Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.260112
Letícia Larín
O objetivo que mobiliza este artigo é captar instâncias das casas de reza (óga pysy) Kaiowá e Guarani (respectivamente, Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandéva), aptas a constar num monumento artístico a esses povos originários, a ser elaborado para Lisboa, Portugal. Para tanto, as óga pysy são reflexionadas a partir de duas falas que escutei da nhandesy (rezadora) Guarani-Nhandéva Dona Tereza, quando estive em sua casa de reza, Oga Mitã’i Poty Rory, na Aldeia Bororó, Reserva Indígena de Dourados, ao realizar um trabalho de campo na região de Dourados, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Com isso, estes escritos podem ser entendidos, a um só tempo, como um relato de campo e um aprofundamento em noções antigas e contemporâneas concernentes às casas de reza Kaiowá e Guarani. Os temas abordados, além de Tupã, do canto e da dança, são os rituais de batismo kunumi pepy e ñemõgarai, as interações coletivas como o jeroky e as rezas em geral, os percursos purificadores e acesso a outros mundos encaminhados em bençãos e ritos, assim como as conversas com divindades e espíritos. Contrapondo-se à mundivisão ocidental, colocam-se, também, relações entre corpo e pureza, e entendimentos sobre Deus e o termo «Mato Grosso». Por fim, além das considerações finais sobre motes a constarem no referido monumento, ressalta-se a importância das dimensões do aguyje e da escuta para essas cosmovisões indígenas, assim como a importância da rezadora para a região e a causa Kaiowá e Guarani.
{"title":"Óga pysy da nhandesy Guarani-Nhandéva Dona Tereza na Reserva Indígena de Dourados e Tupã, e o canto, e a dança","authors":"Letícia Larín","doi":"10.51359/2675-3472.2024.260112","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.260112","url":null,"abstract":"O objetivo que mobiliza este artigo é captar instâncias das casas de reza (óga pysy) Kaiowá e Guarani (respectivamente, Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandéva), aptas a constar num monumento artístico a esses povos originários, a ser elaborado para Lisboa, Portugal. Para tanto, as óga pysy são reflexionadas a partir de duas falas que escutei da nhandesy (rezadora) Guarani-Nhandéva Dona Tereza, quando estive em sua casa de reza, Oga Mitã’i Poty Rory, na Aldeia Bororó, Reserva Indígena de Dourados, ao realizar um trabalho de campo na região de Dourados, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Com isso, estes escritos podem ser entendidos, a um só tempo, como um relato de campo e um aprofundamento em noções antigas e contemporâneas concernentes às casas de reza Kaiowá e Guarani. Os temas abordados, além de Tupã, do canto e da dança, são os rituais de batismo kunumi pepy e ñemõgarai, as interações coletivas como o jeroky e as rezas em geral, os percursos purificadores e acesso a outros mundos encaminhados em bençãos e ritos, assim como as conversas com divindades e espíritos. Contrapondo-se à mundivisão ocidental, colocam-se, também, relações entre corpo e pureza, e entendimentos sobre Deus e o termo «Mato Grosso». Por fim, além das considerações finais sobre motes a constarem no referido monumento, ressalta-se a importância das dimensões do aguyje e da escuta para essas cosmovisões indígenas, assim como a importância da rezadora para a região e a causa Kaiowá e Guarani. ","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"35 4","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141008378","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.262033
Rafael Florêncio da Silva
O presente artigo pretende apresentar o mais recente subgênero surgido na música sertaneja, o Agronejo, e analisar a sua relação com o agronegócio, tema central de suas canções, na produção de novas ideologias geográficas. Surgido por volta de 2021, o Agronejo é o gênero musical mais ouvido do Brasil no ano de 2023, e se diferencia dos estilos sertanejos anteriores como a moda de viola e o sertanejo romântico, por trazer a figura do fazendeiro, da propriedade privada da terra e dos supostos êxitos econômicos do agronegócio como temas principais da canção sertaneja. Inserido nos circuitos espaciais de produção de música sertaneja, sua análise através da Geografia se mostra como uma ferramenta importante para a interpretação crítica da territorialização do capital no Brasil através dos circuitos espaciais de produção musical que engloba produtoras musicais, feiras e exposições agropecuárias, revelando uma nova frente de expansão do agronegócio que se desdobra em diversos setores da indústria cultural como a indústria fonográfica, uma dimensão ainda pouco estudada na Geografia. Nossa análise consiste em compreender como as canções do Agronejo produzem uma identidade territorial especifica na formação territorial do Brasil, e que visa disputar a hegemonia do campo da canção e da cultura nacional, manifestando as contradições da territorialização do capital na urbanização do campo brasileiro, através de ideologias geográficas.
{"title":"O AGRO (NEJO) é POP: A violência invisível do gênero musical mais ouvido do Brasil","authors":"Rafael Florêncio da Silva","doi":"10.51359/2675-3472.2024.262033","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.262033","url":null,"abstract":"\u0000O presente artigo pretende apresentar o mais recente subgênero surgido na música sertaneja, o Agronejo, e analisar a sua relação com o agronegócio, tema central de suas canções, na produção de novas ideologias geográficas. Surgido por volta de 2021, o Agronejo é o gênero musical mais ouvido do Brasil no ano de 2023, e se diferencia dos estilos sertanejos anteriores como a moda de viola e o sertanejo romântico, por trazer a figura do fazendeiro, da propriedade privada da terra e dos supostos êxitos econômicos do agronegócio como temas principais da canção sertaneja. Inserido nos circuitos espaciais de produção de música sertaneja, sua análise através da Geografia se mostra como uma ferramenta importante para a interpretação crítica da territorialização do capital no Brasil através dos circuitos espaciais de produção musical que engloba produtoras musicais, feiras e exposições agropecuárias, revelando uma nova frente de expansão do agronegócio que se desdobra em diversos setores da indústria cultural como a indústria fonográfica, uma dimensão ainda pouco estudada na Geografia. Nossa análise consiste em compreender como as canções do Agronejo produzem uma identidade territorial especifica na formação territorial do Brasil, e que visa disputar a hegemonia do campo da canção e da cultura nacional, manifestando as contradições da territorialização do capital na urbanização do campo brasileiro, através de ideologias geográficas. \u0000","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"5 18","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141006198","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.262338
T. R. Moreira, Eduardo Marandola Jr.
Os estudos de gênero e de sexualidade se consolidaram no âmbito da Geografia brasileira nos últimos 20 anos, a partir do trabalho de diferentes pesquisadoras e pesquisadores. Esta consolidação, como campo, passa a se espraiar por outros ramos da disciplina, em alguns casos com mais fluência e, em outros, com mais dificuldade. Este talvez seja o caso da Geografia Agrária, na qual podemos identificar um conjunto também significativo de estudos de gênero, o mesmo não podendo se dizer de estudos que tematizam a sexualidade. Este artigo busca problematizar os desafios da Geografia Agrária de trabalhar a sexualidade, no contexto das múltiplas ruralidades, das relações campo-cidade e da homonormatividade, que contribui para uma perspectiva que associa a homossexualidade ao sistema urbano-metropolitano, resultando na concentração de pesquisas nestes espaços em detrimento dos processos em áreas e modos de vida rurais.
{"title":"A sexualidade na Geografia Agrária: desafios de um fenômeno transversal","authors":"T. R. Moreira, Eduardo Marandola Jr.","doi":"10.51359/2675-3472.2024.262338","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.262338","url":null,"abstract":"Os estudos de gênero e de sexualidade se consolidaram no âmbito da Geografia brasileira nos últimos 20 anos, a partir do trabalho de diferentes pesquisadoras e pesquisadores. Esta consolidação, como campo, passa a se espraiar por outros ramos da disciplina, em alguns casos com mais fluência e, em outros, com mais dificuldade. Este talvez seja o caso da Geografia Agrária, na qual podemos identificar um conjunto também significativo de estudos de gênero, o mesmo não podendo se dizer de estudos que tematizam a sexualidade. Este artigo busca problematizar os desafios da Geografia Agrária de trabalhar a sexualidade, no contexto das múltiplas ruralidades, das relações campo-cidade e da homonormatividade, que contribui para uma perspectiva que associa a homossexualidade ao sistema urbano-metropolitano, resultando na concentração de pesquisas nestes espaços em detrimento dos processos em áreas e modos de vida rurais.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"1 12","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141010844","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.261409
B. D. P. Alcantara, Marcelino Castillo Nechar, N. Montalvo, Graciela Cruz Jiménez
El artículo presenta una crítica a las políticas de protección y recategorización del Área Natural Protegida Nevado de Toluca (ANPNT), en torno al Desarrollo Turístico Sostenible (DTS) que proclama la preservación de esta área, del recurso hídrico y los beneficios esperados para los actores involucrados. La metodología emplea el análisis crítico del discurso relativo a esta recategorización. Igualmente, entrevistas a profundidad sobre la preservación del recurso hídrico en proyectos de desarrollo turístico. Los resultados muestran, desde el poder, el manejo estratégico de esta recategorización, para posicionar a una hidrocracia turística que despoja a las comunidades con fines mercantilistas.
文章对托卢卡内瓦多自然保护区(Nevado de Toluca Natural Protected Area,ANPNT)的保护和重新分类政策进行了批判,这些政策以可持续旅游发展(Sustainable Tourism Development,STD)为基础,宣称要保护该地区、水资源以及相关参与者的预期收益。该方法采用了批判性分析与这一重新分类相关的论述。此外,还就旅游开发项目中的水资源保护问题进行了深入访谈。研究结果表明,当权者对这一重新分类进行了战略管理,以便为旅游水利工程定位,从而出于重商主义目的剥夺社区的所有权。
{"title":"El Nevado de Toluca y su recategorización: poder, política y discurso hídrico en lo turístico","authors":"B. D. P. Alcantara, Marcelino Castillo Nechar, N. Montalvo, Graciela Cruz Jiménez","doi":"10.51359/2675-3472.2024.261409","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.261409","url":null,"abstract":"El artículo presenta una crítica a las políticas de protección y recategorización del Área Natural Protegida Nevado de Toluca (ANPNT), en torno al Desarrollo Turístico Sostenible (DTS) que proclama la preservación de esta área, del recurso hídrico y los beneficios esperados para los actores involucrados. La metodología emplea el análisis crítico del discurso relativo a esta recategorización. Igualmente, entrevistas a profundidad sobre la preservación del recurso hídrico en proyectos de desarrollo turístico. Los resultados muestran, desde el poder, el manejo estratégico de esta recategorización, para posicionar a una hidrocracia turística que despoja a las comunidades con fines mercantilistas.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"14 1‐2","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141009323","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.259525
Izabela Andréa da Silva
Desde seu estabelecimento o estado brasileiro desenvolvimentista se configura na negação dos territórios tradicionalmente ocupados pelas comunidades tradicionais. Utilizamos uma metodologia de base qualitativa, contendo entrevistas semi-estruturadas, análise documental, coleta de dados secundários e levantamento bibliográfico. Portanto objetivamos ressaltar que a concepção de território do Brasil é fundamentada na lógica moderna e não considera a multiplicidade de territórios existentes. Essa visão consolidou-se com o positivismo lógico e a relação intrínseca entre Estado-Território. Em contraponto verificamos organizações territoriais, que partem dos conhecimentos tradicionais e das territorialidades. Assim divergindo da dicotomia sociedade-natureza disseminada pela lógica moderna-colonial para conceber a ideia de civilização ocidental.
{"title":"Organização do território e as concepções de natureza no Brejo de Altitude Pernambucano","authors":"Izabela Andréa da Silva","doi":"10.51359/2675-3472.2024.259525","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.259525","url":null,"abstract":"Desde seu estabelecimento o estado brasileiro desenvolvimentista se configura na negação dos territórios tradicionalmente ocupados pelas comunidades tradicionais. Utilizamos uma metodologia de base qualitativa, contendo entrevistas semi-estruturadas, análise documental, coleta de dados secundários e levantamento bibliográfico. Portanto objetivamos ressaltar que a concepção de território do Brasil é fundamentada na lógica moderna e não considera a multiplicidade de territórios existentes. Essa visão consolidou-se com o positivismo lógico e a relação intrínseca entre Estado-Território. Em contraponto verificamos organizações territoriais, que partem dos conhecimentos tradicionais e das territorialidades. Assim divergindo da dicotomia sociedade-natureza disseminada pela lógica moderna-colonial para conceber a ideia de civilização ocidental.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"26 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141008267","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.260837
Avelar Araujo Santos Junior, Karine Gabrielle de Lima Rodrigues, M. Santos
A proposta de trabalho aqui apresentada, refere-se a um dos desdobramentos analíticos do projeto de pesquisa intitulado “Comunidades Tradicionais, Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial: Povos Indígenas e Quilombolas em Alagoas”, que, desde 2022, recebe o apoio institucional da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas. O mapeamento das produções bibliográficas acerca da Educação Indígena e a Educação Escolar Indígena em Alagoas reúne materiais com temáticas provenientes de buscas em sítios eletrônicos diversos através da internet, que culminou na identificação do déficit de publicações, reforçando a necessidade do desenvolvimento de trabalhos com a temática indígena. A partir desse panorama, o presente trabalho tem por objeto apresentar um quadro geral das produções científicas pertinentes à temática indígena em sua diversidade analítica, tendo como enfoque principal os processos que caracterizam a atual conjuntura da Educação Escolar Indígena brasileira, sem perder de vista seus contextos espaciais e temporais, mormente os que constituem a história dos povos indígenas no estado de Alagoas. Como resultado ressaltamos a importância de espaços escolares bem estruturados nas aldeias, visto que estes atuam como ambientes profícuos de aprendizagem e socialização cultural. Deste modo concluímos que a produção científica nesta temática visibiliza lutas e, a depender das suas orientações, pode fundamentar processos de reivindicações juntos ao Estado no cumprimento das leis brasileiras que regem a educação indígena em suas inúmeras possibilidades.
{"title":"O Estado da Arte sobre a Educação Escolar Indígena no estado de Alagoas: premissas para uma pesquisa sobre políticas públicas educacionais","authors":"Avelar Araujo Santos Junior, Karine Gabrielle de Lima Rodrigues, M. Santos","doi":"10.51359/2675-3472.2024.260837","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.260837","url":null,"abstract":"A proposta de trabalho aqui apresentada, refere-se a um dos desdobramentos analíticos do projeto de pesquisa intitulado “Comunidades Tradicionais, Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial: Povos Indígenas e Quilombolas em Alagoas”, que, desde 2022, recebe o apoio institucional da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas. O mapeamento das produções bibliográficas acerca da Educação Indígena e a Educação Escolar Indígena em Alagoas reúne materiais com temáticas provenientes de buscas em sítios eletrônicos diversos através da internet, que culminou na identificação do déficit de publicações, reforçando a necessidade do desenvolvimento de trabalhos com a temática indígena. A partir desse panorama, o presente trabalho tem por objeto apresentar um quadro geral das produções científicas pertinentes à temática indígena em sua diversidade analítica, tendo como enfoque principal os processos que caracterizam a atual conjuntura da Educação Escolar Indígena brasileira, sem perder de vista seus contextos espaciais e temporais, mormente os que constituem a história dos povos indígenas no estado de Alagoas. Como resultado ressaltamos a importância de espaços escolares bem estruturados nas aldeias, visto que estes atuam como ambientes profícuos de aprendizagem e socialização cultural. Deste modo concluímos que a produção científica nesta temática visibiliza lutas e, a depender das suas orientações, pode fundamentar processos de reivindicações juntos ao Estado no cumprimento das leis brasileiras que regem a educação indígena em suas inúmeras possibilidades.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"2 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141008642","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-05-06DOI: 10.51359/2675-3472.2024.262548
Larissa Chiulli Guida
A financeirização do agronegócio brasileiro é marcada pela concentração e centralização do capital financeiro através, sobretudo, da territorialização de empresas transnacionais. As transformações recentes no setor sucroenergético são emblemáticas deste contexto nacional. Concomitante à crescente oferta de diversos instrumentos de financiamentos específicos para a agropecuária, abrange-se no Brasil os programas de subsídios e captação de recursos para uma “economia verde”, beneficiando também a produção agrícola. A Lei do Programa RenovaBio é aprovada nessa conjuntura, ela objetiva reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) através da regulação do mercado de créditos de descarbonização (CBios). Por ser o principal produtor de biocombustível (etanol) o agronegócio sucroenergético é o mais favorecido pelo programa. Nesta pesquisa, interpreta-se o RenovaBio como o mais novo instrumento financeiro para o referido setor e que tende a agravar os problemas fundiários, sociais e ambientais provenientes dele. O caso de um empresa transnacional que foi a primeira a negociar CBios e, mas que, ao mesmo tempo, responde por processo de danos ambientais provocados por pulverização de agrotóxicos corrobora sobre a relação complexa entre finanças, agronegócio e “transição verde”.
{"title":"Financeirização do setor sucroenergético no Vale do Ivinhema (MS): breves considerações a partir do RenovaBio","authors":"Larissa Chiulli Guida","doi":"10.51359/2675-3472.2024.262548","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2024.262548","url":null,"abstract":"A financeirização do agronegócio brasileiro é marcada pela concentração e centralização do capital financeiro através, sobretudo, da territorialização de empresas transnacionais. As transformações recentes no setor sucroenergético são emblemáticas deste contexto nacional. Concomitante à crescente oferta de diversos instrumentos de financiamentos específicos para a agropecuária, abrange-se no Brasil os programas de subsídios e captação de recursos para uma “economia verde”, beneficiando também a produção agrícola. A Lei do Programa RenovaBio é aprovada nessa conjuntura, ela objetiva reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) através da regulação do mercado de créditos de descarbonização (CBios). Por ser o principal produtor de biocombustível (etanol) o agronegócio sucroenergético é o mais favorecido pelo programa. Nesta pesquisa, interpreta-se o RenovaBio como o mais novo instrumento financeiro para o referido setor e que tende a agravar os problemas fundiários, sociais e ambientais provenientes dele. O caso de um empresa transnacional que foi a primeira a negociar CBios e, mas que, ao mesmo tempo, responde por processo de danos ambientais provocados por pulverização de agrotóxicos corrobora sobre a relação complexa entre finanças, agronegócio e “transição verde”.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"37 3","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-05-06","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"141008357","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
O objetivo deste artigo é analisar o processo de construção territorial de mercados para a Agroecologia a partir das tecnologias sociais produzidas no Núcleo Alto Uruguai da Rede Ecovida de Agroecologia, na região Sul do Brasil. O mercado, entendido em seu sentido amplo, é uma relação social espacializada, marcada, portanto, por intencionalidades e territorialidades convergentes e conflitantes. Assim, a agricultura camponesa e suas organizações necessitam criar mecanismos capazes de possibilitar a comercialização dos produtos e a geração de renda para as famílias agricultoras. Amparada na certificação participativa dos produtos orgânicos, a combinação de diferentes projeções territoriais de mercados em circuitos curtos de comercialização (feiras-livres e entregas à domicílio) e circuitos extrarregionais tem se constituído, no caso pesquisado, como fundamental para o avanço da Agroecologia e do estreitamento das conexões entre produção e consumo, campo e cidade.
{"title":"A construção territorial de mercados na Agroecologia: uma análise sobre o Núcleo Alto Uruguai da Rede Ecovida de Agroecologia","authors":"Márcio Freitas Eduardo, Daiane Carla Bordulis Eduardo, Roberto Antônio Finatto","doi":"10.51359/2675-3472.2023.261626","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2023.261626","url":null,"abstract":"O objetivo deste artigo é analisar o processo de construção territorial de mercados para a Agroecologia a partir das tecnologias sociais produzidas no Núcleo Alto Uruguai da Rede Ecovida de Agroecologia, na região Sul do Brasil. O mercado, entendido em seu sentido amplo, é uma relação social espacializada, marcada, portanto, por intencionalidades e territorialidades convergentes e conflitantes. Assim, a agricultura camponesa e suas organizações necessitam criar mecanismos capazes de possibilitar a comercialização dos produtos e a geração de renda para as famílias agricultoras. Amparada na certificação participativa dos produtos orgânicos, a combinação de diferentes projeções territoriais de mercados em circuitos curtos de comercialização (feiras-livres e entregas à domicílio) e circuitos extrarregionais tem se constituído, no caso pesquisado, como fundamental para o avanço da Agroecologia e do estreitamento das conexões entre produção e consumo, campo e cidade.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"10 2","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-13","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140247623","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-03-13DOI: 10.51359/2675-3472.2023.260808
Carla Craice da Silva, Luciana Schleder Almeida
Esse texto visa apresentar notas de pesquisa ligadas ao trabalho de campo exploratório realizado nos municípios de Correntina e Luís Eduardo Magalhães, ambos localizados na microrregião do Extremo Oeste da Bahia em março de 2023. O território de Correntina é cruzado por cinco rios – Correntina, Arrojado, do Meio, Guará e Santo Antônio – que juntos com outros rios da Bacia do Rio Corrente são considerados um importante “berço das águas”, desaguando em uma das mais importantes bacias no território nacional: a de São Francisco. A riqueza das águas essencial para a vida das comunidades tradicionais, para plantio e para o pastoreio é a mesma que atrai grandes produtores de commodities. O trabalho de campo percorreu as estradas de asfalto para entender que, para além da terra, a disputa na região acontece por um outro importante bem: as águas. O presente estudo propõe uma reflexão sobre as diferentes formas de usos e vivências junto às águas do Cerrado a partir dos diversos olhares que habitam ou se fazem presentes na região.
{"title":"As águas do Rio Arrojado: disputa entre a monocultura de commodities e os modos de vida tradicionais dos Fundos e Fechos de Pasto","authors":"Carla Craice da Silva, Luciana Schleder Almeida","doi":"10.51359/2675-3472.2023.260808","DOIUrl":"https://doi.org/10.51359/2675-3472.2023.260808","url":null,"abstract":"Esse texto visa apresentar notas de pesquisa ligadas ao trabalho de campo exploratório realizado nos municípios de Correntina e Luís Eduardo Magalhães, ambos localizados na microrregião do Extremo Oeste da Bahia em março de 2023. O território de Correntina é cruzado por cinco rios – Correntina, Arrojado, do Meio, Guará e Santo Antônio – que juntos com outros rios da Bacia do Rio Corrente são considerados um importante “berço das águas”, desaguando em uma das mais importantes bacias no território nacional: a de São Francisco. A riqueza das águas essencial para a vida das comunidades tradicionais, para plantio e para o pastoreio é a mesma que atrai grandes produtores de commodities. O trabalho de campo percorreu as estradas de asfalto para entender que, para além da terra, a disputa na região acontece por um outro importante bem: as águas. O presente estudo propõe uma reflexão sobre as diferentes formas de usos e vivências junto às águas do Cerrado a partir dos diversos olhares que habitam ou se fazem presentes na região.","PeriodicalId":284770,"journal":{"name":"Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul","volume":"9 4","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2024-03-13","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"140247791","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2024-03-13DOI: 10.51359/2675-3472.2023.261534
Amanda Ribeiro Bezerra, Sávio José Dias Rodrigues
O artigo tem como objetivo discutir sobre a naturalização e invisibilização do trabalho escravo doméstico de meninas e mulheres no Brasil e no Maranhão, a partir do estudo acerca do fenômeno da escravidão contemporânea. Partimos do debate de gênero, que analisa o papel da mulher nas formas de exploração, interseccionando com os estudos das racialidades e de classes sociais. A metodologia adota a pesquisa bibliográfica em torno da compreensão da permanência do trabalho escravo contemporâneo a partir da análise documental na legislação vigente e nos dados reunidos e organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Para discutir situações existentes de trabalho escravo contemporâneo no espaço da casa foram realizadas entrevistas com mulheres trabalhadoras domésticas que denunciaram situações de violências e de trabalho análogo a escravidão. Consideramos que o fenômeno do trabalho escravo feminino, sobretudo o doméstico, dentro da ótica da subalternização, expõe o peso sociocultural do papel da mulher e a naturalização da sua exploração. Em razão do caráter privado da casa, este fenômeno ainda se encontra invisibilizado das discussões geográficas, contribuindo para a continuação do processo que ausenta das pesquisas as situações vividas por mulheres nos espaços domésticos.
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