Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1028
Isabella de Oliveira Santana, Antônia Quarti de Andrade, Ana Carolina Mourão Passos, Giovanna Apocalypse Souza, Hagata Lós Melchiades de Souza
Introdução: O uso de coletores menstruais tem se popularizado como uma alternativa aos produtos tradicionais de higiene menstrual. No entanto, há preocupações sobre o impacto desse método na expulsão do dispositivo intrauterino (DIU), que é amplamente utilizado como método contraceptivo eficaz. A expulsão do DIU é uma complicação conhecida e pode resultar em gravidez indesejada. Apesar de estudos recentes abordarem essa relação, os resultados são contraditórios e inconclusivos. Compreender os fatores relacionados à expulsão do DIU em usuárias de coletores menstruais é essencial para garantir a segurança e eficácia desse uso concomitante, justificando a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura existente sobre a relação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU, identificando lacunas de conhecimento para orientar pesquisas futuras. Material e métodos: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library utilizando-se os termos "DIU", "coletor menstrual" e "expulsão". Incluíram-se artigos publicados entre 2012 e 2023, em português e inglês, que abordavam a relação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU. A amostra final incluiu 6 artigos. Resultados e conclusão: Os resultados dos estudos revisados indicam uma associação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU na maioria dos casos. Três estudos relataram taxas de expulsão de 18,6, 17,3 e 3,7%. Um estudo com uma amostra de 266 mulheres mostrou que 24% das usuárias de coletores menstruais tiveram uma taxa de expulsão do DIU de 17,3%, em comparação com não usuárias. É importante destacar que o uso concomitante de coletores menstruais e DIU deve ser discutido com um médico e requer cuidados adicionais durante a remoção para evitar riscos potenciais. Mecanismos como pressão de sucção descendente aplicada ao DIU ou puxada acidental do fio durante a remoção do coletor menstrual são discutidos como possíveis causas de expulsão. A idade, anatomia pélvica, tipo de DIU e técnica de remoção do coletor menstrual também são considerados fatores importantes a serem ponderados em relação ao risco de expulsão. Apesar desses achados, são necessárias mais pesquisas, incluindo estudos randomizados, para fornecer evidências científicas mais robustas e permitir que as mulheres tomem decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva e práticas de higiene pessoal.
简介:月经收集器作为传统月经卫生产品的替代品已经流行起来。然而,人们担心这种方法对宫内节育器(iud)排出的影响,iud是一种广泛使用的有效避孕方法。宫内节育器排出是一种已知的并发症,可能导致意外怀孕。尽管最近的研究解决了这种关系,但结果是矛盾的和不确定的。了解与月经收集器使用者排出宫内节育器相关的因素对于确保同时使用宫内节育器的安全性和有效性至关重要,因此需要对这一课题进行更多的研究。摘要目的:回顾有关月经收集器使用与宫内节育器排出关系的现有文献,找出知识差距,为今后的研究提供指导。材料和方法:系统回顾Biblioteca Virtual em saude (vhl)和Cochrane Library数据库中使用的术语“宫内节育器”、“月经收集器”和“排出”的文献。包括2012年至2023年间用葡萄牙语和英语发表的文章,这些文章讨论了使用月经收集器和排出宫内节育器之间的关系。最终样本包括6个项目。结果和结论:回顾的研究结果表明,在大多数情况下,使用月经收集器和排出宫内节育器之间存在关联。有三项研究报告驱逐率分别为18.6、17.3和3.7%。一项以266名女性为样本的研究显示,24%使用月经收集器的女性宫内节育器排出率为17.3%,而非使用月经收集器的女性宫内节育器排出率为17.3%。需要强调的是,同时使用月经收集器和宫内节育器应与医生讨论,并在摘除过程中需要额外的护理,以避免潜在的风险。讨论了对宫内节育器施加向下吸力压力或在取出月经收集器时意外拉扯电线等机制,作为可能的排出原因。年龄、盆腔解剖结构、宫内节育器类型和摘除月经收集器的技术也被认为是与排泄风险相关的重要因素。尽管有这些发现,还需要更多的研究,包括随机研究,以提供更有力的科学证据,使妇女能够就其生殖健康和个人卫生做法作出知情决定。
{"title":"Impacto do uso de coletor menstrual na eficácia de dispositivos intrauterinos","authors":"Isabella de Oliveira Santana, Antônia Quarti de Andrade, Ana Carolina Mourão Passos, Giovanna Apocalypse Souza, Hagata Lós Melchiades de Souza","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1028","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1028","url":null,"abstract":"Introdução: O uso de coletores menstruais tem se popularizado como uma alternativa aos produtos tradicionais de higiene menstrual. No entanto, há preocupações sobre o impacto desse método na expulsão do dispositivo intrauterino (DIU), que é amplamente utilizado como método contraceptivo eficaz. A expulsão do DIU é uma complicação conhecida e pode resultar em gravidez indesejada. Apesar de estudos recentes abordarem essa relação, os resultados são contraditórios e inconclusivos. Compreender os fatores relacionados à expulsão do DIU em usuárias de coletores menstruais é essencial para garantir a segurança e eficácia desse uso concomitante, justificando a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura existente sobre a relação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU, identificando lacunas de conhecimento para orientar pesquisas futuras. Material e métodos: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library utilizando-se os termos \"DIU\", \"coletor menstrual\" e \"expulsão\". Incluíram-se artigos publicados entre 2012 e 2023, em português e inglês, que abordavam a relação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU. A amostra final incluiu 6 artigos. Resultados e conclusão: Os resultados dos estudos revisados indicam uma associação entre o uso de coletores menstruais e a expulsão do DIU na maioria dos casos. Três estudos relataram taxas de expulsão de 18,6, 17,3 e 3,7%. Um estudo com uma amostra de 266 mulheres mostrou que 24% das usuárias de coletores menstruais tiveram uma taxa de expulsão do DIU de 17,3%, em comparação com não usuárias. É importante destacar que o uso concomitante de coletores menstruais e DIU deve ser discutido com um médico e requer cuidados adicionais durante a remoção para evitar riscos potenciais. Mecanismos como pressão de sucção descendente aplicada ao DIU ou puxada acidental do fio durante a remoção do coletor menstrual são discutidos como possíveis causas de expulsão. A idade, anatomia pélvica, tipo de DIU e técnica de remoção do coletor menstrual também são considerados fatores importantes a serem ponderados em relação ao risco de expulsão. Apesar desses achados, são necessárias mais pesquisas, incluindo estudos randomizados, para fornecer evidências científicas mais robustas e permitir que as mulheres tomem decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva e práticas de higiene pessoal.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"142 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135595640","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1040
Juliana Nogueira da Cunha, Isabela Hartmann Santhiago Lopes, Gabriela Gribel de Almeida, Milena de Souza Fernandes, Victoria Guimarães Lopes da Costa, Maria Clara Pinheiro Rubio Carrasco, Luciana do Nascimento Silva
Objetivos: Avaliar os fatores que podem modificar o risco de câncer de mama em mulheres. Fonte de dados: Realizou-se revisão sistemática de artigos publicados nas plataformas eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO), Ebsco e UpToDate. A busca abrangeu o período de 2007 a 2019. Seleção de estudos: Selecionaram-se artigos originais e completos que abordavam o câncer de mama em mulheres e forneciam informações relevantes sobre fatores de risco. Os critérios de inclusão consideraram artigos nas línguas portuguesa e inglesa, sem restrições quanto ao período de realização dos estudos. A estratégia de busca utilizou descritores como câncer de mama, fatores de risco, fatores protetores, estilo de vida e neoplasias mamárias. Com base nessa estratégia, Selecionaram-se oito artigos que atendiam aos critérios de inclusão. Coleta de dados: A qualidade dos estudos foi avaliada de acordo com critérios estabelecidos, e apenas os estudos classificados como bons foram incluídos na análise. Os dados foram extraídos dos artigos selecionados e resumidos por meio de meta-análise. Resultados: Os estudos identificaram diversos fatores de risco associados ao desenvolvimento de câncer de mama em mulheres, incluindo características pessoais, histórico familiar e hábitos individuais. Um estudo destacou como fatores de risco o baixo nível educacional, a renda per capita reduzida e a residência em áreas rurais, que podem resultar em menor acesso à assistência de saúde e informações sobre prevenção. Além disso, observou-se relação de risco com histórico familiar de câncer de mama, idade avançada (acima de 50 anos) e fatores genéticos. O consumo de álcool foi apontado como fator de risco em dois estudos, enquanto três estudos analisaram o tabagismo como contribuinte para a doença. Perfis de mulheres pós-menopáusicas e o uso prolongado de contraceptivos orais também foram identificados como mais suscetíveis ao câncer de mama em um estudo. O sedentarismo e a obesidade foram apontados como fatores de risco em três estudos. A alimentação rica em alimentos gordurosos foi associada ao surgimento da doença em dois estudos. Por fim, um estudo indicou que histórico de abortos e amamentação por menos de um ano podem ser fatores de risco para o câncer de mama. Conclusão: Pode-se concluir que o risco de câncer de mama em mulheres pode ser modificado por uma variedade de fatores, isoladamente ou em combinação. Portanto, é evidente a importância de as mulheres realizarem o rastreamento recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, por meio de mamografias anuais a partir dos 40 anos de idade e rastreamento personalizado em mulheres com risco aumentado. A conscientização e a intervenção em fatores modificáveis podem potencialmente melhorar a evolução natural dessa doença.
{"title":"Revisão sistematizada dos fatores de risco para câncer de mama em mulheres","authors":"Juliana Nogueira da Cunha, Isabela Hartmann Santhiago Lopes, Gabriela Gribel de Almeida, Milena de Souza Fernandes, Victoria Guimarães Lopes da Costa, Maria Clara Pinheiro Rubio Carrasco, Luciana do Nascimento Silva","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1040","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1040","url":null,"abstract":"Objetivos: Avaliar os fatores que podem modificar o risco de câncer de mama em mulheres. Fonte de dados: Realizou-se revisão sistemática de artigos publicados nas plataformas eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO), Ebsco e UpToDate. A busca abrangeu o período de 2007 a 2019. Seleção de estudos: Selecionaram-se artigos originais e completos que abordavam o câncer de mama em mulheres e forneciam informações relevantes sobre fatores de risco. Os critérios de inclusão consideraram artigos nas línguas portuguesa e inglesa, sem restrições quanto ao período de realização dos estudos. A estratégia de busca utilizou descritores como câncer de mama, fatores de risco, fatores protetores, estilo de vida e neoplasias mamárias. Com base nessa estratégia, Selecionaram-se oito artigos que atendiam aos critérios de inclusão. Coleta de dados: A qualidade dos estudos foi avaliada de acordo com critérios estabelecidos, e apenas os estudos classificados como bons foram incluídos na análise. Os dados foram extraídos dos artigos selecionados e resumidos por meio de meta-análise. Resultados: Os estudos identificaram diversos fatores de risco associados ao desenvolvimento de câncer de mama em mulheres, incluindo características pessoais, histórico familiar e hábitos individuais. Um estudo destacou como fatores de risco o baixo nível educacional, a renda per capita reduzida e a residência em áreas rurais, que podem resultar em menor acesso à assistência de saúde e informações sobre prevenção. Além disso, observou-se relação de risco com histórico familiar de câncer de mama, idade avançada (acima de 50 anos) e fatores genéticos. O consumo de álcool foi apontado como fator de risco em dois estudos, enquanto três estudos analisaram o tabagismo como contribuinte para a doença. Perfis de mulheres pós-menopáusicas e o uso prolongado de contraceptivos orais também foram identificados como mais suscetíveis ao câncer de mama em um estudo. O sedentarismo e a obesidade foram apontados como fatores de risco em três estudos. A alimentação rica em alimentos gordurosos foi associada ao surgimento da doença em dois estudos. Por fim, um estudo indicou que histórico de abortos e amamentação por menos de um ano podem ser fatores de risco para o câncer de mama. Conclusão: Pode-se concluir que o risco de câncer de mama em mulheres pode ser modificado por uma variedade de fatores, isoladamente ou em combinação. Portanto, é evidente a importância de as mulheres realizarem o rastreamento recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, por meio de mamografias anuais a partir dos 40 anos de idade e rastreamento personalizado em mulheres com risco aumentado. A conscientização e a intervenção em fatores modificáveis podem potencialmente melhorar a evolução natural dessa doença.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"36 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135596757","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1051
Aline Rezende de Souza Mendes, Érica de Almeida, Lorena Moreira Couto, Rafaela Marcello Soares
Introdução: A icterícia neonatal é uma condição em que o recém-nascido apresenta coloração amarelada na pele e nas mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina. No contexto da isoimunização Rh, essa icterícia ocorre devido à transmissão de anticorpos maternos contra as hemácias do feto. O diagnóstico precoce dessa condição por meio do teste de Coombs indireto é essencial para melhorar o prognóstico do recém-nascido, permitindo um planejamento e condutas adequadas. Isso é importante para evitar complicações como a impregnação de bilirrubina no sistema nervoso central (SNC). Objetivo: Realizar uma revisão narrativa da literatura sobre o prognóstico da icterícia neonatal por isoimunização Rh diagnosticada precocemente durante a assistência pré-natal, possibilitando um planejamento terapêutico adequado. Método: Realizou-se revisão narrativa da literatura utilizando-se as bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed) e o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde de 2022. Incluíram-se artigos completos publicados entre 2012 e 2022 nos idiomas português, inglês e espanhol, relacionados ao tema. Excluíram-se publicações que não estavam diretamente relacionadas à temática. No total, 12 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Resultados: A isoimunização Rh pode causar várias complicações relacionadas à hemólise fetal, como anemia, hiperbilirrubinemia e disfunções neurológicas. A elevação da bilirrubina pode atravessar a barreira hematoencefálica imatura do feto, resultando em encefalopatia bilirrubínica aguda e kernicterus. A isoimunização Rh ocorre quando uma gestante Rh negativa produz anticorpos contra o fator Rh em um feto Rh positivo. Portanto, é necessário realizar o teste de Coombs indireto durante o pré-natal para garantir uma assistência adequada ao recém-nascido imediatamente após o parto e nas horas subsequentes. Isso inclui a administração adequada de fototerapia e monitoramento rigoroso dos níveis séricos de bilirrubina para promover sua conjugação, excreção urinária na forma de urobilinogênio e excreção fecal na forma de estercobilina, a fim de reduzir a bilirrubina indireta e diminuir as possíveis complicações, evitando intervenções mais complexas e invasivas, como a exsanguineotransfusão, que pode levar ao óbito. Conclusão: A isoimunização Rh é uma doença grave e pouco discutida. O teste de Coombs indireto é facilmente acessível e disponibilizado pelo sistema público de saúde, fornecendo um diagnóstico preciso que orienta a terapêutica e prepara a equipe de neonatologia para receber o recém-nascido com recursos adequados. É fundamental aumentar a visibilidade dessa doença, possibilitando sua detecção precoce e a adoção de medidas preventivas para reduzir o número de ocorrências.
{"title":"A influência da assistência pré-natal no prognóstico do recém-nascido com icterícia neonatal","authors":"Aline Rezende de Souza Mendes, Érica de Almeida, Lorena Moreira Couto, Rafaela Marcello Soares","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1051","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1051","url":null,"abstract":"Introdução: A icterícia neonatal é uma condição em que o recém-nascido apresenta coloração amarelada na pele e nas mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina. No contexto da isoimunização Rh, essa icterícia ocorre devido à transmissão de anticorpos maternos contra as hemácias do feto. O diagnóstico precoce dessa condição por meio do teste de Coombs indireto é essencial para melhorar o prognóstico do recém-nascido, permitindo um planejamento e condutas adequadas. Isso é importante para evitar complicações como a impregnação de bilirrubina no sistema nervoso central (SNC). Objetivo: Realizar uma revisão narrativa da literatura sobre o prognóstico da icterícia neonatal por isoimunização Rh diagnosticada precocemente durante a assistência pré-natal, possibilitando um planejamento terapêutico adequado. Método: Realizou-se revisão narrativa da literatura utilizando-se as bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed) e o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde de 2022. Incluíram-se artigos completos publicados entre 2012 e 2022 nos idiomas português, inglês e espanhol, relacionados ao tema. Excluíram-se publicações que não estavam diretamente relacionadas à temática. No total, 12 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Resultados: A isoimunização Rh pode causar várias complicações relacionadas à hemólise fetal, como anemia, hiperbilirrubinemia e disfunções neurológicas. A elevação da bilirrubina pode atravessar a barreira hematoencefálica imatura do feto, resultando em encefalopatia bilirrubínica aguda e kernicterus. A isoimunização Rh ocorre quando uma gestante Rh negativa produz anticorpos contra o fator Rh em um feto Rh positivo. Portanto, é necessário realizar o teste de Coombs indireto durante o pré-natal para garantir uma assistência adequada ao recém-nascido imediatamente após o parto e nas horas subsequentes. Isso inclui a administração adequada de fototerapia e monitoramento rigoroso dos níveis séricos de bilirrubina para promover sua conjugação, excreção urinária na forma de urobilinogênio e excreção fecal na forma de estercobilina, a fim de reduzir a bilirrubina indireta e diminuir as possíveis complicações, evitando intervenções mais complexas e invasivas, como a exsanguineotransfusão, que pode levar ao óbito. Conclusão: A isoimunização Rh é uma doença grave e pouco discutida. O teste de Coombs indireto é facilmente acessível e disponibilizado pelo sistema público de saúde, fornecendo um diagnóstico preciso que orienta a terapêutica e prepara a equipe de neonatologia para receber o recém-nascido com recursos adequados. É fundamental aumentar a visibilidade dessa doença, possibilitando sua detecção precoce e a adoção de medidas preventivas para reduzir o número de ocorrências.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"22 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135600252","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1048
Tássia Fernanda Macedo Micheli, Luiz Augusto Giordano, Sandra Maria Garcia de Almeida, Mario Vicente Giordano
Introdução: Os progestágenos são fármacos utilizados em tratamentos de reprodução assistida para fornecer suporte à fase lútea do ciclo menstrual. No entanto, recentemente tem-se proposto seu uso para inibir o pico de LH em ciclos de reprodução assistida, visando reduzir os custos do tratamento. Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar a eficácia do desogestrel (DSG) na inibição do pico de LH em ciclos de estimulação ovariana para fertilização in vitro (FIV) ou congelamento de ovócitos (CO). Além disso, busca-se comparar o uso do DSG com os antagonistas do GnRH em relação à quantidade de folículos e número de ovócitos maduros. Métodos: Realizou-se uma coorte retrospectiva, analisando os resultados de uma clínica particular e de um hospital universitário, com mulheres submetidas a estimulação ovariana controlada para FIV ou CO. Excluíram-se as mulheres que tiveram o ciclo cancelado ou que utilizaram agonistas do GnRH como método de supressão do pico de LH. O estudo incluiu 29 pacientes, divididas em dois grupos: Grupo ANT, com 14 mulheres que utilizaram antagonista do GnRH, e Grupo DSG, com 15 mulheres que utilizaram DSG na dose de 1 comprimido (75 mcg) por dia. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário. Para a análise estatística, utilizou-se o programa GraphPad Prism, versão 9.0, aplicando-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a homogeneidade dos grupos, o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas e o teste t de Student para variáveis categóricas. O nível de significância adotado foi de 95% (p<0,05). Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas na média de idade (39,1±3,6 vs 37,4±3,6), níveis de FSH antes do estímulo (8,4±4,4 vs 8,9±4,5), níveis do hormônio antimülleriano antes do estímulo (1,5±0,9 vs 1,6±1,0) e diagnóstico prévio de endometriose (3 vs 5) entre os dois grupos avaliados. Além disso, não houve diferenças significativas entre os grupos em relação ao número de folículos no dia da punção (p=0,41), número total de ovócitos (p=0,65), número de ovócitos maduros (p=0,77) e número de dias de uso de gonadotrofinas (p=0,29). Conclusão: Os resultados obtidos indicam que não houve diferença significativa entre o uso de antagonistas do GnRH e DSG nos parâmetros avaliados. Portanto, o DSG pode ser utilizado em ciclos de FIV ou CO, proporcionando resultados similares e com custo inferior.
简介:黄体酮是一种用于辅助生殖治疗的药物,为月经周期的黄体期提供支持。然而,最近有人提出使用它来抑制辅助生殖周期中黄体生成素的峰值,以降低治疗成本。摘要目的:分析去孕酮(DSG)在体外受精(ivf)或冷冻卵母细胞(oc)卵巢刺激周期中抑制黄体生成素峰值的效果。此外,我们试图比较DSG和GnRH拮抗剂在卵泡数量和成熟卵母细胞数量方面的使用。方法:实现了回顾性队列分析结果的一个私人诊所和医院接受卵巢,刺激女性体外受精或驱逐了女人对家庭有限公司取消或循环使用兴奋剂的GnRH LH峰的灭火方法。该研究包括29例患者,分为两组:ANT组14例,使用GnRH拮抗剂;DSG组15例,使用DSG 1片(75 mcg) /天。该研究得到了大学医院研究伦理委员会的批准。统计分析采用GraphPad Prism 9.0版本,采用Kolmogorov-Smirnov检验验证组的同质性,连续变量采用Mann-Whitney检验,分类变量采用学生t检验。采用的显著性水平为95% (p < 0.05)。结果:两组在平均年龄(39.1±3.6 vs 37.4±3.6)、刺激前卵泡刺激素水平(8.4±4.4 vs 8.9±4.5)、刺激前抗mullerian激素水平(1.5±0.9 vs 1.6±1.0)和既往诊断为子宫内膜异位症(3 vs 5)方面无显著差异。此外,各组间穿刺当日卵泡数(p= 0.41)、卵母细胞总数(p= 0.65)、成熟卵母细胞数(p= 0.77)和促性腺激素使用天数(p= 0.29)无显著差异。结论:结果表明GnRH拮抗剂和DSG在评价参数上无显著差异。因此,DSG可以用于体外受精或CO周期,以更低的成本提供类似的结果。
{"title":"Uso do desogestrel para inibir o pico do hormônio luteinizante em reprodução assistida","authors":"Tássia Fernanda Macedo Micheli, Luiz Augusto Giordano, Sandra Maria Garcia de Almeida, Mario Vicente Giordano","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1048","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1048","url":null,"abstract":"Introdução: Os progestágenos são fármacos utilizados em tratamentos de reprodução assistida para fornecer suporte à fase lútea do ciclo menstrual. No entanto, recentemente tem-se proposto seu uso para inibir o pico de LH em ciclos de reprodução assistida, visando reduzir os custos do tratamento. Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar a eficácia do desogestrel (DSG) na inibição do pico de LH em ciclos de estimulação ovariana para fertilização in vitro (FIV) ou congelamento de ovócitos (CO). Além disso, busca-se comparar o uso do DSG com os antagonistas do GnRH em relação à quantidade de folículos e número de ovócitos maduros. Métodos: Realizou-se uma coorte retrospectiva, analisando os resultados de uma clínica particular e de um hospital universitário, com mulheres submetidas a estimulação ovariana controlada para FIV ou CO. Excluíram-se as mulheres que tiveram o ciclo cancelado ou que utilizaram agonistas do GnRH como método de supressão do pico de LH. O estudo incluiu 29 pacientes, divididas em dois grupos: Grupo ANT, com 14 mulheres que utilizaram antagonista do GnRH, e Grupo DSG, com 15 mulheres que utilizaram DSG na dose de 1 comprimido (75 mcg) por dia. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário. Para a análise estatística, utilizou-se o programa GraphPad Prism, versão 9.0, aplicando-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a homogeneidade dos grupos, o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas e o teste t de Student para variáveis categóricas. O nível de significância adotado foi de 95% (p<0,05). Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas na média de idade (39,1±3,6 vs 37,4±3,6), níveis de FSH antes do estímulo (8,4±4,4 vs 8,9±4,5), níveis do hormônio antimülleriano antes do estímulo (1,5±0,9 vs 1,6±1,0) e diagnóstico prévio de endometriose (3 vs 5) entre os dois grupos avaliados. Além disso, não houve diferenças significativas entre os grupos em relação ao número de folículos no dia da punção (p=0,41), número total de ovócitos (p=0,65), número de ovócitos maduros (p=0,77) e número de dias de uso de gonadotrofinas (p=0,29). Conclusão: Os resultados obtidos indicam que não houve diferença significativa entre o uso de antagonistas do GnRH e DSG nos parâmetros avaliados. Portanto, o DSG pode ser utilizado em ciclos de FIV ou CO, proporcionando resultados similares e com custo inferior.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"5 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135600142","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1112
Beatriz Dinau Göbel Coelho, Isabel Cristina Chulvis do Val Guimarães, Renata do Val Guimarães, Luciana Pantaleão, Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, Caroline Alves de Oliveira Martins, Luis Guillermo Coca Velarde, Matheus Madureira Fernandes
Introdução: O líquen escleroso (LE) é uma doença cutânea crônica, inflamatória, que afeta principalmente a região vulvar e perianal, causando prurido intenso e manchas hipocrômicas, com risco de evoluir para carcinoma. O tratamento padrão para o LE é o uso contínuo de corticosteroides tópicos de alta potência. No entanto, a radiofrequência microablativa fracionada (RFFMA) tem surgido como uma opção terapêutica promissora devido à sua capacidade de melhorar o trofismo epitelial. Objetivo: Avaliar a melhora clínica e histopatológica do LE em mulheres tratadas com corticoide tópico associado à RFFMA. Métodos: Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo foi realizado no Ambulatório de Patologia Vulvar do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), com a participação de 41 mulheres (23 no grupo intervenção e 18 no grupo controle) selecionadas e randomizadas por amostragem de conveniência. Todas as participantes já haviam sido diagnosticadas com LE e estavam fazendo uso regular de corticosteroides tópicos. No grupo intervenção, foram realizadas três sessões mensais de RFFMA, enquanto no grupo controle foi simulado o procedimento. Em ambos os grupos, uma biópsia foi coletada um mês após a última sessão. As variáveis analisadas incluíram a presença e intensidade dos sinais e sintomas, características histológicas, grau de satisfação com a aparência da vulva e com o procedimento, grau de tolerabilidade, efeitos colaterais e dificuldades na execução do procedimento. A análise estatística foi realizada utilizando os testes exatos de Fisher e Mann-Whitney, considerando uma significância estatística de p<0,05. Resultados: Antes da intervenção, 28 mulheres (68,30%) apresentavam prurido, sendo 15 (65,21%) no grupo intervenção e 13 (72,22%) no grupo controle. Após o procedimento, o prurido foi identificado em 8 mulheres (34,78%) no grupo intervenção e em 12 (66,66%) no grupo controle (p<0,05). A intensidade do prurido foi considerada grave em ambos os grupos antes do procedimento (p=1). No entanto, após a RFFMA, o prurido desapareceu ou tornou-se muito suave no grupo intervenção (p<0,05). Os demais sintomas, como ardência e dispareunia, não apresentaram melhora com a RFFMA (p=0,19 e 0,72, respectivamente). Antes da intervenção, a hipocromia leve estava presente em 7 mulheres (17,07%), sendo 4 no grupo intervenção e 3 no grupo controle (16,67%); a hipocromia moderada em 12 (52,17%) e 7 (38,89%), respectivamente, e a hipocromia acentuada em 7 (30,43%) e 8 (44,44%), respectivamente. Após o procedimento, o grupo intervenção apresentou melhora significativa da hipocromia (p=0,05), bem como da atrofia, xerose e liquenificação. A melhora histopatológica foi observada em 82,60 e 72,22% dos casos nos grupos intervenção e controle, respectivamente (p<0,4). Conclusão: A adição da RFFMA ao tratamento do LE resultou em resultados clínicos superiores em comparação ao tratamento convencional, mas não foram observadas diferenças significativas na melhora
{"title":"Avaliação da melhora clínica e histopatológica do líquen escleroso vulvar em mulheres tratadas com corticosteroide tópico associado à radiofrequência microablativa fracionada","authors":"Beatriz Dinau Göbel Coelho, Isabel Cristina Chulvis do Val Guimarães, Renata do Val Guimarães, Luciana Pantaleão, Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, Caroline Alves de Oliveira Martins, Luis Guillermo Coca Velarde, Matheus Madureira Fernandes","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1112","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1112","url":null,"abstract":"Introdução: O líquen escleroso (LE) é uma doença cutânea crônica, inflamatória, que afeta principalmente a região vulvar e perianal, causando prurido intenso e manchas hipocrômicas, com risco de evoluir para carcinoma. O tratamento padrão para o LE é o uso contínuo de corticosteroides tópicos de alta potência. No entanto, a radiofrequência microablativa fracionada (RFFMA) tem surgido como uma opção terapêutica promissora devido à sua capacidade de melhorar o trofismo epitelial. Objetivo: Avaliar a melhora clínica e histopatológica do LE em mulheres tratadas com corticoide tópico associado à RFFMA. Métodos: Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo foi realizado no Ambulatório de Patologia Vulvar do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), com a participação de 41 mulheres (23 no grupo intervenção e 18 no grupo controle) selecionadas e randomizadas por amostragem de conveniência. Todas as participantes já haviam sido diagnosticadas com LE e estavam fazendo uso regular de corticosteroides tópicos. No grupo intervenção, foram realizadas três sessões mensais de RFFMA, enquanto no grupo controle foi simulado o procedimento. Em ambos os grupos, uma biópsia foi coletada um mês após a última sessão. As variáveis analisadas incluíram a presença e intensidade dos sinais e sintomas, características histológicas, grau de satisfação com a aparência da vulva e com o procedimento, grau de tolerabilidade, efeitos colaterais e dificuldades na execução do procedimento. A análise estatística foi realizada utilizando os testes exatos de Fisher e Mann-Whitney, considerando uma significância estatística de p<0,05. Resultados: Antes da intervenção, 28 mulheres (68,30%) apresentavam prurido, sendo 15 (65,21%) no grupo intervenção e 13 (72,22%) no grupo controle. Após o procedimento, o prurido foi identificado em 8 mulheres (34,78%) no grupo intervenção e em 12 (66,66%) no grupo controle (p<0,05). A intensidade do prurido foi considerada grave em ambos os grupos antes do procedimento (p=1). No entanto, após a RFFMA, o prurido desapareceu ou tornou-se muito suave no grupo intervenção (p<0,05). Os demais sintomas, como ardência e dispareunia, não apresentaram melhora com a RFFMA (p=0,19 e 0,72, respectivamente). Antes da intervenção, a hipocromia leve estava presente em 7 mulheres (17,07%), sendo 4 no grupo intervenção e 3 no grupo controle (16,67%); a hipocromia moderada em 12 (52,17%) e 7 (38,89%), respectivamente, e a hipocromia acentuada em 7 (30,43%) e 8 (44,44%), respectivamente. Após o procedimento, o grupo intervenção apresentou melhora significativa da hipocromia (p=0,05), bem como da atrofia, xerose e liquenificação. A melhora histopatológica foi observada em 82,60 e 72,22% dos casos nos grupos intervenção e controle, respectivamente (p<0,4). Conclusão: A adição da RFFMA ao tratamento do LE resultou em resultados clínicos superiores em comparação ao tratamento convencional, mas não foram observadas diferenças significativas na melhora","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"1 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650933","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1115
Luiza Oliveira Ribeiro, Ana Ximena Zunino, Priscila de Almeida Torre, Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, Isabel Cristina Chulvis do Val Guimarães, Caroline Alves de Oliveira Martins, Douglas Guedes Ferreira
Introdução: As mudanças fisiológicas ocorridas na mulher no período pós-menopausa podem ocasionar a síndrome genitourinária da menopausa (SGM), caracterizada pela atrofia da mucosa vaginal, com ressecamento e adelgaçamento, causando sintomas como ardor, irritação e falta de lubrificação, além de sintomas urinários, como disúria, noctúria e incontinência urinária. Esta afecção decorre do hipoestrogenismo, que pode causar um desequilíbrio na microbiota vaginal, uma vez que a redução da produção de glicogênio afeta as populações de Lactobacillus spp., facilitando a ação de patógenos. Atualmente, a terapia hormonal representa o padrão-ouro para o tratamento desta síndrome, porém terapias alternativas, como o laser e a radiofrequência, estão sendo desenvolvidas na tentativa de aumentar a eficácia do tratamento, assim como torná-lo acessível para mulheres com contraindicação ao uso hormonal. Objetivos: Avaliar a eficácia do tratamento da SGM com aplicação de radiofrequência fracionada microablativa (FRAXX) frente à terapêutica hormonal com estriol tópico, em relação à microbiota vaginal. Métodos: Ensaio clínico piloto, duplo-cego, randomizado, placebo controlado. Foi realizada a análise da microbiota vaginal, antes e após a intervenção proposta, em 30 mulheres diagnosticadas com SGM, divididas aleatoriamente em dois grupos. Um deles foi submetido a três sessões de FRAXX em intervalos mensais, além de receber placebo de creme vaginal (F), enquanto o outro foi tratado com aplicação de estriol tópico por 21 dias, seguido pelo uso três vezes por semana até completar três meses, também recebendo pulso mensal de placebo do FRAXX (E). Para avaliar as mudanças da microbiota vaginal foram coletados o conteúdo vaginal para citologia com coloração pelo Gram (análise das bactérias anaeróbias), cultura para fungos, cultura para bactérias aeróbias, além da pHmetria. Resultados: Após análise estatística, considerando um nível de significância de 0,05, observou-se que 60% das pacientes do grupo estriol e 46% das pacientes do grupo FRAXX apresentaram redução do pH, indicando resultados positivos com ambos os tratamentos. Entretanto, duas pacientes do grupo tratado com FRAXX exibiram aumento do pH, enquanto no grupo estriol todas as pacientes que mantiveram o pH inalterado permaneceram com este parâmetro dentro dos valores normais (menor que 5,5). O grupo estriol também apresentou maior proporção de Cândida após o tratamento. Em relação ao tipo de microbiota posteriormente, a proporção de lactobacilos foi maior para o grupo FRAXX (66,7%), e a proporção de presença de outras bactérias, mas com predomínio de lactobacilos, foi maior para o estriol (46,6%). Os demais parâmetros analisados, como a contagem de células profundas e as características da microbiota, não demonstraram diferença entre os grupos. Conclusão: Houve melhora dos parâmetros analisados quanto à microbiota vaginal na intervenção com FRAXX, porém sem mostrar superioridade em relação ao uso do estriol tópico
{"title":"Ensaio clínico para avaliação da microbiota vaginal antes e após o tratamento da síndrome genitourinária da menopausa com FRAXX, em comparação com terapias hormonais","authors":"Luiza Oliveira Ribeiro, Ana Ximena Zunino, Priscila de Almeida Torre, Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, Isabel Cristina Chulvis do Val Guimarães, Caroline Alves de Oliveira Martins, Douglas Guedes Ferreira","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1115","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1115","url":null,"abstract":"Introdução: As mudanças fisiológicas ocorridas na mulher no período pós-menopausa podem ocasionar a síndrome genitourinária da menopausa (SGM), caracterizada pela atrofia da mucosa vaginal, com ressecamento e adelgaçamento, causando sintomas como ardor, irritação e falta de lubrificação, além de sintomas urinários, como disúria, noctúria e incontinência urinária. Esta afecção decorre do hipoestrogenismo, que pode causar um desequilíbrio na microbiota vaginal, uma vez que a redução da produção de glicogênio afeta as populações de Lactobacillus spp., facilitando a ação de patógenos. Atualmente, a terapia hormonal representa o padrão-ouro para o tratamento desta síndrome, porém terapias alternativas, como o laser e a radiofrequência, estão sendo desenvolvidas na tentativa de aumentar a eficácia do tratamento, assim como torná-lo acessível para mulheres com contraindicação ao uso hormonal. Objetivos: Avaliar a eficácia do tratamento da SGM com aplicação de radiofrequência fracionada microablativa (FRAXX) frente à terapêutica hormonal com estriol tópico, em relação à microbiota vaginal. Métodos: Ensaio clínico piloto, duplo-cego, randomizado, placebo controlado. Foi realizada a análise da microbiota vaginal, antes e após a intervenção proposta, em 30 mulheres diagnosticadas com SGM, divididas aleatoriamente em dois grupos. Um deles foi submetido a três sessões de FRAXX em intervalos mensais, além de receber placebo de creme vaginal (F), enquanto o outro foi tratado com aplicação de estriol tópico por 21 dias, seguido pelo uso três vezes por semana até completar três meses, também recebendo pulso mensal de placebo do FRAXX (E). Para avaliar as mudanças da microbiota vaginal foram coletados o conteúdo vaginal para citologia com coloração pelo Gram (análise das bactérias anaeróbias), cultura para fungos, cultura para bactérias aeróbias, além da pHmetria. Resultados: Após análise estatística, considerando um nível de significância de 0,05, observou-se que 60% das pacientes do grupo estriol e 46% das pacientes do grupo FRAXX apresentaram redução do pH, indicando resultados positivos com ambos os tratamentos. Entretanto, duas pacientes do grupo tratado com FRAXX exibiram aumento do pH, enquanto no grupo estriol todas as pacientes que mantiveram o pH inalterado permaneceram com este parâmetro dentro dos valores normais (menor que 5,5). O grupo estriol também apresentou maior proporção de Cândida após o tratamento. Em relação ao tipo de microbiota posteriormente, a proporção de lactobacilos foi maior para o grupo FRAXX (66,7%), e a proporção de presença de outras bactérias, mas com predomínio de lactobacilos, foi maior para o estriol (46,6%). Os demais parâmetros analisados, como a contagem de células profundas e as características da microbiota, não demonstraram diferença entre os grupos. Conclusão: Houve melhora dos parâmetros analisados quanto à microbiota vaginal na intervenção com FRAXX, porém sem mostrar superioridade em relação ao uso do estriol tópico","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"34 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650934","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1036
Marina Albernaz Nunes, Vivianne Andreis Grigolo, Rosana Mara da Silva, Matheus de Lima Kauling, Letícia Golferari Inheguez
Introdução: Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo de útero é o 3º câncer mais comum no Brasil entre as mulheres, e sua incidência no município de Jaraguá do Sul (SC), em 2021, foi de 4,09% da população feminina entre 18 e 90 anos. Essa doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas diversos, tornando a realização do exame preventivo, a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o conhecimento dos sinais e sintomas essenciais para o diagnóstico e tratamento precoce, fatores cruciais para a melhoria do prognóstico e aumento das chances de cura. Diante desse contexto, estudantes de Medicina do 2º semestre desenvolveram um projeto em parceria com a Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia para conscientizar, promover e prevenir o câncer de colo de útero. Objetivos: O principal objetivo do projeto foi conscientizar os estudantes de Medicina e a população em geral sobre a importância da prevenção do câncer de colo de útero. Acredita-se que profissionais de saúde bem-informados e uma sociedade capacitada a disseminar informações corretas contribuem para a detecção precoce da doença, reduzindo sua morbimortalidade e trazendo benefícios para a população. Além disso, como objetivo específico, buscou-se compartilhar as informações de forma clara e objetiva. Metodologia: O estudo utilizou abordagem teórico-prática e qualitativa, adotando o tipo de pesquisa-ação. Utilizaram-se materiais como banners, informativos e enquetes nas redes sociais (Instagram) para avaliar o conhecimento da população em geral e dos estudantes na área da saúde sobre o câncer de colo de útero. Para a divulgação de informações, realizou-se transmissão ao vivo (live) no Instagram com uma profissional da área de ginecologia e obstetrícia, a fim de esclarecer dúvidas e abordar o tema. Além disso, ministrou-se uma aula em parceria com a Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Jaraguá do Sul, na qual profissionais de saúde qualificados abordaram a importância da coleta do exame preventivo (Papanicolau) para a detecção precoce do câncer de colo de útero. Resultados: Durante a intervenção em Educação em Saúde, que ocorreu de fevereiro a junho de 2021, os alunos do 2º semestre de Medicina conseguiram alcançar um total de 1.021 indivíduos, incluindo estudantes, profissionais da saúde e a comunidade em geral. A disseminação dessas informações foi benéfica para os acadêmicos de Medicina e profissionais da saúde, proporcionando uma melhor compreensão das condutas e orientações a serem adotadas no cuidado dos pacientes. Na comunidade, a divulgação das informações foi útil para que as pessoas fiquem atentas aos primeiros sinais de alerta e busquem a orientação de profissionais de saúde qualificados, assim como a realização de exames periódicos para diagnóstico precoce. Conclusão: A metodologia adotada no projeto demonstrou ser abrangente, atingindo grande público e promovendo a conscientização e prevenção do câncer de colo de út
简介:根据国家癌症研究所(印加)的数据,宫颈癌是巴西妇女中第三常见的癌症,2021年jaragua do Sul (SC)市的发病率为18至90岁女性人口的4.09%。这种疾病可能无症状或有多种症状,因此进行预防性检查、接种人类乳头瘤病毒(HPV)疫苗以及了解体征和症状对诊断和早期治疗至关重要,是改善预后和增加治愈机会的关键因素。在此背景下,第二学期的医学生与妇产科学术联盟合作开发了一个项目,以提高人们对宫颈癌的认识、促进和预防。目的:该项目的主要目标是提高医学生和一般人群对预防宫颈癌重要性的认识。人们认为,消息灵通的保健专业人员和能够传播正确信息的社会有助于及早发现疾病,降低其发病率和死亡率,并为人口带来好处。此外,作为一个具体目标,我们寻求以清晰和客观的方式分享信息。方法:本研究采用理论-实践和定性的方法,采用行动研究的类型。我们使用横幅、新闻和社交网络(Instagram)上的调查等材料来评估一般人群和学生在健康领域对宫颈癌的知识。为了传播信息,我们在Instagram上与妇产科领域的专业人士进行了直播,以澄清疑问并解决问题。此外,还与jaragua do Sul医学院的妇产科学术联盟合作举办了一门课程,合格的保健专业人员在课程中讨论了收集预防性检查(巴氏涂片检查)对早期发现宫颈癌的重要性。结果:在2021年2月至6月进行的健康教育干预中,第二学期医学学生共接触了1021人,包括学生、卫生专业人员和整个社区。这些信息的传播有利于医学学者和卫生专业人员,使他们更好地了解在病人护理中应采取的行为和指导方针。在社区内,信息的传播有助于使人们注意到第一个警告信号,并寻求合格保健专业人员的指导,以及进行定期检查以进行早期诊断。结论:该项目采用的方法是全面的,面向广大公众,提高社会和学术界对宫颈癌的认识和预防。传播关于预防宫颈癌重要性的信息对于降低与该疾病有关的发病率和死亡率至关重要。
{"title":"Projeto de conscientização sobre o câncer de colo de útero em uma instituição médica de ensino em Jaraguá do Sul (SC)","authors":"Marina Albernaz Nunes, Vivianne Andreis Grigolo, Rosana Mara da Silva, Matheus de Lima Kauling, Letícia Golferari Inheguez","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1036","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1036","url":null,"abstract":"Introdução: Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo de útero é o 3º câncer mais comum no Brasil entre as mulheres, e sua incidência no município de Jaraguá do Sul (SC), em 2021, foi de 4,09% da população feminina entre 18 e 90 anos. Essa doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas diversos, tornando a realização do exame preventivo, a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o conhecimento dos sinais e sintomas essenciais para o diagnóstico e tratamento precoce, fatores cruciais para a melhoria do prognóstico e aumento das chances de cura. Diante desse contexto, estudantes de Medicina do 2º semestre desenvolveram um projeto em parceria com a Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia para conscientizar, promover e prevenir o câncer de colo de útero. Objetivos: O principal objetivo do projeto foi conscientizar os estudantes de Medicina e a população em geral sobre a importância da prevenção do câncer de colo de útero. Acredita-se que profissionais de saúde bem-informados e uma sociedade capacitada a disseminar informações corretas contribuem para a detecção precoce da doença, reduzindo sua morbimortalidade e trazendo benefícios para a população. Além disso, como objetivo específico, buscou-se compartilhar as informações de forma clara e objetiva. Metodologia: O estudo utilizou abordagem teórico-prática e qualitativa, adotando o tipo de pesquisa-ação. Utilizaram-se materiais como banners, informativos e enquetes nas redes sociais (Instagram) para avaliar o conhecimento da população em geral e dos estudantes na área da saúde sobre o câncer de colo de útero. Para a divulgação de informações, realizou-se transmissão ao vivo (live) no Instagram com uma profissional da área de ginecologia e obstetrícia, a fim de esclarecer dúvidas e abordar o tema. Além disso, ministrou-se uma aula em parceria com a Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Jaraguá do Sul, na qual profissionais de saúde qualificados abordaram a importância da coleta do exame preventivo (Papanicolau) para a detecção precoce do câncer de colo de útero. Resultados: Durante a intervenção em Educação em Saúde, que ocorreu de fevereiro a junho de 2021, os alunos do 2º semestre de Medicina conseguiram alcançar um total de 1.021 indivíduos, incluindo estudantes, profissionais da saúde e a comunidade em geral. A disseminação dessas informações foi benéfica para os acadêmicos de Medicina e profissionais da saúde, proporcionando uma melhor compreensão das condutas e orientações a serem adotadas no cuidado dos pacientes. Na comunidade, a divulgação das informações foi útil para que as pessoas fiquem atentas aos primeiros sinais de alerta e busquem a orientação de profissionais de saúde qualificados, assim como a realização de exames periódicos para diagnóstico precoce. Conclusão: A metodologia adotada no projeto demonstrou ser abrangente, atingindo grande público e promovendo a conscientização e prevenção do câncer de colo de út","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"24 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135595611","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1068
Giulia de Souza Bianco, Wallace Mendes da Silva, Nina Feital Montezzi, Isabella Vilhena Cerviño, Bianca de Avila Lima
Introdução: A doença renal crônica (DRC) durante a gestação não é muito frequente, pois as alterações metabólicas da DRC podem afetar a função reprodutiva. A concepção no contexto da DRC aumenta a chance de progressão da doença, pré-eclâmpsia (PE), piora da hipertensão pré-gestacional, anemia, aumento do índice de cesariana e perda gestacional, além do risco de complicações fetais, tais como crescimento intrauterino restrito (CIUR), prematuridade e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Relato de caso: Paciente de 37 anos, solteira, parda, G5P1 (natimorto) A3 (precoces), portadora de DRC desde os 18 anos, em hemodiálise, hipertensão arterial sistêmica crônica (HAC), cardiopatia reumática com estenose mitral leve/moderada, iniciou o pré-natal no 1° trimestre e estava em uso de metoprolol, diltiazem, hidralazina, clonidina, sulfato ferroso, eritropoietina, ácido fólico, AAS e enoxaparina. Internou com 13 semanas e 4 dias de gestação por descompensação da HAC e da anemia crônica, recebeu alta hospitalar após hemotransfusão e estabilização clínica. Reinternou com 18 semanas e 3 dias de gestação com sangramento vaginal intermitente e descontrole pressórico. Em avaliação ultrassonográfica, foi identificada imagem sugestiva de implantação marginal da placenta e a gestante foi liberada para acompanhamento ambulatorial após estabilização da pressão arterial e interrupção do sangramento. Reinternou pela terceira vez com 24 semanas de gestação por perda vaginal de líquido escuro, em grande quantidade, com o diagnóstico clínico de rotura prematura das membranas ovulares (RPMO), iniciou antibioticoterapia de latência, feito rastreio infeccioso, administração de betametasona para aceleração da maturidade fetal, além de orientação quanto à gravidade do quadro e risco de prematuridade. Permaneceu internada e, com 25 semanas e 5 dias de gestação, iniciou trabalho de parto espontâneo com evolução rápida para o período expulsivo, dando à luz nativivo do sexo feminino por via vaginal, pesando 595 g, Apgar 0/3/5. A recém-nascida foi acompanhada na UTIN devido à prematuridade e suas complicações, recebendo alta após 6 meses. A paciente não apresentou complicações no puerpério e recebeu alta para seguimento ambulatorial. Comentários: Trata-se de uma gestante com DRC terminal, história de quatro perdas gestacionais e que, na quinta gestação, foi acompanhada em um serviço especializado em alto risco inserido em um hospital geral com diversas especialidades médicas e equipe multidisciplinar. No contexto da gravidade do caso, a paciente conseguiu completar 25 semanas, dando à luz RN nativivo. O acompanhamento durante o pré-natal de casos de tal complexidade deve visar o controle clínico da doença de base, das comorbidades e dos fatores de risco para complicações (hipertensão arterial, anemia, proteinúria, cardiopatia, dislipidemia, diabetes), além do adequado monitoramento do bem-estar fetal, a fim de reduzir a morbimortalidade materno-i
{"title":"Doença renal crônica em estágio terminal e gestação: relato de caso","authors":"Giulia de Souza Bianco, Wallace Mendes da Silva, Nina Feital Montezzi, Isabella Vilhena Cerviño, Bianca de Avila Lima","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1068","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1068","url":null,"abstract":"Introdução: A doença renal crônica (DRC) durante a gestação não é muito frequente, pois as alterações metabólicas da DRC podem afetar a função reprodutiva. A concepção no contexto da DRC aumenta a chance de progressão da doença, pré-eclâmpsia (PE), piora da hipertensão pré-gestacional, anemia, aumento do índice de cesariana e perda gestacional, além do risco de complicações fetais, tais como crescimento intrauterino restrito (CIUR), prematuridade e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Relato de caso: Paciente de 37 anos, solteira, parda, G5P1 (natimorto) A3 (precoces), portadora de DRC desde os 18 anos, em hemodiálise, hipertensão arterial sistêmica crônica (HAC), cardiopatia reumática com estenose mitral leve/moderada, iniciou o pré-natal no 1° trimestre e estava em uso de metoprolol, diltiazem, hidralazina, clonidina, sulfato ferroso, eritropoietina, ácido fólico, AAS e enoxaparina. Internou com 13 semanas e 4 dias de gestação por descompensação da HAC e da anemia crônica, recebeu alta hospitalar após hemotransfusão e estabilização clínica. Reinternou com 18 semanas e 3 dias de gestação com sangramento vaginal intermitente e descontrole pressórico. Em avaliação ultrassonográfica, foi identificada imagem sugestiva de implantação marginal da placenta e a gestante foi liberada para acompanhamento ambulatorial após estabilização da pressão arterial e interrupção do sangramento. Reinternou pela terceira vez com 24 semanas de gestação por perda vaginal de líquido escuro, em grande quantidade, com o diagnóstico clínico de rotura prematura das membranas ovulares (RPMO), iniciou antibioticoterapia de latência, feito rastreio infeccioso, administração de betametasona para aceleração da maturidade fetal, além de orientação quanto à gravidade do quadro e risco de prematuridade. Permaneceu internada e, com 25 semanas e 5 dias de gestação, iniciou trabalho de parto espontâneo com evolução rápida para o período expulsivo, dando à luz nativivo do sexo feminino por via vaginal, pesando 595 g, Apgar 0/3/5. A recém-nascida foi acompanhada na UTIN devido à prematuridade e suas complicações, recebendo alta após 6 meses. A paciente não apresentou complicações no puerpério e recebeu alta para seguimento ambulatorial. Comentários: Trata-se de uma gestante com DRC terminal, história de quatro perdas gestacionais e que, na quinta gestação, foi acompanhada em um serviço especializado em alto risco inserido em um hospital geral com diversas especialidades médicas e equipe multidisciplinar. No contexto da gravidade do caso, a paciente conseguiu completar 25 semanas, dando à luz RN nativivo. O acompanhamento durante o pré-natal de casos de tal complexidade deve visar o controle clínico da doença de base, das comorbidades e dos fatores de risco para complicações (hipertensão arterial, anemia, proteinúria, cardiopatia, dislipidemia, diabetes), além do adequado monitoramento do bem-estar fetal, a fim de reduzir a morbimortalidade materno-i","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"143 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135600104","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1046
Dandhara Martins Rebello, Kelly Paiva Guimaraes Silveira, Ana Luiza dos Santos, Alice Ramalho Gomes
Introdução: A adolescência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), abrange a faixa etária dos 10 aos 19 anos e é um período marcado por grandes transformações psicológicas, sociais e físicas. A gravidez na adolescência é uma questão de saúde pública, uma vez que cada vez mais mulheres engravidam precocemente, principalmente durante a adolescência. Isso acarreta sérios riscos tanto para a mãe quanto para o feto, além de afetar a educação da adolescente, modificar suas perspectivas futuras e resultar em altas taxas de morbidade e mortalidade, bem como altos custos sociais. Objetivo: Apresentar os métodos contraceptivos de longa duração disponíveis no mercado atualmente para adolescentes, a fim de aumentar o conhecimento sobre os LARCs (long-acting reversible contraception) e reduzir os riscos e as taxas de gravidez não planejada nesse grupo de mulheres. Material e métodos: Realizou-se uma revisão sistemática retrospectiva da literatura utilizando-se os principais bancos de dados online. Foram abordados artigos científicos nacionais e internacionais que discutem as repercussões na saúde das adolescentes decorrentes da gravidez precoce e como prevenir essa situação por meio do uso de LARCs. Resultados e conclusão: O uso de métodos contraceptivos de longa duração contribui para prevenir a gravidez indesejada, porém é necessário que sejam utilizados corretamente e que haja ampla divulgação sobre eles. Os LARCs, que incluem dispositivos intrauterinos e implantes subdérmicos, foram desenvolvidos para auxiliar as mulheres no planejamento da gravidez, oferecendo facilidades em relação ao uso diário contínuo, como no caso das pílulas anticoncepcionais. Devido aos riscos maternos e fetais associados à gravidez na adolescência, é importante analisar os métodos de prevenção, a fim de compreender melhor o uso dos LARCs em adolescentes e implementar medidas profiláticas e terapêuticas para reduzir a morbimortalidade materna e fetal nesse grupo de jovens.
{"title":"Uso de métodos contraceptivos reversíveis de longa duração em adolescentes","authors":"Dandhara Martins Rebello, Kelly Paiva Guimaraes Silveira, Ana Luiza dos Santos, Alice Ramalho Gomes","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1046","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1046","url":null,"abstract":"Introdução: A adolescência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), abrange a faixa etária dos 10 aos 19 anos e é um período marcado por grandes transformações psicológicas, sociais e físicas. A gravidez na adolescência é uma questão de saúde pública, uma vez que cada vez mais mulheres engravidam precocemente, principalmente durante a adolescência. Isso acarreta sérios riscos tanto para a mãe quanto para o feto, além de afetar a educação da adolescente, modificar suas perspectivas futuras e resultar em altas taxas de morbidade e mortalidade, bem como altos custos sociais. Objetivo: Apresentar os métodos contraceptivos de longa duração disponíveis no mercado atualmente para adolescentes, a fim de aumentar o conhecimento sobre os LARCs (long-acting reversible contraception) e reduzir os riscos e as taxas de gravidez não planejada nesse grupo de mulheres. Material e métodos: Realizou-se uma revisão sistemática retrospectiva da literatura utilizando-se os principais bancos de dados online. Foram abordados artigos científicos nacionais e internacionais que discutem as repercussões na saúde das adolescentes decorrentes da gravidez precoce e como prevenir essa situação por meio do uso de LARCs. Resultados e conclusão: O uso de métodos contraceptivos de longa duração contribui para prevenir a gravidez indesejada, porém é necessário que sejam utilizados corretamente e que haja ampla divulgação sobre eles. Os LARCs, que incluem dispositivos intrauterinos e implantes subdérmicos, foram desenvolvidos para auxiliar as mulheres no planejamento da gravidez, oferecendo facilidades em relação ao uso diário contínuo, como no caso das pílulas anticoncepcionais. Devido aos riscos maternos e fetais associados à gravidez na adolescência, é importante analisar os métodos de prevenção, a fim de compreender melhor o uso dos LARCs em adolescentes e implementar medidas profiláticas e terapêuticas para reduzir a morbimortalidade materna e fetal nesse grupo de jovens.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"31 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135600478","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1097
Isabelle Gamberoni Assumpção, Ana Paula V. S. Esteves
Introdução: Os distúrbios hipertensivos são a maior causa de mortalidade materna. Estes estão associados a graves morbidades e ao maior desenvolvimento e morte por doença cardiovascular, além de complicações fetais. Um grupo de fatores de médio e alto risco está intimamente relacionado; identificando-os, a profilaxia e o diagnóstico precoce podem ser mais efetivos e gerar melhores desfechos. Objetivo: Analisar a população de grávidas diagnosticadas com hipertensão no hospital universitário. Métodos: Pesquisa quantitativa, retrospectiva, descritiva e analítica. Analisaram-se todas as internações obstétricas em 2019 e selecionaram-se casos de hipertensão. Em uma amostra de 1.485 internações, totalizaram 154 (10,4%) com tal diagnóstico. O projeto atendeu às Resoluções nº 466/12 e nº 530/19, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob CAAE nº 30255320.0.0000.5247. Resultados: A faixa etária média esteve em 28,6 anos. São brancas 50,6% (78); pardas 33% (51) e pretas 11% (17). A respeito da classificação, 60% (91) é referente à pré-eclâmpsia (PE) e 26% (39) dos diagnósticos foram de PE sobreposta, sendo 2,6% (4) HELLP. Quanto aos antecedentes obstétricos, 22,7% (35) têm história de perda, sendo 19% (29) aborto prévio e 4,5% (7) natimortos; 0,65% (1) tem história de trombofilia; 0,65% (1) tem antecedente de descolamento prematuro de placenta. Ademais, 9,7% (15) tem PE prévia e 0,65% (1) história familiar positiva para tal. Sobre a gravidez atual, 28,5% (44) eram primíparas, têm hipertensão crônica 28,5% (44); nefropatia 0,65% (1); 0,65% (1) tem trombofilia; 0,65% (1) possuíram gravidez múltipla; 1,95% (3) eram diabéticas prévias; 16,8% (26) desenvolveram na gestação; 5,8% (9) eram obesas; 20,1% (31) tinham mais de 35 anos e 7,8% (12) menos de 19. A via de parto mais prevalente foi a cesárea, totalizando 62,33% (96). Foram identificadas 4,5% (7) puérperas. Conclusão: O estudo permitiu caracterizar a incidência e o perfil das gestantes, relacionando-os com as características sociodemográficas, obstétricas, complicações, desfecho fetal e materno. Dentro da população amostral estudada, 75% (116) apresentou, pelo menos, um fator de risco na história epidemiológica, patológica ou obstétrica. Em relação à saúde pública, ressalta-se a necessidade de maior atenção às doenças não transmissíveis, bem como deve-se lançar mão de iniciativas que aumentem a conscientização para que o pré-natal tenha início precoce. Destaca-se a importância da capacitação dos profissionais da atenção primária sobre avaliação de risco, precisa medição da pressão, aconselhamento e garantia de disponibilidade de aspirina, bem como sua adesão. Enfatiza-se que o near miss deve ter cada vez mais destaque para que sejam detectados de forma precoce. Do mesmo modo, deve-se valorizar o aconselhamento sobre gestações futuras, uma vez que em caso de HELLP, o risco de recorrência é de até 27%, e se a gestação terminou antes de 32 semanas, o risco na gestação subsequente é de até 61%.
{"title":"Perfil das pacientes com pré-eclâmpsia em um hospital universitário","authors":"Isabelle Gamberoni Assumpção, Ana Paula V. S. Esteves","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1097","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1097","url":null,"abstract":"Introdução: Os distúrbios hipertensivos são a maior causa de mortalidade materna. Estes estão associados a graves morbidades e ao maior desenvolvimento e morte por doença cardiovascular, além de complicações fetais. Um grupo de fatores de médio e alto risco está intimamente relacionado; identificando-os, a profilaxia e o diagnóstico precoce podem ser mais efetivos e gerar melhores desfechos. Objetivo: Analisar a população de grávidas diagnosticadas com hipertensão no hospital universitário. Métodos: Pesquisa quantitativa, retrospectiva, descritiva e analítica. Analisaram-se todas as internações obstétricas em 2019 e selecionaram-se casos de hipertensão. Em uma amostra de 1.485 internações, totalizaram 154 (10,4%) com tal diagnóstico. O projeto atendeu às Resoluções nº 466/12 e nº 530/19, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob CAAE nº 30255320.0.0000.5247. Resultados: A faixa etária média esteve em 28,6 anos. São brancas 50,6% (78); pardas 33% (51) e pretas 11% (17). A respeito da classificação, 60% (91) é referente à pré-eclâmpsia (PE) e 26% (39) dos diagnósticos foram de PE sobreposta, sendo 2,6% (4) HELLP. Quanto aos antecedentes obstétricos, 22,7% (35) têm história de perda, sendo 19% (29) aborto prévio e 4,5% (7) natimortos; 0,65% (1) tem história de trombofilia; 0,65% (1) tem antecedente de descolamento prematuro de placenta. Ademais, 9,7% (15) tem PE prévia e 0,65% (1) história familiar positiva para tal. Sobre a gravidez atual, 28,5% (44) eram primíparas, têm hipertensão crônica 28,5% (44); nefropatia 0,65% (1); 0,65% (1) tem trombofilia; 0,65% (1) possuíram gravidez múltipla; 1,95% (3) eram diabéticas prévias; 16,8% (26) desenvolveram na gestação; 5,8% (9) eram obesas; 20,1% (31) tinham mais de 35 anos e 7,8% (12) menos de 19. A via de parto mais prevalente foi a cesárea, totalizando 62,33% (96). Foram identificadas 4,5% (7) puérperas. Conclusão: O estudo permitiu caracterizar a incidência e o perfil das gestantes, relacionando-os com as características sociodemográficas, obstétricas, complicações, desfecho fetal e materno. Dentro da população amostral estudada, 75% (116) apresentou, pelo menos, um fator de risco na história epidemiológica, patológica ou obstétrica. Em relação à saúde pública, ressalta-se a necessidade de maior atenção às doenças não transmissíveis, bem como deve-se lançar mão de iniciativas que aumentem a conscientização para que o pré-natal tenha início precoce. Destaca-se a importância da capacitação dos profissionais da atenção primária sobre avaliação de risco, precisa medição da pressão, aconselhamento e garantia de disponibilidade de aspirina, bem como sua adesão. Enfatiza-se que o near miss deve ter cada vez mais destaque para que sejam detectados de forma precoce. Do mesmo modo, deve-se valorizar o aconselhamento sobre gestações futuras, uma vez que em caso de HELLP, o risco de recorrência é de até 27%, e se a gestação terminou antes de 32 semanas, o risco na gestação subsequente é de até 61%.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"7 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135649097","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}