Pub Date : 2020-12-16DOI: 10.22456/1982-6524.106097
Jean Bazin
Este texto que ora apresentamos é uma tradução inédita do capítulo Interpréter ou décrire. Notes critiques sur la connaissance anthropologique de Jean Bazin (1941-2001). O diretor de estudos da EHESS abriu novos caminhos para a antropologia ao questionar as operações subjacentes à prática da pesquisa de campo. Segundo ele, esse dispositivo não se limita a coletar fatos já existentes, mas produz um conhecimento próprio que se dá em situações singulares de interações compartilhadas. Bem descrito, ele não fornece apenas materiais empíricos a serem interpretados, mas também se deixa entender como um aprendizado recíproco e igualitário. A perspectiva pragmática desenvolvida por Bazin acompanha sua crítica radical ao holismo e ao culturalismo. Etnolinguista da prática da língua bambara (Mali) e analista das lógicas do campo político, Bazin ampliou as perspectivas da antropologia, indo além de suas ideologias e utopias.
{"title":"INTERPRETAR OU DESCREVER: NOTAS CRÍTICAS SOBRE O CONHECIMENTO ANTROPOLÓGICO","authors":"Jean Bazin","doi":"10.22456/1982-6524.106097","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.106097","url":null,"abstract":"Este texto que ora apresentamos é uma tradução inédita do capítulo Interpréter ou décrire. Notes critiques sur la connaissance anthropologique de Jean Bazin (1941-2001). O diretor de estudos da EHESS abriu novos caminhos para a antropologia ao questionar as operações subjacentes à prática da pesquisa de campo. Segundo ele, esse dispositivo não se limita a coletar fatos já existentes, mas produz um conhecimento próprio que se dá em situações singulares de interações compartilhadas. Bem descrito, ele não fornece apenas materiais empíricos a serem interpretados, mas também se deixa entender como um aprendizado recíproco e igualitário. A perspectiva pragmática desenvolvida por Bazin acompanha sua crítica radical ao holismo e ao culturalismo. Etnolinguista da prática da língua bambara (Mali) e analista das lógicas do campo político, Bazin ampliou as perspectivas da antropologia, indo além de suas ideologias e utopias.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"14 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-12-16","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128391539","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.95049
R. Freitas, Thaynara Andressa Frota Araripe, Adrian Esteban Narváez Moncayo
Com a inclusão de instrumentos jurídicos de reconhecimento da diversidade cultural nas constituições de alguns países latino-americanos, investiga-se o princípio da autodeterminação como fundamento da construção de uma cidadania para os povos indígenas que os compreendam como sujeitos políticos atuantes e diversos. Para isso, utiliza-se a revisão bibliográfica juntamente com a análise legislativa para observar a estruturação conceitual histórica internacional do princípio da autodeterminação, além da compreensão do que seria um cidadão indígena plenamente capaz, ou seja, um cidadão que tenha suas especificidades culturais respeitadas e que tais diferenças não o dificulte ou o impeça de ser reconhecido na sociedade como sujeito político ativo. Conclui-se, portanto, que a mera garantia formal do princípio da autodeterminação, apesar do seu simbolismo, é insuficiente para a ingerência de um conceito de cidadania que seja capaz de transformar realidades que historicamente foram marginalizadas.
{"title":"A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA DOS POVOS INDÍGENAS LATINO AMERICANOS A PARTIR DO PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO","authors":"R. Freitas, Thaynara Andressa Frota Araripe, Adrian Esteban Narváez Moncayo","doi":"10.22456/1982-6524.95049","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.95049","url":null,"abstract":"Com a inclusão de instrumentos jurídicos de reconhecimento da diversidade cultural nas constituições de alguns países latino-americanos, investiga-se o princípio da autodeterminação como fundamento da construção de uma cidadania para os povos indígenas que os compreendam como sujeitos políticos atuantes e diversos. Para isso, utiliza-se a revisão bibliográfica juntamente com a análise legislativa para observar a estruturação conceitual histórica internacional do princípio da autodeterminação, além da compreensão do que seria um cidadão indígena plenamente capaz, ou seja, um cidadão que tenha suas especificidades culturais respeitadas e que tais diferenças não o dificulte ou o impeça de ser reconhecido na sociedade como sujeito político ativo. Conclui-se, portanto, que a mera garantia formal do princípio da autodeterminação, apesar do seu simbolismo, é insuficiente para a ingerência de um conceito de cidadania que seja capaz de transformar realidades que historicamente foram marginalizadas.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"16 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"114903576","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.102817
L. Guedes, J. R. B. Freire
O artigo tem por objetivo discutir a curadoria compartilhada de indígenas na construção da exposição “Dja Guata Porã: Rio de Janeiro Indígena”, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR) entre os meses de maio de 2017 a março de 2018. Seus autores participaram da exposição na qualidade de pesquisador e curador, respectivamente, acompanhando os processos aqui narrados, as reuniões e os encontros da equipe, formada por técnicos do MAR e convidados externos, entre os quais representantes qualificados de diferentes etnias, que vivenciaram as diferentes etapas de construção da exposição. Puderam assim observar como se articularam as relações interculturais estabelecidas no processo de elaboração da referida mostra e as interlocuções diretas com os indígenas, situando-as aqui de forma sucinta no contexto das propostas sobre as estruturas do trabalho museológico da denominada “Nova Museologia”.
本文旨在讨论2017年5月至2018年3月在里约热内卢艺术博物馆(MAR)举办的“Dja Guata pora:里约热内卢de Janeiro indigena”展览的共同策展人。作者参与展览的研究者和医师分别和质量文件在这里的所有会议和约会的海水,带领技术团队的客人情况,包括授权代表不同的名族,占展览建筑的各个步骤。因此,他们可以观察到在展览的准备过程中建立的跨文化关系是如何清晰地表达出来的,以及与土著人民的直接对话,并将它们简要地放在所谓的“新博物馆学”博物馆工作结构的建议的背景下。
{"title":"CURADORIAS COMPARTILHADAS EM EXPOSIÇÕES INDÍGENAS: O CASO DE “DJA GUATA PORÔ NO MUSEU DE ARTE DO RIO","authors":"L. Guedes, J. R. B. Freire","doi":"10.22456/1982-6524.102817","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.102817","url":null,"abstract":"O artigo tem por objetivo discutir a curadoria compartilhada de indígenas na construção da exposição “Dja Guata Porã: Rio de Janeiro Indígena”, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR) entre os meses de maio de 2017 a março de 2018. Seus autores participaram da exposição na qualidade de pesquisador e curador, respectivamente, acompanhando os processos aqui narrados, as reuniões e os encontros da equipe, formada por técnicos do MAR e convidados externos, entre os quais representantes qualificados de diferentes etnias, que vivenciaram as diferentes etapas de construção da exposição. Puderam assim observar como se articularam as relações interculturais estabelecidas no processo de elaboração da referida mostra e as interlocuções diretas com os indígenas, situando-as aqui de forma sucinta no contexto das propostas sobre as estruturas do trabalho museológico da denominada “Nova Museologia”.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"591 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"116316526","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.102712
Aramis Luis Silva
Este texto propõe reenquadrar a autorrepresentação a partir de uma nova perspectiva: como um novo objeto de representação do campo museológico, isto é, um metaobjeto de formas socialmente reconhecíveis, derivado de uma específica tecnologia social, cuja lógica de operação e efeitos práticos dos seus possíveis modos de uso ainda reclamam por investigações mais detalhadas. Isso será feito por meio da análise da participação dos curadores bororo da aldeia de Meruri, do Mato Grosso, vinculados ao Museu das Culturas Dom Bosco, da Missão Salesiana, no processo de formação do Museu de História do Pantanal (Muhpah), da cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul. A partir de parcerias colaborativas situadas e contextualmente estabelecidas, foi essa rede que produziu o diorama instalado na seção etnológica da instituição que passou a representar localmente não só “a cultura bororo”, como também a “autorrepresentação bororo”.
{"title":"A AUTORREPRESENTAÇÃO COMO UM NOVO OBJETO MUSEOLÓGICO - O CASO DOS CURADORES BORORO NO MUSEU DE HISTÓRIA DO PANTANAL","authors":"Aramis Luis Silva","doi":"10.22456/1982-6524.102712","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.102712","url":null,"abstract":"Este texto propõe reenquadrar a autorrepresentação a partir de uma nova perspectiva: como um novo objeto de representação do campo museológico, isto é, um metaobjeto de formas socialmente reconhecíveis, derivado de uma específica tecnologia social, cuja lógica de operação e efeitos práticos dos seus possíveis modos de uso ainda reclamam por investigações mais detalhadas. Isso será feito por meio da análise da participação dos curadores bororo da aldeia de Meruri, do Mato Grosso, vinculados ao Museu das Culturas Dom Bosco, da Missão Salesiana, no processo de formação do Museu de História do Pantanal (Muhpah), da cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul. A partir de parcerias colaborativas situadas e contextualmente estabelecidas, foi essa rede que produziu o diorama instalado na seção etnológica da instituição que passou a representar localmente não só “a cultura bororo”, como também a “autorrepresentação bororo”.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"1 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"132043546","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.105293
Mariana Françozo, Martine Berger
Joe Horse Capture é membro da nação A’aniiih (Montana). É especialista nas culturas dos povos indígenas da região dos Great Plains na América do Norte e tem mais de vinte anos de experiência como curador em museus norte-americanos. Atualmente é Vice-Presidente das Coleções Indígenas e Curador de História e Cultura Nativas Americanas no Museu Autry, em Los Angeles, California. Durante os meses de dezembro de 2019 e janeiro de 2020, Joe foi pesquisador convidado do Centro de Pesquisa em Cultura Material, em Leiden, Holanda. Ali, além de trabalhar na preparação de uma exposição sobre arte e cultura dos povos nativos da América do Norte, Joe também deu palestras e concedeu a presente entrevista. Nela, ele fala sobre a questão da representação e auto-representação indígena nos museus norte-americanos numa perspectiva histórica. Trata do movimento Red Power nos Estados Unidos na década de 1970; do impacto da legislação NAGPRA na década de 1990; e dos novos modelos de curadoria indígena e curadoria compartilhada que atualmente estão sendo desenvolvidos em museus por todo o mundo.
Joe Horse Capture是A ' aniiih nation(蒙大拿州)的成员。他是北美大平原地区土著人民文化方面的专家,在北美博物馆担任馆长有20多年的经验。他目前是加州洛杉矶奥特里博物馆印第安人收藏副主席和印第安人历史和文化馆长。在2019年12月和2020年1月期间,Joe是荷兰莱顿物质文化研究中心的客座研究员。在那里,除了准备一个关于北美土著人民艺术和文化的展览,乔还做了演讲并接受了这次采访。在书中,他从历史的角度讨论了美国博物馆中的土著代表和自我代表问题。它涉及20世纪70年代美国的红色力量运动;20世纪90年代NAGPRA立法的影响;以及目前世界各地博物馆正在开发的土著策展和共享策展的新模式。
{"title":"ENTREVISTA COM JOE HORSE CAPTURE","authors":"Mariana Françozo, Martine Berger","doi":"10.22456/1982-6524.105293","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.105293","url":null,"abstract":"Joe Horse Capture é membro da nação A’aniiih (Montana). É especialista nas culturas dos povos indígenas da região dos Great Plains na América do Norte e tem mais de vinte anos de experiência como curador em museus norte-americanos. Atualmente é Vice-Presidente das Coleções Indígenas e Curador de História e Cultura Nativas Americanas no Museu Autry, em Los Angeles, California. Durante os meses de dezembro de 2019 e janeiro de 2020, Joe foi pesquisador convidado do Centro de Pesquisa em Cultura Material, em Leiden, Holanda. Ali, além de trabalhar na preparação de uma exposição sobre arte e cultura dos povos nativos da América do Norte, Joe também deu palestras e concedeu a presente entrevista. Nela, ele fala sobre a questão da representação e auto-representação indígena nos museus norte-americanos numa perspectiva histórica. Trata do movimento Red Power nos Estados Unidos na década de 1970; do impacto da legislação NAGPRA na década de 1990; e dos novos modelos de curadoria indígena e curadoria compartilhada que atualmente estão sendo desenvolvidos em museus por todo o mundo.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"18 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"129317087","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.101897
Pauliany Barreiros Cardoso, Carina Santos de Almeida
A arte coussiouar ou Kusiwa pertence ao povo Wajãpi e integra seu repertório cultural. Aparentemente circunscrita ao grafismo corporal, vem a expressar muito mais que padrões gráficos, como também a cosmovisão, as crenças e as práticas xamanísticas do povo através de narrativas orais. No início do século XXI ela foi considerada patrimônio da humanidade pela Unesco e tal fenômeno pareceu indicar um deslocamento da condição de “outro”, exótico e exógeno, para o reconhecimento da indianidade. Mas o processo de patrimonialização da arte Kusiwa revela, em essência, a resistência dos Wajãpi, da mesma forma que a apropriação de ferramentas do mundo contemporâneo para registrar e salvaguardar seu patrimônio imaterial. Assim, nesse artigo partimos dos relatos etnográficos de viajantes oitocentistas para adentrar à história do tempo presente, considerando que essa trajetória de reconhecimento da arte Coussiouar não se traduz em um percurso linear e sem ressalvas, mas, sobretudo, em um enfrentamento contemporâneo epistêmico de alteridade, poder e de patrimonialização das diferenças.
{"title":"ARTE COUSSIOUAR, PERSPECTIVAS HISTÓRICAS DE ALTERIDADE E RECONHECIMENTO","authors":"Pauliany Barreiros Cardoso, Carina Santos de Almeida","doi":"10.22456/1982-6524.101897","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.101897","url":null,"abstract":"A arte coussiouar ou Kusiwa pertence ao povo Wajãpi e integra seu repertório cultural. Aparentemente circunscrita ao grafismo corporal, vem a expressar muito mais que padrões gráficos, como também a cosmovisão, as crenças e as práticas xamanísticas do povo através de narrativas orais. No início do século XXI ela foi considerada patrimônio da humanidade pela Unesco e tal fenômeno pareceu indicar um deslocamento da condição de “outro”, exótico e exógeno, para o reconhecimento da indianidade. Mas o processo de patrimonialização da arte Kusiwa revela, em essência, a resistência dos Wajãpi, da mesma forma que a apropriação de ferramentas do mundo contemporâneo para registrar e salvaguardar seu patrimônio imaterial. Assim, nesse artigo partimos dos relatos etnográficos de viajantes oitocentistas para adentrar à história do tempo presente, considerando que essa trajetória de reconhecimento da arte Coussiouar não se traduz em um percurso linear e sem ressalvas, mas, sobretudo, em um enfrentamento contemporâneo epistêmico de alteridade, poder e de patrimonialização das diferenças.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"76 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"126221320","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.100633
Eunícia Barros Barcelos Fernandes
O Pós Segunda Guerra acentuou críticas à razão moderna, redimensionou as relações entre os povos e construiu uma conceitual defesa da diferença nunca antes imaginada. No Brasil, a década de 1950 significou um avanço nas discussões e nas ações em prol do nacionalismo e da modernização. A partir da análise de representações públicas do período, tais como artigos de revistas de grande circulação - O Cruzeiro -, depoimentos de intelectuais, criação de cursos, de museus e mesmo do Parque Indígena do Xingu, o presente artigo defende esse momento como chave para a compreensão de atuais representações acerca dos indígenas, bem como de relações entre indígenas e não indígenas no país. Argumenta que os novos contextos reconfiguraram antigos sentidos, estabelecendo simultaneamente a atualização de estereótipos, bem como a exigência de sua revisão.
{"title":"O BOM BÁRBARO E OUTRAS HISTÓRIAS","authors":"Eunícia Barros Barcelos Fernandes","doi":"10.22456/1982-6524.100633","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.100633","url":null,"abstract":"O Pós Segunda Guerra acentuou críticas à razão moderna, redimensionou as relações entre os povos e construiu uma conceitual defesa da diferença nunca antes imaginada. No Brasil, a década de 1950 significou um avanço nas discussões e nas ações em prol do nacionalismo e da modernização. A partir da análise de representações públicas do período, tais como artigos de revistas de grande circulação - O Cruzeiro -, depoimentos de intelectuais, criação de cursos, de museus e mesmo do Parque Indígena do Xingu, o presente artigo defende esse momento como chave para a compreensão de atuais representações acerca dos indígenas, bem como de relações entre indígenas e não indígenas no país. Argumenta que os novos contextos reconfiguraram antigos sentidos, estabelecendo simultaneamente a atualização de estereótipos, bem como a exigência de sua revisão.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"62 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"127258887","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.104526
B. Moura
{"title":"OS CAMINHOS DA IDENTIDADE: ANTROPOLOGIA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE ALAGOAS","authors":"B. Moura","doi":"10.22456/1982-6524.104526","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.104526","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"51 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"134050475","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2020-09-11DOI: 10.22456/1982-6524.93730
A. A. Gonçalves
Neste texto, parte-se de um exercício etnográfico iniciado na Terra Indígena Gerú Tucunã do povo pataxó, no município de Açucena – Minas Gerais. O que me moveu ao Leste, foi, dentre outros aspectos, a possibilidade de descrever as práticas de habitar dos Pataxó e suas relações com as alteridades, humanas e não humanas, que atravessam o seu mundo e repercutem de diferentes maneiras sobre a sua condição de pessoa. O grupo de 65 indígenas que hoje vive no Parque Estadual do Rio Corrente, onde se localiza a TI Gerú Tucunã, se deslocou da TI Fazenda Guarani para Açucena, em julho de 2010. Nessas observações etnográficas, além de registrar narrativas sobre os seres da cosmologia local, também tenho me inclinado a compreender as distintas razões, ecológicas, espirituais e ontológicas que os moveram na busca de um novo lugar para viver.
{"title":"MUNDOS EM FUGA: NOS CAMINHOS DOS PATAXÓ DE GERÚ TUCUNÃ","authors":"A. A. Gonçalves","doi":"10.22456/1982-6524.93730","DOIUrl":"https://doi.org/10.22456/1982-6524.93730","url":null,"abstract":"Neste texto, parte-se de um exercício etnográfico iniciado na Terra Indígena Gerú Tucunã do povo pataxó, no município de Açucena – Minas Gerais. O que me moveu ao Leste, foi, dentre outros aspectos, a possibilidade de descrever as práticas de habitar dos Pataxó e suas relações com as alteridades, humanas e não humanas, que atravessam o seu mundo e repercutem de diferentes maneiras sobre a sua condição de pessoa. O grupo de 65 indígenas que hoje vive no Parque Estadual do Rio Corrente, onde se localiza a TI Gerú Tucunã, se deslocou da TI Fazenda Guarani para Açucena, em julho de 2010. Nessas observações etnográficas, além de registrar narrativas sobre os seres da cosmologia local, também tenho me inclinado a compreender as distintas razões, ecológicas, espirituais e ontológicas que os moveram na busca de um novo lugar para viver.","PeriodicalId":423979,"journal":{"name":"Espaço Ameríndio","volume":"5 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2020-09-11","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"134132947","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}