Pub Date : 2023-05-05DOI: 10.5007/2176-8552.2022.e86961
Romana Radlwimmer, Claudia Regina Peterlini, M. Araújo
Nas crônicas das Ìndias e cartas jesuíticas do séc. XVI, a temporalidade em relação à tradução se realiza tanto como sobrevivência orgânica e textual quanto como uma política de aceleração. A partir de 1500, a tradução oral da conquista portuguesa depende de figuras pontuais, mas que, depois de 1550, vai aos poucos dando lugar a uma sistematização da tradução feita pelos jesuítas. Em seus colégios, os jesuítas formam agentes bilíngues, os meninos língua, e ao final do séc. XVI produzem as primeiras listas de vocábulos e gramáticas, que rapidamente se difundem. Crônicas e cartas traduzidas, que inserem “outros” sistemas de conhecimento nas terminologias europeias, são “duplamente” translacionais e ampliam ainda mais a temporalidade do processo de tradução colonial. Do momento em que uma crônica é publicada pela primeira vez até quando aparecem suas traduções podem transcorrer meses, décadas ou séculos. Este trabalho considera a temporalidade a partir de uma perspectiva fenomenológica e no contexto do colonialismo, e reconstrói as diferentes camadas de significados que ela cria em relação à conquista traduzida do Brasil.
{"title":"Construções temporais na conquista do Brasil por meio da tradução","authors":"Romana Radlwimmer, Claudia Regina Peterlini, M. Araújo","doi":"10.5007/2176-8552.2022.e86961","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2022.e86961","url":null,"abstract":"Nas crônicas das Ìndias e cartas jesuíticas do séc. XVI, a temporalidade em relação à tradução se realiza tanto como sobrevivência orgânica e textual quanto como uma política de aceleração. A partir de 1500, a tradução oral da conquista portuguesa depende de figuras pontuais, mas que, depois de 1550, vai aos poucos dando lugar a uma sistematização da tradução feita pelos jesuítas. Em seus colégios, os jesuítas formam agentes bilíngues, os meninos língua, e ao final do séc. XVI produzem as primeiras listas de vocábulos e gramáticas, que rapidamente se difundem. Crônicas e cartas traduzidas, que inserem “outros” sistemas de conhecimento nas terminologias europeias, são “duplamente” translacionais e ampliam ainda mais a temporalidade do processo de tradução colonial. Do momento em que uma crônica é publicada pela primeira vez até quando aparecem suas traduções podem transcorrer meses, décadas ou séculos. Este trabalho considera a temporalidade a partir de uma perspectiva fenomenológica e no contexto do colonialismo, e reconstrói as diferentes camadas de significados que ela cria em relação à conquista traduzida do Brasil.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-05-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"43732642","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-05-05DOI: 10.5007/2176-8552.2022.e86960
Matheus Barreto
No presente artigo, tenho dois propósitos: primeiramente, investigar de que maneira as diversas temporalidades do ‘hoje’ de Goethe (modernidade, Revolução Francesa, viagem italiana, redescoberta do corpo) e as diversas temporalidades de seu ‘ontem’ (Império Romano, poesia latina, estrutura métrica do dístico elegíaco, escultura latina da figura humana) se opõem e/ou convergem no poema “Fünfte römische Elegie” (“Quinta Elegia Romana”) de sua obra Römische Elegien (Elegias Romanas). Fruto de um momento de virada Clássica ou Neoclássica na obra goetheana, a “Fünfte römische Elegie” é construída sobre constantes oposições (noite e dia, amor e trabalho, corpo e mármore, hoje e antiguidade) e parece tomar grande parte de sua força justamente da encruzilhada temporal e estética na qual é escrita, oferecendo, assim, um privilegiado espaço para a observação de como essas diversas tensões e oposições se concretizaram em matéria literária. O segundo propósito é apresentar brevemente, ao final do artigo, uma tradução da elegia ao português a partir dos princípios da tradução paramórfica tal qual formuladas por Haroldo de Campos – até onde me foi possível averiguar, a primeira tradução da elegia ao português em dísticos elegíacos.
在这篇文章中,有两个目的:首先,调查方法的不同temporalidades‘今天’的歌德,现代性(法国大革命,意大利之旅,你的身体)和各种temporalidades重新‘昨天’(罗马拉丁诗歌结构的挽联,拉丁语雕塑人体)的反对和/或汇聚在诗“Fünfte römische Elegie罗马挽歌”(“农场”)他的römische Elegien(罗马)哀歌。出身于一个转折点的古典或新古典在goetheana,“Fünfte römische Elegie”是建立在对立(一天到晚,爱情,工作,身体和大理石,今天和古董),似乎大部分时间之力的十字路口和美学,是由特权,从而提供一个空间的观察,这些不同的紧张和对立成功的文学。第二个目的是在文章的最后,从哈洛尔多·德·坎波斯(Haroldo de Campos)所阐述的参数翻译原则,简要介绍一首葡萄牙语挽歌的翻译——据我所知,这是第一首葡萄牙语挽歌对唱的翻译。
{"title":"Os ontens e os hojes do amor palpável: a “Quinta Elegia Romana” de Goethe","authors":"Matheus Barreto","doi":"10.5007/2176-8552.2022.e86960","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2022.e86960","url":null,"abstract":"No presente artigo, tenho dois propósitos: primeiramente, investigar de que maneira as diversas temporalidades do ‘hoje’ de Goethe (modernidade, Revolução Francesa, viagem italiana, redescoberta do corpo) e as diversas temporalidades de seu ‘ontem’ (Império Romano, poesia latina, estrutura métrica do dístico elegíaco, escultura latina da figura humana) se opõem e/ou convergem no poema “Fünfte römische Elegie” (“Quinta Elegia Romana”) de sua obra Römische Elegien (Elegias Romanas). Fruto de um momento de virada Clássica ou Neoclássica na obra goetheana, a “Fünfte römische Elegie” é construída sobre constantes oposições (noite e dia, amor e trabalho, corpo e mármore, hoje e antiguidade) e parece tomar grande parte de sua força justamente da encruzilhada temporal e estética na qual é escrita, oferecendo, assim, um privilegiado espaço para a observação de como essas diversas tensões e oposições se concretizaram em matéria literária. O segundo propósito é apresentar brevemente, ao final do artigo, uma tradução da elegia ao português a partir dos princípios da tradução paramórfica tal qual formuladas por Haroldo de Campos – até onde me foi possível averiguar, a primeira tradução da elegia ao português em dísticos elegíacos.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-05-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"47295893","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-05-05DOI: 10.5007/2176-8552.2022.e94056
M. A. Barbosa, Susana Kampff Lages
Apresentação aos dossiês "Homenagem a Augusto de Campos" e "Aporias e fluxos do tempo e da tradução".
档案介绍“向奥古斯托·德·坎波斯致敬”和“Aporias e fluxos do tempo e da traducióņaõo”。
{"title":"Tempos, Temas e Problemas da Tradução: à guisa de apresentação","authors":"M. A. Barbosa, Susana Kampff Lages","doi":"10.5007/2176-8552.2022.e94056","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2022.e94056","url":null,"abstract":"Apresentação aos dossiês \"Homenagem a Augusto de Campos\" e \"Aporias e fluxos do tempo e da tradução\".","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-05-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"42582548","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-05-05DOI: 10.5007/2176-8552.2022.e86517
Cleber Ranieri Ribas de Almeida
A abertura do livro Claro Enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade, inicia-se com um pórtico enigmático intitulado “Entre Lobo e Cão”, seguido do poema “Dissolução”. A tese mais aceita entre os críticos é de que “Entre Lobo e Cão” seria um intertexto com os versos de um poema de Sá de Miranda, assim como “Dissolução” evocaria o pessimismo e o imobilismo do poeta. Neste artigo pretendo demonstrar que a correta interpretação do título da secção estaria numa crônica do próprio Drummond intitulada “Para Quem Goste de Cão” (1947), a qual, em geral, é literalmente lida como um panfleto em defesa dos cães. Nossa tese, contudo, é de que a crônica deve ser lida como uma alegoria política orwelliana na qual Drummond compara poetas inautênticos a cães domésticos, lobos a poetas autênticos, escritores a crianças carentes e editores a donos de cães de luxo. Os personagens teromorfos são transfigurações dos personagens que protagonizaram o Segundo Congresso da Associação Brasileira de Escritores (ABDE). Por fim, lançaremos mão de uma interpretação contextual do poema “Dissolução”.
卡洛斯·德拉蒙德·德·安德拉德(Carlos Drummond de Andrade)的《Claro Enigma》(1951)一书的开头是一个名为“Entre Lobo e cao”的神秘门廊,后面是一首名为“dissolucao”的诗。评论家们普遍接受的观点是,《entre Lobo e cao》将是sa de Miranda诗歌的互文,而《dissolucion》则唤起了诗人的悲观主义和静止主义。在这篇文章中,我想证明对这一节标题的正确解释是在德拉蒙德自己的编年史《Para quien Goste de cao》(1947)中,它通常被字面上理解为为狗辩护的小册子。然而,我们的论点是,编年史应该被解读为一个奥威尔式的政治寓言,德拉蒙德把不真实的诗人比作家狗,把狼比作真正的诗人,把作家比作贫困的孩子,把出版商比作奢侈的狗主人。变形人物是在巴西作家协会(ABDE)第二届大会上主演的人物的变形。最后,我们将对《溶解》这首诗进行语境解读。
{"title":"“Entre Lobo e Cão” e “Dissolução”: uma leitura Orwelliana da abertura de Claro Enigma","authors":"Cleber Ranieri Ribas de Almeida","doi":"10.5007/2176-8552.2022.e86517","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2022.e86517","url":null,"abstract":"A abertura do livro Claro Enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade, inicia-se com um pórtico enigmático intitulado “Entre Lobo e Cão”, seguido do poema “Dissolução”. A tese mais aceita entre os críticos é de que “Entre Lobo e Cão” seria um intertexto com os versos de um poema de Sá de Miranda, assim como “Dissolução” evocaria o pessimismo e o imobilismo do poeta. Neste artigo pretendo demonstrar que a correta interpretação do título da secção estaria numa crônica do próprio Drummond intitulada “Para Quem Goste de Cão” (1947), a qual, em geral, é literalmente lida como um panfleto em defesa dos cães. Nossa tese, contudo, é de que a crônica deve ser lida como uma alegoria política orwelliana na qual Drummond compara poetas inautênticos a cães domésticos, lobos a poetas autênticos, escritores a crianças carentes e editores a donos de cães de luxo. Os personagens teromorfos são transfigurações dos personagens que protagonizaram o Segundo Congresso da Associação Brasileira de Escritores (ABDE). Por fim, lançaremos mão de uma interpretação contextual do poema “Dissolução”.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-05-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"43052522","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-05-05DOI: 10.5007/2176-8552.2022.e91182
M. A. Barbosa
Em pauta, duas resenhas de Benjamin a respeito de Kommerell. Desde que Agamben se referiu ao estudioso da Literatura como um dos "raros talentos supremos entre os críticos do século XX" (2017, p. 211), esses dois textos demandam releituras. A resenha de 1928, "Wider ein Meisterwerk - zu Max Kommerell 'Der Dichter als Führer in der deutschen Klassiker'", considera que, devido à pretensão totalizadora da atitude encomiástica, o livro defende valores sociais conservadores. A resenha de 1933, "Der eingetunkte Zauberstab - zu Max Kommerells 'Jean Paul'", aquiesce quanto ao lado destrutivo do humor literário de Jean Paul Richter (1763-1825); humor que teria poupado o escritor do destino trágico de Heinrich von Kleist e de Friedrich Hölderlin e que propicia a compreensão dos modos como o registro da história se constituiu como panteão de personalidades ilustres. O mérito de Kommerell, segundo Benjamin, é o de averiguar na obra literária de Jean Paul os fenômenos que correspondiam ao êxito do idealismo das classes superiores junto às inferiores. Todavia, deplora que não tenha revelado a contribuição de Jean Paul para o desmantelamento da exigência, por parte do classicismo junto à burguesia alemã, de uma aliança com um passado feudal via educação estética e culto da bela aparência (1991, volume III, p. 415).
{"title":"Gestos e Constelações: inscritos na crítica de Walter Benjamin e Max Kommerell","authors":"M. A. Barbosa","doi":"10.5007/2176-8552.2022.e91182","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2022.e91182","url":null,"abstract":"Em pauta, duas resenhas de Benjamin a respeito de Kommerell. Desde que Agamben se referiu ao estudioso da Literatura como um dos \"raros talentos supremos entre os críticos do século XX\" (2017, p. 211), esses dois textos demandam releituras. A resenha de 1928, \"Wider ein Meisterwerk - zu Max Kommerell 'Der Dichter als Führer in der deutschen Klassiker'\", considera que, devido à pretensão totalizadora da atitude encomiástica, o livro defende valores sociais conservadores. A resenha de 1933, \"Der eingetunkte Zauberstab - zu Max Kommerells 'Jean Paul'\", aquiesce quanto ao lado destrutivo do humor literário de Jean Paul Richter (1763-1825); humor que teria poupado o escritor do destino trágico de Heinrich von Kleist e de Friedrich Hölderlin e que propicia a compreensão dos modos como o registro da história se constituiu como panteão de personalidades ilustres. O mérito de Kommerell, segundo Benjamin, é o de averiguar na obra literária de Jean Paul os fenômenos que correspondiam ao êxito do idealismo das classes superiores junto às inferiores. Todavia, deplora que não tenha revelado a contribuição de Jean Paul para o desmantelamento da exigência, por parte do classicismo junto à burguesia alemã, de uma aliança com um passado feudal via educação estética e culto da bela aparência (1991, volume III, p. 415).","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-05-05","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"49570604","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-10-03DOI: 10.5007/2176-8552.2021.e90619
Artur De Vargas Giorgi, Bairon Vélez Escallón, Flávia Scóz, Rafael Miguel Alonso Jr, Ricardo Gaiotto de Moraes
{"title":"Arquivos","authors":"Artur De Vargas Giorgi, Bairon Vélez Escallón, Flávia Scóz, Rafael Miguel Alonso Jr, Ricardo Gaiotto de Moraes","doi":"10.5007/2176-8552.2021.e90619","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2021.e90619","url":null,"abstract":"","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":"1 1","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"41881736","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-10-03DOI: 10.5007/2176-8552.2021.e86010
Lisbeth Juliana Monroy Ortiz
Este trabajo articula una lectura de algunos elementos de la poética del pintor Alejandro Obregón (Barcelona, 1920 - Cartagena, 1992) a partir de las nociones de paisaje, subjetividad y modernidad. El propósito de esta lectura es pensar la poética de Obregón como un acceso para considerar las emergencias de la modernidad en Colombia. Esta lectura dialoga críticamente con los trabajos de Marta Traba sobre la obra del pintor (1994, 2005 y 2016 [1977]). En sus ensayos, la obra de Obregón aparece como el “comienzo de la pintura moderna” en Colombia. Aunque los aportes de Traba son invaluables, en este ensayo reviso dos puntos de su lectura del trabajo de Obregón con el propósito de no reintroducir la jerarquización entre modernidades de centro y periferia, desde la que el arte latinoamericano queda perfilado como un arte epigonal. En contrapartida, desde los aportes teóricos de Ticio Escobar, Henri Meschonnic y Santiago Castro-Gómez, propongo entender las modernidades filosófica, histórica y estética europeas como modelos de racionalidad técnica, epistémica y estética que se auto postulan como centros de poder-saber que irradian sus efectos discursivos sobre las colonias/periferias, produciendo el espejismo de una jerarquía. La idea de lo barroco, tal como ha sido desarrollada por Sarduy y Mabel Moraña (que siguen a Lezama Lima), permite entender las emergencias de la modernidad en América Latina como estrategias de códigofagia que desafían las configuraciones de saber-poder eurocentradas.
{"title":"Paisajes en metamorfosis: Alejandro Obregón, lo barroco como modernidad","authors":"Lisbeth Juliana Monroy Ortiz","doi":"10.5007/2176-8552.2021.e86010","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2021.e86010","url":null,"abstract":"Este trabajo articula una lectura de algunos elementos de la poética del pintor Alejandro Obregón (Barcelona, 1920 - Cartagena, 1992) a partir de las nociones de paisaje, subjetividad y modernidad. El propósito de esta lectura es pensar la poética de Obregón como un acceso para considerar las emergencias de la modernidad en Colombia. Esta lectura dialoga críticamente con los trabajos de Marta Traba sobre la obra del pintor (1994, 2005 y 2016 [1977]). En sus ensayos, la obra de Obregón aparece como el “comienzo de la pintura moderna” en Colombia. Aunque los aportes de Traba son invaluables, en este ensayo reviso dos puntos de su lectura del trabajo de Obregón con el propósito de no reintroducir la jerarquización entre modernidades de centro y periferia, desde la que el arte latinoamericano queda perfilado como un arte epigonal. En contrapartida, desde los aportes teóricos de Ticio Escobar, Henri Meschonnic y Santiago Castro-Gómez, propongo entender las modernidades filosófica, histórica y estética europeas como modelos de racionalidad técnica, epistémica y estética que se auto postulan como centros de poder-saber que irradian sus efectos discursivos sobre las colonias/periferias, produciendo el espejismo de una jerarquía. La idea de lo barroco, tal como ha sido desarrollada por Sarduy y Mabel Moraña (que siguen a Lezama Lima), permite entender las emergencias de la modernidad en América Latina como estrategias de códigofagia que desafían las configuraciones de saber-poder eurocentradas.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"43258306","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-10-03DOI: 10.5007/2176-8552.2021.e84233
O. Kempinska
Esse artigo busca interpretar a importância da reflexão poética acerca da indústria cultural na obra de Anne Sexton. Não raramente comparada à Sylvia Plath, Sexton elabora, com efeito, uma dicção poética fortemente marcada pelo neo-surrealismo, procurando pelos elementos do discurso da indústria cultural, tais como o horóscopo, o conto maravilhoso, a linguagem das marcas. Nesse sentido, a poesia de Sexton revela também seus traços não românticos e mais atentos à poética do objeto surrealista remanescente do ready-made. A poética do horror, inerente ao caráter indizível da situação surrealista do objeto participa dessa dicção poética dilacerada pela violência simbólica. Estabelecendo uma relação com a função mágico-religiosa, a linguagem da indústria cultural reivindica também o impacto real na realidade.
{"title":"A poesia de Anne Sexton e a indústria cultural","authors":"O. Kempinska","doi":"10.5007/2176-8552.2021.e84233","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2021.e84233","url":null,"abstract":"Esse artigo busca interpretar a importância da reflexão poética acerca da indústria cultural na obra de Anne Sexton. Não raramente comparada à Sylvia Plath, Sexton elabora, com efeito, uma dicção poética fortemente marcada pelo neo-surrealismo, procurando pelos elementos do discurso da indústria cultural, tais como o horóscopo, o conto maravilhoso, a linguagem das marcas. Nesse sentido, a poesia de Sexton revela também seus traços não românticos e mais atentos à poética do objeto surrealista remanescente do ready-made. A poética do horror, inerente ao caráter indizível da situação surrealista do objeto participa dessa dicção poética dilacerada pela violência simbólica. Estabelecendo uma relação com a função mágico-religiosa, a linguagem da indústria cultural reivindica também o impacto real na realidade.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"47525134","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-10-03DOI: 10.5007/2176-8552.2021.e90618
Raúl Antelo
Em 1939, três artistas argentinos, Godofredo Iommi, Efrain Tomas Bó e Juan Raul Young junto a três brasileiros, Gerardo Melo Mourão, Abdias do Nascimiento e Napoleão Lopes Filho, planejavam viajar a Europa. Seus interesses literários conduziram-nos a criar uma irmandade poética e eles resolveram explorar as profundezas do continente para fundar uma cidade utópica. Eles ilustram de que modo a crítica latino-americana, mesmo nos anos 40, não estava disposta a aderir às categorias da filosofia europeia. Não era necessário ignorar as contribuições da cultura ocidental, mas antes induzir uma mescla entre heranças europeias e culturas milenares violentadas pela transculturação.
1939年,三位阿根廷艺术家Godofredo Iommi、Efrain Tomas Bó和Juan Raul Young,以及三位巴西人Gerardo Melo Mourão、Abdias do Nascimiento和Napoleon Lopes Filho计划前往欧洲。他们的文学兴趣使我们创造了一种诗意的兄弟情谊,他们决定探索大陆的深处,寻找一座乌托邦式的城市。它们说明了拉丁美洲的批评,即使在20世纪40年代,也不愿意坚持欧洲哲学的范畴。没有必要忽视西方文化的贡献,而是要在欧洲遗产和被跨文化侵犯的千禧一代文化之间形成混合。
{"title":"A vertigem angélica. 80 anos da geopoética de Iommi & Bó","authors":"Raúl Antelo","doi":"10.5007/2176-8552.2021.e90618","DOIUrl":"https://doi.org/10.5007/2176-8552.2021.e90618","url":null,"abstract":"Em 1939, três artistas argentinos, Godofredo Iommi, Efrain Tomas Bó e Juan Raul Young junto a três brasileiros, Gerardo Melo Mourão, Abdias do Nascimiento e Napoleão Lopes Filho, planejavam viajar a Europa. Seus interesses literários conduziram-nos a criar uma irmandade poética e eles resolveram explorar as profundezas do continente para fundar uma cidade utópica. Eles ilustram de que modo a crítica latino-americana, mesmo nos anos 40, não estava disposta a aderir às categorias da filosofia europeia. Não era necessário ignorar as contribuições da cultura ocidental, mas antes induzir uma mescla entre heranças europeias e culturas milenares violentadas pela transculturação.","PeriodicalId":31415,"journal":{"name":"Outra Travessia","volume":" ","pages":""},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-10-03","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"48645668","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-10-03DOI: 10.5007/2176-8552.2021.e84708
Larissa Costa Da Mata, Darko Suvin
Neste ensaio, o crítico iugoslavo Darko Suvin propõe, a partir do filósofo marxista Ernst Bloch, o novum como categoria determinante para se compreender a ficçãocientífica face a outros gêneros narrativos: o de Fantasia, o mítico, o conto de fadas e a ficção naturalista. O novum consistiria em um princípio que instaura uma mudança no universo do relato, analogamente à norma empírica do autor. Além disso, é um evento essencialmente histórico, na medida em que não será reconhecido como novidadeem qualquer época (o que também vale para a narrativa de ficção científica, que não é sempre considerada como tal). Aliada, portanto, à analogia, essa categoria substitui noções anteriores de Suvin como a extrapolação, a qual afirma agora ser insustentável, por essa se pautar em uma noção de futuro como tempo limitado. Por sua vez, o novummodifica a própria conexão entre as relações espaciais e temporais e se estabelece de acordo com a sua relevância. Demonstrando afinidade com a teoria marxista, o autor sugere que esse gênero narrativo se valha de uma colaboração entre as ciências humanas e as naturais, pois somente as primeiras contemplariam adequadamente amodificação dos processos históricos e das relações sociais operada pelo novum
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