Pub Date : 2021-07-16DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.181744
Ana Carolina Brindarolli
A tecnologia normalmente é vista como impessoal e sem vida, e perde essa característica na obra cinematográfica Her. A obra nos direciona para linhas de raciocínios inusitadas. O presente ensaio usa como pretexto o filme Her para propor um olhar sobre as novas formas de se relacionar na contemporaneidade, formas que unem atores humanos e não humanos para a produção de um coletivo, no sentido latouriano, para além da sociedade. Este coletivo tem como produto social o ator/actante híbrido, na proposta de visualizar a união no mesmo contexto de humanos e tecnologias. Desse modo, proponho a utilização da obra cinematográfica do diretor Spike Jonze, como um campo audiovisual capaz de produzir no leitor uma imagem sobre a temática latouriana proposta: novo social, atores híbridos, mediação, coletivos, interação entre humano e não humano. Como fundamentação teórica, o ensaio transita por conceitos extraídos da Teoria Ator-Rede (TAR).
{"title":"A Teoria Ator-Rede como ferramenta para releitura do social a partir do filme Her","authors":"Ana Carolina Brindarolli","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.181744","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.181744","url":null,"abstract":"A tecnologia normalmente é vista como impessoal e sem vida, e perde essa característica na obra cinematográfica Her. A obra nos direciona para linhas de raciocínios inusitadas. O presente ensaio usa como pretexto o filme Her para propor um olhar sobre as novas formas de se relacionar na contemporaneidade, formas que unem atores humanos e não humanos para a produção de um coletivo, no sentido latouriano, para além da sociedade. Este coletivo tem como produto social o ator/actante híbrido, na proposta de visualizar a união no mesmo contexto de humanos e tecnologias. Desse modo, proponho a utilização da obra cinematográfica do diretor Spike Jonze, como um campo audiovisual capaz de produzir no leitor uma imagem sobre a temática latouriana proposta: novo social, atores híbridos, mediação, coletivos, interação entre humano e não humano. Como fundamentação teórica, o ensaio transita por conceitos extraídos da Teoria Ator-Rede (TAR).","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"17 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-07-16","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"125013904","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-07-16DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174203
Paula Pagliari de Braud
Este artigo tem por objetivo refletir sobre as fotografias periciais necroscópicas realizadas em casos de letalidade policial ocorridos na cidade de São Paulo e, por meio da bibliografia atinente à antropologia da imagem e da fotografia, aproximar e afastar análises de alguns autores que também trabalham a relação entre imagem e morte. Por meio da análise de cinco imagens retiradas de laudos necroscópicos de processos judiciais e inquéritos digitalizados no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, busca-se entender como os usos e os contextos de produção dessas fotografias nos permitem compreender a maneira como expressamos e encaramos certas mortes.
{"title":"A morte em fotografias periciais","authors":"Paula Pagliari de Braud","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174203","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174203","url":null,"abstract":"Este artigo tem por objetivo refletir sobre as fotografias periciais necroscópicas realizadas em casos de letalidade policial ocorridos na cidade de São Paulo e, por meio da bibliografia atinente à antropologia da imagem e da fotografia, aproximar e afastar análises de alguns autores que também trabalham a relação entre imagem e morte. Por meio da análise de cinco imagens retiradas de laudos necroscópicos de processos judiciais e inquéritos digitalizados no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, busca-se entender como os usos e os contextos de produção dessas fotografias nos permitem compreender a maneira como expressamos e encaramos certas mortes.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"99 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-07-16","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"126035435","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-28DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175853
André Goldfeder
Em Ensaio sobre a dádiva (2014/2015), Nuno Ramos parte do ensaio homônimo de Marcel Mauss e atinge um ponto de acumulação e virada que remete a um modo de agenciamento decisivo em sua poética: a produção de planos de articulação entre elementos heterogêneos. Ao pôr em ato uma problemática da troca, reenuncia um espaço de remissões estéticas-históricas central para certas passagens entre artes modernas e contemporâneas, relançado em torno das relações entre linguagem e espaço. Assim, partindo da leitura do signo enquanto entidade elementar dos estruturalismos linguístico e antropológico por Patrice Maniglier, o artigo explora um campo possível de traduções recíprocas entre artes visuais e poesia, antropologia e filosofia, circulando ainda, com Jacques Rancière, entre Stéphane Mallarmé e Marcel Broodthaers, e com Lévi-Strauss, Saussure e certas linhas de debate sobre as artes contemporâneas, entre a problemática dos meios em artes visuais e um horizonte ontológico de pensamento com as artes.
{"title":"Ensaio sobre o signo: troca, linguagem, espaço e um trabalho de Nuno Ramos","authors":"André Goldfeder","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175853","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175853","url":null,"abstract":"Em Ensaio sobre a dádiva (2014/2015), Nuno Ramos parte do ensaio homônimo de Marcel Mauss e atinge um ponto de acumulação e virada que remete a um modo de agenciamento decisivo em sua poética: a produção de planos de articulação entre elementos heterogêneos. Ao pôr em ato uma problemática da troca, reenuncia um espaço de remissões estéticas-históricas central para certas passagens entre artes modernas e contemporâneas, relançado em torno das relações entre linguagem e espaço. Assim, partindo da leitura do signo enquanto entidade elementar dos estruturalismos linguístico e antropológico por Patrice Maniglier, o artigo explora um campo possível de traduções recíprocas entre artes visuais e poesia, antropologia e filosofia, circulando ainda, com Jacques Rancière, entre Stéphane Mallarmé e Marcel Broodthaers, e com Lévi-Strauss, Saussure e certas linhas de debate sobre as artes contemporâneas, entre a problemática dos meios em artes visuais e um horizonte ontológico de pensamento com as artes.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"8 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128881657","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-28DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175918
Tayná Corrêa de Sá
A resistência e a luta política dão-se de diversas formas, e uma delas é a através da arte. O presente artigo é resultado de uma pesquisa em desenvolvimento que busca entender os sentidos e os efeitos políticos da participação feminina no slam poetry brasileiro e de como essa forma de manifestação artística se relaciona com o território da cidade. Através de uma abordagem etnográfica, o artigo pretende demonstrar como mulheres e pessoas trans estão atuando politicamente através da poesia falada e de como a união de seus corpos vem incidindo no espaço público nos eventos do Slam das Minas na cidade do Rio de Janeiro.
抵抗和政治斗争有多种形式,其中之一就是通过艺术。这篇文章是一项正在进行的研究的结果,旨在理解女性参与巴西slam诗歌的意义和政治影响,以及这种艺术表现形式与城市领土的关系。通过人种学的方法,本文旨在展示女性和跨性别者是如何通过口语诗歌在政治上发挥作用的,以及她们身体的结合是如何在里约热内卢的Slam das Minas活动的公共空间中产生影响的。
{"title":"Revolução através da palavra: reflexões acerca do uso da literatura e da oralidade como expressão social e atuação política no Slam das Minas - RJ","authors":"Tayná Corrêa de Sá","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175918","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175918","url":null,"abstract":"A resistência e a luta política dão-se de diversas formas, e uma delas é a através da arte. O presente artigo é resultado de uma pesquisa em desenvolvimento que busca entender os sentidos e os efeitos políticos da participação feminina no slam poetry brasileiro e de como essa forma de manifestação artística se relaciona com o território da cidade. Através de uma abordagem etnográfica, o artigo pretende demonstrar como mulheres e pessoas trans estão atuando politicamente através da poesia falada e de como a união de seus corpos vem incidindo no espaço público nos eventos do Slam das Minas na cidade do Rio de Janeiro.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"26 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"115294526","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-28DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185351
X Malcolm
Em tempos em que a luta contra o Racismo é imprescindível e urgente, os discursos de Malcolm X demarcam um período de luta importante de um homem revertido ao Islam, que após o seu Hajj (peregrinação a Meca) amplia sua perspectiva sobre o humano e sobre a sua luta que não era contra homens brancos, e sim, contra homens que exploram outros homens. Passou a ser conhecido entre os muçulmanos como Al Hajj Malik Al-Shabazz (1925-1965), distinção dada a toda pessoa que faz o Hajj. Mais conhecido como Malcolm X, foi um ativista norte-americano, um dos mais polêmicos e populares líderes do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Fundou a Organização para a Unidade Afro-Americana, de inspiração separatista. Defensor dos direitos dos afro-americanos, conseguiu mobilizar brancos e negros na conscientização sobre os crimes cometidos contra a população afro-americana. Em 1998, Paul Gray, da revista Time, colocou a Autobiografia de Malcolm X entre os 10 livros de não-ficção mais importantes do século XX.
曾经在反对种族歧视的斗争是关键和紧迫,马尔科姆·艾克斯的言论描述一段时间的战斗后的重要的男人将伊斯兰教,其潜在(麦加朝圣)放大你对人类的斗争并不是反对白人,是的,男人利用其他男人。它在穆斯林中被称为Al Hajj Malik Al-Shabazz(1925-1965),这是一个授予所有进行朝觐的人的荣誉。马尔科姆·艾克斯(Malcolm X)是一位美国活动家,也是美国黑人民权运动中最具争议和最受欢迎的领导人之一。他创立了非洲裔美国人团结组织,受到分离主义的启发。作为一名非裔美国人权利的倡导者,他成功地动员白人和黑人意识到针对非裔美国人犯下的罪行。1998年,《时代》杂志的保罗·格雷将马尔科姆·艾克斯的传记列为20世纪最重要的10本非小说类书籍之一。
{"title":"Coletânea de discursos de Malcolm X","authors":"X Malcolm","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185351","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185351","url":null,"abstract":"Em tempos em que a luta contra o Racismo é imprescindível e urgente, os discursos de Malcolm X demarcam um período de luta importante de um homem revertido ao Islam, que após o seu Hajj (peregrinação a Meca) amplia sua perspectiva sobre o humano e sobre a sua luta que não era contra homens brancos, e sim, contra homens que exploram outros homens. Passou a ser conhecido entre os muçulmanos como Al Hajj Malik Al-Shabazz (1925-1965), distinção dada a toda pessoa que faz o Hajj. Mais conhecido como Malcolm X, foi um ativista norte-americano, um dos mais polêmicos e populares líderes do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Fundou a Organização para a Unidade Afro-Americana, de inspiração separatista. Defensor dos direitos dos afro-americanos, conseguiu mobilizar brancos e negros na conscientização sobre os crimes cometidos contra a população afro-americana. Em 1998, Paul Gray, da revista Time, colocou a Autobiografia de Malcolm X entre os 10 livros de não-ficção mais importantes do século XX.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"3 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128437182","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-28DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185341
S. Reily
Vivemos hoje em ambientes sonoros onde estamos expostos a uma grande variedade de estilos musicais de diversas épocas. A etnomusicologia, contudo, tem se concentrado no estudo de gêneros e práticas musicais tidas como “tradicionais” ou “próprias” ao contexto do estudo ou grupo étnico da pesquisa. Uma parcela das atividades musicais que fazem parte do dia a dia de muitas pessoas – seus “musicares locais” – podem ser ignoradas. Ao se integrarem à vida cotidiana, os musicares se tornam espaços que promovem sentimentos de pertencimento e de compromisso para com os contextos em que foram vividos e para com aqueles com quem foram compartilhados. Este artigo explora perspectivas voltadas para a relação entre estas atividades e as localidades em que ocorrem, investigando como os musicares afetam essas localidades e como são afetadas por elas. O musicar local cumpre um papel primordial na “produção de localidades” (Appadurai), evidenciando seu caráter eminentemente político.
{"title":"O musicar local e a produção musical da localidade","authors":"S. Reily","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185341","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.185341","url":null,"abstract":"Vivemos hoje em ambientes sonoros onde estamos expostos a uma grande variedade de estilos musicais de diversas épocas. A etnomusicologia, contudo, tem se concentrado no estudo de gêneros e práticas musicais tidas como “tradicionais” ou “próprias” ao contexto do estudo ou grupo étnico da pesquisa. Uma parcela das atividades musicais que fazem parte do dia a dia de muitas pessoas – seus “musicares locais” – podem ser ignoradas. Ao se integrarem à vida cotidiana, os musicares se tornam espaços que promovem sentimentos de pertencimento e de compromisso para com os contextos em que foram vividos e para com aqueles com quem foram compartilhados. Este artigo explora perspectivas voltadas para a relação entre estas atividades e as localidades em que ocorrem, investigando como os musicares afetam essas localidades e como são afetadas por elas. O musicar local cumpre um papel primordial na “produção de localidades” (Appadurai), evidenciando seu caráter eminentemente político.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"50 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-28","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"126574357","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-01DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175272
Meno Del Picchia
O artigo apresenta dados de uma etnografia realizada entre 2017 e 2019, num bairro periférico da zona sul de São Paulo, onde acontecem bailes conhecidos como fluxos. Proponho uma análise a partir do verbo-conceito de "musicar" de Cristopher Small (1998). Sob tal perspectiva é fundamental entender todos os agentes engajados na produção da festa, mesmo aqueles que aparentemente não estão produzindo música, e mesmo aqueles considerados não-humanos. Que elementos estão por trás de uma manifestação musical nas ruas de uma quebrada? No caso dos fluxos, veremos a centralidade dos sistemas de som de funk nesse musicar e que tipo de sensações e reações eles causam. O funk e a festa atuam na construção sentimental e simbólica dessas localidades e na produção de identidades compartilhadas.
{"title":"Fluxos, quebrada e musicar funk – se sentir dentro da música","authors":"Meno Del Picchia","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175272","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.175272","url":null,"abstract":"O artigo apresenta dados de uma etnografia realizada entre 2017 e 2019, num bairro periférico da zona sul de São Paulo, onde acontecem bailes conhecidos como fluxos. Proponho uma análise a partir do verbo-conceito de \"musicar\" de Cristopher Small (1998). Sob tal perspectiva é fundamental entender todos os agentes engajados na produção da festa, mesmo aqueles que aparentemente não estão produzindo música, e mesmo aqueles considerados não-humanos. Que elementos estão por trás de uma manifestação musical nas ruas de uma quebrada? No caso dos fluxos, veremos a centralidade dos sistemas de som de funk nesse musicar e que tipo de sensações e reações eles causam. O funk e a festa atuam na construção sentimental e simbólica dessas localidades e na produção de identidades compartilhadas.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"1 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"129020325","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-01DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174741
Michael T. Taussig
Tradução de "The Stories Things Tell and Why They Tell Them", de Michael Taussig, feita por Felipe Neis Araujo. O original está disponível no livro "The Corn Wolf". Taussig, Michael. 2015. The Stories Things Tell and Why They Tell Them. In The Corn Wolf. Chicago e Londres: University of Chicago Press, 15-30.
《讲述的故事》(The Stories Things Tell and Why They Tell Them),迈克尔·托西格(Michael Taussig)著,费利佩·内斯·阿劳霍(Felipe Neis Araujo)著。这首歌的原始版本于2009年10月17日发布。迈克尔·陶西格,2015年。这首歌在美国公告牌百强单曲榜上排名第二,在英国单曲榜上排名第三。在玉米狼。芝加哥和伦敦:芝加哥大学出版社,15-30。
{"title":"As estórias que as coisas contam e por que elas contam","authors":"Michael T. Taussig","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174741","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174741","url":null,"abstract":"Tradução de \"The Stories Things Tell and Why They Tell Them\", de Michael Taussig, feita por Felipe Neis Araujo. O original está disponível no livro \"The Corn Wolf\".\u0000Taussig, Michael. 2015. The Stories Things Tell and Why They Tell Them. In The Corn Wolf. Chicago e Londres: University of Chicago Press, 15-30.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"31 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"117103432","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-01DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174364
C. Branco, Mariana Santos Teófilo
Caminhando por algumas ruas e praças da cidade de São Paulo, nos domingos de todo o ano e em dias de festa comunitária boliviana, vamos percorrendo localidades altiplânicas (Appadurai 1996) erguidas a três mil quilômetros de distância do Altiplano andino. Milhares de transmigrantes andinos bolivianos reelaboram suas dinâmicas culturais e afetivas através da criação de redes transnacionais (Glick Schiller, Basch e Szanton 1992), comerciais e simbólicas. Também através do musicar autóctone (Small 1998), especialmente da prática musical de repertório e tocadores aymaras e quechuas, se fortalecem as estruturas afetivas que constituem e afirmam performática e sinestesicamente localidades altiplânicas indígenas. Por meio da articulação teórico-etnográfica de base antropológica e etnomusicológica, buscamos refletir sobre como o Centro Cultural Kollasuyo Maya, grupo autóctone de formação aymara e quechua, ao ativar e integrar redes entre pessoas e coletivos indígenas, imigrantes e paulistanos, vai musicalizando e localizando o Altiplano andino boliviano em São Paulo.
{"title":"Musicando translocalidades imigrantes aymaras e quechuas em São Paulo","authors":"C. Branco, Mariana Santos Teófilo","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174364","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.174364","url":null,"abstract":"Caminhando por algumas ruas e praças da cidade de São Paulo, nos domingos de todo o ano e em dias de festa comunitária boliviana, vamos percorrendo localidades altiplânicas (Appadurai 1996) erguidas a três mil quilômetros de distância do Altiplano andino. Milhares de transmigrantes andinos bolivianos reelaboram suas dinâmicas culturais e afetivas através da criação de redes transnacionais (Glick Schiller, Basch e Szanton 1992), comerciais e simbólicas. Também através do musicar autóctone (Small 1998), especialmente da prática musical de repertório e tocadores aymaras e quechuas, se fortalecem as estruturas afetivas que constituem e afirmam performática e sinestesicamente localidades altiplânicas indígenas. Por meio da articulação teórico-etnográfica de base antropológica e etnomusicológica, buscamos refletir sobre como o Centro Cultural Kollasuyo Maya, grupo autóctone de formação aymara e quechua, ao ativar e integrar redes entre pessoas e coletivos indígenas, imigrantes e paulistanos, vai musicalizando e localizando o Altiplano andino boliviano em São Paulo.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"28 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"132211692","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2021-06-01DOI: 10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.176158
Renan Moretti Bertho, Alexsânder Nakaóka Elias, Brenno Brandalise Demarchi, Anna Flávia Guimarães Hartmann, Arthur Silva Barbosa, L. Pereira, Noelle Rodrigues Ventura
O presente artigo discute a utilização do audiovisual para representar as características e as possibilidades de um musicar local. Ao observar o processo de criação do documentário Um ouvido no fone e o outro na cidade, os(as) autores(as) refletem sobre os usos e as funções da música, bem como sobre o engajamento musical e a relação de escuta dos(as) riders – entregadores(as) de comida por aplicativo. Esses(as) profissionais são brasileiras e brasileiros que moram em Dublin e que têm a música como parte essencial da sua rotina de trabalho. Nesse sentido, nossa questão é: como representar as diversidades e as contradições desse musicar local? Argumentamos que, por meio das etapas coletivas de desenvolvimento e criação desse documentário, os(as) realizadores(as) expressam não apenas o engajamento dos(as) riders com a música, mas também constroem uma representação sensorial do musicar que perpassa as relações de trabalho, de afeto e de localidade.
本文讨论了利用视听来代表当地音乐的特点和可能性。通过观察纪录片《Um oreille no fone》和《o outo na cidade》的创作过程,作者反思了音乐的用途和功能,以及音乐的参与和乘客的倾听关系——通过应用程序送餐。这些专业人士都是住在都柏林的巴西人,他们把音乐作为日常工作的重要组成部分。从这个意义上说,我们的问题是:如何表现这种地方音乐的多样性和矛盾?我们认为,通过这部纪录片的发展和创作的集体步骤,导演不仅表达了骑手对音乐的参与,而且还建立了一种音乐的感官表征,渗透到工作关系、情感和地点。
{"title":"Um ouvido no fone e o outro na cidade: por uma representação audiovisual do musicar local","authors":"Renan Moretti Bertho, Alexsânder Nakaóka Elias, Brenno Brandalise Demarchi, Anna Flávia Guimarães Hartmann, Arthur Silva Barbosa, L. Pereira, Noelle Rodrigues Ventura","doi":"10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.176158","DOIUrl":"https://doi.org/10.11606/ISSN.2525-3123.GIS.2021.176158","url":null,"abstract":"O presente artigo discute a utilização do audiovisual para representar as características e as possibilidades de um musicar local. Ao observar o processo de criação do documentário Um ouvido no fone e o outro na cidade, os(as) autores(as) refletem sobre os usos e as funções da música, bem como sobre o engajamento musical e a relação de escuta dos(as) riders – entregadores(as) de comida por aplicativo. Esses(as) profissionais são brasileiras e brasileiros que moram em Dublin e que têm a música como parte essencial da sua rotina de trabalho. Nesse sentido, nossa questão é: como representar as diversidades e as contradições desse musicar local? Argumentamos que, por meio das etapas coletivas de desenvolvimento e criação desse documentário, os(as) realizadores(as) expressam não apenas o engajamento dos(as) riders com a música, mas também constroem uma representação sensorial do musicar que perpassa as relações de trabalho, de afeto e de localidade.","PeriodicalId":340634,"journal":{"name":"GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia","volume":"98 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2021-06-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"132725766","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}