente investigação almeja demonstrar como a literatura contemporânea consegue derrubar inúmeras barreiras socioculturais e expor, ao mesmo tempo em que representa, determinadas realidades; neste caso, a condição do autoritarismo em Cuba, sobretudo aquele vivenciado a partir da decadência da revolução e da queda da União Soviética. Para cumprir tal objetivo, dois romances serão analisados: Dreaming in Cuban (1992), da escritora cubano-americana Cristina García e Nunca fui primeira dama (2010), da escritora cubana Wendy Guerra. Com base na perspectiva de denúncia que ambos apresentam, busca-se verificar como o autoritarismo surge exposto no texto literário dessas duas escritoras que, nos âmbitos pessoais e familiares, testemunharam e sofreram as consequências da Revolução Cubana.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"44036619","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O propósito do trabalho é realizar uma análise do papel da fotografia no conto Las babas del diablo, de Julio Cortázar e da obra fílmica Blow-Up, de Michelangelo Antonioni, com base nos pressupostos de Roland Barthes sobre o processo fotográfico. A narrativa Las babas del diablo foi publicada pela primeira vez em 1959, em uma coletânea de contos intitulada Las armas secretas, ela nos conta a história do fotógrafo e tradutor, Michel, que ao ampliar algumas fotos ele percebe, nas imagens, que as fotos são provas de um crime. Inspirado nessa trama, em dezembro de 1966, Michelangelo Antonioni, transcria (CAMPOS, 2013), de maneira primorosa, o filme Blow-Up. Do conto ao filme, vários questionamentos foram trazidos por Antonioni, identificados tanto na obra literária quanto na fílmica. Tanto a literatura quanto os meios audiovisuais possuem a capacidade de narração e a necessidade de narrativas, o que permite a proximidade entre ambas as áreas. Contudo, cada linguagem tem suas especificidades, visto que as produções têm formas próprias de se expressarem e de se apropriar de significados. Para tal, traremos para discussão estudos referentes à literatura e fotografia, tais como Roland Barthes (1984), Ismael Xavier (2003), Susan Sontag (2003), Julio Cortázar (2003) entre outros.
这项工作的目的是基于罗兰·巴特对摄影过程的假设,分析摄影在胡里奥·科尔塔的短篇小说《恶魔岛》和米开朗基罗·安东尼奥尼的电影作品《爆炸》中的作用。《暗黑破坏神》(Las babas del diablo)于1959年首次发表在一本名为《暗黑毁灭神》(Las armas secretas)的短篇小说集中,它告诉我们摄影师兼翻译米歇尔的故事,他通过放大一些照片,意识到这些照片是犯罪的证据。受这一情节的启发,1966年12月,米开朗基罗·安东尼奥尼以一种巧妙的方式转录了电影《爆炸》(CAMPOS2013)。从短篇小说到电影,安东尼奥尼提出了几个问题,这些问题在文学作品和电影中都有体现。文学和视听媒体都具有叙事能力和叙事需求,这使得这两个领域之间可以接近。然而,每种语言都有自己的特点,因为作品有自己的表达方式和意义。为此,我们将讨论与文学和摄影相关的研究,如Roland Barthes(1984)、Ismael Xavier(2003)、Susan Sontag(2003)和Julio Cortázar(2003)等。
{"title":"Real ou ficção: uma questão fotográfica no conto Las babas del diablo, de Julio Cortázar e na obra fílmica Blow-Up, de Michelangelo Antonioni","authors":"Andre Rezende Benatti, R. P. Silva","doi":"10.5902/1679849x69717","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x69717","url":null,"abstract":"O propósito do trabalho é realizar uma análise do papel da fotografia no conto Las babas del diablo, de Julio Cortázar e da obra fílmica Blow-Up, de Michelangelo Antonioni, com base nos pressupostos de Roland Barthes sobre o processo fotográfico. A narrativa Las babas del diablo foi publicada pela primeira vez em 1959, em uma coletânea de contos intitulada Las armas secretas, ela nos conta a história do fotógrafo e tradutor, Michel, que ao ampliar algumas fotos ele percebe, nas imagens, que as fotos são provas de um crime. Inspirado nessa trama, em dezembro de 1966, Michelangelo Antonioni, transcria (CAMPOS, 2013), de maneira primorosa, o filme Blow-Up. Do conto ao filme, vários questionamentos foram trazidos por Antonioni, identificados tanto na obra literária quanto na fílmica. Tanto a literatura quanto os meios audiovisuais possuem a capacidade de narração e a necessidade de narrativas, o que permite a proximidade entre ambas as áreas. Contudo, cada linguagem tem suas especificidades, visto que as produções têm formas próprias de se expressarem e de se apropriar de significados. Para tal, traremos para discussão estudos referentes à literatura e fotografia, tais como Roland Barthes (1984), Ismael Xavier (2003), Susan Sontag (2003), Julio Cortázar (2003) entre outros.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" 19","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"41311074","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Este artigo discute a temática da intolerância e da repressão, no que concerne à sexualidade e à subjetividade, nos contos Terça-feira gorda e Aqueles dois, da obra Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu. Como fundamentos teóricos para essa discussão, recorre-se, sobretudo, aos trabalhos de Michel Foucault (1988, 2010), Judith Butler (2003), Stuart Hall (2006), Sara Salih (2013), Heloísa Buarque de Holanda (1982) e Bruno Souza Leal (2002). Desse modo, investiga-se em que medida a linguagem, enquanto um mecanismo de (des)construção, contribui para a estrutura de repressão sexual e subjetiva, sendo capaz de (des)construir o próprio sujeito.
本文讨论了Caio Fernando Abreu的短篇小说《星期二胖》和《那两个》中关于性和主观性的不容忍和压抑的主题。作为这一讨论的理论基础,我们主要使用米歇尔·福柯(1988年、2010年)、朱迪斯·巴特勒(2003年)、斯图尔特·霍尔(2006年)、萨拉·萨利赫(2013年)、Heloísa Buarque de Holanda(1982年)和Bruno Souza Leal(2002年)的作品。因此,我们研究了语言作为一种(dis)建构机制,在多大程度上有助于性压抑和主观压抑的结构,能够(dis”建构主体本身。
{"title":"A linguagem como (des)construção do sujeito: uma análise sobre intolerância e repressão nos contos \"Terça-feira gorda\" e \"Aqueles dois\", de Caio Fernando Abreu","authors":"Marina Silveira de Deus, M. Lachat","doi":"10.5902/1679849x67382","DOIUrl":"https://doi.org/10.5902/1679849x67382","url":null,"abstract":"Este artigo discute a temática da intolerância e da repressão, no que concerne à sexualidade e à subjetividade, nos contos Terça-feira gorda e Aqueles dois, da obra Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu. Como fundamentos teóricos para essa discussão, recorre-se, sobretudo, aos trabalhos de Michel Foucault (1988, 2010), Judith Butler (2003), Stuart Hall (2006), Sara Salih (2013), Heloísa Buarque de Holanda (1982) e Bruno Souza Leal (2002). Desse modo, investiga-se em que medida a linguagem, enquanto um mecanismo de (des)construção, contribui para a estrutura de repressão sexual e subjetiva, sendo capaz de (des)construir o próprio sujeito.","PeriodicalId":40985,"journal":{"name":"Literatura e Autoritarismo","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-06-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"41968386","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}