Pub Date : 2022-02-02DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11481
Camélia Santina Murgo, L. Canha, Maria Celeste Rocha Simões, A. P. D. Melo
É reconhecido na literatura o impacto que a resiliência tem no futuro de adolescentes com deficiência. Mais especificamente, tem-se discutido o significado deste conceito no contexto da transição da adolescência para a vida adulta. Isso porque os períodos de transição podem representar exposição a vulnerabilidade e riscos potenciais tendo em vista que exigem das pessoas uma reorganização estrutural e funcional. Algumas transições, como é o caso da entrada e da saída da adolescência são especialmente significativas e desafiantes. Assim, este estudo tem como objetivo discutir, a partir de aportes teóricos e estudos empíricos, como a resiliência favorece o enfrentamento das situações adversas ocorridas na vida de adolescentes nesta transição. Para tanto, são destacados achados da literatura, que trazem relatos de intervenções direcionados para o reconhecimento de potencialidades, desenvolvimento da autonomia e promoção de comportamentos habilidosos para o enfrentamento de situações dificultosas que possam se fazer presentes na etapa de transição da adolescência para a vida adulta. Tratam-se de propostas interventivas que favorecem processos de resiliência e que apontam para o fato de que ações dessa natureza devem abordar os contextos de vida dos adolescentes e pessoas a eles diretamente relacionadas de forma a garantir uma diminuição dos riscos e promover uma ativação dos recursos de apoio. São, no entanto, recomendadas novas investigações que se proponham a investigar de forma mais sistematizada, a viabilidade e eficácia de modelos interventivos a fim de que possam ser seguramente replicados e com isso se alcance um número mais expressivo de adolescentes com deficiência na sua diversidade sendo devidamente apoiados em seu momento de transição.
{"title":"Processos de Resiliência na Transição para Vida Adulta de Adolescentes com Deficiência","authors":"Camélia Santina Murgo, L. Canha, Maria Celeste Rocha Simões, A. P. D. Melo","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11481","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11481","url":null,"abstract":"É reconhecido na literatura o impacto que a resiliência tem no futuro de adolescentes com deficiência. Mais especificamente, tem-se discutido o significado deste conceito no contexto da transição da adolescência para a vida adulta. Isso porque os períodos de transição podem representar exposição a vulnerabilidade e riscos potenciais tendo em vista que exigem das pessoas uma reorganização estrutural e funcional. Algumas transições, como é o caso da entrada e da saída da adolescência são especialmente significativas e desafiantes. Assim, este estudo tem como objetivo discutir, a partir de aportes teóricos e estudos empíricos, como a resiliência favorece o enfrentamento das situações adversas ocorridas na vida de adolescentes nesta transição. Para tanto, são destacados achados da literatura, que trazem relatos de intervenções direcionados para o reconhecimento de potencialidades, desenvolvimento da autonomia e promoção de comportamentos habilidosos para o enfrentamento de situações dificultosas que possam se fazer presentes na etapa de transição da adolescência para a vida adulta. Tratam-se de propostas interventivas que favorecem processos de resiliência e que apontam para o fato de que ações dessa natureza devem abordar os contextos de vida dos adolescentes e pessoas a eles diretamente relacionadas de forma a garantir uma diminuição dos riscos e promover uma ativação dos recursos de apoio. São, no entanto, recomendadas novas investigações que se proponham a investigar de forma mais sistematizada, a viabilidade e eficácia de modelos interventivos a fim de que possam ser seguramente replicados e com isso se alcance um número mais expressivo de adolescentes com deficiência na sua diversidade sendo devidamente apoiados em seu momento de transição.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"20 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-02-02","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"115382702","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-02-02DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11569
Melina Friedrich Dupont, Sândhya Siqueira Marques, Thaís de Castro Jury Arnoud, L. Habigzang
A violência sexual contra crianças e adolescentes é um problema de saúde pública que configura uma grave violação dos direitos humanos e que pode desencadear uma série de consequências de curto, médio e longo prazo nas esferas cognitiva, emocional e física da vítima. Ainda, crianças e adolescentes com deficiências apresentam maior risco de sofrer violências interpessoais que a população geral, incluindo violência sexual. Compreende-se, então, que o tratamento psicológico pode ser importante para a promoção de resiliência nessa população, de modo a auxiliar no enfrentamento da violência. O objetivo deste artigo de revisão narrativa de literatura é discutir quais são as principais evidências científicas relacionadas ao tratamento psicológico para promoção de resiliência em crianças e adolescentes com deficiência que sofreram violência sexual. Como principais resultados, encontrou-se que a maior parte dos protocolos de tratamento para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual excluem da sua amostra pessoas com deficiências, de modo que estudos voltados para essa população são escassos na literatura. Diante desse cenário, ressalta-se a importância do desenvolvimento de estudos empíricos que forneçam evidências científicas e diretrizes de tratamento para crianças e adolescentes com deficiência vítimas de violência sexual, bem como o investimento em capacitações para profissionais da área.
{"title":"Promoção de Resiliência e Tratamento Psicológico para Crianças e Adolescentes com Deficiência Vítimas de Violência Sexual","authors":"Melina Friedrich Dupont, Sândhya Siqueira Marques, Thaís de Castro Jury Arnoud, L. Habigzang","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11569","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11569","url":null,"abstract":"A violência sexual contra crianças e adolescentes é um problema de saúde pública que configura uma grave violação dos direitos humanos e que pode desencadear uma série de consequências de curto, médio e longo prazo nas esferas cognitiva, emocional e física da vítima. Ainda, crianças e adolescentes com deficiências apresentam maior risco de sofrer violências interpessoais que a população geral, incluindo violência sexual. Compreende-se, então, que o tratamento psicológico pode ser importante para a promoção de resiliência nessa população, de modo a auxiliar no enfrentamento da violência. O objetivo deste artigo de revisão narrativa de literatura é discutir quais são as principais evidências científicas relacionadas ao tratamento psicológico para promoção de resiliência em crianças e adolescentes com deficiência que sofreram violência sexual. Como principais resultados, encontrou-se que a maior parte dos protocolos de tratamento para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual excluem da sua amostra pessoas com deficiências, de modo que estudos voltados para essa população são escassos na literatura. Diante desse cenário, ressalta-se a importância do desenvolvimento de estudos empíricos que forneçam evidências científicas e diretrizes de tratamento para crianças e adolescentes com deficiência vítimas de violência sexual, bem como o investimento em capacitações para profissionais da área.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"24 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-02-02","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"117232798","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-02-02DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11181
Isabela Samogim Santos, Alex Sandro Gomes Pessoa, A. Gomes, Leticia Yuki de Araújo Furukawa
A inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior foi uma conquista histórica e repercutiu em dimensões políticas, sociais e psicológicas deste segmento. Este artigo teve por objetivo verificar como a inserção no ensino superior auxilia a promoção de resiliência de estudantes universitários com deficiência. Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório e com recorte transversal. O trabalho de campo ocorreu em duas universidades (uma pública e outra privada), de uma cidade de médio porte do interior do estado de São Paulo. Após a definição dos critérios de inclusão, foram recrutados sete participantes, sendo cinco com deficiência visual e dois com deficiência física. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e reflexivas, com todo o material integralmente transcrito e, posteriormente, submetido à análise de conteúdo. Os resultados foram sistematizados em torno de cinco categoriais: a) afirmação identitária e não-vitimização; b) possibilidade de nutrir projetos de vida; c) diferença e reciprocidade; d) experiências de altruísmo; e) participação social, senso crítico e reivindicação de direitos. A pesquisa evidenciou que o acesso à universidade repercutiu de forma positiva na vida dos participantes, impulsionando-os à manutenção e/ou construção de projetos de vida, na promoção do bem-estar e na descoberta de novas possibilidades de existência, antes pouco vivenciadas.
{"title":"Processos de Resiliência em Estudantes Universitários com Deficiência","authors":"Isabela Samogim Santos, Alex Sandro Gomes Pessoa, A. Gomes, Leticia Yuki de Araújo Furukawa","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11181","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11181","url":null,"abstract":"A inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior foi uma conquista histórica e repercutiu em dimensões políticas, sociais e psicológicas deste segmento. Este artigo teve por objetivo verificar como a inserção no ensino superior auxilia a promoção de resiliência de estudantes universitários com deficiência. Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório e com recorte transversal. O trabalho de campo ocorreu em duas universidades (uma pública e outra privada), de uma cidade de médio porte do interior do estado de São Paulo. Após a definição dos critérios de inclusão, foram recrutados sete participantes, sendo cinco com deficiência visual e dois com deficiência física. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e reflexivas, com todo o material integralmente transcrito e, posteriormente, submetido à análise de conteúdo. Os resultados foram sistematizados em torno de cinco categoriais: a) afirmação identitária e não-vitimização; b) possibilidade de nutrir projetos de vida; c) diferença e reciprocidade; d) experiências de altruísmo; e) participação social, senso crítico e reivindicação de direitos. A pesquisa evidenciou que o acesso à universidade repercutiu de forma positiva na vida dos participantes, impulsionando-os à manutenção e/ou construção de projetos de vida, na promoção do bem-estar e na descoberta de novas possibilidades de existência, antes pouco vivenciadas.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"12 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-02-02","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"130432727","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e9704
Victor Luis Clavisso Portugal, A. Holanda
Do fato de que Husserl e o movimento fenomenológico preocuparam-se em fundamentalmente oferecer uma ciência transcendental que buscasse rigorosamente identificar as estruturas da experiência bem como a natureza do conhecimento, não surpreende que também outras disciplinas se interessassem em conhecer e aplicar algumas de suas propostas e resultados. Este debate, que desde os primórdios da fenomenologia já toma forma, hoje é atualizado em discussões tanto na psicopatologia fenomenológica contemporânea bem como no campo de pesquisa qualitativa que faz algum uso da fenomenologia. O presente artigo busca primeiramente apresentar a tensão existente ao longo do movimento fenomenológico acerca da possibilidade, validade e utilidade da fenomenologia fora da filosofia fenomenológica. Em seguida, argumentamos que, a partir dos exemplos de Jaspers e da corrente de psicopatologia fenomenológica clássica e contemporânea, é possível oferecer motivos suficientes para justificar tanto a possibilidade de um uso não-filosófico da fenomenologia, bem como sua proficuidade. Não cremos que os propósitos primordiais da filosofia fenomenológica sejam os de estabelecer e fornecer um framework para as várias outras disciplinas; entretanto, uma concepção mais compreensiva da ciência fenomenológica e de seu debatido histórico mostra que seus resultados e possibilidades apresentam-se frutíferos para as ciências, as quais hoje se contrapõem às diversas formas de reducionismo em diversos campos do conhecimento.
{"title":"A Tensão acerca da Aplicação da Fenomenologia: Jaspers e a Psicopatologia Fenomenológica","authors":"Victor Luis Clavisso Portugal, A. Holanda","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e9704","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e9704","url":null,"abstract":"Do fato de que Husserl e o movimento fenomenológico preocuparam-se em fundamentalmente oferecer uma ciência transcendental que buscasse rigorosamente identificar as estruturas da experiência bem como a natureza do conhecimento, não surpreende que também outras disciplinas se interessassem em conhecer e aplicar algumas de suas propostas e resultados. Este debate, que desde os primórdios da fenomenologia já toma forma, hoje é atualizado em discussões tanto na psicopatologia fenomenológica contemporânea bem como no campo de pesquisa qualitativa que faz algum uso da fenomenologia. O presente artigo busca primeiramente apresentar a tensão existente ao longo do movimento fenomenológico acerca da possibilidade, validade e utilidade da fenomenologia fora da filosofia fenomenológica. Em seguida, argumentamos que, a partir dos exemplos de Jaspers e da corrente de psicopatologia fenomenológica clássica e contemporânea, é possível oferecer motivos suficientes para justificar tanto a possibilidade de um uso não-filosófico da fenomenologia, bem como sua proficuidade. Não cremos que os propósitos primordiais da filosofia fenomenológica sejam os de estabelecer e fornecer um framework para as várias outras disciplinas; entretanto, uma concepção mais compreensiva da ciência fenomenológica e de seu debatido histórico mostra que seus resultados e possibilidades apresentam-se frutíferos para as ciências, as quais hoje se contrapõem às diversas formas de reducionismo em diversos campos do conhecimento.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"39 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"126912945","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e9305
Mariana Salles Kehl, Maria Isabel Fortes
Considerando-se a dissolução dos valores tradicionais modernos e as particularidades das configurações subjetivas engendradas na Contemporaneidade, este artigo propõe uma reflexão teórica a partir da reassunção do percurso psicanalítico lacaniano no que se refere à formulação do registro imaginário, destacando seu liame com a violência e seus desdobramentos no corpo. Para tanto, percorre-se o caráter essencial do estádio do espelho na formação do Eu, a conflituosa e intrínseca relação com o outro, as distinções teóricas entre agressividade e violência, os fundamentos do corpo com o qual a Psicanálise opera e sua compreensão como desenlace sintomático favorecido pelo ato. Por fim, delineiam-se os recursos que a clínica psicanalítica pode oferecer frente a tal conjuntura.
{"title":"Do liame entre Imaginário e Violência: Desenlaces no Corpo","authors":"Mariana Salles Kehl, Maria Isabel Fortes","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e9305","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e9305","url":null,"abstract":"Considerando-se a dissolução dos valores tradicionais modernos e as particularidades das configurações subjetivas engendradas na Contemporaneidade, este artigo propõe uma reflexão teórica a partir da reassunção do percurso psicanalítico lacaniano no que se refere à formulação do registro imaginário, destacando seu liame com a violência e seus desdobramentos no corpo. Para tanto, percorre-se o caráter essencial do estádio do espelho na formação do Eu, a conflituosa e intrínseca relação com o outro, as distinções teóricas entre agressividade e violência, os fundamentos do corpo com o qual a Psicanálise opera e sua compreensão como desenlace sintomático favorecido pelo ato. Por fim, delineiam-se os recursos que a clínica psicanalítica pode oferecer frente a tal conjuntura.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"306 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"115842769","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e9431
A. Correia, C. Lang
O psiquiatra francês Georges Lantéri-Laura utilizou-se do conceito de “paradigma”, trabalhado por T. S. Kuhn, para dar conta da racionalidade e da história da psicopatologia. No seu Ensaio sobre os paradigmas da psiquiatria moderna, Lantéri-Laura estabeleceu três paradigmas, situados entre o final do século XVIII e o final do século XX. O primeiro paradigma tem em seu centro a ideia de alienação mental. O segundo trabalha com a noção de que existem as doenças mentais. O terceiro vale-se da noção de estrutura e define as grandes estruturas psicopatológicas. Dessa forma, este ensaio teórico teve como ponto de partida a revisão histórica das tradições psiquiátricas realizada por Lantéri-Laura, buscando avançar e incluir as discussões contemporâneas na proposta de defender um quarto paradigma psiquiátrico orientado pelo conceito de síndrome. Nesse estudo é possível identificar duas lógicas psicopatológicas bastante distintas – uma psicanalítica e outra comportamental –, na qual se funda o Diagnostic and statistic manual of mental disorders (DSM), manual da Associação Americana de Psiquiatria (APA). Para tal fez-se necessária a elaboração de um breve contexto da DSM e de suas cinco edições sobre as principais críticas a esse sistema classificatório. Por fim, discute-se o destino do sistema DSM em face dos novos sistemas diagnósticos emergentes e se conclui que a psicopatologia é um campo diacrônico, em que as mudanças e as atualizações são constantes e necessárias.
法国精神病学家Georges lanteri -Laura使用了T. S. Kuhn提出的“范式”概念来解释精神病理学的合理性和历史。在她关于现代精神病学范式的文章中,lanteri -Laura建立了三个范式,位于18世纪末和20世纪末之间。第一种范式的核心是精神异化的概念。第二种观点认为精神疾病是存在的。第三部分利用结构的概念,定义了主要的精神病理结构。因此,这篇理论文章以lanteri -Laura对精神病学传统的历史回顾为出发点,寻求推进并包括当代讨论,以捍卫第四种以综合症概念为导向的精神病学范式。在这项研究中,有可能确定两种截然不同的精神病理逻辑——一种是精神分析的,另一种是行为的——这是美国精神病学协会(APA)的精神障碍诊断和统计手册(DSM)的基础。为此,有必要详细阐述DSM的简要背景及其对这一分类系统的主要批评的五个版本。最后,我们讨论了DSM系统面对新出现的诊断系统的命运,并得出结论,精神病理学是一个历时性的领域,其中的变化和更新是持续的和必要的。
{"title":"Está se Constituindo um Novo Paradigma Psiquiátrico?","authors":"A. Correia, C. Lang","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e9431","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e9431","url":null,"abstract":"O psiquiatra francês Georges Lantéri-Laura utilizou-se do conceito de “paradigma”, trabalhado por T. S. Kuhn, para dar conta da racionalidade e da história da psicopatologia. No seu Ensaio sobre os paradigmas da psiquiatria moderna, Lantéri-Laura estabeleceu três paradigmas, situados entre o final do século XVIII e o final do século XX. O primeiro paradigma tem em seu centro a ideia de alienação mental. O segundo trabalha com a noção de que existem as doenças mentais. O terceiro vale-se da noção de estrutura e define as grandes estruturas psicopatológicas. Dessa forma, este ensaio teórico teve como ponto de partida a revisão histórica das tradições psiquiátricas realizada por Lantéri-Laura, buscando avançar e incluir as discussões contemporâneas na proposta de defender um quarto paradigma psiquiátrico orientado pelo conceito de síndrome. Nesse estudo é possível identificar duas lógicas psicopatológicas bastante distintas – uma psicanalítica e outra comportamental –, na qual se funda o Diagnostic and statistic manual of mental disorders (DSM), manual da Associação Americana de Psiquiatria (APA). Para tal fez-se necessária a elaboração de um breve contexto da DSM e de suas cinco edições sobre as principais críticas a esse sistema classificatório. Por fim, discute-se o destino do sistema DSM em face dos novos sistemas diagnósticos emergentes e se conclui que a psicopatologia é um campo diacrônico, em que as mudanças e as atualizações são constantes e necessárias.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"17 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128533375","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11404
Aline Pompeu Silveira, E. Cerqueira-Santos
Buscou-se verificar as relações entre preditores e efeitos associados à variável abertura e sua relação com a prevenção sexual e reprodutiva de mulheres lésbicas. Conduziu-se um estudo com 1.146 mulheres brasileiras autoidentificadas como lésbicas com idade média de 23 anos. A principal hipótese foi que o distress, a abertura geral, a abertura para o profissional de saúde e as variáveis sociodemográficas interferem na prevenção sexual e reprodutiva dessa população. Os dados foram coletados por instrumento on-line autoaplicável, realizando-se análises descritivas e inferenciais, além de observadas diferenças de pertencimento a grupos. Os resultados indicaram que mulheres lésbicas têm pouco conhecimento sobre práticas preventivas e discute-se que a ausência de abertura/confiabilidade interfere no acesso de mulheres lésbicas a serviços de saúde, bem como na qualidade do atendimento, o que por conseguinte afeta sua prevenção sexual e reprodutiva. Dessa forma, alerta-se para a necessidade de um maior preparo dos profissionais de saúde para melhor compreender as demandas específicas de mulheres lésbicas para assim, então, instruí-las sobre prevenção, além de proporcionar um ambiente acolhedor no atendimento.
{"title":"Fatores Associados à Prevenção Sexual e Reprodutiva de Mulheres Lésbicas","authors":"Aline Pompeu Silveira, E. Cerqueira-Santos","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11404","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11404","url":null,"abstract":"Buscou-se verificar as relações entre preditores e efeitos associados à variável abertura e sua relação com a prevenção sexual e reprodutiva de mulheres lésbicas. Conduziu-se um estudo com 1.146 mulheres brasileiras autoidentificadas como lésbicas com idade média de 23 anos. A principal hipótese foi que o distress, a abertura geral, a abertura para o profissional de saúde e as variáveis sociodemográficas interferem na prevenção sexual e reprodutiva dessa população. Os dados foram coletados por instrumento on-line autoaplicável, realizando-se análises descritivas e inferenciais, além de observadas diferenças de pertencimento a grupos. Os resultados indicaram que mulheres lésbicas têm pouco conhecimento sobre práticas preventivas e discute-se que a ausência de abertura/confiabilidade interfere no acesso de mulheres lésbicas a serviços de saúde, bem como na qualidade do atendimento, o que por conseguinte afeta sua prevenção sexual e reprodutiva. Dessa forma, alerta-se para a necessidade de um maior preparo dos profissionais de saúde para melhor compreender as demandas específicas de mulheres lésbicas para assim, então, instruí-las sobre prevenção, além de proporcionar um ambiente acolhedor no atendimento.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"70 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"122074709","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11461
V. Belarmino, M. Dimenstein
A experiência urbana nas cidades contemporâneas consiste em um tema que atrai o interesse de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, movidos pelo compromisso ético-político de enfrentamento às racionalidades e discursos que corroboram para o esvaziamento da experiência urbana e reforçam mecanismos de exclusão nas cidades, disciplinarização, higienização, homogeneização e segregação dos corpos considerados abjetos e indesejáveis. Nesse campo, a experiência urbana de homens gays, entretanto, é um tema ainda pouco explorado, apesar de demonstrar ser capaz de produzir modos de subjetivação na cidade, subverter e ressignificar os usos esperados dos espaços. Portanto, partindo da interrogação acerca dos efeitos de uma cidade excitada pela homossexualidade, objetiva-se analisar de que modo a experiência urbana de homens gays cisgêneros tem sido abordada na literatura científica. Para tanto, realizou-se revisão sistemática da literatura de artigos indexados no Portal de periódicos CAPES publicados até abril de 2020. Ao longo dos anos, o tema cresce em número de publicações. Demonstrou ser majoritariamente desenvolvido nas Ciências Humanas, a partir de abordagem qualitativa. Há predomínio de pesquisadores do sexo masculino, os quais realizam imersão em campo. Dois eixos de análise condensam as principais discussões desses artigos: (1) Gestão das Diferenças na cidade; e (2) Homossociabilidade e fragmentação das experiências urbanas. O primeiro, aborda a articulação entre os processos de generificação-gentrificação dos espaços e os marcadores sociais da diferença: espaços públicos, estabelecimentos comerciais/de consumo/de lazer e ambientes virtuais apresentam diferentes graus de abertura à gestão das diferenças na cidade. O segundo, explora as próprias relações homossexuais mediadas por normas sociais e relações de poder, revelando uma homossexualidade estilhaçada em diversos estereótipos. A concentração em cidades metropolitanas, nos espaços e momentos de lazer/divertimento ou em usos mediados pelo consumo são algumas limitações desses estudos, ao reforçarem um modelo global de gay, descarrilhado das experiências cotidianas.
{"title":"Experiência Urbana Gay na Cidade: uma Revisão Sistemática","authors":"V. Belarmino, M. Dimenstein","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11461","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11461","url":null,"abstract":"A experiência urbana nas cidades contemporâneas consiste em um tema que atrai o interesse de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, movidos pelo compromisso ético-político de enfrentamento às racionalidades e discursos que corroboram para o esvaziamento da experiência urbana e reforçam mecanismos de exclusão nas cidades, disciplinarização, higienização, homogeneização e segregação dos corpos considerados abjetos e indesejáveis. Nesse campo, a experiência urbana de homens gays, entretanto, é um tema ainda pouco explorado, apesar de demonstrar ser capaz de produzir modos de subjetivação na cidade, subverter e ressignificar os usos esperados dos espaços. Portanto, partindo da interrogação acerca dos efeitos de uma cidade excitada pela homossexualidade, objetiva-se analisar de que modo a experiência urbana de homens gays cisgêneros tem sido abordada na literatura científica. Para tanto, realizou-se revisão sistemática da literatura de artigos indexados no Portal de periódicos CAPES publicados até abril de 2020. Ao longo dos anos, o tema cresce em número de publicações. Demonstrou ser majoritariamente desenvolvido nas Ciências Humanas, a partir de abordagem qualitativa. Há predomínio de pesquisadores do sexo masculino, os quais realizam imersão em campo. Dois eixos de análise condensam as principais discussões desses artigos: (1) Gestão das Diferenças na cidade; e (2) Homossociabilidade e fragmentação das experiências urbanas. O primeiro, aborda a articulação entre os processos de generificação-gentrificação dos espaços e os marcadores sociais da diferença: espaços públicos, estabelecimentos comerciais/de consumo/de lazer e ambientes virtuais apresentam diferentes graus de abertura à gestão das diferenças na cidade. O segundo, explora as próprias relações homossexuais mediadas por normas sociais e relações de poder, revelando uma homossexualidade estilhaçada em diversos estereótipos. A concentração em cidades metropolitanas, nos espaços e momentos de lazer/divertimento ou em usos mediados pelo consumo são algumas limitações desses estudos, ao reforçarem um modelo global de gay, descarrilhado das experiências cotidianas.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"30 3 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"116864009","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11317
Davi Mamblona Marques Romão, Alan Osmo
O objetivo deste artigo é analisar a forma como a violência é apresentada nos programas de jornalismo policial televisivo e debater os possíveis efeitos dos programas em seus telespectadores. Selecionamos como material de análise algumas edições de programas do gênero: do Brasil Urgente (TV Bandeirantes São Paulo), do Cidade Alerta e do Balanço Geral (ambos da TV Record São Paulo). Uma amostra aleatória de sete edições foi gravada, transcrita e submetida à análise qualitativa de discurso. Como fundamentação teórica para a interpretação dos programas, utilizou-se um referencial oriundo da Teoria Crítica da sociedade. A partir da análise, chegamos à conclusão de que a estrutura do jornalismo policial parece provocar dois grandes efeitos em seu público: 1) ela coloca seus telespectadores em uma posição conformista, por meio da qual o sistema social é protegido e reforçado; 2) os programas alimentam uma forma paranoica de relação com a realidade social, a partir da construção de uma visão de mundo fundada no medo. O estudo indica, por fim, que programas do gênero podem alimentar processo de exclusão social, ao consolidar estigmas e preconceitos, além de reforçar demandas por um Estado autoritário e violento.
本文的目的是分析暴力是如何在电视警察新闻节目中呈现的,并讨论这些节目对观众可能产生的影响。我们选择了一些版本的节目作为分析材料:do Brasil Urgente (TV Bandeirantes sao Paulo), Cidade Alerta和do balance Geral(都来自TV Record sao Paulo)。随机选取七个版本进行录音、转录并进行定性话语分析。作为解释节目的理论基础,我们使用了来自社会批判理论的参考。通过分析,我们得出结论,警察新闻的结构似乎对其受众产生了两大影响:1)它将观众置于一种墨守成规的地位,从而保护和加强了社会制度;2)从建立基于恐惧的世界观开始,节目培养了一种与社会现实的偏执关系。最后,研究表明,性别项目可以通过巩固耻辱和偏见,以及加强对独裁和暴力国家的要求,助长社会排斥的过程。
{"title":"O Perigo Mora ao Lado: Jornalismo Policial Televisivo e Paranoia","authors":"Davi Mamblona Marques Romão, Alan Osmo","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11317","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11317","url":null,"abstract":"O objetivo deste artigo é analisar a forma como a violência é apresentada nos programas de jornalismo policial televisivo e debater os possíveis efeitos dos programas em seus telespectadores. Selecionamos como material de análise algumas edições de programas do gênero: do Brasil Urgente (TV Bandeirantes São Paulo), do Cidade Alerta e do Balanço Geral (ambos da TV Record São Paulo). Uma amostra aleatória de sete edições foi gravada, transcrita e submetida à análise qualitativa de discurso. Como fundamentação teórica para a interpretação dos programas, utilizou-se um referencial oriundo da Teoria Crítica da sociedade. A partir da análise, chegamos à conclusão de que a estrutura do jornalismo policial parece provocar dois grandes efeitos em seu público: 1) ela coloca seus telespectadores em uma posição conformista, por meio da qual o sistema social é protegido e reforçado; 2) os programas alimentam uma forma paranoica de relação com a realidade social, a partir da construção de uma visão de mundo fundada no medo. O estudo indica, por fim, que programas do gênero podem alimentar processo de exclusão social, ao consolidar estigmas e preconceitos, além de reforçar demandas por um Estado autoritário e violento.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"72 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"128846832","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}
Pub Date : 2022-01-10DOI: 10.5020/23590777.rs.v21i3.e11349
Paulo Roberto da Silva Júnior, Claudia Mayorga
Jovens que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego têm sido nomeados/as como jovens nem-nem, em diferentes contextos sociais. Tanto no Brasil quanto em outros países do mundo, a juventude nem-nem tem ocupado um lugar de destaque no meio acadêmico, na mídia e nas intervenções por parte do Estado e de outros atores sociais, todos buscando formas de atuar sobre o problema. Diante desse cenário, buscamos compreender as noções construídas sobre os/as jovens nomeados/as como nem-nem, bem como as propostas de controle e regulação produzidas por diferentes atores da sociedade para eles/as. A partir de uma pesquisa documental, apresentamos neste artigo os resultados de uma análise lexical realizada com o auxílio do programa ALCESTE – Análise Lexical por Contexto de um Conjunto de Segmentos de Texto. Os resultados destacam os principais universos semânticos sobre os/as jovens nomeados/as nem-nem em trechos retirados de onze (11) edições do documento Trabalho Decente e Juventude da Organização Internacional do Trabalho. Problematizamos algumas noções que convidam a pensar os/as jovens ditos/as nem-nem como sujeitos vulneráveis e como grupo de risco, sendo as respostas mais imediatas direcionadas ao investimento na subjetividade do/a jovem, reatualizando o mito dos/as jovens pobres como classe perigosa, sem com isso levar em consideração a reprodução social da nossa desigualdade.
{"title":"Análise Lexical sobre o/a Jovem Nem-Nem no Documento Trabalho Decente e Juventude/OIT","authors":"Paulo Roberto da Silva Júnior, Claudia Mayorga","doi":"10.5020/23590777.rs.v21i3.e11349","DOIUrl":"https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11349","url":null,"abstract":"Jovens que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego têm sido nomeados/as como jovens nem-nem, em diferentes contextos sociais. Tanto no Brasil quanto em outros países do mundo, a juventude nem-nem tem ocupado um lugar de destaque no meio acadêmico, na mídia e nas intervenções por parte do Estado e de outros atores sociais, todos buscando formas de atuar sobre o problema. Diante desse cenário, buscamos compreender as noções construídas sobre os/as jovens nomeados/as como nem-nem, bem como as propostas de controle e regulação produzidas por diferentes atores da sociedade para eles/as. A partir de uma pesquisa documental, apresentamos neste artigo os resultados de uma análise lexical realizada com o auxílio do programa ALCESTE – Análise Lexical por Contexto de um Conjunto de Segmentos de Texto. Os resultados destacam os principais universos semânticos sobre os/as jovens nomeados/as nem-nem em trechos retirados de onze (11) edições do documento Trabalho Decente e Juventude da Organização Internacional do Trabalho. Problematizamos algumas noções que convidam a pensar os/as jovens ditos/as nem-nem como sujeitos vulneráveis e como grupo de risco, sendo as respostas mais imediatas direcionadas ao investimento na subjetividade do/a jovem, reatualizando o mito dos/as jovens pobres como classe perigosa, sem com isso levar em consideração a reprodução social da nossa desigualdade.","PeriodicalId":296766,"journal":{"name":"Revista Subjetividades","volume":"102 1","pages":"0"},"PeriodicalIF":0.0,"publicationDate":"2022-01-10","publicationTypes":"Journal Article","fieldsOfStudy":null,"isOpenAccess":false,"openAccessPdf":"","citationCount":null,"resultStr":null,"platform":"Semanticscholar","paperid":"124071869","PeriodicalName":null,"FirstCategoryId":null,"ListUrlMain":null,"RegionNum":0,"RegionCategory":"","ArticlePicture":[],"TitleCN":null,"AbstractTextCN":null,"PMCID":"","EPubDate":null,"PubModel":null,"JCR":null,"JCRName":null,"Score":null,"Total":0}