Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1012
Marcelle Alves Torres da Silva, Anna Clara Coelho da Rocha Silva, Débora Chaves Lobo de Melo, Lucas Dalsenter Romano da Silva, Beatriz de Oliveira e Castro, Laura Reis Paz, Maria Eduarda Madeira El Khouri
Introdução: A laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico de esterilização feminina definitiva, com uma taxa de falha (índice de Pearl) de 0,1–0,3 a cada 100 mulheres por ano. A opção de realizar a laqueadura durante uma cesariana é uma escolha para mulheres que desejam evitar gestações futuras e já têm indicação de passar por um parto cesáreo. Nesses casos, a laqueadura é realizada durante o mesmo procedimento cirúrgico, evitando a necessidade de uma intervenção adicional invasiva no pós-parto. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução do número de partos cesáreos com laqueadura e sua distribuição nas regiões brasileiras, além de analisar a média de permanência hospitalar e a taxa de letalidade associada ao procedimento. Métodos: Realizou-se estudo transversal seriado relacionado aos partos cesáreos com laqueadura tubária realizados no Brasil entre janeiro de 2016 e dezembro de 2022. Os dados foram coletados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), disponível no site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As variáveis selecionadas foram: parto cesáreo com laqueadura tubária, autorizações de internação hospitalar (AIH), média de permanência e número de óbitos. Resultados: Durante o período de estudo, realizaram-se 285.565 partos cesáreos com laqueadura no Brasil. A Região Sudeste concentrou a maioria dos casos (47,09%), seguida por Nordeste (19,94%), Centro-Oeste (12,20%), Norte (10,61%) e Sul (10,14%). Observou-se um aumento progressivo no número de AIH, com taxa de crescimento de 81,07% entre 2016 e 2022. Nos últimos 6 anos, registraram-se 99 óbitos relacionados ao procedimento, totalizando uma taxa de letalidade de 0,03%. A média de permanência hospitalar para as puérperas após o parto cesáreo com laqueadura tubária foi de 2,7 dias. Conclusão: Observou-se expressivo aumento no número de esterilizações nos últimos 6 anos, o que pode ser justificado por diversos fatores, como mudanças culturais e dinâmicas familiares no Brasil. Os procedimentos foram concentrados principalmente na Região Sudeste, que tem a maior densidade demográfica do país e abriga grandes metrópoles. Além disso, constatou-se baixa taxa de letalidade associada ao procedimento, assim como média de permanência hospitalar semelhante à do parto cesáreo sem laqueadura, indicando que, em média, não há alteração no prognóstico para as mulheres que optam pela laqueadura periparto. No entanto, é importante lembrar que a laqueadura é um procedimento com altas taxas de insucesso na reversão, devendo ser considerada com cautela e discutida em conjunto com um médico especialista para esclarecer todas as dúvidas sobre o procedimento.
{"title":"Análise quantitativa acerca da realização de parto cesáreo com laqueadura tubária no Brasi","authors":"Marcelle Alves Torres da Silva, Anna Clara Coelho da Rocha Silva, Débora Chaves Lobo de Melo, Lucas Dalsenter Romano da Silva, Beatriz de Oliveira e Castro, Laura Reis Paz, Maria Eduarda Madeira El Khouri","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1012","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1012","url":null,"abstract":"Introdução: A laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico de esterilização feminina definitiva, com uma taxa de falha (índice de Pearl) de 0,1–0,3 a cada 100 mulheres por ano. A opção de realizar a laqueadura durante uma cesariana é uma escolha para mulheres que desejam evitar gestações futuras e já têm indicação de passar por um parto cesáreo. Nesses casos, a laqueadura é realizada durante o mesmo procedimento cirúrgico, evitando a necessidade de uma intervenção adicional invasiva no pós-parto. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução do número de partos cesáreos com laqueadura e sua distribuição nas regiões brasileiras, além de analisar a média de permanência hospitalar e a taxa de letalidade associada ao procedimento. Métodos: Realizou-se estudo transversal seriado relacionado aos partos cesáreos com laqueadura tubária realizados no Brasil entre janeiro de 2016 e dezembro de 2022. Os dados foram coletados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), disponível no site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As variáveis selecionadas foram: parto cesáreo com laqueadura tubária, autorizações de internação hospitalar (AIH), média de permanência e número de óbitos. Resultados: Durante o período de estudo, realizaram-se 285.565 partos cesáreos com laqueadura no Brasil. A Região Sudeste concentrou a maioria dos casos (47,09%), seguida por Nordeste (19,94%), Centro-Oeste (12,20%), Norte (10,61%) e Sul (10,14%). Observou-se um aumento progressivo no número de AIH, com taxa de crescimento de 81,07% entre 2016 e 2022. Nos últimos 6 anos, registraram-se 99 óbitos relacionados ao procedimento, totalizando uma taxa de letalidade de 0,03%. A média de permanência hospitalar para as puérperas após o parto cesáreo com laqueadura tubária foi de 2,7 dias. Conclusão: Observou-se expressivo aumento no número de esterilizações nos últimos 6 anos, o que pode ser justificado por diversos fatores, como mudanças culturais e dinâmicas familiares no Brasil. Os procedimentos foram concentrados principalmente na Região Sudeste, que tem a maior densidade demográfica do país e abriga grandes metrópoles. Além disso, constatou-se baixa taxa de letalidade associada ao procedimento, assim como média de permanência hospitalar semelhante à do parto cesáreo sem laqueadura, indicando que, em média, não há alteração no prognóstico para as mulheres que optam pela laqueadura periparto. No entanto, é importante lembrar que a laqueadura é um procedimento com altas taxas de insucesso na reversão, devendo ser considerada com cautela e discutida em conjunto com um médico especialista para esclarecer todas as dúvidas sobre o procedimento.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"75 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135550777","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1033
Bruna Obeica Vasconcellos, Helena de Sant’ Anna Fonseca Alves, Marcos Paulo Cardoso Marques, Jacqueline Assumção Silveira Montuori, Amanda Barata Reis, Walter Palis Ventura, Alberto Alves Borges, Jorge Fonte de Rezende Filho
Introdução: A endometriose é uma condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, resultando em sintomas como dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica. Além disso, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade e tem um impacto significativo na qualidade de vida das mulheres afetadas. Estudos recentes indicam que a endometriose está associada a uma resposta inflamatória na cavidade peritoneal, e o estresse oxidativo desempenha um papel importante na fisiopatologia da doença. Nesse contexto, a ozonioterapia tem sido considerada como uma opção de tratamento. Relato de caso: Apresentamos o caso de uma paciente do sexo feminino, 31 anos de idade, com diagnóstico de endometriose profunda e queixas de dores abdominais moderadas. A paciente não estava usando métodos contraceptivos e tinha o desejo de engravidar. Ela aguardava agendamento de cirurgia por meio do Sistema de Regulação de Consultas e Exames (SISREG). Após receber seis ciclos de ozonioterapia no Hospital Municipal da Piedade, a paciente apresentou um teste de gravidez positivo. Ela iniciou o pré-natal com 12 semanas e 1 dia de gestação, conforme confirmado por ultrassonografia do primeiro trimestre. Não houve complicações durante a gestação, e a paciente deu à luz por meio de cesariana com 39 semanas devido a uma parada na progressão do trabalho de parto. Comentários: No caso apresentado, a ozonioterapia surgiu como abordagem alternativa após o insucesso das condutas tradicionais, permitindo a realização do desejo de engravidar em uma paciente com uma condição que poderia limitar essa possibilidade. Acredita-se que a endometriose esteja associada a um desequilíbrio entre espécies reativas e mecanismos antioxidantes devido à ativação de macrófagos pelo tecido endometrial. Esse desequilíbrio leva à oxidação e nitração de estruturas, o que explica, em parte, a alta taxa de infertilidade nessa condição. Além disso, o estresse oxidativo pode afetar processos como a maturação de oócitos, a esteroidogênese ovariana, a luteólise e a manutenção do corpo lúteo. A ozonioterapia melhora a oxigenação do corpo, modula as reações inflamatórias e aumenta o sistema antioxidante e imunológico, desempenhando um papel importante na redução de aderências e aumentando as chances de fertilidade. Além disso, oferece uma abordagem terapêutica menos invasiva e melhora a qualidade de vida das pacientes. No entanto, é importante ressaltar que a adoção da ozonioterapia como tratamento para endometriose enfrenta algumas dificuldades. Existem poucos estudos realizados sobre o tema, e os benefícios dessa abordagem não estão bem estabelecidos na literatura médica. Além disso, a ozonioterapia pode ser um tratamento de alto custo e de difícil acesso para a população em geral. Em conclusão, embora o caso apresentado demonstre sucesso na gravidez após a ozonioterapia, é necessário considerar as limitações e desafios associados a essa abordagem, devido à falta de estudos ro
{"title":"Ozonioterapia na endometriose: relato de caso","authors":"Bruna Obeica Vasconcellos, Helena de Sant’ Anna Fonseca Alves, Marcos Paulo Cardoso Marques, Jacqueline Assumção Silveira Montuori, Amanda Barata Reis, Walter Palis Ventura, Alberto Alves Borges, Jorge Fonte de Rezende Filho","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1033","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1033","url":null,"abstract":"Introdução: A endometriose é uma condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, resultando em sintomas como dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica. Além disso, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade e tem um impacto significativo na qualidade de vida das mulheres afetadas. Estudos recentes indicam que a endometriose está associada a uma resposta inflamatória na cavidade peritoneal, e o estresse oxidativo desempenha um papel importante na fisiopatologia da doença. Nesse contexto, a ozonioterapia tem sido considerada como uma opção de tratamento. Relato de caso: Apresentamos o caso de uma paciente do sexo feminino, 31 anos de idade, com diagnóstico de endometriose profunda e queixas de dores abdominais moderadas. A paciente não estava usando métodos contraceptivos e tinha o desejo de engravidar. Ela aguardava agendamento de cirurgia por meio do Sistema de Regulação de Consultas e Exames (SISREG). Após receber seis ciclos de ozonioterapia no Hospital Municipal da Piedade, a paciente apresentou um teste de gravidez positivo. Ela iniciou o pré-natal com 12 semanas e 1 dia de gestação, conforme confirmado por ultrassonografia do primeiro trimestre. Não houve complicações durante a gestação, e a paciente deu à luz por meio de cesariana com 39 semanas devido a uma parada na progressão do trabalho de parto. Comentários: No caso apresentado, a ozonioterapia surgiu como abordagem alternativa após o insucesso das condutas tradicionais, permitindo a realização do desejo de engravidar em uma paciente com uma condição que poderia limitar essa possibilidade. Acredita-se que a endometriose esteja associada a um desequilíbrio entre espécies reativas e mecanismos antioxidantes devido à ativação de macrófagos pelo tecido endometrial. Esse desequilíbrio leva à oxidação e nitração de estruturas, o que explica, em parte, a alta taxa de infertilidade nessa condição. Além disso, o estresse oxidativo pode afetar processos como a maturação de oócitos, a esteroidogênese ovariana, a luteólise e a manutenção do corpo lúteo. A ozonioterapia melhora a oxigenação do corpo, modula as reações inflamatórias e aumenta o sistema antioxidante e imunológico, desempenhando um papel importante na redução de aderências e aumentando as chances de fertilidade. Além disso, oferece uma abordagem terapêutica menos invasiva e melhora a qualidade de vida das pacientes. No entanto, é importante ressaltar que a adoção da ozonioterapia como tratamento para endometriose enfrenta algumas dificuldades. Existem poucos estudos realizados sobre o tema, e os benefícios dessa abordagem não estão bem estabelecidos na literatura médica. Além disso, a ozonioterapia pode ser um tratamento de alto custo e de difícil acesso para a população em geral. Em conclusão, embora o caso apresentado demonstre sucesso na gravidez após a ozonioterapia, é necessário considerar as limitações e desafios associados a essa abordagem, devido à falta de estudos ro","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"47 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135594166","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1045
Polyana de Paula Mendes Machado, Cristiano Salles Rodrigues, Iara da Silva Ourofino, Gessylane Pinheiro Florido Peixoto, Nathalia da Cruz Assad Monteiro
Introdução: A doença de Behçet é uma afecção inflamatória multissistêmica, de causa desconhecida, caracterizada principalmente por úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas. Sua incidência é rara, com ocorrência de 1 a cada 20.000 pessoas na faixa etária pediátrica. O diagnóstico é baseado principalmente nas manifestações clínicas, não havendo características genéticas, histológicas, laboratoriais ou exames de imagem específicos. O tratamento é realizado de forma empírica, adaptado às manifestações e sintomas apresentados pelo paciente. Relato de caso: L.P.L., uma menina de 11 anos, parda, nuligesta, virgem e sem uso de contraceptivos, procurou o serviço de pediatria do Hospital Plantadores de Cana em 27 de agosto de 2022 devido à presença de úlcera genital há 2 semanas. A paciente relatava também histórico de aftas orais recorrentes e lesões cutâneas. Não havia relato de alterações oculares ou articulares. Solicitou-se o parecer da ginecologia do serviço, que ao examinar a vulva constatou uma lesão ulcerada no grande lábio esquerdo, com bordas lisas, fundo sujo, endurecida e dolorosa à palpação. Além disso, observaram-se pústulas nos membros superiores e afta na cavidade oral. A principal hipótese diagnóstica traçada foi doença de Behçet. O tratamento inicial consistiu no uso de prednisona 40 mg ao dia e lidocaína em gel para alívio da dor. Após o atendimento inicial, a paciente foi encaminhada ao Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA) para acompanhamento. Em setembro de 2022, a paciente retornou à consulta de PTGI no HEAA sem queixas. Relatou melhora das lesões após o uso do corticoide. No exame físico, observou-se regressão da úlcera genital. A paciente foi encaminhada ao reumatologista e oftalmologista para tratamento conjunto e acompanhamento. Comentários: A doença de Behçet, por ser multissistêmica, requer uma equipe multidisciplinar para melhor diagnóstico e tratamento em conjunto. Seguindo-se os critérios diagnósticos mais recentes, a paciente do caso apresenta cinco pontos devido às úlceras orais, às lesões cutâneas e à úlcera genital. É necessário obter uma pontuação igual ou maior que 4 para confirmar o diagnóstico clínico, não sendo necessários estudos complementares. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular e prolongado dessas pacientes são essenciais para minimizar os efeitos de surtos mais graves e prevenir sequelas significativas. É importante considerar outras causas além das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) quando as úlceras genitais não respondem aos tratamentos convencionais, especialmente em faixas etárias atípicas, como a infância.
简介:behcet病是一种病因不明的多系统炎症性疾病,主要以复发性口腔和生殖器溃疡、葡萄膜炎和皮肤损伤为特征。它的发病率很少见,在儿科年龄组中每2万人中就有1人发生。诊断主要基于临床表现,没有遗传、组织学、实验室特征或特定的影像学检查。治疗是根据病人的表现和症状进行的。病例报告:l.p.l.,一名11岁的女孩,棕色皮肤,无生育能力,未使用避孕药具,由于存在生殖器溃疡2周,于2022年8月27日寻求Plantadores de Cana医院儿科服务。患者还报告了复发性口腔溃疡和皮肤损伤的病史。没有眼部或关节变化的报告。我们征求了妇科的意见,妇科在检查外阴时发现左大唇有溃疡病变,边缘光滑,底部脏,触诊时硬化疼痛。此外,上肢有脓疱,口腔有鹅口疮。主要的诊断假设是behcet病。最初的治疗包括使用强的松40毫克/天和利多卡因凝胶缓解疼痛。在最初的护理后,患者被转到alvaro Alvim学校医院(HEAA)的下生殖道病理诊所(PTGI)进行随访。2022年9月,患者回到HEAA的PTGI会诊,没有任何抱怨。据报道,使用皮质类固醇后病变有所改善。体格检查显示生殖器溃疡消退。患者被转介风湿病医生和眼科医生进行联合治疗和随访。评论:behcet的疾病是多系统的,需要一个多学科的团队来更好地联合诊断和治疗。根据最新的诊断标准,该病例患者因口腔溃疡、皮肤损伤和生殖器溃疡出现5个点。需要达到等于或大于4的分数来确认临床诊断,不需要进一步的研究。对这些患者的早期诊断和定期和长期监测对于尽量减少更严重疫情的影响和防止严重后遗症至关重要。当生殖器溃疡对传统治疗无效时,特别是在非典型年龄组,如儿童,考虑性传播感染(sti)以外的其他原因是很重要的。
{"title":"Úlceras genitais na infância: relato de um caso de doença de Behçet","authors":"Polyana de Paula Mendes Machado, Cristiano Salles Rodrigues, Iara da Silva Ourofino, Gessylane Pinheiro Florido Peixoto, Nathalia da Cruz Assad Monteiro","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1045","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1045","url":null,"abstract":"Introdução: A doença de Behçet é uma afecção inflamatória multissistêmica, de causa desconhecida, caracterizada principalmente por úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas. Sua incidência é rara, com ocorrência de 1 a cada 20.000 pessoas na faixa etária pediátrica. O diagnóstico é baseado principalmente nas manifestações clínicas, não havendo características genéticas, histológicas, laboratoriais ou exames de imagem específicos. O tratamento é realizado de forma empírica, adaptado às manifestações e sintomas apresentados pelo paciente. Relato de caso: L.P.L., uma menina de 11 anos, parda, nuligesta, virgem e sem uso de contraceptivos, procurou o serviço de pediatria do Hospital Plantadores de Cana em 27 de agosto de 2022 devido à presença de úlcera genital há 2 semanas. A paciente relatava também histórico de aftas orais recorrentes e lesões cutâneas. Não havia relato de alterações oculares ou articulares. Solicitou-se o parecer da ginecologia do serviço, que ao examinar a vulva constatou uma lesão ulcerada no grande lábio esquerdo, com bordas lisas, fundo sujo, endurecida e dolorosa à palpação. Além disso, observaram-se pústulas nos membros superiores e afta na cavidade oral. A principal hipótese diagnóstica traçada foi doença de Behçet. O tratamento inicial consistiu no uso de prednisona 40 mg ao dia e lidocaína em gel para alívio da dor. Após o atendimento inicial, a paciente foi encaminhada ao Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA) para acompanhamento. Em setembro de 2022, a paciente retornou à consulta de PTGI no HEAA sem queixas. Relatou melhora das lesões após o uso do corticoide. No exame físico, observou-se regressão da úlcera genital. A paciente foi encaminhada ao reumatologista e oftalmologista para tratamento conjunto e acompanhamento. Comentários: A doença de Behçet, por ser multissistêmica, requer uma equipe multidisciplinar para melhor diagnóstico e tratamento em conjunto. Seguindo-se os critérios diagnósticos mais recentes, a paciente do caso apresenta cinco pontos devido às úlceras orais, às lesões cutâneas e à úlcera genital. É necessário obter uma pontuação igual ou maior que 4 para confirmar o diagnóstico clínico, não sendo necessários estudos complementares. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular e prolongado dessas pacientes são essenciais para minimizar os efeitos de surtos mais graves e prevenir sequelas significativas. É importante considerar outras causas além das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) quando as úlceras genitais não respondem aos tratamentos convencionais, especialmente em faixas etárias atípicas, como a infância.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"8 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135595610","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1089
Wender Emiliano Soares, Lara Miranda Marchesi, Rodrigo Roberto Barroso, Maria Isabel do Nascimento
Introdução: No mundo, ocorreram mais de 2 milhões de natimortos em 2019, resultando em uma taxa de óbito fetal (OF) de 13,9 por 1.000 nascimentos. A maioria desses óbitos poderia ser prevenida com a oferta de cuidados pré-natais adequados. Objetivo: Estimar as taxas de mortalidade fetal específicas por idade gestacional no estado do Rio de Janeiro de 2010 a 2020. Métodos: Estudo descritivo com base em dados secundários fornecidos pelo DATASUS. Foram calculadas as taxas de mortalidade fetal estratificadas por idade gestacional. O número de óbitos fetais foi obtido no sistema de informação de mortalidade, e o número de nascidos vivos foi obtido no sistema de informação de nascidos vivos. As taxas foram apresentadas por 1.000 nascimentos. Resultados: No período, ocorreram um total de 25.773 óbitos fetais no Rio de Janeiro, distribuídos da seguinte forma por região de saúde: Baía da Ilha Grande (1,33%), Baixada Litorânea (5,10%), Centro-Sul (2,11%), Médio Paraíba (4,50%), Metropolitana I (63,89%), Metropolita II (10,62%), Noroeste (1,73%), Norte (5,46%) e Serrana (5,21%). Em relação ao momento do parto, 92,67% dos óbitos ocorreram antes do parto. A distribuição dos óbitos por idade gestacional foi de 24,8% (22–27 semanas), 22,0% (28–31 semanas), 30,4% (32–36 semanas), 22,4% (37–41 semanas) e 0,4% (≥42 semanas). A taxa média global foi de 10,71 por 1.000 nascimentos. As taxas específicas por idade gestacional indicam maior frequência em idades gestacionais mais precoces: 334,2/1.000 (22–27 semanas), 176,9/1.000 (28–31 semanas), 34,8/1.000 (32–36 semanas), 2,8/1.000 (37–41 semanas) e 3,7/1.000 (≥42 semanas). Conclusão: Apesar de a taxa média global estar abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 12/1.000, a estratificação por idade gestacional mostra que o problema é grave no estado do Rio de Janeiro, afetando principalmente gestações muito precoces, mas também fetos de alta viabilidade. Esse quadro demanda investigações minuciosas, bem como políticas públicas de atenção que visem a redução desse importante problema de saúde pública.
{"title":"Mortalidade fetal estratificada por idade gestacional no Rio de Janeiro, de 2010 a 2020","authors":"Wender Emiliano Soares, Lara Miranda Marchesi, Rodrigo Roberto Barroso, Maria Isabel do Nascimento","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1089","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1089","url":null,"abstract":"Introdução: No mundo, ocorreram mais de 2 milhões de natimortos em 2019, resultando em uma taxa de óbito fetal (OF) de 13,9 por 1.000 nascimentos. A maioria desses óbitos poderia ser prevenida com a oferta de cuidados pré-natais adequados. Objetivo: Estimar as taxas de mortalidade fetal específicas por idade gestacional no estado do Rio de Janeiro de 2010 a 2020. Métodos: Estudo descritivo com base em dados secundários fornecidos pelo DATASUS. Foram calculadas as taxas de mortalidade fetal estratificadas por idade gestacional. O número de óbitos fetais foi obtido no sistema de informação de mortalidade, e o número de nascidos vivos foi obtido no sistema de informação de nascidos vivos. As taxas foram apresentadas por 1.000 nascimentos. Resultados: No período, ocorreram um total de 25.773 óbitos fetais no Rio de Janeiro, distribuídos da seguinte forma por região de saúde: Baía da Ilha Grande (1,33%), Baixada Litorânea (5,10%), Centro-Sul (2,11%), Médio Paraíba (4,50%), Metropolitana I (63,89%), Metropolita II (10,62%), Noroeste (1,73%), Norte (5,46%) e Serrana (5,21%). Em relação ao momento do parto, 92,67% dos óbitos ocorreram antes do parto. A distribuição dos óbitos por idade gestacional foi de 24,8% (22–27 semanas), 22,0% (28–31 semanas), 30,4% (32–36 semanas), 22,4% (37–41 semanas) e 0,4% (≥42 semanas). A taxa média global foi de 10,71 por 1.000 nascimentos. As taxas específicas por idade gestacional indicam maior frequência em idades gestacionais mais precoces: 334,2/1.000 (22–27 semanas), 176,9/1.000 (28–31 semanas), 34,8/1.000 (32–36 semanas), 2,8/1.000 (37–41 semanas) e 3,7/1.000 (≥42 semanas). Conclusão: Apesar de a taxa média global estar abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 12/1.000, a estratificação por idade gestacional mostra que o problema é grave no estado do Rio de Janeiro, afetando principalmente gestações muito precoces, mas também fetos de alta viabilidade. Esse quadro demanda investigações minuciosas, bem como políticas públicas de atenção que visem a redução desse importante problema de saúde pública.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"10 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650339","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1120
Naiana da Silva Castro Rodrigues, Julia Lemos Leboreiro, Bruna Obeica Vasconcellos, Jacqueline Assumção Silveira Montuori, Marcos Paulo Cardoso Marques, Vanessa Rodrigues Apfel
Introdução: O câncer de colo de útero é a terceira neoplasia mais incidente no Brasil e responsável por um número elevado de mortes entre a população feminina. Iniciar relações sexuais precocemente, ter múltiplos parceiros, histórico de infecções sexualmente transmissíveis e ter tido múltiplos partos são fatores de risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. O exame de Papanicolaou é a principal estratégia para a detecção precoce de lesões precursoras em mulheres de 25 a 64 anos, e, se os dois primeiros exames apresentarem resultados normais, a repetição só será necessária após três anos. No entanto, em mulheres jovens com sintomas, pode ser necessário realizar o exame se houver sangramento vaginal anormal, dispareunia ou dor pélvica com edema de membros inferiores. Quanto ao rastreamento do câncer de colo de útero, o exame de Papanicolaou é o principal, visando identificar anormalidades celulares. Em relação à idade de início do rastreamento, é importante ressaltar que em pacientes menores de 21 anos com risco moderado, é sugerida a realização da colpocitologia. No caso em questão, apesar de a paciente não estar na faixa etária recomendada para a coleta do exame, ela apresentava sinais e sintomas sugestivos de câncer de colo de útero, o que levou a adotar uma conduta individualizada. Assim como a realização do exame citológico é imprescindível, é importante destacar a importância da anamnese e do exame físico no diagnóstico dessa patologia. Nessa paciente, foi possível observar sinais sugestivos de possível gravidade, como o sangramento vaginal. Durante a anamnese, é importante investigar as queixas da paciente, a presença de fatores de risco, a data da última coleta do citopatológico e seu resultado. O exame físico irá auxiliar no diagnóstico, permitindo observar sinais sugestivos de câncer de colo, como a lesão vegetante apresentada pela paciente. Relato de caso: Paciente de 24 anos, G1P1A0, sem comorbidades, compareceu à unidade queixando-se de sangramento transvaginal intermitente há mais de 1 ano, com o último citopatológico realizado há 2 anos. Durante o exame especular, foi observado colo róseo com presença de lesão vegetante em toda a extensão do lábio posterior e se estendendo para a parede vaginal lateral direita. A paciente foi encaminhada para colposcopia, na qual foi identificada uma lesão vegetante no lábio anterior, que se mostrou friável à manipulação. Foi realizada a biópsia, que diagnosticou carcinoma moderadamente escamoso. Conclusão: Neste relato, apesar de a paciente não estar dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer de colo de útero, constatou-se que em casos selecionados, excepcionalmente, os sinais e sintomas apresentados indicaram a necessidade de uma investigação mais aprofundada e uma conduta individualizada para a queixa inicial. Não se pode abrir mão de uma anamnese e exame físico adequados para esclarecer as possíveis hipóteses diagnósticas em cada caso. Devemos ter
{"title":"Patologia do trato genital: relato de caso","authors":"Naiana da Silva Castro Rodrigues, Julia Lemos Leboreiro, Bruna Obeica Vasconcellos, Jacqueline Assumção Silveira Montuori, Marcos Paulo Cardoso Marques, Vanessa Rodrigues Apfel","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1120","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1120","url":null,"abstract":"Introdução: O câncer de colo de útero é a terceira neoplasia mais incidente no Brasil e responsável por um número elevado de mortes entre a população feminina. Iniciar relações sexuais precocemente, ter múltiplos parceiros, histórico de infecções sexualmente transmissíveis e ter tido múltiplos partos são fatores de risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. O exame de Papanicolaou é a principal estratégia para a detecção precoce de lesões precursoras em mulheres de 25 a 64 anos, e, se os dois primeiros exames apresentarem resultados normais, a repetição só será necessária após três anos. No entanto, em mulheres jovens com sintomas, pode ser necessário realizar o exame se houver sangramento vaginal anormal, dispareunia ou dor pélvica com edema de membros inferiores. Quanto ao rastreamento do câncer de colo de útero, o exame de Papanicolaou é o principal, visando identificar anormalidades celulares. Em relação à idade de início do rastreamento, é importante ressaltar que em pacientes menores de 21 anos com risco moderado, é sugerida a realização da colpocitologia. No caso em questão, apesar de a paciente não estar na faixa etária recomendada para a coleta do exame, ela apresentava sinais e sintomas sugestivos de câncer de colo de útero, o que levou a adotar uma conduta individualizada. Assim como a realização do exame citológico é imprescindível, é importante destacar a importância da anamnese e do exame físico no diagnóstico dessa patologia. Nessa paciente, foi possível observar sinais sugestivos de possível gravidade, como o sangramento vaginal. Durante a anamnese, é importante investigar as queixas da paciente, a presença de fatores de risco, a data da última coleta do citopatológico e seu resultado. O exame físico irá auxiliar no diagnóstico, permitindo observar sinais sugestivos de câncer de colo, como a lesão vegetante apresentada pela paciente. Relato de caso: Paciente de 24 anos, G1P1A0, sem comorbidades, compareceu à unidade queixando-se de sangramento transvaginal intermitente há mais de 1 ano, com o último citopatológico realizado há 2 anos. Durante o exame especular, foi observado colo róseo com presença de lesão vegetante em toda a extensão do lábio posterior e se estendendo para a parede vaginal lateral direita. A paciente foi encaminhada para colposcopia, na qual foi identificada uma lesão vegetante no lábio anterior, que se mostrou friável à manipulação. Foi realizada a biópsia, que diagnosticou carcinoma moderadamente escamoso. Conclusão: Neste relato, apesar de a paciente não estar dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer de colo de útero, constatou-se que em casos selecionados, excepcionalmente, os sinais e sintomas apresentados indicaram a necessidade de uma investigação mais aprofundada e uma conduta individualizada para a queixa inicial. Não se pode abrir mão de uma anamnese e exame físico adequados para esclarecer as possíveis hipóteses diagnósticas em cada caso. Devemos ter","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"56 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650702","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1114
Ana Laura Ribas Braga Bettega, Bryan Alexander Cuervo, Mario Fernando Davila Obando, Julio Da Silva Almeida, Daniela Cardeño Chamorro, Tatianne Rosa dos Santos, Christian Montero Vera, Sílvio Silva Fernandes
Introdução: Os tumores vulvares representam apenas 4% de todas as neoplasias ginecológicas e são o 4º em frequência, depois dos tumores do colo do útero, útero e ovário. 98% de todos os tumores vulvares são benignos e apenas 2% são malignos. No entanto, fazer o diagnóstico correto nem sempre é fácil devido às similaridades patológicas. Este relato de caso de dermatofibroma vulvar pretende contribuir para a identificação e tratamento de possíveis novos casos. Relato de caso: A.S.D.S., mulher de 88 anos, procurou o ambulatório com queixa de lesão e prurido na região vulvar há aproximadamente um ano. Relata aumento progressivo da lesão e piora do prurido, mas nega qualquer secreção, dor local e outros sinais ou sintomas que afetem o estado de saúde. Ao ser questionada, a paciente descreve a lesão como não sendo uma massa nem um nódulo. Seu histórico ginecológico e obstétrico indica menopausa aos 52 anos e realização de histerectomia total abdominal e salpingooforectomia bilateral aos 53 anos devido a sangramento uterino anormal, mas não sabe dizer o diagnóstico exato. Não apresenta alterações nos últimos exames, preventivo e mamografia, realizados aos 65 anos. Ao exame físico, foi verificada a presença de uma lesão em placa na região esquerda da vulva, no terço superior e médio, com cerca de 6 × 3 cm, acinzentada, eritematosa, descamativa na periferia e bordas irregulares. Não apresentava alterações no canal vaginal e o toque vaginal era indolor. Foi decidido realizar uma biópsia excisional. Após a ressecção da lesão com margens, a análise histopatológica da amostra sugeriu o diagnóstico de leiomioma. Por sugestão do patologista, foi realizada imuno-histoquímica, que diagnosticou a lesão como dermatofibroma. Comentários: Como existem poucas técnicas utilizadas para diferenciar a natureza do tumor, a biópsia excisional parece ser o melhor procedimento atualmente empregado, além de ser o tratamento de escolha para tais tumores. No caso apresentado, a análise imuno-histoquímica foi de grande valia para fechar o diagnóstico. Anticorpos como caldesmon, actina-alfa e desmina foram utilizados para verificar a existência de células musculares na amostra, revelando um resultado negativo. A possibilidade de estarmos diante de um melanoma também foi verificada utilizando o anticorpo proteína S100 (marcador de células de origem da crista neural, como os melanócitos), o que também foi descartado. A análise imuno-histoquímica se revelou positiva apenas para o fator XIII.
{"title":"Dermatofibroma vulvar: relato de caso","authors":"Ana Laura Ribas Braga Bettega, Bryan Alexander Cuervo, Mario Fernando Davila Obando, Julio Da Silva Almeida, Daniela Cardeño Chamorro, Tatianne Rosa dos Santos, Christian Montero Vera, Sílvio Silva Fernandes","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1114","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1114","url":null,"abstract":"Introdução: Os tumores vulvares representam apenas 4% de todas as neoplasias ginecológicas e são o 4º em frequência, depois dos tumores do colo do útero, útero e ovário. 98% de todos os tumores vulvares são benignos e apenas 2% são malignos. No entanto, fazer o diagnóstico correto nem sempre é fácil devido às similaridades patológicas. Este relato de caso de dermatofibroma vulvar pretende contribuir para a identificação e tratamento de possíveis novos casos. Relato de caso: A.S.D.S., mulher de 88 anos, procurou o ambulatório com queixa de lesão e prurido na região vulvar há aproximadamente um ano. Relata aumento progressivo da lesão e piora do prurido, mas nega qualquer secreção, dor local e outros sinais ou sintomas que afetem o estado de saúde. Ao ser questionada, a paciente descreve a lesão como não sendo uma massa nem um nódulo. Seu histórico ginecológico e obstétrico indica menopausa aos 52 anos e realização de histerectomia total abdominal e salpingooforectomia bilateral aos 53 anos devido a sangramento uterino anormal, mas não sabe dizer o diagnóstico exato. Não apresenta alterações nos últimos exames, preventivo e mamografia, realizados aos 65 anos. Ao exame físico, foi verificada a presença de uma lesão em placa na região esquerda da vulva, no terço superior e médio, com cerca de 6 × 3 cm, acinzentada, eritematosa, descamativa na periferia e bordas irregulares. Não apresentava alterações no canal vaginal e o toque vaginal era indolor. Foi decidido realizar uma biópsia excisional. Após a ressecção da lesão com margens, a análise histopatológica da amostra sugeriu o diagnóstico de leiomioma. Por sugestão do patologista, foi realizada imuno-histoquímica, que diagnosticou a lesão como dermatofibroma. Comentários: Como existem poucas técnicas utilizadas para diferenciar a natureza do tumor, a biópsia excisional parece ser o melhor procedimento atualmente empregado, além de ser o tratamento de escolha para tais tumores. No caso apresentado, a análise imuno-histoquímica foi de grande valia para fechar o diagnóstico. Anticorpos como caldesmon, actina-alfa e desmina foram utilizados para verificar a existência de células musculares na amostra, revelando um resultado negativo. A possibilidade de estarmos diante de um melanoma também foi verificada utilizando o anticorpo proteína S100 (marcador de células de origem da crista neural, como os melanócitos), o que também foi descartado. A análise imuno-histoquímica se revelou positiva apenas para o fator XIII.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"136 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135648932","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1105
Luisa Guimarães Santos, Alexia de Avila Frayha, Ana Elisa Rodrigues Baião
Objetivo: O objetivo desta revisão foi analisar a literatura científica sobre a autonomia da mulher no processo de decisão da via de parto, a morbidade e mortalidade materna e perinatal, e os custos relacionados a cada via de parto. Fonte de dados: A busca foi realizada nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Cochrane, no período de 1995 a 2022, utilizando-se os seguintes descritores: "cesarean section and human rights", "cesarean section and informed consent", "cesarean rates", "cesarean costs", "reproductive rights", "early term", "infant cost", "cesarean costs for the public system", "late preterm infant cost", "maternal request for cesarean section", "cesarean section and choice", "cesarean section and medical choice". Critérios de seleção: Foram selecionados 45 artigos considerados adequados para a revisão, conforme avaliação por dois especialistas. Os resultados referentes à decisão pela via de parto, desfechos maternos e perinatais, e custos hospitalares, extraídos dos artigos selecionados, foram tabulados para análise e síntese dos resultados desta revisão. Resultados: O modelo tecnocrático de assistência, caracterizado pela predominância da visão médica, intervenções excessivas e falta de envolvimento entre paciente e médico, ainda é prevalente no Brasil e em outros lugares do mundo. Isso é um fator importante nas altas taxas de cesariana, pois não favorece a escolha informada e o cuidado baseado em evidências científicas centrado na mulher. No setor privado, a cesariana predomina devido à falsa ideia de aumento da segurança, enquanto no setor público, a cesariana é apresentada como uma alternativa para evitar experiências negativas no parto. Quanto aos desfechos maternos e perinatais, a cesariana apresenta um maior risco de morte materna, infecção puerperal, parada cardíaca, hematoma da ferida, histerectomia, complicações anestésicas, tromboembolismo venoso, aumento do tempo de internação hospitalar e hemorragia grave. Além disso, a cada cesariana subsequente, o risco aumenta progressivamente, com maior incidência de acretismo placentário, placenta prévia, lesão intestinal e ureteral, e óbito fetal. Também são descritas complicações respiratórias devido ao nascimento no termo precoce e maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas na idade adulta para o concepto. Por fim, as altas taxas de cesariana, principalmente quando realizadas sem indicação médica, resultam em um custo maior para o sistema de saúde, aproximadamente 30% a mais por gestante, sem considerar os possíveis gastos relacionados a complicações maternas e neonatais do procedimento. Conclusão: O modelo tecnocrático de assistência, a falta de orientação baseada em evidências durante o pré-natal e o acesso limitado a tecnologias que proporcionam uma experiência positiva de parto, especialmente a analgesia de parto, principalmente em maternidades públicas, afetam o exercício da autonomia da mulher na decisão
{"title":"Via de parto no Brasil — desfechos maternos e perinatais, custos e autonomia da mulher","authors":"Luisa Guimarães Santos, Alexia de Avila Frayha, Ana Elisa Rodrigues Baião","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1105","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1105","url":null,"abstract":"Objetivo: O objetivo desta revisão foi analisar a literatura científica sobre a autonomia da mulher no processo de decisão da via de parto, a morbidade e mortalidade materna e perinatal, e os custos relacionados a cada via de parto. Fonte de dados: A busca foi realizada nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Cochrane, no período de 1995 a 2022, utilizando-se os seguintes descritores: \"cesarean section and human rights\", \"cesarean section and informed consent\", \"cesarean rates\", \"cesarean costs\", \"reproductive rights\", \"early term\", \"infant cost\", \"cesarean costs for the public system\", \"late preterm infant cost\", \"maternal request for cesarean section\", \"cesarean section and choice\", \"cesarean section and medical choice\". Critérios de seleção: Foram selecionados 45 artigos considerados adequados para a revisão, conforme avaliação por dois especialistas. Os resultados referentes à decisão pela via de parto, desfechos maternos e perinatais, e custos hospitalares, extraídos dos artigos selecionados, foram tabulados para análise e síntese dos resultados desta revisão. Resultados: O modelo tecnocrático de assistência, caracterizado pela predominância da visão médica, intervenções excessivas e falta de envolvimento entre paciente e médico, ainda é prevalente no Brasil e em outros lugares do mundo. Isso é um fator importante nas altas taxas de cesariana, pois não favorece a escolha informada e o cuidado baseado em evidências científicas centrado na mulher. No setor privado, a cesariana predomina devido à falsa ideia de aumento da segurança, enquanto no setor público, a cesariana é apresentada como uma alternativa para evitar experiências negativas no parto. Quanto aos desfechos maternos e perinatais, a cesariana apresenta um maior risco de morte materna, infecção puerperal, parada cardíaca, hematoma da ferida, histerectomia, complicações anestésicas, tromboembolismo venoso, aumento do tempo de internação hospitalar e hemorragia grave. Além disso, a cada cesariana subsequente, o risco aumenta progressivamente, com maior incidência de acretismo placentário, placenta prévia, lesão intestinal e ureteral, e óbito fetal. Também são descritas complicações respiratórias devido ao nascimento no termo precoce e maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas na idade adulta para o concepto. Por fim, as altas taxas de cesariana, principalmente quando realizadas sem indicação médica, resultam em um custo maior para o sistema de saúde, aproximadamente 30% a mais por gestante, sem considerar os possíveis gastos relacionados a complicações maternas e neonatais do procedimento. Conclusão: O modelo tecnocrático de assistência, a falta de orientação baseada em evidências durante o pré-natal e o acesso limitado a tecnologias que proporcionam uma experiência positiva de parto, especialmente a analgesia de parto, principalmente em maternidades públicas, afetam o exercício da autonomia da mulher na decisão","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"1 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135649108","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Introdução: O linfoma de Hodgkin (LH) clássico é um dos principais tipos de linfoma diagnosticados durante a gestação, especialmente devido ao seu pico de incidência na faixa etária em que as mulheres estão em idade reprodutiva. No entanto, os sintomas decorrentes dessa doença muitas vezes se confundem com as alterações fisiológicas normais da gestação, o que torna o diagnóstico e o acompanhamento um desafio. O manejo do LH durante a gestação requer um equilíbrio delicado entre maximizar as chances de cura da mãe e minimizar os riscos potenciais para o desenvolvimento fetal. O tratamento de primeira linha consiste na quimioterapia (QT) com o protocolo ABVD (doxorrubicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina), considerado seguro durante a gestação, especialmente quando administrado nos segundo e terceiro trimestres. No entanto, as pacientes ainda podem enfrentar possíveis desfechos desfavoráveis. A doxorrubicina, uma antraciclina utilizada nesse protocolo, pode causar cardiotoxicidade como um efeito adverso. O dano miocárdico inclui a possibilidade de insuficiência cardíaca aguda, com comprometimento do ventrículo esquerdo. O risco de desenvolvimento de cardiomiopatia está relacionado à exposição cumulativa ao medicamento, portanto, as pacientes submetidas a esse tratamento devem ter sua função cardíaca avaliada periodicamente. Relato de caso: Foi atendida uma primigesta de 18 anos, com 36 semanas e 5 dias de gestação, portadora de pré-eclâmpsia (PE) sem sinais de gravidade, diagnosticada com LH do subtipo esclerose nodular (estágio IIB) e com histórico de 5 ciclos de QT utilizando-se o protocolo ABVD. A paciente não apresentava sinais de cardiomiopatia no início do tratamento. Ela procurou uma unidade hospitalar com relato de dispneia aos mínimos esforços, que se iniciou de forma súbita. Foi realizado um ecocardiograma transtorácico (ECOTT) que revelou disfunção sistólica grave do ventrículo esquerdo, com fração de ejeção (FE) de 28%. Em avaliação conjunta com um cardiologista, foi decidido que seria realizada uma cesariana. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e resultou no nascimento de um recém-nascido com índice de Apgar de 9/9, sem necessidade de manobras de reanimação. A paciente foi mantida em observação em uma unidade fechada, evoluindo com um puerpério fisiológico. Ela recebeu alta hospitalar com medicações para o manejo da insuficiência cardíaca, e foram agendados retornos ambulatoriais para acompanhamento. O tratamento de quimioterapia foi ajustado pelo hematologista responsável. Comentário: A gestação de alto risco representa um desafio para o obstetra, especialmente devido à sua natureza imprevisível. É essencial garantir que a gestante tenha fácil acesso a serviços de saúde e receber suporte multiprofissional para lidar com as adversidades que possam surgir. O caso relatado acima ressalta a importância do treinamento clínico do obstetra para identificar alterações patológicas durante a gestação e intervir com segurança para gara
{"title":"Manejo obstétrico de gestante portadora de linfoma de Hodgkin e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida secundária à cardiotoxicidade por quimioterapia: relato de caso","authors":"Isabela Carmona Castro Rodriguez, Gabriela Oliveira de Menezes, Aline Silva Izzo","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1086","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1086","url":null,"abstract":"Introdução: O linfoma de Hodgkin (LH) clássico é um dos principais tipos de linfoma diagnosticados durante a gestação, especialmente devido ao seu pico de incidência na faixa etária em que as mulheres estão em idade reprodutiva. No entanto, os sintomas decorrentes dessa doença muitas vezes se confundem com as alterações fisiológicas normais da gestação, o que torna o diagnóstico e o acompanhamento um desafio. O manejo do LH durante a gestação requer um equilíbrio delicado entre maximizar as chances de cura da mãe e minimizar os riscos potenciais para o desenvolvimento fetal. O tratamento de primeira linha consiste na quimioterapia (QT) com o protocolo ABVD (doxorrubicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina), considerado seguro durante a gestação, especialmente quando administrado nos segundo e terceiro trimestres. No entanto, as pacientes ainda podem enfrentar possíveis desfechos desfavoráveis. A doxorrubicina, uma antraciclina utilizada nesse protocolo, pode causar cardiotoxicidade como um efeito adverso. O dano miocárdico inclui a possibilidade de insuficiência cardíaca aguda, com comprometimento do ventrículo esquerdo. O risco de desenvolvimento de cardiomiopatia está relacionado à exposição cumulativa ao medicamento, portanto, as pacientes submetidas a esse tratamento devem ter sua função cardíaca avaliada periodicamente. Relato de caso: Foi atendida uma primigesta de 18 anos, com 36 semanas e 5 dias de gestação, portadora de pré-eclâmpsia (PE) sem sinais de gravidade, diagnosticada com LH do subtipo esclerose nodular (estágio IIB) e com histórico de 5 ciclos de QT utilizando-se o protocolo ABVD. A paciente não apresentava sinais de cardiomiopatia no início do tratamento. Ela procurou uma unidade hospitalar com relato de dispneia aos mínimos esforços, que se iniciou de forma súbita. Foi realizado um ecocardiograma transtorácico (ECOTT) que revelou disfunção sistólica grave do ventrículo esquerdo, com fração de ejeção (FE) de 28%. Em avaliação conjunta com um cardiologista, foi decidido que seria realizada uma cesariana. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e resultou no nascimento de um recém-nascido com índice de Apgar de 9/9, sem necessidade de manobras de reanimação. A paciente foi mantida em observação em uma unidade fechada, evoluindo com um puerpério fisiológico. Ela recebeu alta hospitalar com medicações para o manejo da insuficiência cardíaca, e foram agendados retornos ambulatoriais para acompanhamento. O tratamento de quimioterapia foi ajustado pelo hematologista responsável. Comentário: A gestação de alto risco representa um desafio para o obstetra, especialmente devido à sua natureza imprevisível. É essencial garantir que a gestante tenha fácil acesso a serviços de saúde e receber suporte multiprofissional para lidar com as adversidades que possam surgir. O caso relatado acima ressalta a importância do treinamento clínico do obstetra para identificar alterações patológicas durante a gestação e intervir com segurança para gara","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"117 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650763","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1095
Adriana Camara Colombo, Claudia Cristina de Oliveira, Cecília Turque dos Santos, Carolina Varella Leal Passos, Paula Varella Leal Passos, Christina Thereza Machado Bittar, Mauro Romero Leal Passos
Introdução: A sífilis congênita (SC) continua sendo um problema frequente no Brasil, e o estado do Rio de Janeiro apresenta o maior número de óbitos relacionados à SC em comparação com outros estados, registrando 188 óbitos em 2021. Relato de caso: Uma primigesta com idade entre 25 e 29 anos iniciou o pré-natal em agosto de 2022, e o teste rápido (TR) inicial para sífilis foi não reagente. No entanto, em janeiro de 2023, um novo TR foi realizado e apresentou resultado reagente. O tratamento foi administrado somente no dia seguinte, com uma única dose de 2,4 milhões de penicilina benzatina (PB). O exame VDRL foi coletado apenas em fevereiro de 2023, dias após o tratamento com a dose única de PB, e o resultado foi de 1:512. Em março de 2023, a gestante foi admitida em uma maternidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro após ter sido recusada em dois hospitais de outros municípios, com diagnóstico de óbito fetal. Foi iniciada a vigilância epidemiológica durante a internação, e a paciente negou ter apresentado manifestações clínicas de lesões recentes de sífilis em si mesma ou em seus parceiros sexuais. Quando questionada sobre o que pensava sobre o quadro que estava vivenciando, a gestante respondeu imediatamente: "me sinto culpada". Dez dias após a internação, foi realizada uma visita à unidade de saúde onde o pré-natal foi realizado, a fim de conversar com o profissional responsável pelo atendimento da gestante. O profissional relatou que "classificou como sífilis primária, pois era a primeira vez que a mulher apresentava teste positivo", justificando assim a administração de apenas uma dose de PB para o tratamento. Além disso, na unidade de saúde não há médico para acompanhar o pré-natal, e os exames são solicitados, agendados e coletados em dias diferentes, o que resulta em frequentes atrasos na obtenção dos resultados, como demonstrado na caderneta de pré-natal. O tratamento não é realizado no dia do diagnóstico, pois somente após a notificação do caso para a secretaria de saúde, mesmo no caso de gestantes, o posto recebe o antibiótico. Após a chegada da medicação, a gestante é convocada para receber a administração da penicilina. Fragmentos da placenta foram encaminhados para análise histopatológica, que revelou vilite crônica associada a alterações vasculares fetais, compatíveis com SC. Comentários: A SC e o óbito decorrente da SC refletem, na maioria dos casos, a inadequação do pré-natal, seja na forma como a gestante é atendida, seja na gestão dos fluxos de atendimento na rede básica de saúde. O caso descrito é mais um exemplo infeliz dessa situação.
{"title":"Óbito por sífilis congênita em município de Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 2023: relato de caso","authors":"Adriana Camara Colombo, Claudia Cristina de Oliveira, Cecília Turque dos Santos, Carolina Varella Leal Passos, Paula Varella Leal Passos, Christina Thereza Machado Bittar, Mauro Romero Leal Passos","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1095","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1095","url":null,"abstract":"Introdução: A sífilis congênita (SC) continua sendo um problema frequente no Brasil, e o estado do Rio de Janeiro apresenta o maior número de óbitos relacionados à SC em comparação com outros estados, registrando 188 óbitos em 2021. Relato de caso: Uma primigesta com idade entre 25 e 29 anos iniciou o pré-natal em agosto de 2022, e o teste rápido (TR) inicial para sífilis foi não reagente. No entanto, em janeiro de 2023, um novo TR foi realizado e apresentou resultado reagente. O tratamento foi administrado somente no dia seguinte, com uma única dose de 2,4 milhões de penicilina benzatina (PB). O exame VDRL foi coletado apenas em fevereiro de 2023, dias após o tratamento com a dose única de PB, e o resultado foi de 1:512. Em março de 2023, a gestante foi admitida em uma maternidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro após ter sido recusada em dois hospitais de outros municípios, com diagnóstico de óbito fetal. Foi iniciada a vigilância epidemiológica durante a internação, e a paciente negou ter apresentado manifestações clínicas de lesões recentes de sífilis em si mesma ou em seus parceiros sexuais. Quando questionada sobre o que pensava sobre o quadro que estava vivenciando, a gestante respondeu imediatamente: \"me sinto culpada\". Dez dias após a internação, foi realizada uma visita à unidade de saúde onde o pré-natal foi realizado, a fim de conversar com o profissional responsável pelo atendimento da gestante. O profissional relatou que \"classificou como sífilis primária, pois era a primeira vez que a mulher apresentava teste positivo\", justificando assim a administração de apenas uma dose de PB para o tratamento. Além disso, na unidade de saúde não há médico para acompanhar o pré-natal, e os exames são solicitados, agendados e coletados em dias diferentes, o que resulta em frequentes atrasos na obtenção dos resultados, como demonstrado na caderneta de pré-natal. O tratamento não é realizado no dia do diagnóstico, pois somente após a notificação do caso para a secretaria de saúde, mesmo no caso de gestantes, o posto recebe o antibiótico. Após a chegada da medicação, a gestante é convocada para receber a administração da penicilina. Fragmentos da placenta foram encaminhados para análise histopatológica, que revelou vilite crônica associada a alterações vasculares fetais, compatíveis com SC. Comentários: A SC e o óbito decorrente da SC refletem, na maioria dos casos, a inadequação do pré-natal, seja na forma como a gestante é atendida, seja na gestão dos fluxos de atendimento na rede básica de saúde. O caso descrito é mais um exemplo infeliz dessa situação.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"83 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135650893","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2023-01-01DOI: 10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1018
Rafaela Rebollal Brigatto Medeiros, Luiza Dias Nogueira da Rocha, Guilene Vieira Gomes
Introdução: O carcinossarcoma é uma forma rara e agressiva de neoplasia endometrial. Este relato de caso descreve uma paciente com vários fatores de risco, diagnóstico em estágio avançado e prognóstico desfavorável. O objetivo é destacar essa condição infrequente, discutir fatores prognósticos e opções de tratamento. Relato de caso: Trata-se de uma paciente do sexo feminino, com 69 anos de idade, que apresentava sangramento pós-menopausa e suspeita de câncer de colo uterino devido a uma lesão vegetante visível no colo uterino durante o exame clínico. Os exames de imagem revelaram aumento do útero e cavidade uterina volumosa e heterogênea. A biópsia da lesão do colo uterino confirmou o diagnóstico histopatológico e imuno-histoquímico de carcinos-sarcoma. A paciente foi submetida a uma cirurgia para estadiamento, porém, devido à demora no diagnóstico e no início do tratamento, além da rápida progressão da doença, já apresentava comprometimento clínico significativo. Comentários: O estágio inicial da doença é um fator prognóstico importante, e o tempo é crucial. A falta de conhecimento dos profissionais de saúde sobre esse diagnóstico diferencial e a demora no início do tratamento contribuíram para a rápida progressão da doença. O tratamento primário para o carcinos-sarcoma é cirúrgico, com possíveis opções de quimioterapia, radioterapia e braquiterapia adjuvantes, que podem melhorar a qualidade de vida, mas cujos benefícios em termos de aumento da sobrevida global ainda não estão bem estabelecidos. Devido à sua raridade e rápida evolução, o conhecimento sobre essa condição é baseado principalmente em estudos retrospectivos de pequeno porte e relatos de casos, não havendo consenso sobre a terapêutica e benefícios dos tratamentos adjuvantes. No caso em questão, a combinação da história natural da doença com problemas estruturais do sistema de saúde levou a um desfecho desfavorável para a paciente.
{"title":"Carcinossarcoma uterino: relato de caso","authors":"Rafaela Rebollal Brigatto Medeiros, Luiza Dias Nogueira da Rocha, Guilene Vieira Gomes","doi":"10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1018","DOIUrl":"https://doi.org/10.5327/jbg-2965-3711-2023133s1018","url":null,"abstract":"Introdução: O carcinossarcoma é uma forma rara e agressiva de neoplasia endometrial. Este relato de caso descreve uma paciente com vários fatores de risco, diagnóstico em estágio avançado e prognóstico desfavorável. O objetivo é destacar essa condição infrequente, discutir fatores prognósticos e opções de tratamento. Relato de caso: Trata-se de uma paciente do sexo feminino, com 69 anos de idade, que apresentava sangramento pós-menopausa e suspeita de câncer de colo uterino devido a uma lesão vegetante visível no colo uterino durante o exame clínico. Os exames de imagem revelaram aumento do útero e cavidade uterina volumosa e heterogênea. A biópsia da lesão do colo uterino confirmou o diagnóstico histopatológico e imuno-histoquímico de carcinos-sarcoma. A paciente foi submetida a uma cirurgia para estadiamento, porém, devido à demora no diagnóstico e no início do tratamento, além da rápida progressão da doença, já apresentava comprometimento clínico significativo. Comentários: O estágio inicial da doença é um fator prognóstico importante, e o tempo é crucial. A falta de conhecimento dos profissionais de saúde sobre esse diagnóstico diferencial e a demora no início do tratamento contribuíram para a rápida progressão da doença. O tratamento primário para o carcinos-sarcoma é cirúrgico, com possíveis opções de quimioterapia, radioterapia e braquiterapia adjuvantes, que podem melhorar a qualidade de vida, mas cujos benefícios em termos de aumento da sobrevida global ainda não estão bem estabelecidos. Devido à sua raridade e rápida evolução, o conhecimento sobre essa condição é baseado principalmente em estudos retrospectivos de pequeno porte e relatos de casos, não havendo consenso sobre a terapêutica e benefícios dos tratamentos adjuvantes. No caso em questão, a combinação da história natural da doença com problemas estruturais do sistema de saúde levou a um desfecho desfavorável para a paciente.","PeriodicalId":84971,"journal":{"name":"Jornal brasileiro de ginecologia","volume":"23 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2023-01-01","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"135550191","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}